Pokémon Mythology
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Brass Rails: The Desolate Dreams Pikalove

Brass Rails: The Desolate Dreams

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Brass Rails: The Desolate Dreams Empty Brass Rails: The Desolate Dreams

Mensagem por Caio. em Qua 3 Abr 2013 - 22:53






Corações Dispersos

Brass Rails: The Desolate Dreams Sprhgssgentleman


O local mal iluminado dificultava a visão daqueles olhos azuis serenos, das cores do oceano. Revirava longos tubos de ensaio, procurando por algo que lhe pudesse ajudar d’alguma forma. A maioria logo perderia o efeito e seria inutilizável, embora alguns frascos de ácidos e sais tóxicos fossem vez ou outra puxados pelo rapaz e guardados numa pequena mochila preta. Fazia frio no ambiente e, mesmo com seus tradicionais casacos azuis, Arthur tremia, rebatendo os dentes. Puxou seu relógio em ouro branco dos bolsos: não poderia ficar lá por mais muito tempo. Ajeitando-o nos pequenos furos nas roupas, virou-se e seguiu por uma escada metálica, negra, simplista e sem muitos detalhes; era provavelmente para emergências.

Saíra num beco sujo de lama, chovia. Felizmente, trouxera sua capa plástica, caminhando de ruelas em ruelas sob o crepúsculo d’um dia a amanhecer que já dava as caras pelos céus alaranjados da abóboda urbana com todos seus arranha-céus espelhados e os prédios suburbanos abandonados, jogados ao mofo do consumismo.

Alguns mendigos já lhe perturbavam o caminho, fazendo-o jogar moedas no chão defecado pelo lodo cinzento industrial. Finalmente, chegou em frente a uma grande mansão, sua casa. O brilho transparente das águas refletia nas paredes brancas da entrada, que era forrada por flores avermelhadas e laranjas de forma que retomavam a brasas. Os gigantes portões de madeira – sendo estes na realidade forrados de ferro – muito escuras davam a moradia uma sensação de penumbra e prisão, justo como pensava Arthur.

Passou as mãos pálidas sobre os cabelos negros, retirando o pouco que lhe escorria pelos olhos marinos. Já não chovia mais, o que o fez guardar a capa em sua mochila, revendo todos os fracos e aquela velha confusão de cores químicas. Suspirou profundamente, remexendo o bolso até encontrar o molho gélido. Puxou uma pequena chave prateada, abrindo com certa dificuldade as pesadas portas.

Não gostaria de acordar ninguém, nem mesmo um de seus criados. Odiava ser observado quando chegava de suas taciturnas viagens noturnas. Com sucesso, entrou na larga casa. Pelas largas escadas de madeira da sala central havia um pequeno Eevee deitado, pouco abaixo de um relógio redondo, com as bordas cinzas bem escurecidas e o fundo branco com números retro, sob um pêndulo.

O rapaz subiu poucos degraus, sentando-se ao lado da encolhida bola de pêlos marrom, logo após puxando-a para seu colo e o acordando bruscamente, como um susto.

- Não há o que se preocupar. – comentou o rapaz, fazendo um cafuné ao pequenino pokémon, que retribuiu-lhe um olhar sereno e repousou a cabeça sobre os joelhos do dono.

Carregando-o nos braços confortavelmente, subiu as escadas e chegou ao seu quarto forrado por um carpete acinzentado. Colocou o pequeno sobre ele, cobrindo-o com um pequeno pano anil. Retirou as pesadas vestimentas e colocou um pijama avermelhado, deitando-se na grande cama e dormindo enquanto o sol subia alto nos céus para o dia nascer feliz. O relógio de ouro branco do bolso estava sobre o criado mudo, parado. Um desse quebrado era mesmo como o tempo: infindo.


-X-


Os olhos semicerrados incomodavam-se com a luz alaranjada forte que passava pelas frestas de sua cortina. As pernas estavam descobertas e uma moça magérrima sacudia-lhas, observando com certo temor a reação de Arty.

- Que foi, Serry? – perguntou o rapaz passando a mão sobre o rosto, irritado.

- Oh, desculpe-me, senhor! – respondeu a outra envergonhada e temerosa. – Seu pai pediu-me para comunicar-lhe que o almoço está pronto e que deveria acordar por agora. – ela reverenciou-se e saiu em passos pequenos e rápidos, ainda preocupada.

”E quem liga para o que ele quer ou não?”, pensou o menino. O pokémon de pelugem amarronzada com uma mancha escurecida sobre o olho comia algumas berries tranquilamente. Ainda resmungando, Arthur trocou-se, trajando suas típicas vestimentas: uma blusa social branca, um fino casaco azul prussiano celestial e uma calça longa de mesma cor. Seus All Star vermelhos ficavam sempre jogados num canto qualquer das paredes de gesso roxas. Desceu para a sala de jantar.

Numa gigante mesa de plástico fina, de tom branco, pratos de variadas e variadas comidas exalavam seu odor. Todo aquele cheiro impertinente não lhe chamava a atenção, no entanto. O que lhe atraía a negatividade era a sombra gorda e grande situada ao fim do móvel. Seus cabelos calvos, muito negros, maltratados e oleosos estavam jogados para trás, dando-lhe feições ainda mais grotescas e papudas. Os olhos âmbares eram como fendas abissais, sem cor, sem fim. A luz batia-lhe no rosto através dos longos vidros límpidos situados na parede direita, exibindo-o com grande quantidade de suor, também presente num lenço verde em seu bolso.

- Você deveria parar de chegar tão tarde. – disse a figura gigante. Sua voz era um pouco fina em relação a seu porte físico. Os talheres prateados mal cabiam em suas mãos, e o prato de porcelana fina parecia não ser suficiente. Os peitos batiam sobre as pontas, sujando-as com um líquido espesso e amarelado. Seus movimentos eram muito lerdos, dando aflição e repúdio. – Onde estava?

- Com meus amigos. – respondeu o outro, tentando não observar o triste pai. – Onde mais estaria? – sabia que, no fim, seu pai sabia de tudo, afinal, um homem tão rico, poderoso e influente como ele com certeza perceberia o roubo de alguns compostos químicos importantes para seus experimentos.

Seu pai era um poderoso e influente produtor de substâncias ilegais para a venda no mercado negro, especialmente no que diz respeito a drogas que multavam o DNA de pokémons. Fazia pouco tempo que o jovem descobrira isso. Há aproximadamente quatro anos, quando possuía somente doze anos. Sua mãe, uma bela cientista, ajudava constantemente o marido, até que, um dia, quando não trabalhara no laboratório, viu um rapaz jovem ser assassinado sem razão aparente pela empresa de sua família. Chocada, separou-se e mudou-se para Blackthorn, levando o rapaz junto d’ela. Apesar da pouca idade, contou pouco a pouco para o menino sobre a estória. Seu pai, porém, fingia não saber que o filho conhecia a verdade – conquanto, como poderoso mafioso, soubesse de algo.

- É, você está certo. – comentou, sorrindo e fingindo-se de simpático. – Hoje é seu último dia por aqui e você tem que aproveitá-lo bem. – pondo-se a comer mais algumas garfadas de macarrão, o homem vez ou outra sorria com a boca manchada pelo molho vermelho. – Quando irá partir?

- Logo. – respondeu seco. – Meu Rapidash já está pronto?

- É bem provável que sim. – respondeu o pai, terminando o prato e colocando outra porção de comida. – Lembre-se de levar aquela... aquela coisa. – revirava os olhos enquanto falava, ao observar que Eevee chegava cada vez mais perto.

Arty puxou o pokémon para si e almoçou. Arrumara suas coisas, as quais seriam entregues de carro para a cidade onde vivia. Apesar de tudo, sempre voltava em seu amigo de chamas roxas e corpo prateado. Naquele momento, ter praticado aquilo por toda a vida serviu-lhe muito bem: poderia voltar com os produtos sem que ninguém os inspecionassem no carro. Resolvera dormir em Mahogany Town, pois já anoitecia.


-X-


O vento assobiava ao passar pelas pedras congeladas do caminho de gelo. Não sentia frio; lá estava seu Rapidash a aquecê-lo. Finalmente via a luz ao fim da caverna – o que provavelmente explicava a estrondosa ventania que lá se fazia presente.

Os primeiros raios de sol – ofuscados pelas nuvens pesadas e cinzas que pareciam descer dos céus - na face vieram acompanhados da penumbra de longos cabelos cacheados, de mechas loiras. Uma garota de um metro e sessenta e pouco soluçava, indo a direção do rapaz de olhos sem brilho. Os dela, por sua vez, brilhavam lacrimosamente.

- Es-estive esperando v-você chegar... – gaguejou, pondo-se a chorar. – P-por que demorou tanto? N-não re-recebeu minhas car-car-cartas?

Surpreendeu-se. Mahogany era uma bela cidadezinha, com suas casinhas pintadas em cores vívidas, seus ventos frios suaves a baterem no rosto e o eterno cheiro fresco de pinheiros e eucalipto que entram puros e ardentes nos pulmões, recobrando-se o ser. O único problema era não possuir sinal algum, exilando os moradores de todo e qualquer meio de comunicação senão rádios velhos de transmissões fantasmas.

- O que houve, Caroline? – perguntou, descendo rápido de seu Rapidash, aproximando-se da pequenina e tomando-a pelos braços. A pequena criatura marrom de orelhas pontudas que a tudo assistia da transparência escarlate da pokéball libera-se, passando seus suaves pêlos pela perna de seu dono.

- Era eu que devia abraçá-lo. – contentou-se a menina, diminuindo a gagueira, mas falando fraca e em tom de piedade. – É melhor irmos a sua casa, lá poderá ouvir-me melhor e nos protegeremos dessa chuva.

Todos se reuniram em caminhada ao pequeno chalé de madeira, localizado não muito distante da caverna. Ao chegar, as paredes vermelhas em sangue pintadas sobre a madeira retangular lisa ofuscavam a beleza das grandes araucárias que se estendiam ao longo. O teto era triangular com pontas circuladas, cobrindo-se com um pouco de palha d’um amarelo pálido. Era simples e cheirava bem, o oposto da mansão de Goldenrod.

- Onde está minha mãe? – fora a primeira pergunta do menino, inquieto com a choradeira e com a ausência da mulher.

- Sua mãe... – comentou a garota, pondo-se a choramingar fraco. – Ela... ela... foi encontrada morta... Ontem.

”Morta? Perdida para sempre? Para sempre... E todo o sempre... Sem mais... A matéria... Extingue-se...”, pensou. Flashes de sua infância, do toque suave no banho, do carinho materno ao cuidar de suas malditas doenças, dos abraços calorosos em noites frias de trovões, do cafuné após terríveis cirurgias complexas, do amor incondicional por alguém anormal como ele, passaram por seus olhos como num turbilhão cósmico irado.  E desmaiou.

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Nota: Clichê uma morte logo no primeiro capítulo, um Eevee e uma história de distopia, né? Acredito que isso vai mudar. Bem, acredito nada. Tenho certeza. O segundo cap tá pronto, então eu sei que coisas vão acontecer. Espero que gostem dessa pequena intro. Não deixem as palavras enganarem vocês :roll:Mag, se você reclamar de sobre e sob juro que te mato u.u



Última edição por Caio. em Dom 29 Jun 2014 - 2:38, editado 38 vez(es)
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Frase pessoal : A noir. E blanc. I rouge. U vert. O bleu.


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Mensagem por Rush em Qua 3 Abr 2013 - 23:02

Boa noite, rapaz. c:

Gostei muito mesmo da fic. Tu sabe disso. Gostei muito da personalidade do Arthur, do Eevee e do Rapidash. *-* Gostei ainda mais da Carolayne, tomara que ela seja uma protagonista e apareça em todos os capítulos, porque eu sei que ela é a garota mais pura e mais bondosa.

Você narra muito bem cara, tem um vocabulário lindástico. Só tente separar mais os parágrafos para não ficar tudo junto, assim fica mais agradável para os nossos olhos lerem, já que as letras estão pequenas.

Aguardo o segundo capítulo. Até mais.

Boa sorte, tá linda a fic! C:
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Frase pessoal : Agora você não tem mais waifu!


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Mensagem por Yoshihime em Qui 4 Abr 2013 - 0:18

Oi, gostei da primeira parte naquela transição de um ambiente de total decadência, degradação, e pobreza para um de luxo e riqueza. A descrição não exagerada, mas sim precisa ajudou muito.

Gostei do Arty, quer dizer, não vi muito dele para dizer que gostei, mas me interessou.

Morte da mãe, deve ser uma das piores coisas que pode acontecer a alguém.

Tá bacana, vou acompanhar.


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Mensagem por Black~ em Qui 4 Abr 2013 - 16:28

Bom, vamos lá.

Sua história é bem interessante (eu já sabia mesmo -qq), "clichê" acho que é quando o cara não sabe escrever e torna a fic chata, não histórias que são "repetitivas e chatas", mas que muitas vezes podem ser bem escritas. Acho que o único "clichê" da sua fic é o Eevee, é um pokémon tão legalzinho, mas toda fic o tem praticamente -q. Mas enfim.

O pai do moleque era lá, todo ricão e em vez de ser aquele velho rico inocente, dono de uma grande empresa famosa, era um cara do mal, do tráfico, eu no começo nem imaginei isso, foi interessante isso também. E outra coisa, o garoto sai do luxo de onde o pai mora pra ir pra uma cabana "velha", bem diferente -q.

O Arty trabalha entregando as mercadorias ilegais do pai? Foi o que eu percebi lendo, ou devo estar enganado -q, mas enfim.

Eu gostei dos dois personagens. A Caroline tem uma aparência doce e meiga, enquanto o Arty tem uma aparência mais de durão, de "rbd" -q. Gostei da "combinação" dos dois, mas enfim.

Erros eu acho que vi um só, mas você vai falar que é contra a nova ortografia e tals e.e . Mas pelo não tem mais acento, acho que só foi esse, mas nem é tão perceptível, mas enfim.

Sua narração é muito boa, você escreve muito bem e não coloca muitas firulas na narração, deixando-a bem legal também mesmo simples.

O Arty era/é "defeituoso"? Também é interessante um protagonista cheio de doenças e tudo mais.

Enfim, acho que só e boa sorte com a fic.
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Mensagem por Nivans em Sex 5 Abr 2013 - 7:17

Já havia lido pelo Skype, mas resolvi reler por aqui prestando mais atenção, btw. Enfim, você já sabe disso, mas acho a tua narração muito boa mesmo. Não só pelo vocabulário, mas tem algo que te prende, sacas? Queria ter essa sua capacidade em termos de escrita...

Enfim, curti a história. Está apenas no início, mas tenho quase certeza de que vou acompanhá-la. Acho que já disseram tudo que eu tinha para falar, de qualquer maneira... Sobre erros, não vi nenhum e, se houve, me passou despercebido.

Té mais! o/
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Mensagem por Mag em Sex 5 Abr 2013 - 11:33

Eu sou sempre útil, hein? Depois destruo mais ppks pra você. Ah! E você é pretensioso achando que eu leria sua fic.

Gostei bastante mesmo, Peri. A sua narrativa é bastante rica em detalhes pertinentes; gosto do molho de chaves frias. Pequenos detalhes que, para mim, fazem uma diferença. Na realidade, já estou louco para saber mais dos rolos desse cara estranho, pai do Arthur. Apenas com este capítulo você já me cativou com alguns trechos que relatam indiretamente a opinião do protagonista quanto ao trabalho do pai. Acho que vou gostar muito de ler sua fic.

O que eu achei mais estranho foi quando o Arthur encontrou a menina na caverna. Na hora, tive a impressão de que era uma paixonite dele e eles estavam se encontrando escondido. Mas depois tive a sensação de que é uma irmã... ou uma criada da mãe... lol Fiquei meio voado nisso. Mas, claro, você nem disse quem é a menina ainda, eu que estou dando pitaco à toa.

Estou bem curioso para ver a que sentido você guiará o enredo e em que tipo de trama nós seremos envolvidos.
Mr. Perry escreveu:sob o crepúsculo
Tá certo, ppkudo. Tem outro 'sobre' que tá certo também. Se errar, eu aviso em negrito.

Até o próximo. E minha utilidade com as ppks nunca deve ser questionada.
Voilá, Peri.


EDIT: Peraêêê! Título em inglês? Vou te destruir!
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Mensagem por Grace Kelly em Dom 7 Abr 2013 - 16:20

Olá Mr. Perry, adorei o modo que você escreve e descreve seus personagens, sua fanfic está bem legal.
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Mensagem por Ari Tasarov em Seg 8 Abr 2013 - 22:03

Como eu havia dito, aqui estou! o/ E posso dizer que gostei muito, Perry! *-* Sua narrativa é realmente boa, com bons detalhes e emoção, dá pra imaginar muito bem as cenas. Well, isso tu já sabe, tanto tua narração quanto descrição são ótimas.

Achei a história interessante, imagino o choque que o guri levou quando recebeu a notícia que a mãe morreu, ainda mais que ele não me pareceu gostar muito do pai dele... -q Quero saber mais sobre essas ''drogas'' que o pai dele faz, sla... Enfim, gostei dele ter um Eevee...

É isso, boa sorte!
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Mensagem por Caio. em Sab 20 Abr 2013 - 14:42

@Rush escreveu:Boa noite, rapaz. c:

Gostei muito mesmo da fic. Tu sabe disso. Gostei muito da personalidade do Arthur, do Eevee e do Rapidash. *-* Gostei ainda mais da Carolayne, tomara que ela seja uma protagonista e apareça em todos os capítulos, porque eu sei que ela é a garota mais pura e mais bondosa.

Você narra muito bem cara, tem um vocabulário lindástico. Só tente separar mais os parágrafos para não ficar tudo junto, assim fica mais agradável para os nossos olhos lerem, já que as letras estão pequenas.

Aguardo o segundo capítulo. Até mais.

Boa sorte, tá linda a fic! C:


Poxa cara, eu deixei os parágrafos separadões já safaidgoiadg
É sempre bom ter você aqui :3
Thx õ/


@Guillerjo escreveu:Oi, gostei da primeira parte naquela transição de um ambiente de total decadência, degradação, e pobreza para um de luxo e riqueza. A descrição não exagerada, mas sim precisa ajudou muito.

Gostei do Arty, quer dizer, não vi muito dele para dizer que gostei, mas me interessou.

Morte da mãe, deve ser uma das piores coisas que pode acontecer a alguém.

Tá bacana, vou acompanhar.




Obrigado cara, espero que eu continue assim xD
Thx õ/


@Black~ escreveu:Bom, vamos lá.

Sua história é bem interessante (eu já sabia mesmo -qq), "clichê" acho que é quando o cara não sabe escrever e torna a fic chata, não histórias que são "repetitivas e chatas", mas que muitas vezes podem ser bem escritas. Acho que o único "clichê" da sua fic é o Eevee, é um pokémon tão legalzinho, mas toda fic o tem praticamente -q. Mas enfim.

O pai do moleque era lá, todo ricão e em vez de ser aquele velho rico inocente, dono de uma grande empresa famosa, era um cara do mal, do tráfico, eu no começo nem imaginei isso, foi interessante isso também. E outra coisa, o garoto sai do luxo de onde o pai mora pra ir pra uma cabana "velha", bem diferente -q.

O Arty trabalha entregando as mercadorias ilegais do pai? Foi o que eu percebi lendo, ou devo estar enganado -q, mas enfim.

Eu gostei dos dois personagens. A Caroline tem uma aparência doce e meiga, enquanto o Arty tem uma aparência mais de durão, de "rbd" -q. Gostei da "combinação" dos dois, mas enfim.

Erros eu acho que vi um só, mas você vai falar que é contra a nova ortografia e tals e.e . Mas pelo não tem mais acento, acho que só foi esse, mas nem é tão perceptível, mas enfim.

Sua narração é muito boa, você escreve muito bem e não coloca muitas firulas na narração, deixando-a bem legal também mesmo simples.

O Arty era/é "defeituoso"? Também é interessante um protagonista cheio de doenças e tudo mais.

Enfim, acho que só e boa sorte com a fic.


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Acredite, essa fic não é clichê. O Eevee... Você sabe que boas supresas o aguardam :)O Arty que é o meigo, a Caroline é fodonazona xD Mas não falo porque é first cap, as aparências enganam A_A
Sim, o Arty tem problemas. Baseei numa vez que ficamos eu e um colega falando "imagina um cara de óculos, gordo, canhoto, com cabelo ruim, fimose, asma, AIDs, etc LaughingÉ, esse é o nível da discussão lá Laughing

Valeu pelo comment õ/ Estava guardando essa imagem justamente pra ele... MWAHAHAHAHAHA.


neXus escreveu:Já havia lido pelo Skype, mas resolvi reler por aqui prestando mais atenção, btw. Enfim, você já sabe disso, mas acho a tua narração muito boa mesmo. Não só pelo vocabulário, mas tem algo que te prende, sacas? Queria ter essa sua capacidade em termos de escrita...

Enfim, curti a história. Está apenas no início, mas tenho quase certeza de que vou acompanhá-la. Acho que já disseram tudo que eu tinha para falar, de qualquer maneira... Sobre erros, não vi nenhum e, se houve, me passou despercebido.

Té mais! o/


Ah man, você escreve benzão também e sabe disso u.u
Vlw õ/


@Mag escreveu:Eu sou sempre útil, hein? Depois destruo mais ppks pra você. Ah! E você é pretensioso achando que eu leria sua fic.

Gostei bastante mesmo, Peri. A sua narrativa é bastante rica em detalhes pertinentes; gosto do molho de chaves frias. Pequenos detalhes que, para mim, fazem uma diferença. Na realidade, já estou louco para saber mais dos rolos desse cara estranho, pai do Arthur. Apenas com este capítulo você já me cativou com alguns trechos que relatam indiretamente a opinião do protagonista quanto ao trabalho do pai. Acho que vou gostar muito de ler sua fic.

O que eu achei mais estranho foi quando o Arthur encontrou a menina na caverna. Na hora, tive a impressão de que era uma paixonite dele e eles estavam se encontrando escondido. Mas depois tive a sensação de que é uma irmã... ou uma criada da mãe... lol Fiquei meio voado nisso. Mas, claro, você nem disse quem é a menina ainda, eu que estou dando pitaco à toa.

Estou bem curioso para ver a que sentido você guiará o enredo e em que tipo de trama nós seremos envolvidos.

Mr. Perry escreveu:sob o crepúsculo

Tá certo, ppkudo. Tem outro 'sobre' que tá certo também. Se errar, eu aviso em negrito.

Até o próximo. E minha utilidade com as ppks nunca deve ser questionada.
Voilá, Peri.


EDIT: Peraêêê! Título em inglês? Vou te destruir!


Eu? Pretensioso? u.u Sabia que você ia ler, cara u.u Você sempre lê u.u Espero que você continue curtindo a fic [y]. Não falarei muito do pai do Arty nessa primeira temporada (que já to quase terminando escrita, falta terminar 1 cap e fazer mais 1, é bem curtinha q), mas focarei bastante nele na segunda, assim como na Caroline. Que bom que não achou nenhum erro adgoiadogadgoi

Também acho molho de chaves algo séquisei, senão não teria colocado, hehehe. E outra coisa, eu coloquei tradução só pra você u.u

Thx õ/


@Grace Kelly escreveu:Olá Mr. Perry, adorei o modo que você escreve e descreve seus personagens, sua fanfic está bem legal.


Muito obrigado, user iniciante ^^


Candy escreveu: Como eu havia dito, aqui estou! o/ E posso dizer que gostei muito, Perry! *-* Sua narrativa é realmente boa, com bons detalhes e emoção, dá pra imaginar muito bem as cenas. Well, isso tu já sabe, tanto tua narração quanto descrição são ótimas.

Achei a história interessante, imagino o choque que o guri levou quando recebeu a notícia que a mãe morreu, ainda mais que ele não me pareceu gostar muito do pai dele... -q Quero saber mais sobre essas ''drogas'' que o pai dele faz, sla... Enfim, gostei dele ter um Eevee...

É isso, boa sorte!


Hey Milley õ/ Obrigado ^^ Fico feliz que tneha gostado xD Sim, é muito l0k40... Mas bem... Slá. Acho que depois fica pior q. O Eevee perde-se, acredite.
Thx again õ/






Bem pessoal, gostaria de me desculpar pela demora. Meu PC deu pau (por sorte não perdi os capítulos escritos, ufs q) e eu voltei para minha escola, ou seja, os tempos entre os posts ficarão muito, MUITO longos. Felizmente deixei coisas prontas, por isso já estou aqui postando q Eu iria postar o 2 e o 3 separados, mas não quero reclamações sobre o 3, porque queria fazer algo diferente com ele, sabe? Afinal, textos não-verbais existem (não sei musicais, mas né...). É isso. Tentem não ver o 3 como um capítulo, mas como uma extensão. Claro que, se quiserem, podem ver como quiserem ele q Espero que continuem gostando da fic :c Nunca estou certo se meus caps estão bons o suficiente ou não Dx See ya õ/




Irrealidade Dogmática

-X-

Seu corpo estava demasiadamente dolorido quando os olhos semicerrados despertaram-no para o mundo. Levantou-se bruscamente da cama de madeira, sentindo logo em seguida uma forte pressão na testa, fazendo-o involuntariamente colocar as mãos sobre os suados cabelos negros. Sentia certo frio nos pés, mesmo que coberto com um lençol fino, branco como a cor de sua camisa de mangas curtas que vestia. Olhou para as paredes de nogueira: ainda estava na sua casa. Sentou-se, fazendo com que a cama, um pouco velha, fizesse um barulho irritante.

- Parece que finalmente acordou, dorminhoco. – disse Caroline da forma mais alegremente que pôde, descendo as escadas que conectavam o quarto com a sala de estar e passando as mãos no rosto do garoto. – Infelizmente não posso te dizer que tudo foi um sonho. – comentou mais triste. Puxou uma cadeirinha artesanal, sentando-se de frente ao rapaz.

- Onde está ela? – foi a primeira pergunta que fizera. Observou que a namorada carregava um copo cheio d’água nas mãos. – Não beba isso. – apontou para o copo. – O que matou minha mãe pode te matar.

- Sua mãe não morreu por envenenamento. – respondeu a menina, seca. – Ao menos foi isso o que disseram os médicos. – suspirou. – Pelo visto, ela veio a falecer por asfixia.

- Asfixia? – perguntou, com a cabeça erguida olhando para o alto como se pensasse. – Há várias formas de uma pessoa morrer envenenada parecendo asfixia. Não beba dessa água, de toda forma.

Ergueu-se. Quando os pés descalços tocaram o carpete sentiu-se recomposto. Parecia ter dormido há dias, embora o relógio na parede com seu incessante tic-toc indicasse que não fazia muito mais que algumas horas. Tomou o copo das mãos da garota, subindo logo depois as escadas para a sala de estar, despertando, com o ranger destas, o pequenino Eevee que sorriu ao ver seu dono acordado. Sem separação alguma, defronte a um sofá texturizado amarelo e uma TV quadrada, de poucas polegadas, a cozinha ficava ali com todos os seus armários beges.

A garota seguiu-o, parando ao lado do corrimão. Passou as mãos pelos cabelos castanhos escuros, remexendo os fios cacheados artificialmente no ar. Puxou a camisa preta de malha que usava, levantando junto seu sutiã. Empurrou as bordas de sua jaqueta jeans baby-look para frente. Mascava um Chiclets. Ia abrir a boca para falar, mas fora interrompida.

- Onde mamãe vai ser enterrada? – perguntou Arthur. - Já contatou a polícia?

- Sim... – ela disse, envergonhada. – Estamos aguardando a vinda de seu pai de Goldenrod para decidir onde vai ser o enterro e também a documentação necessária referente ao laudo de morte dela.

A palavra pai cruzou-lhe os ouvidos levando-lhe calafrios pela coluna, dando-lhe tremeliques. Repúdio, nojo. Sentia o cheiro ácido do vômito subir-lhe até as narinas, fazendo-as arder. Enrijeceu-se, segurando-se para nem vomitar, nem matar a primeira pessoa que visse pela frente brutalmente – sua pequena Caroline.

- Meu pai virá pra cá? – perguntou ainda enojado. – Mas ele é um grande filho da puta mesmo! Primeiro mata minha mãe, e provavelmente tenta me matar também, já que envenenou a água... E agora virá para cá pagar de bom samaritano?

Suas bochechas fartas esbrasearam-se. Eevee divertia-se com uma bola de lã alaranjada. Aqueles sorrisos, aquele bem estar de poder repousar em casa e ter a vida arejada nunca mais seria o mesmo – provavelmente teria de viver com o pai; seria difícil o mais velho deixá-lo continuar a morar lá e, mesmo assim, como se sustentaria sozinho? A figura paterna não gostaria de sustentar-lhe, muito menos de gastar seu precioso tempo com o filho afastado.

- Preciso sair daqui. – comentou, descendo as escadas e puxando o típico casaco azul que sempre vestira com um brasão yorkino. Usava uma cueca samba-canção, e procurou com certa dificuldade uma calça jeans nova. Não se banhava há certo tempo d’água, mas banhou-se de perfume. Puxou, pendurado sobre a borda da cama, o cinto que sempre costumava usar. Não carregava pokéballs; seus pokémon o respeitavam suficientemente bem para isso. Pegou sua mochila jogada num canto, ainda com as moléculas lá. Subiu novamente as escadas, virando-se à mulher que olhava sem palavras suas ações. – Levando em conta que a polícia ligou de imediato para ele, é bem capaz de por essa hora já estar chegando. Preciso ir, amor.

Correndo, abriu a porta do chalé. O crepúsculo roxo-alaranjado preferido de Warhol cobria os céus e misturava-se a pequenas Cirrus, desenhando na imensidão do infinito obras abstratas. A garota seguiu-o para vê-lo montado no cavalo fantasmagórico de chamas roxas, checando seu tradicional relógio de bolso e esperando por Eevee que, de patas curtas, não conseguia correr tão bem quanto ele. Arthur pegou-o no colo, fazendo um cafuné em seus pêlos marrons e macios. Ventava frio, por isso colocou-o bem próximo de si. Olhava o horizonte enquanto os olhos ardiam pela ventania. Puxou a mochila, retirando de lá um óculos de lentes alaranjadas, parecido com um desses utilizados em esportes aquáticos.

- Mas... Aonde você irá? – perguntou a menina.

- Não sei. Descerei as montanhas e irei para Cherrygrove. Lá me encontrarei com uma antiga amiga e vejo se sigo viagem para Goldenrod. Querendo ou não, vou ter que viver com meu pai, e, quanto menos vê-lo, ainda mais numa situação delicada como essa onde certamente enfiarei a porrada naquela cara gorda e falsa dele, melhor. Adeus, Caroline.

Os dois se aproximam, beijando-se. O calor corpóreo – mesmo que sobre um cavalo fétido – e a excitação da última vez faziam-lhe pulsar, perdendo-se no tempo e espaço. O quadrúpede bufou e o casal parou, olhando para o lado, envergonhados de bochechas rosadas.

- Adeus. – gritou Arty, puxando as rédeas de Rapidash e saindo em alta velocidade pelas montanhas. A sensação de queda era eminente, embora confiasse muito em sua montaria.

Partiu como um vulto negro na visão dos treinadores que acampavam e dos andarilhos que repousavam lá após cruzar a Dark Cave. O vento gélido misturado aos ares úmidos de Cherrygrove revigorava-lhe a alma. A brisa em seus cabelos fazia-o relaxar tanto que a viagem parecia-lhe rápida. Não podia, no entanto, admirar o verde escuro dos morros e dos pinheiros: o alaranjado dos óculos atrapalhava-o. Tal visão foi-se pouco a pouco desaparecendo, evanescendo-se num campo de flores e vegetação mais rasteira. Chegava finalmente a Rota 46. Esperava poder ver o lunar fantasmagórico refletir prateado nas gotículas do orvalho na grama fresca, mas tudo que viu foi o intenso fulgor bronzeado sobre dois revólveres.

- É melhor que você não apresente reação. – disseram os policiais. – Desça do pokémon e mostre a mochila.

- O que eu fiz? – perguntou o menino, desmontando o quadrúpede em seguida. – Desci em alta velocidade? – debochou. – Nada tenho a esconder.

- Você está sendo acusado de homicídio doloso. – falou sério o homem da esquerda, de bigode marrom e cabelos castanhos avermelhados. As dobras que a gordura faziam-lhe na barriga eram bem aparentes pelo uniforme apertado que usava.

- Óh... – grunhiu fino. – Eu matei meu pai? Que satisfação! – vociferou alto e ironicamente. – Vamos lá. Como eu mataria alguém enquanto descia essa montanha? Passei praticamente quatro horas do meu dia aqui.

- Não duvido que tenha sido você mesmo que a matou. – comentou o outro guarda em tom negro, bocejando pelo sono. Era provável que já passava das onze, portanto todos lá estavam bem cansados. – Pelo que acabou de dizer e pelas informações que temos do corpo, só pode ter sido você. Falecido há aproximadamente quatro horas. Venha conosco, não seja rebelde.

- A matou? – indagou, fazendo sinal de aspas com os dedos. – Quem? Quem eu matei? – desconcertava-se.

- Não se faça tolo, Arthur. – bradou o gordo. – Você matou sua mãe, Laurie Campbell e ameaçou matar sua namorada, fugindo logo depois. – sua fala era frenética; parecia não respirar direito. – Felizmente, - riu debochado. – ela teve coragem para falar de suas atrocidades.

- Ela inclusive decidiu nos contar sobre os compostos e venenos perigosos que carrega em sua mochila. – prosseguiu o diálogo o outro policial. Era magérrimo, parecia substancialmente feito apenas de pele e osso. Seus negros cabelos ralos eram espetados feito um cactus.

Uma dor alucinante tomou conta do corpo de Arty. Sua mãe ainda estava viva quando ele desmaiou. Ela provavelmente ainda estava em seu quarto na casa quando foi morta... Envenenada por Caroline. “Aquela [palavra censurada] maldita!”, pensou feroz. Isso explicava o porquê d’água não ter nada: a garota deveria ter preso a mãe do rapaz e colocado-a para dormir, dando-lhe logo depois o veneno... Um dos ácidos de sua mochila. Esperou-o pacientemente para sair de casa, acionando a polícia logo após, porque o conhecia bem e sabia de sua reação na presença de Elmer Pölter, o pai.

Agora, ele era o culpado. Seu pai, no fim, não tinha nada com isso: fora tudo uma maldita armação. Agora, duas armas eram apontadas em sua direção por ímpios policiais. O que fazer?

- Eu sou inocente. – respondeu. – Podem vasculhar minha mochila. É bem provável que encontrem mesmo o ácido que matou minha mãe. Fui vítima de uma cilada. Armaram contra mim. – falava sincero, aproximando-se com as mãos na cabeça.

- É, sabemos. – responderam os dois guardas uníssonos, revirando os olhos. Todo traficante também era inocente. Afinal, carregar ácidos por aí era a coisa mais normal do mundo.
Eevee e Rapidash assistiam seu dono ser algemado, ambos incrédulos. Os olhos de Rapidash chamuscavam no céu negro sem estrelas. Bufou, para alguns segundos depois derreter-se num ataque de fúria, avançando sobre os policiais. Com as pistolas ainda em mãos, temerosos, atiraram para qualquer lugar. Caíram no chão, feridos e sujos pelo excesso. As armas lhe foram jogadas ao longe.

Um dos tiros havia acertado no braço de Arty que, com o impacto, andara para trás, caindo num grande tronco graças à raiz d’uma árvore gigante. Estava muito dolorido e seu pulso ardia. Levantou-se com certa exaustão; a face era aflita e horrenda. Seu ver, quase pacífico e oceânico transformara-o em um assassino de feições frias e cruéis. Aproximava-se dos policiais, que, muito fracos, gemiam e pediam perdão piamente.

Deferiu um golpe na barriga do gordo – que cuspiu sangue em resposta -, com o som ecoando sob a área montanhosa acima deles. A blusa fétida – graças à mistura do suor da barriga com as partes gordurosas mal limpas - ensanguentou-se. Sem piedade, o rapaz continuou chutando-o, vez ou outra levantando a cabeça papuda para fingi-la de bola e quicá-la no chão com o máximo de força que conseguia. O ruivo desmaiou inconsciente. Ou morto. Aquilo não importava no momento.

Virou-se para o magricela que, debruço, erguia com dificuldade uma das mãos trementes e pedia clemência. Os pokémon apenas assistiam a tudo num canto, preocupados com a visão infernal da vingança de seu dono além de sua falta de percepção a respeito de seu braço ensanguentado.

Levantara a perna para chutar o último que sobrara, quando foi surpreendido por um tiro na perna que o fez cair. O magérrimo ainda possuía um revólver escondido em um de seus bolsos. Eevee enfureceu-se. Correu em direção ao guarda pronto para dilacerar-lhe a carne com seus dentes caninos afiados.

- Eevee, afasta-se! – clamou seu dono sem forças. – Ele pode atirar em vo...

Infelizmente, Arthur não pôde completar sua frase antes de ouvir o grito fino e baixinho de seu pequenino cachorro ao ser atingido. Caíra estirado no chão, sobre uma poça que se formava do próprio sangue.

- Seu filho da puta! – gemeu choroso. – Rapidash, mate-o! – gritou, soluçando.

Seus olhos flagravam com uma intensa coloração vulcânica. O quadrúpede bufou, abrindo a boca e soprando labaredas que se aglomeraram em forma de estrela no corpo sujo a sua frente. A figura esquelética remexia-se enquanto o fogo consumia e tisnava lentamente sua fina camada de pele, derretendo-lhe os glóbulos oculares e fazendo cada órgão interno implodir pela pressão do golpe. O mato ao redor queimava-se.

- É o fim. – falou Arty ao deparar-se com todo o estrago que havia causado, acordando de sua vingança assoladora. Chorava, de frente para seu pokémon que caía no falecimento. Parecia novamente ser aquela criança problemática e sozinha. Virou o olhar. – Somos assassinos, Rapidash. Se antes nós não éramos, agora somos.

A vista pouco a pouco escurecia. Admirava as estrelas: ao menos morreria ao som das corujas e do lado de seus amigos. Talvez pudessem se encontrar no céu que todas essas pessoas comuns sempre falavam. Ou talvez fossem ao inferno. Nenhum castigo eterno poderia ser pior do que viver. Não agora. Fechou os olhos e apagou-se, ouvindo um relinchar violento de seu cavalo. Não teria forças para aquilo... Para prováveis novas forças policias.

Inquieto, Rapidash observava a chegada de uma moça de quase mesma idade de seu dono; cabelos longos, lisos, castanhos claros. Usava um conjunto de blusa e saia rosadas bem largas e translúcidas. Era branca, mas sua pele estava parda – parecia que tinha pegado sol por quase toda a semana.

- Mas o qu... – disse sozinha, ao se deparar com o local em princípio de incêndio. – Arty? – observou o rapaz com o Eevee caído e os policiais mortos no chão. – É menino, vejo que a droga que você fez dessa vez não irá curar ninguém.

Sua voz era irritante, infantil; tinha lá seus dezenove, dezoito anos, entretanto. Apesar de aparente calma, ver seu amigo sangrar e uma floresta ameaçada de queimar não era a cena mais relaxadora do mundo. Meteu a mão num bolso da saia, retirando de lá uma pokéball transparente e rosada, jogando-a para o alto. O cavalo ficara furioso, em posição de ataque prestes a defender seu dono de um possível ataque.

- Relaxe, Ponyta. Bons tempos, huh? – disse ela. – Não se lembra de mim? – observou as estrelas, dando uma pausa. – É, faz realmente muito tempo que a gente não se fala. Eu não vou machucá-los, quero apenas ajudar vocês.

Um Flareon de pêlos vermelho-amarelados brilhantes apareceu em sequência ao raio vermelho da pokéball. Sem maiores dificuldades, respirava o fogo, apagando-o lentamente. Quando não havia mais sinal algum de perigo senão as cinzas e o cheiro alérgico de fumaça, a garota retornou-o.

- Será difícil te carregar. – comentou em tom de preguiça, sacando outra esfera rosada e liberando um pokémon grande, azul turquesa. – Typhlosion, você consegue carregá-lo?

A sua resposta apenas foi um aceno de cabeça. Puxou o rapaz e colocou-o nas costas, correndo logo depois em direção ao sul. A dona dele pegou o Eevee, rasgando uma parte de seu vestido para tentar estancar o sangramento.

- Rapidash, preciso de sua ajuda. – ela falou. – Deixe-me montar em você, vamos direto ao hospital. – o pokémon também acenou, aproximando-se para que a moça e o amigo ferido pudessem subir. – Siga o Typhlosion!

-X-




Visão Noturna

-X-



-X-




Surpreendente esse terceiro cap, huh? Espero que tenham curtido. Bye bye See Ya So Long Farewall Adeus também foi feito para se dizer.



Última edição por Caio. em Qui 1 Maio 2014 - 20:47, editado 2 vez(es)
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Mensagem por Ari Tasarov em Sab 20 Abr 2013 - 19:13

Hey! o/

Gostei muito desse episódio, realmente muito surpreendente. Tadinho do Arthur, armaram pra cima dele, mas ele não precisava fazer aquilo com os policiais, né... -q Ainda mais porque eu acho que ele vai pagar por isso que fez futuramente na fic, além de ter perdido a mãe agora vai ter um enorme peso por isso que ele fez. Fiquei curiosa pra saber mais dessa guria que apareceu no final do capítulo, gostei dela, mesmo com essa aparição pequena. Ah, o Eevee morreu mesmo? :/ Sei lá, mas quem sabe ele ainda tenha um chance?

Nem preciso dizer, sua escrita é muito boa, consigo sentir as emoções do personagem enquanto leio, tirando que sua descrição é ótima! *-* Conseguiu me prender do início ao fim do capítulo, parabéns! Não percebi nenhum erro, até porque estava concentrada demais na leitura pra isso.

Boa sorte com a fic! õ/
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Mensagem por Yoshihime em Dom 21 Abr 2013 - 1:03

Sua narração está divina, dou destaque para a melhor passagem: "A palavra pai cruzou-lhe os ouvidos levando-lhe calafrios pela coluna, dando-lhe tremeliques. Repúdio, nojo. Sentia o cheiro ácido do vômito subir-lhe até as narinas, fazendo-as arder. Enrijeceu-se, segurando-se para nem vomitar, nem matar a primeira pessoa que visse pela frente brutalmente – sua pequena Caroline." Foi preciso, poderia dizer que longo para algo tão rápido, mas ficou tão bom que poderia ter mais 10 linhas que ainda seria bom se mantivesse a qualidade;

Olha, eu já tinha lido a maior parte e já disse minha opinião, está muito interessante, todas as reviravoltas, aposto que teremos mais, gostei do lance de usar uma música como capítulo, ainda mais uma boa.

Eu iria apontar um erro de colocação pronominal, mas pra que tanto purismo, né? se quiser eu te falo onde aconteceu.

Abraço.
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Mensagem por Mag em Seg 22 Abr 2013 - 2:38

Peri, que capítulo maragnífico, cara. Como já elogiaram, a narração está impecável. Os adjetivos que você usa descrevem com riqueza e distinção aquilo que você busca nos informar, e não deixa aquela sensação forçada de palavras robustas no texto. Eu simplesmente amei vários trechos específicos... mas infelizmente não quotei nenhum, já devia estar dormindo há 3 horas.

E, cara, que loucura! Num único capítulo essa reviravolta toda e de uma vez? Fiquei atônito! O cara mal chega na casa, e já foge pensando que seu pai viria. Depois já se vê envolto em muito mais traição do que imaginaria. Do que eu cheguei longe de imaginar. Coitado, coitado. Traído pela namorada. E ela não demonstrou nem um resquício de remorso... talvez aquela sensação que ela teve depois do beijo tenha sido um pouquinho de vergonha, mas que todos confundiram com o calor do momento. Vai saber?

Cara, a palavra pu*ta não foi censurada no seu texto, como faz, huh? Aliás, suas gírias típicas nos personagens, huh? Interessante, huh?

Estou louco pra ler o próximo capítulo, saber se aquele cachorrinho satanás eevee morreu ou não.

Até o próximo, macambúzio sexual.
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Mensagem por Black~ em Seg 22 Abr 2013 - 21:24

Bom, vamos lá.

Capítulo grandinho né? -q. Mas ta, falando sério, ele foi bem legal e tals, eu já tinha lido boa parte dele então já sabia o que ia acontecer -qq, cheio das reviravoltas, da violência -q e tudo mais, mas enfim.

Essa Caroline é uma vaca mesmo, com aquele ar angelical, dócil, ninguém nunca desconfiaria que ela iria fazer isso. Mas que trairagem vei, deu até dó do Arthur -q. A menina que ele julgava ser a "pequenina" dele, fez isso. Espero que ela tenha uma morte lenta e dolorosa -qq.

Erros eu acho que eu tinha visto um, mas depois fui ver de novo e não o encontrei. Sua ortografia é muito boa, eu que sou chato mesmo -q. Mas sério, você descreve e narra muito bem, dá pra entender nitidamente tudo o que ocorre na fic.

Bom, eu gosto dessa temática mais adulta da sua fic, com violência, os palavrões, todo mundo se matando e tudo mais -q, pelo menos não fica aquela infantilidade boba, todo mundo é bobo e o mundo é lindo -q.

Bom cara, não sei se eu li errado, ou se você colocou assim na fic -q. Tipo, no outro capítulo quando ele chegou em Mahogany a mãe dele não estava morta? Então porque ele narra como se a mãe ainda tivesse desmaiado e tudo mais? Ou foi uma espécie de flashback do garoto?

Mas enfim, é só e boa sorte com a fic.
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Mensagem por Umbreon_NICE em Qua 1 Maio 2013 - 12:50

Well, não consegui ler o capítulo dois sem ler o um. Sua narração realmente prende o leitor na história, fazendo com que haja carisma no Arty e na Caroline, e agora espero saber que outra garota é essa (um triângulo amoroso? maybe). Agora, esse Eevee só sobrevive por magia negra, levou tiro de uma 8mm e vai voltar a andar legal por aí? Nah, ele não é tão f0da assim. Enfim, gostei muito da fic, narração, história, tudo. Espero o próximo capítulo.

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Mensagem por Caio. em Dom 18 Ago 2013 - 18:30

Ada escreveu: Hey! o/

Gostei muito desse episódio, realmente muito surpreendente. Tadinho do Arthur, armaram pra cima dele, mas ele não precisava fazer aquilo com os policiais, né... -q Ainda mais porque eu acho que ele vai pagar por isso que fez futuramente na fic, além de ter perdido a mãe agora vai ter um enorme peso por isso que ele fez. Fiquei curiosa pra saber mais dessa guria que apareceu no final do capítulo, gostei dela, mesmo com essa aparição pequena. Ah, o Eevee morreu mesmo? :/ Sei lá, mas quem sabe ele ainda tenha um chance?

Nem preciso dizer, sua escrita é muito boa, consigo sentir as emoções do personagem enquanto leio, tirando que sua descrição é ótima! *-* Conseguiu me prender do início ao fim do capítulo, parabéns! Não percebi nenhum erro, até porque estava concentrada demais na leitura pra isso.

Boa sorte com a fic! õ/


Héllow :3 õ/

Ah, liga não. O Arty vai fazer coisas piores que essa xD Mas sim, ele vai ficar sentido sim. Isso pode ser visto nesse cap, que eu achei bem emo mas necessário para a construção do resto da fic. Esse é aquele típico cap de passagem, sabe? Nenhuma emoção. Mentira, tem emoção sim. Quanto ao Eevee... Ér, melhor ler esse capítulo.

Obrigado por tudo ^o^

õ/


bubblegum queer escreveu:Sua narração está divina, dou destaque para a melhor passagem: "A palavra pai cruzou-lhe os ouvidos levando-lhe calafrios pela coluna, dando-lhe tremeliques. Repúdio, nojo. Sentia o cheiro ácido do vômito subir-lhe até as narinas, fazendo-as arder. Enrijeceu-se, segurando-se para nem vomitar, nem matar a primeira pessoa que visse pela frente brutalmente – sua pequena Caroline." Foi preciso, poderia dizer que longo para algo tão rápido, mas ficou tão bom que poderia ter mais 10 linhas que ainda seria bom se mantivesse a qualidade;

Olha, eu já tinha lido a maior parte e já disse minha opinião, está muito interessante, todas as reviravoltas, aposto que teremos mais, gostei do lance de usar uma música como capítulo, ainda mais uma boa.

Eu iria apontar um erro de colocação pronominal, mas pra que tanto purismo, né? se quiser eu te falo onde aconteceu.

Abraço.


Hey Gui õ/

Tu sabe que tua presença aqui é muito importante, né, meu caro? Que bom que gostou dessa parte. Tava com medo do pessoal achar emocional demais, muita frescurite adolescente, slá. Mas ainda bem que o pessoal gostou.

Valeu por ter me apontado o erro.

See you.


@Mag escreveu:Peri, que capítulo maragnífico, cara. Como já elogiaram, a narração está impecável. Os adjetivos que você usa descrevem com riqueza e distinção aquilo que você busca nos informar, e não deixa aquela sensação forçada de palavras robustas no texto. Eu simplesmente amei vários trechos específicos... mas infelizmente não quotei nenhum, já devia estar dormindo há 3 horas.

E, cara, que loucura! Num único capítulo essa reviravolta toda e de uma vez? Fiquei atônito! O cara mal chega na casa, e já foge pensando que seu pai viria. Depois já se vê envolto em muito mais traição do que imaginaria. Do que eu cheguei longe de imaginar. Coitado, coitado. Traído pela namorada. E ela não demonstrou nem um resquício de remorso... talvez aquela sensação que ela teve depois do beijo tenha sido um pouquinho de vergonha, mas que todos confundiram com o calor do momento. Vai saber?

Cara, a palavra pu*ta não foi censurada no seu texto, como faz, huh? Aliás, suas gírias típicas nos personagens, huh? Interessante, huh?

Estou louco pra ler o próximo capítulo, saber se aquele cachorrinho satanás eevee morreu ou não.

Até o próximo, macambúzio sexual.


Mag, que milagre o senhor por aqui. Não gostaria de tomar uma xícara de chá?

A primeira temporada da fic é bem instável mesmo. Você vai reparar que todo capítulo tem alguma merda, inclusive nesse e no último (o próximo q). Eu ia falar que esse não tinha morte nenhuma, aí lembrei que tem q Enfim, todos tem uma reviravolta, ataques psicóticos e coisas do tipo. Nada fora do normal. Vai saber, pois é :a

Suas palavras macambúzias dúbias fazem-me querer sempre avançar em meu contexto literário para elaborar d'uma maneira estranha e desfigurada romances que leitor algum possa ao passar os olhos reconhecer o sentido sintático das palavras.

Gosto, see ya.


@Black~ escreveu:Bom, vamos lá.

Capítulo grandinho né? -q. Mas ta, falando sério, ele foi bem legal e tals, eu já tinha lido boa parte dele então já sabia o que ia acontecer -qq, cheio das reviravoltas, da violência -q e tudo mais, mas enfim.

Essa Caroline é uma vaca mesmo, com aquele ar angelical, dócil, ninguém nunca desconfiaria que ela iria fazer isso. Mas que trairagem vei, deu até dó do Arthur -q. A menina que ele julgava ser a "pequenina" dele, fez isso. Espero que ela tenha uma morte lenta e dolorosa -qq.

Erros eu acho que eu tinha visto um, mas depois fui ver de novo e não o encontrei. Sua ortografia é muito boa, eu que sou chato mesmo -q. Mas sério, você descreve e narra muito bem, dá pra entender nitidamente tudo o que ocorre na fic.

Bom, eu gosto dessa temática mais adulta da sua fic, com violência, os palavrões, todo mundo se matando e tudo mais -q, pelo menos não fica aquela infantilidade boba, todo mundo é bobo e o mundo é lindo -q.

Bom cara, não sei se eu li errado, ou se você colocou assim na fic -q. Tipo, no outro capítulo quando ele chegou em Mahogany a mãe dele não estava morta? Então porque ele narra como se a mãe ainda tivesse desmaiado e tudo mais? Ou foi uma espécie de flashback do garoto?

Mas enfim, é só e boa sorte com a fic.


Muito obrigado, cara! Provavelmente o erro que tu viu foi o mesmo que o Gui me falou, por isso ele sumiu xD

Quanto a Mahogany... Não me lembro mais, mas tinha uma explicação pra isso. Acredito que era porque ele achava que a mãe só estava desmaiada, e não morta. Na verdade, acho que quando ele saiu de Blackthorn, a mãe ainda estava viva, e aí, só então, Caroline a matou. Sádico, não? q

Vlw õ/


-Kalopsia escreveu:Well, não consegui ler o capítulo dois sem ler o um. Sua narração realmente prende o leitor na história, fazendo com que haja carisma no Arty e na Caroline, e agora espero saber que outra garota é essa (um triângulo amoroso? maybe). Agora, esse Eevee só sobrevive por magia negra, levou tiro de uma 8mm e vai voltar a andar legal por aí? Nah, ele não é tão f0da assim. Enfim, gostei muito da fic, narração, história, tudo. Espero o próximo capítulo.


Valeu cara, tu sabe que tu é importante pra mim :a E espero que tu não fique pulando mais meus capítulos, pohã u.u Não, não vai ser um triângulo amoroso. Leia mais nesse capítulo :a

Valeu õ/




Pessoas, como prometi, não desistirei dessa fic (não ainda q). Agora que eu entrei de férias, consegui terminar esse capítulo e espero em breve estar postando o próximo capítulo de texto verbal (que será o último da primeira temporada). Também estava conversando com o Rush sobre possíveis OS de alguns personagens que aparecerão(am) pouco, como a Seamus que eu adoguei ter feito ou a rotina da mãe do Arty quando era casada com o pai. É, é isso aí. Como eu disse em algum dos comentários, os capítulos da primeira temporada são bem instáveis, é morte, é sangue, é tripa, é palavrão -q Tudo de l0k40 acontece aqui. Os da segunda (ao menos eu espero) serão mais mafiosos, e os da terceira mais shonen tipo vai sem mim eu luto com esses caras. Mas não, não quero um universo infantil bobo. E ah, espero que com esse cap fique claro que a fic se passa numa época semelhante aos nossos anos 70~80. Boa leitura!




Refúgio Pálido

-X-


Suas narinas salpicaram com o forte cheiro de éter. Um pijama de tecido fraco e muito fino, listrado, cobria seus braços e pernas. Os botões – brancos, da mesma cor que a vestimenta – pareciam amarrados artesanalmente na peça. A luz forte pendurada sob o teto descascado refletia-se nos azulejos quebrados, batendo em seus olhos e o incomodando. Ao espreguiçar-se, bateu com uma das mãos nas barras de ferro da maca, deixando-a vermelha. Os raios de sol refratavam-se num arco-íris de sépia pelo vidro amarelado de poeira da janela.

Uma grande quantidade de catarro escorria por todo o tórax, fazendo-o respirar fraco pela boca. Era um estado quase febril – os pés tremiam e sentia-se fraco. Sua única companhia visível era um armário transparente com frascos e caixas de remédios. Tripés para soro – além do que pingava incessantemente nas veias de seu braço – estavam jogados deliberadamente num canto, abandonados.

O sangue começava a subir pelo tubo plástico. Alguns poucos segundos passaram-se nos ponteiros pretos, grossos do relógio até uma enfermeira entrar na sala carregando um novo saco do composto salino. As olheiras dela eram enormes; seus cabelos oleosos e curtos eram cobertos por uma toca de material semelhante ao tecido TNT.

- É bom ver que você finalmente acordou. – comentou levianamente. Dera um sorriso desgastado, mas sincero, ao encarar aqueles imensos olhos oceânicos.

- Onde estou? – perguntou. – Não me lembro muito bem o que aconteceu... Ouch! - lamuriou. – Minha cabeça dói.

- Difícil seria não doer com os medicamentos que tem tomado. – disse após uma risada fraca, trocando o soro do rapaz. – Pronto, tudo certo. Ligarei para Seamus, ela não deve estar muito ocupada essa hora.

A mulher retirou-se; o quarto morrera em seu silêncio novamente. Um rádio em madeira sustentava-se sobre um criado mudo muito simples, logo ao lado da maca metálica. Ligou-o, mexendo em alguns botões amarelados pelo tempo até que finalmente conseguisse sintonizar numa faixa. Não demorou até um jazz de Miles Davis soar fraco e arranhado pelas caixas. As suaves linhas do baixo de Flamenco Sketches, entretanto, não tardaram a ser substituídas por um grito agudo e infantil.

- Quanto tempo, Arthurzinho! – bradou em um tom de deboche. – Pelo visto, meus esforços não foram em vão, né? Ah! – soltou um grito estéril, então correndo em direção aos braços de seu amigo enfermo. Seus cabelos castanhos claros se misturavam às faixas negras do rapaz, que, assustado com o fato de ver um rosto tão familiar, um porto tão seguro e formoso como o de sua antiga amiga, respondera com um sorriso sem jeito e tímido.

Por alguns momentos, a alegria permeou o ar do enfermo, até, quase que de súbito, cair-lhe uma tristeza pragmática por lembrar-se dos sádicos acontecimentos da última noite que esteve acordado. Os olhos começaram a lacrimejar um pouco, a voz, a falhar e desaparecer. Suspirou fundo.

- Eles... Eles estão bem? – perguntou, ainda com a voz fraca. – Por favor... Diga-me, mesmo que numa ilusão, que eles sobreviveram... Àquilo... Por favor... – e, lentamente, as lágrimas foram cobrindo os belos glóbulos azuis marinos.

O sorriso plástico da jovem Seamus desaparecera instantaneamente. O cintilar âmbar de seu olhar perdeu-se em meio a memórias obscuras, ainda recentes. Num lapso, apertou forte a mão Arty, segurando-a com uma firmeza corretiva e quase sombria, distante de seu perfil feminino visto há pouco. Passou o dedo indicador sobre os lábios empapados de gloss, pedindo silêncio.

- Eles? – perguntou, sorrindo novamente, com uma inocência falsa. – Ah! Já sei. Ouviu no rádio sobre o ataque na floresta? Deprimente, não é? Pobres policiais!

- Ah, ah... É. – enrolou-se com as palavras o rapaz, tentando disfarçar ao máximo e evitar o assunto que iniciara. – Como estão eles?

- Certamente, o céu há de cuidar daqueles pobres espíritos. – respondeu, seca. – Faz cerca de duas semanas desde que tentei os resgatar.  Não em tempo... – sua lamentação era verdadeira. Seus pensamentos pairavam no ar. – Ao menos, dizem que o assassino está longe daqui. Foi para Kanto.

O jeito com que Seamus o encarou sacudiu-o mentalmente. O coração consumia-se em brasas. No fim, todas as noites que passara em claro buscando alguma substância para curar alguém tornaram-se inúteis: era um assassino. Retirara de duas pessoas o direito de viver. Inútil. Igualou-se a qualquer bandido, a qualquer corrupto. Igualou-se a seu pai. O maldito. Mentiu, mentiu a todos – inclusive ao deus que sua mãe tanto lutava em acreditar, tanto lutava em fazer-lhe ver a pureza das coisas naturais. Chorou baixinho, soluçando. Transformou-se naquilo que mais repudiava sua mãe, naquilo que culminou na separação dela com seu pai. No fim, era uma criatura; não era um humano. Um bruto.

A mulher contou-lhe que durante duas semanas dormira. Então, há duas semanas matara dois iguais, retirando do pulso o pulsar. Há duas semanas, fraquejou frente a um pequeno Eevee que respirava fraco sobre um lamaçal sangrento, implorando-lhe ajuda. E, na tormenta de agonias, passou por sua cabeça o resquício do que poderia ter reservado o destino a seu pequeno companheiro – talvez algo pior do que a morte; o sofrimento físico eterno.

- Onde... Onde estão meus Pokémon? – perguntou, ainda no embalo do tormento, misturando altos e graves do desespero com os baixos agudos do lacrimejar fúnebre.

- O seu Rapidash está em minha casa, próxima daqui. Ele está muito bem, vívido com seu jeito fantasmagórico de ser. – respondeu a garota, tão alegre como os raios de sol a dissolverem-se nas nuvens. – Seu Eevee passa bem, acredito. Conseguimos retirar a bala aqui, estancando o sangramento até que pudéssemos o levar a um hospital especial em Violet. – novamente, Seamus segurou as mãos do enfermo, dessa vez de forma carinhosa. – Não se chateie pelo que fez, Arty. Confio em você. Sei de sua inocência em tudo. Conte-me, quando houver tempo, claro. Conte-me e eu o ouvirei.

- O... Obrigado. – foram as palavras que, fraquejando, conseguiu exprimir dos lábios rosados, fragilizados por seu estado. – E... E onde estão minhas coisas?  

- Não há nada com que deva se preocupar por enquanto, Arthur. – o tom de sua voz, antes fino e irritante, tornara-se adulto e dotado de certa obscuridade. – Tudo está bem seguro em minha casa.

Os dias que seguiram foram exaustivamente rápidos. Recuperou-se o suficiente para que a poeira pudesse abaixar por completo; o fato de Cherrygrove ser muito simples, apenas um local de passagem, também lhe dava certo tempo. Os poucos policias da cidade saíram em busca do assassino, numa questão de vingança pessoal – não parando para pensar nem um momento no químico de cabelos negros, já que não havia testemunha alguma senão a própria Seamus.

Sabia que, pelas redondezas, ninguém seria capaz de detê-lo. New Bark, um vilarejo próximo, nada mais era do que a sombra de algumas poucas casas empilhadas e distantes do mundo. Em Violet havia um número de policiais que podiam manter a cidade sem mais problemas, mas que certamente não poderiam ser deslocados para outros locais. Arthur conhecia muito bem a tropa especial de Goldenrod, que não possuía a capacidade de localizar nem a gigante pança de seu pai, o maldito. Não tardaria até que chegassem lá, mas estava protegido por vários álibis falsos, afinal, falsificar alguns papéis era conhecimento mínimo para o rapaz.

Após ouvir toda a estória, Seamus apoiou-o, como sempre fizera. Tratava-o com um amor fraternal, um carinho raro e descomunal. Não era tão mais velha que Arty, apesar de tudo. Conheceram-se exatamente na cidade que ambos odiavam, o coração urbano de Johto e, nas camadas de poeira e cinzas, completaram-se como pessoas – ele como o irmão que ela sempre desejou, ela como a pessoa normal que ele sempre quis conhecer, distante da mafiosa ganância em que foi criado.

Vagarosamente, o tempo passou. O ferimento da bala em seu braço era agora apenas uma cicatriz marrom, uma mancha de nascença. Parecia que toda a calma havia retornado a seu lugar: as pesadas nuvens emergiam-se sob o sol, criando sombras frescas nos matagais e florestas da área. Por sorte de ambos, poucas pessoas desafiavam Seamus, o que permitia que o Rapidash macabro de Arty pudesse correr livremente ao longo do ginásio. O rapaz costumava visita-lo, sempre levando consigo sua mochila de tóxicos. Numa dessas visitas rotineiras, reparou que um de seus frascos sumira, fato que foi comentado pela mulher de forma corriqueira:

- Provavelmente caíra quando vocês foram atacados.

Com o bom tempo, de toda forma, acabou esquecendo-se desse fato, que antes tratara com certa estranheza e desconfiança.

-X-
Retirando as mechas pretas de seus olhos, observava, sem conseguir dormir, os móveis de madeira de seu quarto. A cama costumava ranger toda vez que se virava, ora encarando o guarda-roupa mofado estendendo-se até o teto, ora a parede descascada pintada em cor salmão. Um vento fraco soprava, fazendo com que a janela de ferro embranquecido sacudisse. Suspirou fundo.

Descobriu-se dos edredons de lã, pois suava demais. O relógio quadrado, de bordas pretas, indicava a manhã que já se aproximava. Ouvia, distante, o som abafado de uma televisão analógica, provavelmente vindo da sala.

- Seamus? – chamou, sentando-se na cama. – Você ainda está acordada?

- Sim. – respondeu, tão distante quanto o som da televisão.

A fina porta de madeira abriu-se, revelando a figura da mulher, em suas tradicionais roupas de dormir: uma blusa azul e um short rosa de um tecido mais curto, rosa bebê. Seus cabelos estavam presos, mas alguns lhe escapavam do arco, ficando em pé.  Aproximou-se do rapaz, colocando a palma das mãos sobre o rosto.

- Você está febril. – comentou. – Está sentindo mais alguma coisa?

- Não, apenas a agonia da ausência do Mancha. – respondeu. – Quando poderei vê-lo?

- Ah. – suspirou fundo a garota, tentando disfarçar seu olhar de decepção. Batendo de leve nas coxas do rapaz, sentou-se ao seu lado, colocando a cabeça sobre seu ombro, retirando-a logo em seguida. – Não queria... – sua voz assumia um tom mais sério. – Não queria que esse momento chegasse, Arthur.

- Que momento? – perguntou, mudando o tom de voz e afastando-se, nervoso com o que poderia ouvir. A blusa branca que usava quando se deitou estava encharcada de suor. Seus cabelos pareciam recém-lavados, de tão úmidos. As mãos não paravam de pulsar, irrequietas.

- É, esperava essa reação. – suspirou novamente. – Arty... Meu... Meu querido... Seu Eevee não mais está aqui. – ela disse, por fim. Seu olhar era de alívio, por ter-se retirado aquela farda, e de compaixão para com o menino. – Ele quis lutar até o fim, mas não tínhamos recursos para mantê-lo, nem para restaurá-lo... Portanto, livramo-nos do sofrimento da maneira menos dolorosa possível.

Em uma crise, o rapaz parou. Lágrimas salgadas e grossas escorriam de seus belos olhos azuis, quase imperceptíveis na pouca luz do local, passando-lhe pelos lábios pálidos. A verdade. Sabia da verdade. O tempo todo soube da verdade. Não. Não quis enfrenta-la. Preferiu cair num sonho, num delírio. Preferiu fingir que tudo estava em paz, que ninguém havia morrido, que os rostos não estavam saindo de sua vida. Um delírio. Um delírio sustentado por alguém que, enquanto no abismo, lhe deu a mão, erguendo-o, mas não uma escada, levando-o para fora. Sentiu-se traído, um tolo, um completo idiota. Gritou, descomunalmente, até que a voz se perdesse como havia perdido a razão. E permaneceu parado, como um espectro penado a vida carnal.

A mulher, não esperando reação melhor, levantou-se, abraçando-o. Sentia as lágrimas correrem-lhe o pescoço, causando-lhe certo desconforto. Em um dos ouvidos, o barulho do tremelique da boca de seu amigo partia-lhe o coração, assim como os soluços e as palavras incompreensíveis que balbuciava. Naquele momento íntimo, tudo caíra em silêncio – exceto pelo inconstante tic-toc. Seamus podia sentir as pulsações aceleradas do coração do rapaz, com as bochechas rubras, provavelmente graças à febre.

NÃO! Aquilo não estava certo. Não podia estar. Não queria acreditar. Não ousava acreditar. Não duvidada. Não acreditava. Não desconfiava. Dor, sofrimento. Nada podia ser verdade.
Uma expressão de repúdio tomou a cara do rapaz, que, levantando um dos braços com fúria, socou o relógio na parede, quebrando-o e fazendo um de seus dedos sangrarem com os estilhaços de vidro. A mulher berrou, assustada. Com um empurrão forte, ela também fora derrubada, provocando um forte baque.

- Sua [palavra censurada]! – gritou. – Eu não acredito que me traíra dessa forma, sua maldita! Porra!

A única reação possível para a garota foi a de chorar, imponente perante aquele bruto que tomara o lugar de seu afável amigo. Seus finos braços certamente não conseguiriam competir com aquela mente no mais puro estado de loucura. As delicadas unhas não seriam nada perto daqueles dedos manchados de sangue, que poderiam facilmente tirar-lhe a vida por esmagar seu pescoço – e, mesmo assim, nenhuma ajuda viria, pois a casa era distante, afastada de tudo e de todos.

Arthur socava as paredes, furioso, descascando o pouco de tinta que ainda restava nas paredes. Insatisfeito, arrancara uma das três portas do guarda-roupas, levando ao chão também vários perfumes finos, deixando o ar com um cheiro horrível de aromatizantes e álcool, além de cobrir o chão com vidro. Como se o show de horrores estivesse incompleto, parou, olhando de frente à mulher, agachando-se.

- Foi por isso... Foi por isso que você retirou o frasco, não é? - falou baixinho. – Responda-me, sua vadia! – gritou, dando-lhe um forte tapa na cara. – Foi por isso que você pegou algumas de minhas substâncias, não é? – levantou-se, puxando também os cabelos da mulher. – E, por isso, elas sumiram! Você o matou! Por que você fez questão de mata-lo? Por quê? Responda-me, maldita!

- Por favor, solte-me! – implorou, sendo então jogada no chão gélido, cortando-se em alguns cacos. – Eu... Eu juro... Eu não fiz nada... Ele apenas... Se foi... – gemeu, chorando ainda mais forte. – Arty, acalme-se, por deus!

- Deus? Deus? Estou cansado de deus, Seamus! – gritava. – Deus deixaria que levassem tão facilmente minha mãe? Deus me daria uma vida tão bosta como essa, Seamus? Deus tiraria um pequeno, assim, tão agressivamente?

Seus gritos perdiam a força, pouco a pouco, dando lugar a um soluço baixo, quase tão desesperador quanto o de uma criança inocente ao sentir-se sozinha no mundo. Um lapso o destruiu. Destruíra tudo que restara de sua vida, a última pessoa que lhe apoiara e lhe mostrara um caminho, a luz no fim do túnel. Essa pessoa estava agora caída em sua frente, abalada físico e psicologicamente. Nunca, nunca mais as coisas seriam as mesmas. Porque a ilusão acabara. Sem mãe, sem amigos, sem namorada. Sem ninguém.

- O quê... O que eu me tornei? – falou sozinho, não esperando a resposta da mulher.

Saíra do quarto correndo, e correu como nunca em sua vida, sem olhar para trás. Não. Jamais gostaria de ver novamente aquela face penosa, os olhos vermelhos, cobertos de lágrimas, com as pernas cortadas pelo vidro; não gostaria de ouvir os gemidos fracos, implorando por piedade. Não gostaria de lembrar-se da dor. Da dor que causara.

- Volte, por favor! – gritou a mulher, sem forças para segui-lo. – Arthur, por favor... Não se vá!

Imponentemente, a voz evanescia a cada passo d’aquela alma desesperada, seguindo o caminho sem volta e sem perdão, mesmo o perdão voluntário. Antes de sair, certificou-se de pegar sua mochila, indo logo após ao ginásio, para lá encontrar seu Rapidash muito incomodado com o uivar dos ventos nas copas das árvores. Montou-o, partindo rumo a escuridão noturna, tão profunda quanto a de sua existência, nas chamas fúnebres de seu cavalo.

- Leve-me à velha alameda das rosas brancas. – falou a seu Pokémon. Só não sabiam que, quase como num caminhão, Olhos Famintos os perseguiam.


-X-



Elogio da Loucura

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-X-



É, galera. Estamos quase chegando ao fim da primeira temporada, finalmente (lolwut, só tem uns 4 capítulos verbais e 2 não verbais q). Aliás, há dois Easter Eggs nesses dois capítulos. Boa sorte procurando pra quem quiser, não estão nem um pouco difíceis. Obrigado a todos que têm lido a fic e comentado, vocês não sabem como eu fico feliz de ver que estão gostando =)


Última edição por Caio. em Ter 14 Jan 2014 - 23:55, editado 1 vez(es)
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Mensagem por Black~ em Dom 18 Ago 2013 - 20:37

Bom, vamos lá.

Depois de tanto tempo nem sei mais o que comentar -qq. Mas enfim, o capítulo foi interessante. Eu achei que o capítulo não-verbal seria um vídeo, ou era uma foto que minha internet não queria carregar -q, mas entendi o que você quis dizer.

Achei interessante o personagem ser meio que ateu, ou questionar as atitudes de Deus, sei lá, é meio diferente ver isso em uma fic, ainda mais uma fic pokémon. Foi legal você ter trabalhado isso, não é algo sobrenatural, mas numa fic é difícil, como eu disse.

Coitado do Eevee, morreu =/. Só achei meio repentina a mudança do Arty. Sei lá, até entendo que o seu melhor amigo morreu, mas ele ficar tão invocado assim, machucando a sua amiga e tudo mais, sei lá né -q, mas enfim.

Essa Seamus, eu não lembro de tê-la visto, ainda mais que é uma líder de ginásio. Ela é a líder de Mahogany? Sei lá não consegui compreender muito bem. Talvez ela tenha até aparecido, mas não me lembro -q. E acho que você que não quis revelar de qual gym ela era líder -q, mas enfim.

Erros não vi nenhum. Se teve, foi tão bobo que passou despercebido.

Enfim, esperar o próximo capítulo pra falar mais. É só e boa sorte com a fic.
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Mensagem por Yoshihime em Dom 18 Ago 2013 - 22:39

opa,

acho que por eu fazer capítulos extremamente curtos os seus acabam sempre parecendo longos, pra mim, não que sejam cansativos

como eu disse antes a sua narração está muito boa, principalmente nas descrições físicas, que não são longas e cansativas, mas sim precisas e originais. e mentais, consegui sentir o belo desespero de Arty durante a leitura, sua inquietação e culpa pelo que fez, as dores que sentia no início, sua raiva ao descobrir da morte de seu pokémon

as coisas estão muito interessantes, a parte não-verbal está muito bacana, real loucura


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Mensagem por Rush em Seg 19 Ago 2013 - 0:15

Mas você trocou de nick


como assim


Perry, por que






AUEHAUE', Enfim. Fiquei bem satisfeito com sua escrita, achei a leitura tão agradável que fiz questão de ler tudo novamente. Eu gosto muito dos seus personagens cara. Os protagonistas sempre estão revoltados com alguma coisa, mas sempre é uma revolta diferente da outra. Ver o Arthur sendo traído pelo seu pai, sua melhor amiga, e até pelo Eevee que desistiu de viver - mesmo lutando até o fim -, deve ter sido um soco no estômago e um chute no saco. Entendo porque ele perdeu a cabeça, chegando até a agredir a Seamus.


Falando nela, eu achei ela uma diva. Tomara que ela apareça em todos os capítulos, porque tenho quase certeza que o Arthur vai perdoá-la e eles vão ser amigos e eles vão namorar e eles vão ter filhos e tudo vai ser feliz. Mesmo que a Carolayne seja uma namorada ótima que se preocupa demais com o Arthur. Duas personagens fantásticas que precisam aparecer até o último capítulo. Belas e com uma boa respiração. 


Fiquei triste pelo Mancha, agora que eu percebi em como o nome dele é maneiro. Tenho certeza que ele seria um Pokémon fiel e cabuloso, provavelmente um Jolteon. Vou tentar fazer uma homenagem a ele. :c Mas olhemos no lado bom, ainda existe o Rapidash Shiny super sensual, que o galope deixa todas as meninas molhadas só de observarem o Arthur cavalgando com seus belos cabelos negros sendo levados ao vento. 


Enfim, cara. Você escreve MUITO bem. Tudo é perfeito, tanto a narração descritiva do quarto, objetos, cheiros e sentimentos, até a passagem dos mesmos, como a ponte que levou Arthur do sofrimento à raiva, e da raiva ao desespero. Imagino o cagasso que a Seamus teve, ao ver o amigo reagindo de tal forma. Mas ela cagou feio em esconder a verdade dele. Tomara que isso não gere consequências.


Rapaz, acelere os capítulos. A história está muito empolgante, e ao contrário de muitas, tem reviravoltas épicas e marcantes. Eu aguardo o próximo capítulo, e espero que você seja bonzinho com os personagens. Eles são seus filhos. 


Um abraço cara, até mais. Parabéns pelo capítulo belíssimo.
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Mensagem por Mag em Qua 18 Set 2013 - 1:05

Eita, hoje era o dia de o seu tópico ser trancafiado hehehehe Só li ele agora, por preguiça e depois de propósito.

Já digo: eu to morrendo de ódio do protagonista Arty, ai que cara terrível, deus do céu! Queria que a amiga dele matasse ele, não aguento essas vagabundagens. Eu bem que desconfiei que o Eevee iria morrer, se bem que eu nem me lembre como aconteceu exatamente no capítulo anterior...

Falando mais seriamente, o Arty passa por umas poucas e boas, mas eu não me apeguei a ele, eu acho que fiquei irritado com a reação dele. Foi uma perca quase completa do controle, agora que os motivos justificassem... é, eu acabei de ler aqui o reflexo do que já fiz com personagens meus. Será que eu odiaria meus personagens se não fosse seu criador? Por sua vez, a menina, amiga dele, me desceu bem. Ela tem um modo flexível de agir, de ser às vezes durona, às vezes menininha, e isso é legal.

Como todo mundo já disse, sua descrição tá muito boa, embora que já tenha me sentido mais atraído pelas de outros capítulos teus... e ahdufhaudfhasud Eu lembrei completamente de Senhor dos Anéis do narrador chamando o pai do Arty de "tanãnã, o maldito". Eu lembro que quando terminer de ler SdR, sempre ficava arrumando caracterizações específicas assim pros personagens. Eu tenho um bando anotado.

Já tá bom. Vejamos quando saí mais um.
Bj gata.

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Mensagem por Caio. em Seg 28 Out 2013 - 19:05

@Black~ escreveu:Bom, vamos lá.

Depois de tanto tempo nem sei mais o que comentar -qq. Mas enfim, o capítulo foi interessante. Eu achei que o capítulo não-verbal seria um vídeo, ou era uma foto que minha internet não queria carregar -q, mas entendi o que você quis dizer.

Achei interessante o personagem ser meio que ateu, ou questionar as atitudes de Deus, sei lá, é meio diferente ver isso em uma fic, ainda mais uma fic pokémon. Foi legal você ter trabalhado isso, não é algo sobrenatural, mas numa fic é difícil, como eu disse.

Coitado do Eevee, morreu =/. Só achei meio repentina a mudança do Arty. Sei lá, até entendo que o seu melhor amigo morreu, mas ele ficar tão invocado assim, machucando a sua amiga e tudo mais, sei lá né -q, mas enfim.

Essa Seamus, eu não lembro de tê-la visto, ainda mais que é uma líder de ginásio. Ela é a líder de Mahogany? Sei lá não consegui compreender muito bem. Talvez ela tenha até aparecido, mas não me lembro -q. E acho que você que não quis revelar de qual gym ela era líder -q, mas enfim.

Erros não vi nenhum. Se teve, foi tão bobo que passou despercebido.

Enfim, esperar o próximo capítulo pra falar mais. É só e boa sorte com a fic.
Dae cara õ/ Então, a Seamus apareceu antes como uma mulher desconhecida que resgatou Arty lá depois daquela porradaria com os policiais. Ela é líder da própria Cherrygrove, que, ao menos na minha fic, tinha um gym antes de uma tragédia acontecer :lol:O Arthur... Slá, eu não classificaria ele como ateu, mas diria que, enquanto algumas pessoas numa situação difícil preferem buscar Deus, ele se questiona sobre esse Deus. Não quer dizer que ele seja hm

That's it, valeu.


Mandy Marvin escreveu:opa,

acho que por eu fazer capítulos extremamente curtos os seus acabam sempre parecendo longos, pra mim, não que sejam cansativos

como eu disse antes a sua narração está muito boa, principalmente nas descrições físicas, que não são longas e cansativas, mas sim precisas e originais. e mentais, consegui sentir o belo desespero de Arty durante a leitura, sua inquietação e culpa pelo que fez, as dores que sentia no início, sua raiva ao descobrir da morte de seu pokémon

as coisas estão muito interessantes, a parte não-verbal está muito bacana, real loucura


Dae cara. Slá, eu juro que não é nada pessoal quanto ao tamanho. Quase sempre eu sigo uma meta do que fazer em um capítulo e infelizmente essa metas costumam deixá-los grandes demais, até porque também enfeito muito com as descrições e toda aquela parte emocional. Cara, eu fico muito feliz quando dizem que fui preciso, porque sempre tenho medo de repetir demais, ou de descrever demais, ou de fazer qualquer coisa demais ou de menos adogiadoigaodig Que bom que têm gostado também da parte não-verbal. Originalmente, eu postaria elas separadas, mas como eu duvido que possa fazer isso, eu posto junto Laughing 

Valeu õ/

@Rush escreveu:Mas você trocou de nick


como assim


Perry, por que






AUEHAUE', Enfim. Fiquei bem satisfeito com sua escrita, achei a leitura tão agradável que fiz questão de ler tudo novamente. Eu gosto muito dos seus personagens cara. Os protagonistas sempre estão revoltados com alguma coisa, mas sempre é uma revolta diferente da outra. Ver o Arthur sendo traído pelo seu pai, sua melhor amiga, e até pelo Eevee que desistiu de viver - mesmo lutando até o fim -, deve ter sido um soco no estômago e um chute no saco. Entendo porque ele perdeu a cabeça, chegando até a agredir a Seamus.


Falando nela, eu achei ela uma diva. Tomara que ela apareça em todos os capítulos, porque tenho quase certeza que o Arthur vai perdoá-la e eles vão ser amigos e eles vão namorar e eles vão ter filhos e tudo vai ser feliz. Mesmo que a Carolayne seja uma namorada ótima que se preocupa demais com o Arthur. Duas personagens fantásticas que precisam aparecer até o último capítulo. Belas e com uma boa respiração. 


Fiquei triste pelo Mancha, agora que eu percebi em como o nome dele é maneiro. Tenho certeza que ele seria um Pokémon fiel e cabuloso, provavelmente um Jolteon. Vou tentar fazer uma homenagem a ele. :c Mas olhemos no lado bom, ainda existe o Rapidash Shiny super sensual, que o galope deixa todas as meninas molhadas só de observarem o Arthur cavalgando com seus belos cabelos negros sendo levados ao vento. 


Enfim, cara. Você escreve MUITO bem. Tudo é perfeito, tanto a narração descritiva do quarto, objetos, cheiros e sentimentos, até a passagem dos mesmos, como a ponte que levou Arthur do sofrimento à raiva, e da raiva ao desespero. Imagino o cagasso que a Seamus teve, ao ver o amigo reagindo de tal forma. Mas ela cagou feio em esconder a verdade dele. Tomara que isso não gere consequências.


Rapaz, acelere os capítulos. A história está muito empolgante, e ao contrário de muitas, tem reviravoltas épicas e marcantes. Eu aguardo o próximo capítulo, e espero que você seja bonzinho com os personagens. Eles são seus filhos. 


Um abraço cara, até mais. Parabéns pelo capítulo belíssimo.
Ok, ok, Rusha. Não tente disfarçar, você sabe muito o que acontecerá na fic u.ú Eu ri demais do que você falou do Rapidash kkk A presença dele é mais para dar um ar meio... Meio do mal mesmo pro Arthur, algo meio cavaleiro sem cabeça montado na mula sem cabeça mas que tem cabeça e solta fogo roxo dela (?) Cê sabe o que o Eevee seria, e sabe o que será a partir de agora. Você é meu confidente de fic, cara :c

Como eu disse, não vou ser bonzinho com ninguém. Vou seguir o roteiro q É uma pena, eu realmente gostaria que certos personagens aparecessem mais na história, como a própria Caroline. Felizmente não demora até ela aparecer de novo. E valeu por tudo cara, mesmo sabendo que fica fisicamente impossível pra mim acelerar os capítulos por causa da escola e.ê

Vlw õ/

Schai Blich escreveu:Eita, hoje era o dia de o seu tópico ser trancafiado hehehehe Só li ele agora, por preguiça e depois de propósito.

Já digo: eu to morrendo de ódio do protagonista Arty, ai que cara terrível, deus do céu! Queria que a amiga dele matasse ele, não aguento essas vagabundagens. Eu bem que desconfiei que o Eevee iria morrer, se bem que eu nem me lembre como aconteceu exatamente no capítulo anterior...

Falando mais seriamente, o Arty passa por umas poucas e boas, mas eu não me apeguei a ele, eu acho que fiquei irritado com a reação dele. Foi uma perca quase completa do controle, agora que os motivos justificassem... é, eu acabei de ler aqui o reflexo do que já fiz com personagens meus. Será que eu odiaria meus personagens se não fosse seu criador? Por sua vez, a menina, amiga dele, me desceu bem. Ela tem um modo flexível de agir, de ser às vezes durona, às vezes menininha, e isso é legal.

Como todo mundo já disse, sua descrição tá muito boa, embora que já tenha me sentido mais atraído pelas de outros capítulos teus... e ahdufhaudfhasud Eu lembrei completamente de Senhor dos Anéis do narrador chamando o pai do Arty de "tanãnã, o maldito". Eu lembro que quando terminer de ler SdR, sempre ficava arrumando caracterizações específicas assim pros personagens. Eu tenho um bando anotado.

Já tá bom. Vejamos quando saí mais um.
Bj gata.

@Rush: Esse Mag ligeiro, comentando depois de um mês pra não ser trancado. Enfim, dois meses de inatividade, caso queira reabri-la, mande uma MP para algum FFM. Trunk~


@Rush: BEING OLD SINCE 2008: Unlocked. Clink-clonk~
Cara, quando vi seu post (há mil anos atrás, diga-se de passagem), eu ri pra [palavra censurada] de você trollando a FFM. Well, eu gosto quando um personagem meu é odiado assim. Quer dizer que, sei lá, meu trabalho foi completo e consegui o deixar o mais real possível, sabe? Não sei, não odeio o Arthur. Tenho pena dele, cara -q Ele é todo fodido, coitado. Seamus é realmente uma personagem legal, curti bastante fazê-la. Não sei se cheguei a postar algum sprite dela aqui, enfim... Melhor não. Quando possivelmente eu fizer um escritório coloco lá pra não estragar a imagem dela na cabeça de vocês. A Seamus é aquela típica pessoa que todos chamariam de infantil, mas que bota pra [palavra censurada] quando necessário -q E coloque "[palavra censurada]" nisso (uuuh -nnn).

Ainda discordo completamente da parada do Senhor dos Anéis, nada vê issae hein u.u Outra coisa que me fiz rir demais no seu post foram os dois edits do Rush. O primeiro te parabenizando pela tua proeza e colocando Trunk~ like a old e o segundo dando ~Unlock~ like a old² com direito a Clink-clonk~ mais like a old ainda. Bons tempos de Shadows In Memory ;-;



Enfim galera... Não trouxe um capítulo novo. É, não trouxe. Sim, o Rush sabe disso. Ele sempre sabe de tudo mesmo. Eu contei pra algumas pessoas (na verdade pra quase ninguém) que eu gostaria muito de fazer One-Shots que se passassem no mesmo "mundo" que essa fic, principalmente One-Shots do Arty no passado e da Seamus, porque ela foi uma personagem que me fascinou demais. Após ficar algum tempo conversando com o Thelack/Thelack Hitler/Lack/A. Hitler/Cacetinho/Frio e calculista/Mais_algum_nick_engraçado_aqui, eu decidi fazer uma que de certa forma explicasse o porquê do título da fic, além de focar em como Goldenrod é triste pra [palavra censurada] sendo uma cidade grande. Btw, se o final ficou vago, esse era o efeito que eu queria dar. Talvez algum dia se eu terminar a fic vocês entendam o porquê.



Os Trilhos de Bronze
Dancing In The Dark

Os céus negros lamuriavam a chegada do inverno. A neve que caía misturava-se com as cinzas. As narinas ardiam, fosse pelo tempo seco, fosse pelo monóxido de carbono que invadia os pulmões e intoxicava pouco a pouco o resquício de sanidade que restava naquela população individualista, fechada.

Passou as mãos pelos cabelos relativamente curtos, espetados, tão pretos que se misturavam na escuridão noturna. O único ponto de luz próximo era a chama de seu cigarro, enevoada pela densa e tóxica fumaça. Um grosso óculos de lentes quadradas, obscuras, encobriam os olhos fundos, arroxeados pelo constante uso de drogas e embebidos por noites sem dormir afundado na bebida.

O mau cheiro do esgoto fazia seu nariz longo, porém fino, salpicar. O veloz passar do trem sobre os trilhos de bronze de Goldenrod sob sua cabeça fazia seus ouvidos doerem. O som furioso do metal batendo chacoalhava toda a estrutura ao redor. Sentia frio, mesmo com suas grossas vestimentas pretas e com seu casaco de couro. As paredes da estreita passagem subterrânea estavam enlameadas com uma substância esverdeada, cor de musgo. Acendera um fósforo, observando logo em seguida que já passava das duas em seu relógio. Espero mais longos trinta ou quinze minutos até ouvir um som de passos constantes pelo corredor.

- Banks, é você? – perguntou com uma voz calma, rígida, que ecoou por todo o local. Sem resposta, pôde ouvir apenas o pingar fraco dos canos. – Banks? – chamou novamente, ainda sem resposta. Uma respiração acelerada e outra tranqüila podiam ser ouvidas chegando cada vez mais próximo. Nervoso, o homem acendeu mais um fósforo.

Observou o rosto desmaiado de um homem negro que, completamente suado e ensangüentado, era arrastado pelo chão por outro de estatura mais alta, peitorais e ombros largos e cabeça raspada. Carregava um revólver prateado que apontava para o dono de toda aquela luz.

- Banks! – bradou num tom sério, ao ver o velho traficante ser jogado no chão sem maior importância, provavelmente morto enquanto aquele que o carregava ria serenamente. – Quem é você?

- Ninguém de interesse. – respondeu, limpando a arma com um pano e restaurando um pouco de seu brilho original. Usava roupas sociais apertadas para o porte de seu corpo, dando-lhe um ar cômico. – Vocês moleques brancos parecem nunca aprender, não é mesmo? Sempre querendo um pouco mais de pó, independentemente da hora.

- Perguntei quem é você. – disse o rapaz, puxando também um revólver de um de seus bolsos e apontando para o homem. Podiam ver-se apenas através das silhuetas fracas geradas por uma luz distante, vinda do exterior do local. – E seria muito bom que me respondesse, ou o pior acontecerá.

- Uh! – debochou. – Parece que agora vocês andam armados! Que coisa mais fofa. – sua voz fazia o sangue do outro gelar. – Garoto, vá embora. Aqui já fede demais. – ao falar, um pingente cor de titânio reluziu.

- Ah! – exclamou o homem branco. – Você é um Nero Regio. Por um instante chegou a me dar medo. Que pena, quase tive medo. Faz tanto tempo que não tenho que sei lá, esqueci completamente como era isso. – sorriu, acariciando o metálico cano. – Brutamontes, vá embora. Aqui já fede demais. – comentou zombeteiramente.

- Você é mesmo um babaca para pensar assim. – levantou o revólver, antes abaixado durante a conversa e apontou para o rapaz. – Droga, odeio sair por aí matando gente.

Antes que pudesse perceber, cuspia uma quantidade enorme de sangue. A bala quente jazia agora sobre sua garganta. Os olhos ardiam como nunca. Tentou inutilmente estancar o sangue com as mãos, espalhando-o por todas as paredes até cair, perdendo a consciência num rodopio intenso como d’um pião. Morrer ardia e fazia doer n’alma a desonra.

Sentia lentamente o ácido de alguns grimers corroerem sua pele, sugarem-lhe as veias e artérias, transformando-o em nada. Nada, vazio, silêncio. Sorriu. Sentiu-se vivo pela última vez.



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Mensagem por Rush em Seg 28 Out 2013 - 19:34

Ficou bem pequeno, mas nem foi capitulo né.


Enfim, a shot ficou excelente. Já te falei que tu consegue deixar qualquer coisa num clima pesado e melancólico. Goldernood era uma cidade tão feliz na minha mente, até você fazer o João de Santo Cristo morrer com o tiro do Jeremias. Fiquei triste. :/


Gostei bastante de você mostrar da onde bem o título da fic. Então Trilhos de Bronze é uma referência à Goldernood? Achei muito phoda, de verdade, de uma certa maneira, to sentindo orgulho de mim mesmo por prestar atenção nas coisas. u.u UAHUAHE E eu não sei de nada, ok?


Curti a sua escrita. É bem raro alguém usar "d'um" ou "N'Alma". Acho chique demais.


Gostei bastante da shot, acho que não tem mais nada pra comentar além de como o Mag é ligeiro. Burlando as regras das Fan Fics. Mas relaxe, agora como sua Fic é considerada popular, e obviamente você não vai desistir da fic, o prazo aumentará para dois meses.


Enfim, é isso. Um abraço cara, Carollayne e Seamus são as melhores pessoas do mundo.
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Mensagem por Yoshihime em Seg 28 Out 2013 - 23:40

poxa gostei bastante, mas não tenho tempo disponível pra escrever um comentário maior que isso, mas gostaria de constar isso, beijo

Pikato: Fanfic trancada por inatividade,e caso queira reabrí-la contate algum moderador.
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Mensagem por Caio. em Sab 28 Dez 2013 - 23:24

@Rush escreveu:Ficou bem pequeno, mas nem foi capitulo né.

Enfim, a shot ficou excelente. Já te falei que tu consegue deixar qualquer coisa num clima pesado e melancólico. Goldernood era uma cidade tão feliz na minha mente, até você fazer o João de Santo Cristo morrer com o tiro do Jeremias. Fiquei triste. :/

Gostei bastante de você mostrar da onde bem o título da fic. Então Trilhos de Bronze é uma referência à Goldernood? Achei muito phoda, de verdade, de uma certa maneira, to sentindo orgulho de mim mesmo por prestar atenção nas coisas. u.u UAHUAHE E eu não sei de nada, ok?

Curti a sua escrita. É bem raro alguém usar "d'um" ou "N'Alma". Acho chique demais.

Gostei bastante da shot, acho que não tem mais nada pra comentar além de como o Mag é ligeiro. Burlando as regras das Fan Fics. Mas relaxe, agora como sua Fic é considerada popular, e obviamente você não vai desistir da fic, o prazo aumentará para dois meses.

Enfim, é isso. Um abraço cara, Carollayne e Seamus são as melhores pessoas do mundo.

Cara, brigado por comentar. Você sabe como isso é importante pra mim alémdequeajudaatrancarmaisdevagar. E eu já disse, não é Faroeste Caboclo, pohã! u.ú
Brigado :3

@Yoshihime escreveu:poxa gostei bastante, mas não tenho tempo disponível pra escrever um comentário maior que isso, mas gostaria de constar isso, beijo

Ah, valeu Gui. Sério, mesmo uma notinha assim já me deixa feliz.




Mil milênios se passaram e, finalmente, trouxe mais um cap. Peço perdão se demorei a postá-lo. Tinha feito grande parte, aí fui ver... Puff! Sumiu. Não tava na lixeira, o Windows não encontrava com Pesquisar, futuquei nos Meus Documentos, no meu PenDrive, nos meus back-ups, nada. Parece até que foi uma doideira e eu nunca escrevi :lol:Mas é, é. Aí fiz esse. Well, esse é o último capítulo da primeira temporada, apresentando já alguma coisa pra segunda. Estou com duas OS em mente também, então é capaz de escrevê-las e publicá-las ainda esse ano, já que não sou tão "perfeccionista" (não gosto de me considerar um, porque mesmo eu tendo, nunca fica bom) assim com elas. Well, obrigado a quem tem acompanhado. Sério, fico muito grato. Quem me conhece sabe que não tenho lá muito tempo pra escrever e postar... Estou usando um sistema de notas, para ver a nota, basta passar o mouse sobre ela e esperar um pouco o balão aparecer. Brigadão, espero que gostem. PS: pretendo abrir um escritório daqui há pouco, se demorar é porque estou organizando.




Repousar dos Mortos


O sol raiava, sempre passivo, com seus belos e fúlgidos raios claros, de certo brilho pálido, na abóbada de árvores que circundavam o local. Deitava-se, estirado na grama, sentindo-se dolorido dos braços terrificamente chocalhantes às finas pernas esguias: não era o estresse físico que o abatia, tão menos o mental; era o emocional. Doía-lhe mais o peito, a alma, que a cabeça. De toda forma, encontrava-se mais uma vez febril; rubro, suava até encharcar-se a camisa branca, mesclando-a com o abdômen, perdendo-se em tons beges, ruivos, branco azedo.

O perfume adocicado e inocente das rosas não se fazia presente no ar ainda gélido, pois essas estavam destruídas, caídas, despedaçadas, salvo poucas exceções, após a forte ventania da noite anterior. Perdidas, perdidas para sempre, feito a consciência que ardia em chamas. Arderiam em chamas aquelas pétalas sacras? Certamente não mais. Morreram como o corpo que morria entre elas. Bem dizia a poesia: i fiori hanno odore de morte1.

Jamais perdoaria-se. Mais pensava, mais sentia uma broca lhe rasgando cada pequeno lóbulo cerebral, cada pequeno vértice de sua já fragmentada existência insuportável. Era um bandido? Possuía suas próprias dúvidas. “Quem foi? Quem seria?”, perguntava-se. Matara, manchara as mãos com sangue. A mulher que amou pintava-o à lei como assassino; assassino, pois, seria in facto2. Não se importava mais com Caroline, pois manchara as mãos com o sangue dela, Seamus, de quem o havia acolhido. Rejeitou abrigo, rejeitou palavras românticas, carinhosas. Feriu, feito bruto animal selvagem. Perdeu, aliás, seu inocente animal selvagem: sua felicidade simples, ignorante, diária, cotidiana. Proceder? Estava de mãos atadas, porque caía, sozinho, num poço profano, profundo.

Virou-se debruço, jogando uma das mãos à frente, tocando as frias águas límpidas, muito escuras, do tarn3 ao seu lado. Resfriou-se. Rastejando, pôs-se ainda mais próximo ao lago, vendo o reflexo de seu rosto ermo, angustiante, odioso. Afundou o azul dos olhos pálidos contra o azul pálido d’água. Embrenhou-se, transtornado, numa torrente de fúria. Ao menos, sentiu-se vivo quando, erguendo-se, o ar entrou-lhe pelos pulmões mais uma vez. Nada, porém, tiraria o espírito putrefato que dele se apossou. Era um anjo caído. Jogou-se para o lado, admirando, novamente, a vastidão do céu. Puxou para si uma das rosas sobreviventes; espetou as finas mãos, manchando a virgem pureza da flor com seu sangue pecaminoso. Girou-a, colocando-a sobre o peito. Delirou.


Quando pôde acordar, tudo que observava era um caos psicodélico, caleidoscópico. Uma pitoresca visão colorida, radiante, sorria a seus olhos. Era Seamus, sentada próxima ao seu corpo. Um vento fresco soprava-lhe, por detrás, os belos cabelos castanhos, muito lisos, na direção do rapaz. Recobrando a consciência, sentou-se, assustado. Deus visitava o inferno, acenando aos demônios. Somente essa metáfora poderia, com clareza, descrever a incômoda situação. Maltratara-a, humilhara-a, mas, sorrindo, lá estava ela; ainda, certamente, fazia-a sentir-se culpada por crime seu, pelos caminhos vacilantes que ele próprio escolhera trilhar. Óh! Odiava-se.

Seu peito caía em francas dores ao ver aquele sorriso tão sincero, aquela prova de que seu ódio nada era para ela. Sentia-se um verme perto a uma borboleta: a beleza da evolução. Ela era querubim. O simples fato de odiar-se já o enojava ainda mais, pois sabia que, no fundo, aquilo despertava naquela figura santa apenas misericórdia, pena, piedade por ele. Não se estenderia, no entanto, no colo de madre feito Jesus, não, Pietà4!

Por um último momento confrontou-se. Os olhares cruzaram-se, pela primeira vez. O rapaz corou, tentando esconder, infantilmente, o rosto. Resistiu algum tempo. Jogou-se, logo depois, em direção a ela, a seus braços abertos, a seus seios vívidos de liberdade, a seu colo materno.

- Está tudo bem, Arthur. – comentou ela suavemente, afastando, em seguida, as mechas negras do rubro rosto suado do rapaz, beijando-o. – Melhor sairmos daqui. Você está ardendo em febre. – acariciava-lhe as bochechas rosadas, passando a mão sobre a camisa ensopada.

- Bem? – gritou ensurdecedoramente. O que antes era um choro baixo, quieto, agora era uma verdadeira tempestade, tempestade em copo d’água. – Eu lhe feri, Seamus. – voltava ao seu tom normal. – Eu matei dois homens. Eu perdi meu pokémon. – lágrimas escorriam atrás de lágrimas, petulantes, grossas, redundantes. – Acima de tudo, perdi minha mãe.  Acima de tudo, me perdi.

- Sshhh. – respondeu, abraçando-o fortemente entre seus braços. Todo o calor humano o irritava; fazia-o, porém, sentir-se melhor, feliz. – Te compreendo, querido. Tudo ficará bem.

- Bem? – perguntou mais uma vez o rapaz. Diferentemente, agora sua voz era infeliz, carregada d’uma calma inquietante, sepulcral. – Me querem morto. Me caçam, me procuram, me humilham, me incriminam. Como tudo ficará bem? Nada está bem!

- Sim, está. – sussurrou nos ouvidos do rapaz. Um sentimento de pena a invadia. No fundo de sua alma, sabia de toda a verdade. Envolveram-se naquele jogo idiota de máfia e eram as presas. No momento, todavia, nada importava senão tirá-lo dali. O garoto esquentava-lhe os braços demasiadamente; sua blusa rosa manchara-se completamente com suor, seu jeans encharcou-se.

- Bem... Bem... – gemia o rapaz, delirando.

Algum tempo passara até que Arthur sentisse um pouco de baba lhe pingar nas bochechas, escorrendo ao solo. De súbito, todo o peso da mulher caiu sobre seu corpo deitado. Levantou-se, muito assustado, trocando de posições: era ele que agora a segurava nos braços, com força, com paixão, com ódio, com o desejo da mais pura e simplória vingança. Sua doce protetora convulsionava-se freneticamente, como mato virgem em noite de tempestade soprado fortemente pelo vento traiçoeiro. Espumavam-se os rosados lábios castos, manchando-os com a sombra da morte nefasta; perniciosa.

Passou-lhe suavemente a mão pelas costas, encontrando um pequeno dardo. Retirou-o com certo cuidado, observando um pedaço de papel pendurado na haste da seta. O bilhete possuía o aroma de rosas, e, como a flor, tinha apagadas cores rubras, rosadas. Assinava-se Cupid, dizendo: ”Bisous. Avec amour - Cupid”5. A tinta era arroxeada, púrpura intensa e forte. Guardou-o na calça; não importava no momento. Precisava tirar-lhe dali, levá-la a um hospital. Liberou seu fantasmagórico quadrúpede. Segurava o quase cadáver com uma delicadeza angelical, entretanto, funesta.

Devido à forte ventania e à chuva d’outro dia, o caminho estava péssimo. Alguns locais eram charcos de solo úmido, lamacento, em sulcos; verdadeira Paschendale6. O que se poderia levar naturalmente algumas horas se completou apenas no fim da tarde. O céu tornava-se escuro, misterioso. O sol, em crepúsculo, pintava-o d’um alaranjado passivo, tímido. Deixou-a num centro especializado em desintoxicação de Violet. Fora envenenada, era claro.

Sentia-se péssimo por não poder cuidar-lhe como, tão carinhosamente, ela o cuidou na infância. Sempre fora ingrato. Sempre estragou tudo. A consciência lhe devorava lentamente, sustentada pelos demônios do passado. Ah! sempre tão forte e presente passado. Suspirou fundo. Era um procurado – não podia aproximar-se, não podia beijar-lhe a testa, repousar-lhe a mão ternamente sobre o ombro pálido, sentar-se ao seu lado, aguardar que acordasse, nem mesmo vê-la sorrir por uma última vez. Ver abrir-se o astro rei na profunda tempestade de seu coração. Ver a felicidade sincera, simples.

Havia, no fim do túnel, uma luz que mais se assemelhava às profundas trevas: já no esgoto, afundava-se no lodo para poder aproximar-se do oceano, e, só então, erguer-se ao fulgor da liberdade. Já que caíra num buraco, restava-lhe cavar mais profundamente para fugir. Voar pelos céus. Voltaria ao começo de tudo, do curto idílio7 à peça trágica, à escuridão total. Voltaria a casa, à cidade de Goldenrod. Levantaria novamente, sob a haste da injustiça, a bandeira de sua luta. Vingaria-se, enfim.

Caminhava, perdido, por um boulevard8 qualquer. De fato, a melhor maneira de se esconder é perder-se entre as pessoas, perder-se em outras vidas menos movimentadas, em vidas calmas, bucólicas9. Não deveria chamar atenção com seu grande pokémon fantasmagórico, não no meio daquela pacata cidade. Cruzava com trabalhadores e crianças ao longo do caminho – suas roupas podiam não se encaixar perfeitamente no momento, porém, àquela hora, compreendia-se um jovem suado, portando um jeans, de camisa branca, andar por aí – era um estagiário, um aprendiz. Pensava pouco. Os pensamentos, longínquos, flutuavam no ar carregado pelo cheiro das cerejeiras apodrecidas. Sua febre não passara; simplesmente acostumou-se a caminhar em seus delírios.

-X-


O tempo passara rápido: encontrava-se em Goldenrod; as calças sujas de lama, a blusa amarelada com seu suor, o rosto pálido e os olhos fundos. Nada daquilo importava. Emaranhou-se nos matagais, ganhando algumas horas de viagem. No fim, carregava também o odor de capim junto de sua mochila. Sorrindo feito desesperado, pôde finalmente deparar-se com os trilhos pintados de bronze da cidade.  Não poderia adentrar normalmente: era procurado pela polícia e, pessoalmente, achava que, na sua situação, não seria bom ser preso com venenos – venenos inclusive que foram injetados em Seamus, certamente mais uma cilada do destino.

As estrelas ainda brilhavam, mesmo que fracamente, no céu da primeira manhã. Não montava o eqüino, justificando os calos e a ardência em seus pés. Ao final de uma curva sinuosa, parou. Um andrógeno, tipicamente glam10, o encarava. Os finos lábios estavam pintados de rosa e glitter. Trajava uma apertada calça preta de couro, oculta após as canelas por uma grossa bota-plataforma de cano longo, vermelha. Seus longos cabelos escuros cacheados, presos parcialmente por um grande chapéu marrom, caíam até seu pescoço pálido, misturando-se com o cachecol claro, amarelado, frufru, que vestia. Seu rosto, de barba mal feita, emanava Rouge11. Não se encontrava um sequer amasso em sua blusa social branca, dotada de babados nas mangas. Usava um terno vinho por cima de tudo; uma rosada rosa no peito. Ao ver o rapaz, sorriu.

- Mon petit chéri!12 Você demorou. – comentou com uma voz suficientemente grossa para sua aparência. – Por um momento, achei que não viria, mas cá está! Ah, ah, que bom.

- Q-quem é você? – perguntou o homem, assustado, já enfiando as mãos num dos bolsos da mochila e tirando de lá uma seringa com dimetilmercúrio13. Sempre a guardara lá para situações emergenciais.

- Ora, ora! Como assim? Onde está a formalidade, rapaz? Não lhe enviei meu cartão? Je suis Cupid!14 – ele exclamou, sacudindo os braços. Ao ouvir esse nome, o rosto de Arthur enrubesceu. Suas feições foram tomadas por um ódio pulsante, nervoso, bárbaro. Correu, com a seringa na mão, na direção do andrógeno que, com certa graça, abaixou-se e simplesmente o empurrou ao lado, batendo em sua mão, fazendo com que a substância tóxica fosse parar nas dele. – Ó, isso é perigoso. Seus pais não ensinaram que não se deve brincar com coisas assim? Ah, lembrei-me! Você não tem pais! – riu. - Que graça... Ó! Nem amores. Você está sozinho, mon ange15! – arremessou o líquido metálico para longe.

- Quem é você? – perguntou novamente Arty, caído no chão. Arranhara as mãos no chão, fazendo-as sangrar. – O que você quer?

- Já não lhe disse? Sou Cupid! Mensageiro oficial de seu amor, Caroline. – ele sorriu. – Bela mulher. Pena que ela queira lhe matar, não é mesmo? Je ne sais pas. L’amour est beau, la paix aussi16. Mas se fui contratado, que assim seja, não é? O trem está demorando demais. Parece que terei de fazer o serviço com as próprias mãos. Ai! Odeio as manchar com sangue! Tão quente, tão ferroso, tão agressivo.

- Então é verdade... – uma lágrima seca, salgada, escorreu pelos olhos marinos. Doía-lhe, talvez mais que tudo, mais que o salpicar das mãos, aquelas palavras secas. Faziam-no retomar a tudo que ocorrera, a como sofrera. – Seu grande filho da [palavra censurada]! – gritou, levantando-se com certo esforço. Jogou a mochila em um canto qualquer do chão. As pernas estavam cansadas, os braços caídos. Seu espírito, entretanto, erguia-se alto.

- Oh, mon chéri17! Tu és realmente incansável, não? Que graça, que graça! – em tom fascinado comentou. Puxou as mangas da camisa, mostrando seus braços pouco musculosos, dotados de cabelos. – Oh!, que deselegante, oh! Romance tão sans paroles18.

Um avançou contra o outro, encontrando um destino comum nos trilhos. Caíram por lá. Socavam-se, reviravam-se. Um soco na boca de Arthur a fez sangrar que, nervoso, retribuiu dando dois fortes tapas em cada orelha de Cupid, o deixando atordoado, confuso; continuou por dar-lhe uma estrondosa cabeçada, fazendo-o cair. Levantou-se. Puxou-o pelos cabelos para fora da linha de trem. Não queria vê-lo morrer se não por suas próprias mãos.

- Teu bicha!! – gritou o jovem de cabelos negros, em cólera.

Era verdade que se tratava de um adolescente magro, fracote. Normalmente, sim. Naquele momento, porém, fora possuído d’uma fúria inesgotável. Vomitava, sobre aquela figura glam que bem podia ter saído d’uma HQ, toda a raiva, a suprema ira, os sete pecados que o acometeram no pequeno período desde a morte de sua mãe. O andrógeno era seu Virgílio19, tirava-o de sua saison en enfer20 após a ela ser apresentado.

As roupas desfaziam-se, rasgavam-se, caíam. Mantinham-se apenas as calças e os dois homens enfurecidos. O belo cachecol amassou-se com os pés numa poça, o chapéu voou por aí na cabeçada, o terno voluntariamente fora jogado no chão, a blusa de ambos foram atiradas longe, após terem praticamente desaparecido em seus próprios furos.

Arthur, agarrando o pescoço do mais velho, arremessou-o contra uma grossa árvore, provocando um forte estrondo. Devido aos finos galhos que pendiam do vegetal, as costas e braços de Cupid foram tomados por vários filetes de sangue. Caíra sentado, a mão sobre os joelhos.

- Que graça, que graça! – exclamou rouco, cuspindo. – Parece que não somos capazes de resolver nossas diferenças no braço. Mais do que sujar minhas mãos, odeio sujar as de meus pokémon! De toda forma, você será fácil. Nem ao menos pode liberar seu Rapidash nesse espaço relativamente curto entre os trilhos e as árvores!

Enfiou a mão ensanguentada num dos bolsos, retirando de lá uma florida pokéball, transparente, jogando-a contra o ar. Um quadrúpede de pêlos beges muito claros surgiu. Suas pontudas orelhas, patas e cauda eram rosadas. Os belos olhos azuis-bebê misturavam-se ao longo das várias fitas espelhadas por seu corpo, sustentadas por gravatinhas-borboleta no pescoço e na cabeça, respectivamente.

- O que é isso bicho? – perguntou Arthur, assustado.

- Oh, oh! Quelle déception!21 – ele falou, colocando o braço sobre a testa. Podia estar mal vestido, mas mantinha ao máximo seu luxo. – Esperava essa pergunta de qualquer bobo de Johto, mas não de tu! Tu, um tão culto! Oh, oh! Quelle déception! Não conhece as excentricidades de Kalos? Ah, que pena! Nem saberá o que o acertou, então!

Cupid estava corretíssimo. Receber um ataque daquele monstro poderia custar-lhe a vida, se a criatura assim o desejasse. Estremeceu, ao pensar que aquele era seu fim. Não podia ser. No nada, no vazio. Naquela cidade. Não era possível. A pequena fada, assemelhando-se a um demônio, sorria marotamente22, mostrando-lhe seus dentes caninos afiados, prontos a sugar-lhe a alma. Na inocência da desolação, de sentir a vida escapar-lhe pelas mãos, pôs-se a correr pelos trilhos.

- Quelle déception! – bradou o glam, levantando-se rápido, perseguindo o mais jovem pela linha. – Não tente fugir! – gritou. – Silver23, use Draining Kiss!

O pequenino cachorro acelerou-se na corrida, saltando, pronto a estrangular o pescoço do rapaz. Uma sombra negra, no entanto, o arremessou longe, fazendo-o chorar fracamente. O local havia potencialmente escurecido depois daquela aparição macabra. Arthur virou-se, assustado. Visualizava apenas duas manchas amareladas fixas, encarando-o serenamente. Sobre elas, um círculo emitia certo fulgor azulado, obscuro.

- Silver! – gritou Cupid. Tentava alcançá-lo, todavia, uma esfera de energia negra, púrpura, o atingiu antes que pudesse descer da linha férrea. Caíra deitado nas tábuas de madeira. Os ferimentos ardiam. Bufou.

Os trilhos tremiam; o metal rangia. Um sopro fantasmagórico, um grito maquinal, iluminou aquela cena obscura. Os faróis devoravam as trevas ao redor. O trem aproximava-se: o mesmo trem atrasado. Corria ferozmente. Arty jogou-se ao lado. Viu-o passar, esmagar, triturar cada pequeno osso do oponente. Quando tudo acabou, porém, ele não estava mais lá. Nada. Nem a criatura sombria, nem Cupid e seu pequeno demônio.

Levantou-se, aproximando-se de onde o corpo caíra. Fincada suavemente entre o grosseiro chão de pedras, uma rosada rosa exalava seu perfume virgem, exibindo suas pétalas delicadas, em perfeito estado. Puxou-a. ”Droga!”, pensou. O andrógeno vivia. Olhou ao redor, certificando-se que seu rival não estivesse escondido. Contemplou novamente o nada. Precisava, imediatamente, aproximar-se de seu pai. Pôs-se a caminhar, sob o som dos primeiros pássaros matutinos e d’um uivo tristonho, solitário.





This is the end, my only friend! O fim da primeira temporada, claro Laughing


Última edição por Caio. em Qui 23 Jan 2014 - 17:28, editado 1 vez(es)
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Mensagem por Caio. em Qua 1 Jan 2014 - 22:10

Essas OS abaixo são SPIN-OFFs, e, consequentemente, NÃO SÃO IMPORTANTES PARA O MAIN PLOT. Basicamente, você NÃO PRECISA LER se quiser. Se ler e comentar, ficarei muito grato, entretanto. Perdoem-me colocar isso em vermelho gritante; quero chamar a atenção antes que alguns venham a desistir só por "ter muitos capítulos". Como eu havia dito, planejava trazer algumas OS que se passam no mesmo mundo do main plot. Cá estão. Já tenho mais uma pronta, mas slá. Não sei se um dia virei postar aqui... Acho que nada mais. Enjoy!




O Duque
Kaiser




O Duque II
Drogen

-X-

A negra fumaça espessa dos charutos perdia-se nos flertes noturnos. Finas taças de vidro cobertas por champagne manchavam-se do mesmo batom vermelho que manchava garfos de prata, suavemente colocados em bocas apaixonadas. Ó! Aquele lugar fedia a perfume adocicado. Mulheres, em trajes dourados, perambulavam pela escuridão quase absoluta, fracamente apagada pela luz chamuscada das velas.

Num velho sofá branco, de estofado já rasgado, estendia-se, com um cigarro nas mãos, uma figura magra, muito branca, de belos cabelos dourados. Seus olhos esverdeados demonstravam certo desprezo por tudo ao redor. Os lábios ressecados, fechados, atenuavam aquela impressão. Franzia a testa. O chiar incessante do disco arranhado o incomodava. Duas belas mulheres morenas sentavam ao seu lado, uma dando-lhe uvas, como um verdadeiro nobre romano, outra simplesmente com a cabeça recostada sobre seu colo. Suas pernas não podiam ser vistas: uma calça completamente preta as escondia. A blusa social branca relativamente aberta exibia os pêlos louros do peitoral do homem.

- Chega, chega. – falou ele, estressado, com o cigarro numa das mãos e, com a outra, afastando uma das damas. – Cansei dessas porcarias. Traga-me um bom vinho. – a mulher saiu, sorrindo. Duke respondeu-lhe com um riso falso. – Puta. – comentou com a outra, jogando fora o fumo num cinzeiro, acendendo outro.

- Tem razão, querido. – falou, passando a mão pelo liso queixo do branco. – Fique comigo a noite inteira. – esticou-se, ocupando quase todo o sofá. Passou o dedo lentamente pelas grossas coxas, passando-o em seguida nos próprios lábios e então nos lábios do loiro. – O que acha de algo especial hoje... Você sabe... Só eu e você? – abriu a blusa suavemente, mostrando seus fartos peitos cobertos por um sutiã quase transparente.

- Não! – ele gritou, levantando-se. – Saia daqui. Você é outra puta, caralho!

Teve um ataque nervoso. Chutou a velha vitrola, urrava, socava paredes, derrubou ve1as, pisoteava-as. Arremessou o sofá contra a parede. A moça morena correu, chorando. Nunca tinha visto tal vulgar amostra de força antes. Todos ao redor encaravam-no, assustados.

- O que estão olhando? Bando de drogados! – gritou, puxando seu sobretudo amarronzado de um cabide que se encontrava próximo à porta do salão em que estava. – Adeus!

Saiu, deixando a porta de alumínio bater atrás de si. Nevava. Não mais fazia fumaça com seu charuto. Fazia com sua própria respiração. O subúrbio de Goldenrod era o local onde almas desesperadas, como as dele, encontravam-se para sufocar-se ainda mais na escuridão noturna. Afogavam-se em vícios e sexo, tudo regado por músicas das mais variadas. Cansara-se. Tinha constantes ataques de overdose, isolava-se mais e mais em seu porão, solitário, empoeirado, deslocado no tempo, sem espaço.

Alguns moleques jogados andavam pelas ruas geladas. Não ousavam intrometer-se com ele, pois já o conheciam. Matara um, dois... Quem sabe? Sua fama nos becos escuros inflamava. Atingia o ápice de sua loucura nas ruas.




O Duque III
Oxygen

-X-

- Aqui está seu pedido, senhor. – disse uma velha gorda, ruiva, cabelos oleosos, lotada de sardas, além de rugas e verrugas negras, pelo rosto. Falava muito nasalmente, cuspia.

- Obrigado. – falou, pegando a xícara.

O cheiro forte de café acordava-o do delírio visual em que se perdera. Ah!, como era bela aquela mulher. ”Mui formosa”, dir-lhe-iam nos pubs undergrounds que há muito frequentara sem hesitações; agora, faziam-no tremer. Trocava o blues pela bossa, o brilho pálido lunar, os gélidos e obscuros becos pelo resplandecer quente do sol, as ruas de casas entijoladas, de largas calçadas, com paralelepípedos beges.

Fora inclusive numa dessas belas manhãs que, pela primeira vez, avistou-a, ao longe, sorrindo inocentemente ao lado de um rapaz de olhos azuis e cabelos negros, caminhando rua abaixo. Não ousou flertá-la, pois certamente valia mais que isso. Tão belo corpo, tão inocente sorriso! Amaldiçoou-se. Aquele amor infantil, idiota, de primeira vista, nunca daria certo. Tão jovem moça, tão velho charlatão. Ele não era ninguém.

De fato, não fora. Por dias – ou meses, quem sabe? -, perseguiu-a como uma sombra. Quando percebiam sua presença, desaparecia por algum tempo, com certa discrição. Passaram-se vidas e, após certo esforço, finalmente consideravam-no comum pedestre, caminhante dos vários ramos da grande cidade. Voltou a ser cidadão? Não sabia ao certo, todavia, não mais se tratava de um rato de porão.

Numa de suas perseguições cotidianas, a moça tropeçou, caindo graciosamente em seus braços. Agarrou-a, porém, do jeito mais desajeitado possível. Parecia delírio. Que felicidade! Jubilou-se, encheu-se d’uma alegria terna, infantil. Sentia-se vivo mais uma vez. Ouviu sua voz a primeira vez.

- Ai, ai, desculpe! – comentou.

- Tudo bem. – respondeu seco, sem jeito, erguendo-a.

Viu-a partir. Um verdadeiro anjo chamou-o aos céus. Esse anjo ia-se, desaparecia de sua visão no horizonte. Como era doce sua delicada voz! Quão belos seus cabelos castanhos, seus lábios rosados! Derretia-se de amor e nada mais importava no mundo; aquilo bastava.

Frequentava alguns lugares comuns. Pagou ao balconista de uma cafeteria para, se questionado, dizer à garota que Duke tratava-se de um antigo cliente, que desaparecera uns tempos devido a negócios, mas que agora retornava lentamente à sua antiga vida. Nas bancas de jornal do bairro, adquirira, não sem antes gastar desembolsar algumas moedas, o título de “afável leitor, amigo de tempos antigos que agora retornara à cidade”.

Admirava sua amada, perdido em seu olhar perdido sobre o mundo ao redor que se formava pela janela quadriculada de vidro, sem divisórias. O branco inquietava-se, pois a via suspirar. Ah! Pagaria o diabo para poder fazê-la esquecer suas aflições. Grande infortúnio.

- Aqui está seu pedido, senhor. – disse uma velha gorda, ruiva, cabelos oleosos, lotada de sardas, além de rugas e verrugas negras, pelo rosto. Falava muito nasalmente, cuspia.

- Obrigado. – falou, pegando a xícara.

O cheiro forte de café acordava-o do delírio visual em que se perdera.




O Duque IV
Oxygen II

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Mensagem por ms. em Dom 5 Jan 2014 - 16:32

Perry, estou amando a fic, como já havia dito.
Você possui uma narrativa muito admirável, que mesmo com seus caprichos e o formalismo conseguiram me prender desde o primeiro capítulo até agora.
Essa febre do Arty com certeza vai ajuda-lo a ficar mais birutinha, gostei bastante desse personagem justamente por causa disso.
Essa sua ideia da estória se passar num passado foi maravilhosa.
E como já dito no começo desse post, eu estou amando a fic
ms.
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