Pokémon Mythology
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Amber & Mantis

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Mensagem por Micro em Sex 25 Out 2013 - 23:53

O Autor Escreveu...

Pois é. Vou tentar um novo tipo de escrita.

Queria fazer uma história séria sobre crescimento pessoal dos personagens. Serão quatro protagonistas: Emily, Victor, Lukas e Luana. Suas idades serão colocadas no início de cada capítulo, para melhor posicionamento temporal dos fatos.

Vou tentar ser o mais atemporal e universal possível. Não quero uma história que só possa ser entendida por pessoas de uma região, de um país ou de uma determinada época. Lógico, ela se passa no século XXI, mas mesmo assim...

Uma história simples.
Nada de poderes mágicos de purpurina reluzente.
Nada de aventuras desmioladas.
Nada de romances melosos dramáticos.
Nada de porn without plot.

Apenas crianças sobrevivendo à triste realidade que chamam de vida.




Hey brother, do you still believe in one another? Hey sister, do you still believe in love I wonder?
Oh, if the sky comes falling down, for you there's nothing in this world I wouldn't do





Personagens

Favor conferir o Arquivo:

http://www.pokemonmythology.org/t50486-escritorio-arquivos-de-personagens-da-am




Capítulos


1º Ciclo escreveu: O Telefonema
O Emprego
A Reunião
O Apartamento
2º Ciclo escreveu: O Intervalo
A Noite
A Promoção
A Despedida
3º Ciclo escreveu: O Anúncio
O Evento
A Ressaca
O Retorno
Especiais escreveu:► O Retorno




O Telefonema
05 / 17 / 16 / --

Minha memória mais antiga vêm de quando eu tinha cinco anos de idade.

Estava tranquilamente no sofá de casa, assistindo a um desenho infantil na televisão da sala. Deeria ter sido um episódio muito especial de Barney, pois estava muito fixada na tela para prestar atenção em qualquer coisa.
Não prestei atenção no telefone tocar ao meu lado. Nem no meu irmão se aproximando para atendêlo. Lembro que o dinossauro rosa estava fazendo sua dança de encerramento quando ouvi meu irmão berrar ao telefone "O quê?"

Me virei bruscamente para ele, tão rapidamente que meu cabelo loiro voou em meu rosto, e acabou entrando um pouco em minha boca, interrompendo minha pergunta.

"O que - pfff - o que foi, mano?". Minha vozinha de cinco anos de idade era baixa e um pouco nasalada, tornando-a meiga e fofa. Mas nem isso tirou Lukas do transe. Ele estava parado, encarando o nada, a luz da televisão refletindo em seus olhos e pingente dourados.

Mamãe costumava dizer que nunca tinha visto um garoto com olhos tão amarelos como o do meu irmão. Eles não eram castanho-claros; eram exageradamente dourados. E foi por esse motivo que ele ganhou em seu décimo quarto aniversário um colar com uma pedra de âmbar do tamanho de um carrinho de brinquedo. E dentro dela tinha um escorpião fossilizado, que enquanto representava o seu signo, era muito mais usado para me assustar. Odiava aquele escorpião.

Falando em papai e mamãe, eles ainda não tinham chegado em casa. Lukas tinha me falado que eles estavam viajando: tinham saído por dois dias, por causa de uma emergência, mas logo estariam de volta. Enquanto isso, meu irmão e eu estávamos vivendo de pizza e iogurte.

Mas então ele voltou a falar ao telefone, me ignorando. Ele falava baixo, sua voz grave com um pesar imenso. Dizia algo sobre "Me diga que não é brincadeira", e "E o dinheiro?". Ele disse algo com o meu nome também, mas não entendi direito o que era. Balançava nervosamente minhas perninhas para frente e para trás: não conseguia alcançar o chão, o que me irritava mais ainda, me fazendo chutar o ar cada vez mais forte.

E então, me virei para ele. E a visão me traumatizou.

Ele estava chorando. Lukas Teulin estava chorando.

Meu irmão era tipo o cara mais forte que eu conhecia até aquele dia. Ele só tinha chorado antes quando o vovô tinha morrido, mais cedo naquele ano. E mesmo assim, foram pouquíssimas lágrimas, que rapidamente secaram. A casa ainda ficava triste quando ouvíamos o nome dele, mas papai e mamãe sempre mudavam de assunto, para tirar o peso do clima.

Mas desta vez, ele estava realmente chorando. O amarelo fazia um estranho e triste contraste com o vermelho pulsante do sangue, que preenchia aos poucos o branco do olho. E ele olhava desesperadamente para mim, com uma cara de que não fazia a menor ideia do que poderia fazer. Não entendia o que estava acontecendo, mas ver o meu irmão daquela forma me deixou muito perturbada.

Ele desligou o telefone, e jogou-o no sofá ao meu lado. Com passos pesados, ele se aproximou de mim, ajoelhando-se, e me abraçou fortemente.

"Irmão? Quê que foi?" perguntei. Não sabia muitas palavras, mas ainda falava mais do que grande quantidade dos garotos da minha idade.

"Emy... sabe... papai e mamãe?" ele perguntou, numa forte voz chorosa. Ele tentava segurar as lágrimas, forçando um tom raivoso, engolindo o choro. "Então... eles não vão voltar para casa hoje." Ele não tinha me soltado para falar; ainda estávamos num forte abraço.

Tentei entender o problema no que ele disse. Bem, eles não iam chegar hoje. Mas já era de noite, ou seja, logo de manhã eles estariam de volta, o que não era problema para mim. Mas mal terminei de pensar, ele já completou a sua frase.

"Eles não vão voltar nessa semana. Nem... nem nesse mês." Ele engasgou-se com o ar, soltando um longo suspiro logo depois. "Teve um... problema... na estrada..."

Mas ele não completou. Ele enterrou a cabeça no meu ombro, e tentou fortemente segurar as lágrimas, que molhavam a manga do meu pijama salgadamente. A tristeza e o desespero finalmente me atingiram, e eu senti meus olhos começarem a embaçar.

"Papai e mamãe... machucaram?" perguntei inocentemente.

"Pior... muito pior..." respondeu.

Pior do que se machucar? Mas o que podia ser pior do que isso?

"Se lembra do vovô Arthur?" ele me perguntou, levantando o rosto do meu umbro. Ele ainda não tinha se soltado do abraço, e por isso não consegui ver sua face, mas deveria estar vermelha e acabada. A minha ficaria assim também em pouco tempo.

"Sim..."

Ele não conseguiu terminar. Não conseguia explicar para sua irmã de cinco anos que seus pais tinham morrido num acidente de carro. Mas eu entendi a mensagem, e comecei a chorar dolorosamente também.

"Não! Papai e mamãe vão voltar sim!" gritei com raiva. Era uma péssima brincadeira que ele estava fazendo comigo.

Mas ao invés de negar, ele apertou ainda mais o abraço, passando a mão delicadamente em minhas costas. Isso não ajudou muito, e em pouco tempo estava chorando mais do que ele.

Não me lembro por quanto tempo ficamos no sofá, abraçados, chorando pela nossa perda. Mas logo ouvimos o fecho da porta se destrancar. Estrondosamente, ela foi aberta, e Victor entrou correndo em nosso apartamento.

"Vim o mais rápido que consegui..." ele disse, entre bufadas. Parecia ter corrido toda uma maratona até o nosso prédio.

Vic era o melhor amigo do meu irmão. Eles se conheciam desde que tinham a minha idade, o que para mim ra muito tempo (quase o dobro do que eu tinha vivido!), e se não fosse pela diferença marcante entre ambos, poderiam ser considerados irmãos. Enquanto meu irmão era bronzeado, pelas horas jogando bola na rua, Vic era branquelo. Os cabelos cor-de-mel ondulados contrastavam com a sua cabeleira negra lisa, que subia naquele topete que fica bem em qualquer cara. E, principalmente, os olhos âmbar de Lukas eram tão profundos e brilhantes quanto os olhos azuis de Vic. Mas, fora isso, eram completamente parecidos. Gostavam dos mesmos programas de TV, músicas, jogos, roupas feias que não combinavam e até das mesmas garotas. E o tempo que ele passava em nossa casa era ainda maior.

Mas nesse momento não tinha espaço para sentimentos felizes, piadas engraçadas ou trocadilhos sobre jogos. Ele trancou a porta da frente com sua chave (ele era tão íntimo que tinha até sua própria cópia da chave da entrada) e se aproximou do sofá onde eu e Lukas nos sentávamos.

"Poxa cara... sinto muito..." ele disse, numa voz pesada. Seus olhos estavam meio molhados, mas o choro de Lukas superava a sua tristeza em mil vezes. Ele nos abraçou fortemente, e por aguns segundos ficamos os três dividindo a tristeza, e nos consolando.

Mas o choro tinha me cansado. Aos poucos, fui me encolhendo, fechando os olhos, e quando voltei a abrí-los, tempo tinha passado e nossas posições tinham mudado. Agora estava deitada, com a cabeça no colo de meu irmão e as pernas no colo de Vic.

Meu irmão parecia ter se acalmado. Seus olhos ainda estavam vermelhos, mas pelo menos lágrimas nao eram vistas em seu rosto. Uma de suas mãos fazia um fraco cafune em meu cabelo loiro, me acariciando enquanto dormia.

Os dois estavam no meio de uma conversa, e não notaram que eu tinha acordado.

"...a polícia tinha acabado de identificar os corpos. Parece que um caminhoneiro dormiu no volante e invadiu a pista." ele estava dizendo, tristemente. Fazia força para não mostrar mais fraqueza, mas estava tão cansado que era aparente o stress emotivo pelo qual estava passando.

"Filho da [palavra censurada]." Dessa vez, a voz veio de Vic. Por um segundo, me assustei. Ele não era do tipo de cara que falava palavras feias; pelo contrário, nós dois sempre xingávamos quando Lukas dizia uma palavra feia. Mas a seriedade em sua voz era abaladora. "Eles eram como pais para mim. também"

"Eu sei." Completou tristemente Lukas. "A pior parte vai ser encarar a lei."

"Como assim?"

"Mamãe era filha única, vovô já morreu e vovó está no asilo. E a família paterna ainda nos é um mistério." Ele disse amargamente.

Vovó Rosa era uma doce senhora, que vivia em sua "mansão de amigos", onde eles faziam suas animadas festas de ameixa e bingo. Embora ainda estivesse sã da cabeça, ela preferiu ficar no asilo de idosos, para que não dependesse financeiramente de papai e mamãe. Era bondosa, mas um pouco orgulhosa, e por isso deixou ser internada lá para que não fosse nenhum incômodo a sua filha, mesmo contra quase um mês de protesto por parte dela e uma tentativa judicial de tirá-la do lugar.

E a família por parte de pai... bem. Mamãe me falou uma vez que a família do papai era muito má, e por isso ele decidiu fugir de casa. Por isso, nunca conhecemos nenhum tio paterno, ou seus pais. Logo, nossa única família era a Vovó Rosa agora.

"Mas daqui a duas semanas você vai fazer dezoito, não?" perguntou Vic.

"Sim. Vamos precisar nos esconder até lá." concluiu Lukas. "Os agentes federais devem chegar para confiscar os bens depois de amanhã, já que papai e mamãe não tinham nenhum testamento."

"Entendi..." Vic jogou sua cabeça para trás, apoiando no encosto do sofá.

"Pelo menos vamos recuperar os objetos da casa." bufou meu irmão. Ele estava cansado, mas a sua noite ainda estava longe de ter terminado. Lentamente, ele me segurou em seus braços, e me carregou do sofá, em direção ao meu quarto. Abriu lentamente a porta, e no escuro, me colocou na cama. Vic seguiu-o logo atrás.

"Me ajude a fazer as malas. Precisamos sair daqui logo que amanhecer."

O garoto moreno pausou por um segundo, assustado. "Você ficou doido?"

"Se não sairmos daqui, eles vão nos levar para a adoção. E eu duvido que nos deixem ser adotados juntos." concluiu amargamente Lukas. Vic abaixou a cabeça, dizendo outro palavrão, e logo então chutou com força a parede ao lado.

"Vocês podem passar uns dias no meu quarto. Acho que consigo convencer o dono da minha república se eu explicar a situação para ele." terminou Vic. Meu irmão soltou um suspiro aliviado, e sussurrou um "valeu" para ele, que foi respondido por um rápido abraço.

Decidi que era hora de deixar o sono me dominar, e fui fechando os olhos aos poucos, enquanto os dois rapazes empacotavam os pertences até o amanhecer.


Última edição por Micro em Sex 1 Ago 2014 - 9:43, editado 14 vez(es)
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Mensagem por gerbroth em Sex 25 Out 2013 - 23:59

Passando aqui por que o mendigo avatar pediu, me pergunto em como isso vai acabar :v será que eles vão crescer na rua, sera que no final todos irão morrer ou será um final gay com purpurina? Espero que acabe com essa praga.
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Mensagem por elazul em Seg 28 Out 2013 - 19:58

Olha, eu acho que esses dois garotos aí são dois bofes rosinhas ein. Mas wtvr, boa história, estou curioso ein. Tipo, cara, que triste, essa garota aí acho que vai virar o diabo, :<
Mas, boa sorte aí

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Mensagem por Micro em Sab 2 Nov 2013 - 5:01

@Hentou e @Elazul
Obrigado por comentarem :0 Mas nem sempre que dois caras são amigos rola uma relação homossexual entre eles. Saiam do computador e vão ter bromances de verdade.

O Emprego
05 / 17 / 16 / --
Lukas chegou tarde em casa naquela noite.

Já tinha quase uma semana desde que ele e sua irmã tinham se mudado para aquela pensão. Uma pequena construção de dois andares, gerenciada por um casal de idosos simpáticos. Eles alugavam quartos para jovens que estavam começando a vida sozinhos, a preço justo, e geralmente não se importavam com suas origens ou condição financeira. Cada quarto tinha aproximadamente dez metros quadrados de área, composto por cama, escrivaninha e armário, aliados a cozinha e banheiro comunitários. Nada muito luxuoso, mas era o suficiente para o momento. Todos os cinco quartos estavam ocupados, o que lhes oferecia renda o suficiente para se manterem por muitos anos.

Eu já morava com o casal desde o início do ano, e por isso eles já confiavam em mim. Por isso, nem hesitaram quando contei-lhes a história de Lukas e Emy, e permitiram quase que instantaneamente que eles morassem comigo. Foi necessário apenas um colchão extra para mim, enquanto os dois dividiam a minha cama, que era larga o suficiente para um adolescente e uma semi-bebê.

Mas embora fosse suficiente, não era lá confortável. Todos nós sabíamos que não ia dar para continuar naquela situação. Precisaríamos alugar nosso próprio apartamento se quiséssemos ter uma vida de qualidade. E foi por isso que começamos a trabalhar intensivamente. Eu já dava algumas aulinhas particulares de literatura, o que garantia o pagamento da pensão e um extra no fim da semana; mas apenas ele já não era o suficiente. Agora precisaríamos de pagar comida e moradia para três, complicando a equação.

Como o terceiro ano já tinha acabado, e minha vaga na faculdade estava garantida, conseguia dar aulas extras em tempo integral. Mas assim que o ano acabasse teria que dividir meu tempo entre trabalho e estudos. Lukas, por outro lado, passava o dia todo fazendo serviços por aí, mas quase sempre eram pouco lucrativos. Entregava uns jornais, trabalhava em alguns postos, distribuía panfletos, entregas a domicílio, assistente de cozinha... mas quase sempre sua renda era a metade da minha.

Por isso não me assustei com o que tinha acontecido hoje. Mesmo assim decidi me manter na defensiva.

"Você chegou tarde". disse, lentamente, enquanto ele deslizava silenciosamente para dentro do quarto. Emy dormia tranquilamente na cama, e ao seu lado havia o espaço vazio do irmão, no qual estava sentado. Ela tinha adormecido esperando por ele, e eu precisei tranquilizá-la sobre o trânsito estar lotado. Mas já eram quase três da manhã.

"[palavra censurada]o, não me assusta assim." ele disse, histericamente colocando uma mão no peito e dando uma bufada. Talvez ele desse mais sorte como ator. "Consegui bastante hoje. O meu chefe me promoveu para..."

"Minha mãe me ligou hoje." cortei-o.

Ele engoliu em seco. Sabia que tinha entrado em terreno perigoso. Minha mãe não era lá uma das mães mais presentes do mundo. Ela só dava o ar da graça muito raramente, e quase nunca eram notícias boas.

"Me disse que você foi pedir umas dicas para ela."

Ele ficou calado, me encarando, os olhos brilhando na mesma intensidade da pedra de âmbar em seu colar. O cansaço estava estampado em seu rosto, mas ele sabia que não podia adiar essa conversa por mais tempo. Ele se jogou no colchão onde eu dormia, apoiando a cabeça nos braços cruzados, e respondeu, com os olhos agora fixos no teto.

"Eu também não estou muito feliz por causa disso. Mas é a única coisa que eu posso fazer."

"Única coisa? Você podia estar matando, roubando, drogando os outros... mas isso?" perguntei a ele, com peso na voz.

Desta vez ele se virou para responder. "Você sabe que eu não sirvo para nenhum desses serviços. E sua mãe me disse que eu tenho um futuro brilhante no que eu comecei hoje."

"Minha mãe é uma puta. Seu argumento é inválido." joguei na cara dele.

"Pelo menos você tem uma." respondeu rispidamente.

Bem, ele tinha razão. Talvez tenha pegado um pouco pesado com ele. Já estava acostumado com o fato de minha mãe ser uma das senhoras do ofício; eu até cheguei a achar engraçado como o xingamento "filho da puta" não me atingia. E ela era uma das prostitutas de luxo, ao menos. Embora isso não justificasse a ausência dela em minha vida. A senhora Teulin era muito mais uma mãe para mim do que ela já foi; mas era inegável nossa ligação por sangue. Sangue de uma prostituta com um traficante qualquer, que a abandonou por aí com um filho na barriga.

Soltei um suspiro pesado. "Desculpa."

"Sem problemas". Ele disse, coçando a nuca. Ele sempre fazia isso quando ficava sem jeito.

"É só que... porra... eu nunca ia te imaginar fazendo isso... vendendo o corpo por dinheiro. Ainda mais você, que é quase adulto e ainda não tinha ficado com ninguém." concluí, com um sorriso triste.

"Ah, desculpa se eu não beijei a coleguinha da carteira do lado naquele dia com doze anos, isso realmente me faz uma pessoa pior do que o cara que domou metade dos dragões que a gente conhece" ele brincou, jogando os braços pra cima.

Soltei uma breve risada. Foi boa para tirar um pouco da tensão da conversa.

"E tem mais." ele continuou "Dessa forma, você trabalha de manhã, e eu posso acompanhar a Emy durante esse período. A tarde você vai descansar com ela, e eu vou pro meu serviço".

"Você realmente só pensa nela, não é?" perguntei, embora soubesse a resposta.

"Lógico. Ela é a única família que eu tenho por agora. Bem, ela e a vovó Rosa." ele disse.

Concordei com ele, mas no fundo sabia que o motivo era outro. Ele não queria abandoná-la sozinha no mundo, da mesma maneira que fizeram seus pais. Ela ainda chorava quando se lembrava deles, mas sempre tentava segurar as lágrimas: forte e teimosa como o irmão. Até ele de vez em quando aparecia com os olhos vermelhos, embora sempre falasse que a culpa era da maconha que ele guardava na varanda. Eu sabia que ele não suportava o cheiro da erva, mas era uma desculpa boa o suficiente para Emily se sustentar.

E os dois iam se sustentando, nessa falsa e hesitante torre de emoções mascaradas por um rosto sério.

Dei de ombros, e peguei a toalha mais próxima, jogando para ele. "Vai tomar um banho. Não quero nem saber como você está debaixo dessa roupa aí."

Ele riu, amarrando a toalha na cabeça, como se fosse uma touca, e partiu para o banheiro comunitário do prédio, com um sorriso no rosto. Um sorriso inocente, que embora doesse, conseguia nos manter juntos, embora a vida estivesse uma porcaria. Fiz um cafuné em Emy, que dormia profundamente, e saltei para meu colchão, pronto para recomeçar meu dia novamente. Talvez procurasse pela manhã um trabalho mais importante, talvez como bibliotecário ou professor do primário. Quem sabe pudesse até ser professor da Emy. E então, nós dois poderíamos ficar fazendo piadas internas a aula toda.

Dormi, com esse pensamento na cabeça e um sorriso no rosto.


Última edição por Sawtooth em Seg 6 Jan 2014 - 0:55, editado 1 vez(es)
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Mensagem por gerbroth em Sab 2 Nov 2013 - 12:38

não é por que é um final gay com purpurina que os dois (homem e mulher, hu3) não vão ficar juntos.

"Única coisa? Você podia estar matando, roubando, drogando os outros... mas isso?" perguntei a ele, com peso na voz.
Mas ele não estava?
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Mensagem por Pokaabu em Seg 25 Nov 2013 - 0:08

Boa fic, cara, boa mesmo. Você colocou no começo: Apenas crianças sobrevivendo à triste realidade que chamam de vida. É só isso mesmo? Porque tipo, não é só porque tem romance ou aventura e magia que o desenrolar da história será necessariamente ruim, o que eu digo é que toda história precisa de um conflito, um tchan. Eu realmente achei que seria uma história de superação gay e tals, mas você já enterrou todas as minhas expectativas. Enfim vamos ver o que você vai fazer com isso daí.

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Em breve.
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Mensagem por Micro em Seg 25 Nov 2013 - 1:52

@Hentou
Existe uma diferença entre vender o corpo e atacar alguém. No primeiro caso, quem se machuca geralmente é o remetente da ação.

@Pokaabu
Poxa cara, valeu. Fico meio triste que em dois capítulos as pessoas estejam shippando os dois garotos. Mas não se preocupem. A vida é uma caixinha de surpresas. Ainda tem muito a acontecer nessa história. E pessoas mudam com o tempo.
(isso pra não falar que eu dei spoiler)

A Reunião
05 / 18 / 16 / --
Detestava reuniões escolares como aquela.

Sempre que muitos adultos se reuniam, sem bebidas, costumava ser um saco. Ainda mais para discutir sobre seus filhos e alunos. A maioria deles eram mulheres; mães, que passavam o dia inteiro em casa limpando e cozinhando, enquanto os maridos trabalhavam. Mas de vez em quando se encontrava uma alma masculina no recinto.

Mas agora era ainda pior. Na multidão de quase quinhentos pais, eu conseguia encontrar um conhecido de vez em quando. E quando eu digo conhecido, digo cliente. E quando eu digo cliente, eu digo pessoas que te encaram como se fosse uma assombração para logo depois encarar os próprios pés como se fossem as coisas mais interessantes do mundo.

Emy estava sentada do meu lado no enorme auditório, assim como todas as outras crianças faziam com seus pais. Ela estava usando o uniforme da escola; afinal, tinha acabado de terminar o primeiro dia letivo. Suas perninhas balançavam nervosamente, chutando o ar, para frente e para trás na cadeira, sem alcançar o chão, como ela sempre fazia quando ansiosa. Afinal, ela tinha que ficar sentada durante algumas horas, ouvindo conversa de adulto, sem poder correr ou brincar com bonecas ou conversar com os coleguinhas ou fazer QUALQUER outra coisa além de ficar sentada e calada.

“Daqui a pouco acaba. Fica tranquila” disse a ela. “Também não gostava disso quando tinha a sua idade. E ainda não gosto.” Adicionei, com um sorriso.

Ela me olhou meio desacreditada, mas parou com o balanço nervoso nas pernas. Eu realmente odiava esse tipo de reunião, mas um de nós dois precisava ir. E Victor já estava ocupado, olhando um apartamento novo para nós. Acho que dessa vez vamos compra-lo, finalmente conseguimos dinheiro o suficiente para isso.

Quando a mãe dele me disse que eu tinha um futuro brilhante na minha profissão, não a levei a sério. Mas depois de apenas três meses trabalhando, já era o mais bem pago da cidade, chegando ao ponto de trabalhar em outras cidades nos fins de semana. Isso quando não fazia algumas noites como go-go boy. Essas eram as mais divertidas; a maioria da plateia estava bêbada demais para saber onde estava, e por isso eu não era levado para a cama.

Mas meus pensamentos foram interrompidos quando a diretora começou a sua palestra. A Ms. June era uma senhora gentil, na casa dos quarenta anos, que trabalhava lá como professora antes de herdar a escola de sua mãe quando esta morreu. Desde então ela vem guiando a academia do jeito dela: mais abertamente, tranquilamente e menos rigorosa. Esta escola tinha um histórico rígido e antiquado desde a sua criação, sendo tal conservadorismo seu slogan.

Deve ter sido ironia do destino que eu, um de seus mais antigos alunos, me tornasse um gigolô.

“Senhores pais, mães e alunos. Sejam bem vindos a mais um ano letivo na Academia Excelsior.” Começou ela. Sua voz lenta e agradável ecoava no auditório silencioso. “Para os mais novos, eu sou a nova diretora Barbra June, e serei a responsável pelos seus filhos a partir desse ano.”

A maioria dos pais suspirou em descrença. Eles conheciam-na apenas como professora; não sabiam se ela daria conta do recado como diretora. Ainda mais por que ela era a professora mais liberal do colégio. No final de sua palestra de abertura da escola, ela abriu espaço para as perguntas; logo, não tardou muito para que um deles a indagasse sobre isso.

“Com licença diretora, mas a conduta do colégio continuará a mesma?” perguntou uma das mães, após levantar a mão.

“Bem, pretendo criar um ambiente agradável para os alunos. Creio que este tenha sido o sonho da minha falecida mãe, embora ela estivesse usando os meios errados para os finais corretos.” disse a Ms. June.

Na verdade, o método de ensino de Elizabeth June era bastante conservador e amedrontador. O uniforme era monótono, as aulas de educação física eram separadas, e o castigo físico era aceito em casos extremos. Qualquer escola seria considerada desleixada comparada à aquela. E os pais sabiam disso: e era exatamente por isso que procuravam a Academia Excelsior.

“Bem, temos medo que nossos alunos sejam influenciados negativamente graças a essa nova conduta.” Concluiu outra das mães. Ela lançou um olhar malicioso em minha direção, o qual eu facilmente percebi. Era a esposa de um dos meus ex-clientes; ex, pois ela descobrira o que tinha acontecido, e para não arruinar o casamento, decidiu não espalhar para a cidade toda sobre a bissexualidade do marido em troca de uma indenização em dinheiro. Pobre senhor aquele.

“Posso garantir à senhora que faremos o nosso melhor para que seus filhos sejam educados corretamente, dentro dos padrões da sociedade e da escola.” Cortou a Ms. June, num tom um pouco mais grosso. Era bom ver que pelo menos alguém naquela sala queria que a Emy estudasse ali.

Aos poucos a discussão foi voltando a perguntas mais normais, como o novo uniforme e os novos horários, e o ar foi se tornando um pouco menos pesado. Mas ainda era possível sentir os olhares naquela sala, perfurando as minhas costas. O mais estranho era que, além de me odiarem, pareciam estar odiando outros dois pais ali presentes. Confesso que fiquei curioso sobre a historia deles; não era todo dia que isso acontecia.

À medida que o tempo passava, a inquietação diminuía. E com isso, as dúvidas eram respondidas. Pelo visto, a escola adotaria uniformes mais coloridos, de modo a incentivar a criatividade dos alunos, com aulas de convivência social e outras atividades que não me importaram muito. Emy estava a ponto de explodir e sair correndo do local quando a Ms. June encerrou a reunião, liberando os pais e as crianças. Minha irmã deu um salto da cadeira, esticando as costas, e se preparou para correr, quando a diretora colocou a mão em seu ombro, mantendo-a no local.

“Precisamos conversar.” Ela disse calmamente, dirigindo a palavra à mim. Ela fez o mesmo com os outros dois pais odiados, e suas respectivas crianças. Fiquei com medo dela impedir a matrícula de Emily por causa dos outros pais, portanto me preparei para o pior. Esperamos de pé a saída das outras pessoas, e por final estávamos apenas nós no auditório.

Barbra reuniu quatro das cadeiras da sala em um círculo, sentando-se em uma delas. Fez sinal para que nos juntássemos a ela, e o fizemos, cada responsável com seu aluno ao lado. Pensei que fosse uma expulsão coletiva, mas ela apenas pediu que as crianças brincassem no pátio enquanto os adultos conversavam.

“Queiram me perdoar pelos nossos outros pais. Acho que não estão acostumados com os seus casos particulares, e por isso pensam que seus filhos possam ser uma influência negativa” ela disse, com o rosto triste.

“Sem problemas. Já até me acostumei com isso.” Disse a mulher do grupo. Ela parecia ter por volta de trinta anos e, felizmente, não era uma de minhas clientes. Vestia uma roupa completamente personalizada e alternativa, além de maquiagem extravagante. Ela parecia ter vindo de outro planeta, mas por outro lado era bastante atraente. E até que as roupas esquisitas caiam bem nela.

“Bem, esta é minha irmã mais nova, Anna June.” Disse Barbra. “E este são Lukas e Rudolph.”
Ela alegremente sorriu para mim, o que retribuí com um aceno de mão. Tentamos cumprimentar o outro homem, Rudolph, mas ele estava um pouco sem reação. Vestia roupas negras, e possuía olheiras de dar medo, além do cabelo recém-raspado.

“O que vocês têm de tão ruim assim? Tipo, sem querem me intrometer e tals” ela completou, dando de ombros para mim e para o cara ao meu lado. “Tipo, eu sou lésbica, [palavra censurada]-se a opinião alheia.” Concluiu.

“Irmã! Você não pode ir entrando na vida dos outros assim!” repreendeu Ms. June.

“Bem... não tem problemas. Eu me prostituo para sustentar minha irmã...” disse, com a voz baixa. Ainda não tinha me acostumado a falar o que eu fazia em voz alta. Afinal, as pessoas costumavam evitar me perguntar esse tipo de coisa, pois já sabiam.

“Poxa, que pena. Se precisar de alguma coisa, pode me ligar!” disse Anna. “Você é o irmão da Emily, certo?”

“É, sou eu.”

“Ela já é amiga da minha filha Amanda. Emy e Amy se dão muito bem.” Ela concluiu com  um sorriso.

Achei engraçado como os nomes das duas garotas juntas lembravam a marca de chocolates M&Ms, mas decidi não dizer isso em voz alta. Mas tinha algo de estranho no que ela me falou.

“Tá na cara que você não entendeu como que eu tive uma filha né? Bem, eu até que gostava de caras, e até fui casada... mas depois descobri que o outro fruto era melhor, e aqui estou.” Ela disse, com um olhar maroto. Sua forma de agir me lembrava duma adolescente rebelde, e talvez por isso eu conseguisse confiar nela melhor: ela parecia ser alguém próxima a minha idade.

“E você, Rudy?” perguntou Anna, recebendo outro olhar de advertência de Barbra.

O homem balançou lentamente a cabeça, como se tivesse saído de um transe. Estava pensando em um milhão de coisas, e só então tinha voltado a terra. Cerrou as sobrancelhas, como se não tivesse entendido a pergunta.

“Oi?”

“Tipo, não precisa falar se não quiser, mas o que você fez que os pais não gostam de você?” disse Anna. “Não parece ser pior que um gigolô e uma sapatona.”

“Ah, isso.” Ele disse pensativo, logo depois concluindo. “Eu saí da prisão na semana passada. Confundiram-me com um assassino, e fiquei preso injustiçado por cinco anos.” completou, olhando para o além.

O modo como ele falou parecia ter encerrado a conversa por ali. Mas não era por vergonha; ele realmente parecia ter se esquecido de que estava conversando.

“Fizeram coisas terríveis com ele durante o seu tempo na cadeia.” Explicou Ms. June. “Drogas pesadas, tratamento de choque e torturas acabaram danificando parte de sua capacidade perceptiva.” Concluiu a diretora, tristemente. “Mas ele é um bom homem.”

Ficamos nos olhando por alguns instantes. Não éramos tão errados assim: apenas a sociedade que nos odiava preconceituosamente. Embora fossem histórias tristes, era bom ver que mais pessoas entendiam a nossa situação. E como Anna disse: [palavra censurada]-se a opinião alheia. O que importa é que os garotos irão ter uma educação de qualidade naquele local. E, se Deus quiser, não vão acabar como nós.

Não era lá grande coisa, mas nosso grupinho dos excluídos estava formado. Mal sabia eu que esse grupo iria nos acompanhar por muitos anos ainda.

“Lukas, querido, não queria ter que perguntar sobre isso... mas agora que você atingiu a maioridade, já se registrou como responsável legal por sua irmã? Eu sei o que houve com seus pais... e por isso fico preocupado com o bem estar de vocês dois.” Perguntou pesadamente a diretora, me tirando de minha reflexão.

“Ah, sim, não precisa se preocupar com isso. Tive que explicar ao cartório que estávamos viajando para a casa de um amigo meu durante meu aniversário, e por isso demorei a poder preencher os documentos.” Respondi. Não era toda a história, mas seria o suficiente por enquanto. Registrar-me como o novo responsável legal foi a parte mais fácil; o problema foi o testamento.

O documento que nenhum de nós sabia que existia. E que meus pais nem se lembravam.

Parece que poucos dias após a sua morte, uma “tia” paterna apareceu e, com um testamento bastante amassado, conseguiu acesso a todos os bens dos nossos pais. As câmeras do prédio registraram com clareza seu rosto, e era impossível discutir a ligação de sangue entre ela e meu pai. Eles eram ridiculamente semelhantes: diria até que são gêmeos, se não fossem os cabelos longos.

O correto seria ligar a ela e avisar que seus sobrinhos estavam vivos, mas consegui convencer ao senhor que nos atendeu a não fazer isso. Afinal, minha família paterna era perigosa, pelo que meu pai havia me explicado, e era melhor nunca me envolver com ela.

Seu nome aparentemente era Tanya Silverwood. Era uma advogada poderosa na cidade vizinha, e era famosa por sempre conseguir vencer seus casos na justiça. Tinha medo dela convencer os juízes que eu e Emy éramos delinquentes, para que pudesse nos mandar a um reformatório e ficar com os bens. Por isso, nem pensei em fazer um embate direto com ela. Por enquanto. A lei nos garantia um período de mais sete anos, pois teoricamente é o período para que uma pessoa seja considerada morta. E, nesse caso, éramos eu e Emy quem tínhamos começado do zero.

Desta maneira, perdemos os pais e a sua casa. O que nos restava agora era rezar para que Victor nos encontrasse uma nova.



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Mensagem por Pokaabu em Seg 25 Nov 2013 - 12:26

Hey, voltei. Gostei do capítulo, mas ainda acho que falta um pouco de sentimento, não sei, esse garoto parece muito seco, não parece que perdeu os pais. Sério, se fosse eu estaria bêbado andando pela rua chorando. Anyway, adorei essa personagem maluquinha, eu simplesmente amo essas pessoas escrachadas, é tão diferente do que eu sou, quietinho, introspectivo e sem sal. Por isso amo um barraco.

Vi alguns erros de crase, tipo aqui:

Qualquer escola seria considerada desleixada comparada à aquela

Em, é só botar àquela. (Nem sei direito, mas acho que é isso) ;x

Ah, já ia me esquecendo, ele se abriu bem rápido pro mundo gay, pra quem era hetero. Outra, não se acanhe em fazer capítulos maiores, se for pelo bem da história.

Até mais.

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Mensagem por .Korudo Arty. em Qui 12 Dez 2013 - 22:01

Hola! Nossa, que história mais legal. Tipo. Eu já tinha lido o começo dela, mas desisti de continuar quando imaginei que seguiria aquela linha 'Perdi meus pais, então isso justifica eu ser um delinquente juvenil'. Então você deve imaginar que quando vi que o Lukas não virou um drogado beberrão que vivia um clima de amor e ódio com a irmã mais nova eu fiquei bem mais animado.

Eu gostei do clima mais livre e claro da fic. Nada muito carregado de emoções. Nada muito depressivo, por causa da morte. Algo de vida mesmo. Tipo, altos e baixos. Alegrias e tristezas. Ah, também gostei do modo como os personagens são bem definidos, bem diferentes uns dos outros. De toda forma, eu gostei da fic, achei ela muito legal e super boa de se ler. A única coisa é que eu acho que falta mais emoção, choques mais intensos. De resto, ela é ótima.

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Mensagem por Micro em Ter 17 Dez 2013 - 12:45

Obrigado aos meus únicos leitores, eles me fazem continuar isso.

@Pokaabu
O Lukas é bastante durão. Ele nunca mostra o que está sentindo por dentro. Por isso as pessoas costumam se afastar dele. E o motivo dele ter se aberto assim ao mundo da prostituição, bem, só mais tarde para saber *wink*

@Arty
Ah, você acabou aparecendo pra ler essa também! Acho que vou te dar um cartãozinho fidelidade smiles pelo tanto de obra minha que você tá lendo.
E tá um pouco sem emoção ainda, por que é só o começo. Ainda não sei quantos capítulos vão ter, mas pretendo chegar pelo menos aos 17 anos da Emily.

Só avisando que ainda vai ter muita coisa. Drogas, gravidez, vícios, sexualidade, jogos de azar... um monte de "tabus" que serão aos poucos apresentados ao decorrer dos capítulos.

O Apartamento
06 / 18 / 17 / 17

"Você vai ver. Ele é um rapaz incrível!"

Por mais que Meg tentasse me animar, estava com um pé atrás. Sempre que ela me apresentava a um cara, a gente se desentendia e no final ia cada um para seu lado. E eu sentia que com esse não seria diferente. Mesmo o fato de ele morar com o namorado da minha melhor amiga não me acalmava muito. Embora já tenha ouvido algumas conversas entre Meg e Victor, e esse parecia ser um cara legal. Assim, seu colega de quarto deve ser alguém como ele: bem comportado, bom cozinheiro e tranquilo.

Pelo que ela tinha me contado, eles tinham preparado uma festinha para comemorar o aniversário da irmã mais nova deste Lukas, junto à mudança ao novo apartamento. E este ficava num típico prédio residencial de cidade grande: nada muito especial. Ficava numa zona mais tranquila da cidade, a uns bons quarteirões do centro movimentado. E parecia ser um local bastante simpático, com algumas pracinhas e parquinhos por perto. Não era uma festa muito grande: era apenas uma reunião de amigos, nada muito arrumado, logo jeans e sandália eram mais que o suficiente para nós duas.

O porteiro cumprimentou-nos ao entrar, perguntando nossos nomes e a qual apartamento nos dirigíamos.

"Apartamento 901. Diga ao Victor que é o amor da vida dele que está aqui."

O homem deu uma risadinha, e então chamou ao interfone. Foi atendido após dois toques e, após nos apresentar ao dono do apartamento, nos indicou os elevadores sociais ao lado do balcão. Agradecemos, e então apertamos o "9".

"Não sei. Acho que esse vai ser mais um fiasco. Como sempre."

"Ah, deixa de ser negativa menina! Você tem esse complexo de inferioridade, acha que homem nenhum te quer de verdade!" começou Meg, quando o elevador começou a subir. "Você sabe que se eu fosse homem, eu te pegava, né?"

"Fácil pra você falar, sua morena peituda bronzeada." respondi, exageradamente posicionando as mãos em meus peitos, para realçá-los.

Meg soltou uma enorme e calorosa risada que preencheu o ambiente fechado do elevador. Mas era verdade: ela tinha um bronzeado digno daquelas modelos de novela, além dos enormes bustos e o cabelo curto que mal alcançava a altura dos ombros. Sabia se vestir bem, e todas as roupas curtas ficavam bem nela. Em compensação, eu era uma branquela magra, com óculos enormes e um cabelo tão loiro que parecia quase branco. Cheirava e me vestia como uma avó - não que eu tivesse algo contra a terceira idade -, em enorme contraste com Meg. Às vezes eu me perguntava como que nós duas conseguimos ficar amigas, já que éramos de mundos tão diferentes.

O elevador parou no nono andar. Ao sairmos da máquina de metal, nos dirigimos para a primeira das quatro portas, à esquerda, e tocamos a campainha. Poucos segundos depois a porta se abriu, revelando uma garotinha de cerca de seis anos que veio nos receber.

"Oi Emily. O Victor está?"

"Você que é a Meg?" perguntou a garota, apontando para minha colega.

"Sou sim. Ele te falou sobre mim?"

"É, você é mesmo mais bonita do que eu pensava." ela respondeu, colocando uma das mãos para apoiar o queixo enquanto fazia uma cara séria, de uma maneira ridiculamente fofa.

Meg fez um cafuné na cabeça da menina, que abriu caminho para nós duas entrarmos, meio que se escondendo atrás da porta. No geral, era um apartamento suficientemente espaçoso: tinha uma sala de estar conjugada com a cozinha, junto a uma pequena varanda e um corredor, que dava aos dois quartos e ao banheiro. Tinha também um lavabo entre o corredor e a cozinha, e dentro desta havia uma área de tanque grande o suficiente para atender aos três. Emy nos guiou até o grande sofá que preenchia o meio da sala, junto a duas poltronas e uma televisão, com uma mesa de café no meio. Grande parte do cômodo estava decorada com balões, fitas e confetes, e havia até uma mesinha no canto para colocar o bolo de aniversário.

"Qual é o seu nome?" perguntou Emily a mim.

"Eu? Sou Luana."

"Você é bonita também." respondeu sorrindo, ligando a televisão da sala.

"Não disse?" e então Meg socou meu ombro. "Cadê meu homem?" perguntou numa voz meio irônica, logo após sentar-se no sofá.

"Aqui!" respondeu uma voz distante, na cozinha.

Nos viramos e vimos um braço levantado atrás do balcão, acenando cegamente em nossa direção. Quase que instantaneamente um cheiro de comida deliciosa preencheu o ambiente, e a minha experiência me permitia concluir que não era pizza ou comida chinesa ou nenhum prato-feito esquentado em microondas: era alguma comida realmente preparada e aquecida num forno de fogão.

Devagar, o rapaz se levantou, revelando de sua cintura para cima. Trajava um avental branco, com duas luvas grossas, e em suas mãos carregava uma travessa de lasanha incrível. Analisando-o melhor, dava para perceber que era bastante atraente, e fiz um sinal de aprovação para Meg, que deu outra risada em resposta. Essa menina gostava mesmo de rir. Victor levou vagarosamente a travessa para a mesa de jantar, e após colocá-la em cima do apoio, cobriu-a com um pano, para manter a temperatura alta. Despiu-se então das luvas e veio em nossa direção nos cumprimentar.

"Quem me dera eu pudesse cozinhar como você." disse Meg, dando um rápido selinho de boa noite. "Essa é Luana Stellate, minha colega de quarto desde Janeiro desse ano."

"Prazer em conhecê-la." disse, cavalheiramente.

"O prazer é todo meu." respondi.

Victor abaixou-se em minha direção e me cumprimentou com aquele beijo por cima do ombro, que os rapazes costumam fazer. Logo em seguida começou a despir-se de seu avental, mostrando uma camiseta azulada por debaixo, a qual ele provavelmente vestiria pela noite. Ele esticou os braços para cima, e ao mesmo tempo Emily mudou de posição na poltrona, pulando para o chão e apoiando-se na mesa de café, para assistir melhor ao desenho que passava na televisão.

"Então, você vai tentar jogar ela em cima do Lukas?" ele perguntou, sem cerimônias.

"Bem... era esse o plano." admitiu Meg.

"Acho que não vai rolar. Ele ainda tá meio paralizado por causa da situação nova... acho que ele ainda nem se deu conta do que tá fazendo com a própria vida."

"Olha, eu ia agradecer se vocês parassem de me tratar como um objeto bem na minha frente." falei, com um falso tom ofendido.

Meg me pegou facilmente num gancho de braço, visto que estava do lado dela, e começou a esfregar o outro punho na minha cabeça, num cafuné um bocado violento. Nesse ponto do ano já tinha me acostumado com as demonstrações... fortes... de afeição dela. Mas nosso momento foi interrompido com outra batida na porta. Desta vez Emily continuou a assistir seu desenho, e foi Victor quem se dirigiu à porta, voltando mais tarde com uma mulher mais velha e uma garotinha da idade de Emy. A mulher usava um vestido colorido e extravagante, e a menina ao seu lado estava apenas um pouco mais discreta. Ela carregava uma caixa de cerveja em suas mãos, e parecia já ter bebido algumas antes de chegar no apartamento.

"Meg e Luana, estas são Anna e sua filha Amanda. Amanda e Anna, estas são minha namorada Margareth e sua colega de quarto, Luana." Victor fez as devidas apresentações, e nos perdemos num emaranhado de abraços rápidos e beijos por cima dos ombros. O abraço mais demorado foi entre Anna e a aniversariante, visto que, lógico, era o aniversário dela. Amy e Emy (olha, que legal, me lembrou a marca de chocolates) correram em disparada ao quarto, para brincar com suas bonecas e desenhar e fazer bolinhos de massinha, e todas as coisas que as meninas fazem aos seis anos de idade.

Anna jogou-se ao nosso lado no sofá, com o rosto um bocado avermelhado. Um leve aroma de álcool era emanado de seu corpo, o que não era novidade para ninguém.

"Poxa Anna, você começou a festa sem a gente?" brincou Meg. As duas já estavam bastante a vontade entre elas, mas eu ainda estava um pouco com vergonha de puxar assunto.

"É. Eu fiquei sabendo que meu colega de bebedeira só vai chegar mais tarde, então já comecei minha cota antes dele." respondeu Anna, de maneira desleixada. Logo depois acrescentou. "Vocês vão tentar jogar ela pra cima do Lukas?"

"Nossa, está tão óbvio assim?" perguntei, esbaforida.

"É que o Lukas é um garoto muito bom. Ele só está fazendo as coisas boas pelos caminhos errados." começou Anna, pegando uma das garrafas e enchendo um dos copos que Victor havia trazido para ela. "Então é normal que a gente se preocupe com ele. E isso envolve as pessoas que gostam dele."

Concordei com a cabeça, e aceitei um copo de suco que Victor havia nos oferecido. Eu não era muito chegada à bebida; Meg era só um pouquinho mais. E pelo que ela tinha me contado, Victor até que gostava do álcool, mas não tinha nenhuma resistência e acabava ficando alegre demais a partir da segunda garrafa. Logo, apenas Lukas conseguiria acompanhar a hipster durante longos períodos de tempo.

"Rudy e Rebby vão chegar logo?" perguntou Anna.

"Rebeca atrasou no trânsito, e por isso devem chegar em no máximo vinte minutos." concluiu Victor, pegando um copo de cerveja e começando a noitada.

"E essa lasanha, foi você quem fez?"

"É... eu decidi que cozinhar fica mais em conta do que comprar pronto."

"Bom saber disso. Quando a gente se casar, você que vai ser a mulher da casa." brincou Meg. "Mamãe Vic."

A conversa continuou entre os três, enquanto eu me perdia nos meus pensamentos. Desde que eu tinha me mudado para essa cidade eu não tinha muitas chances de conhecer pessoas novas. Afinal, a faculdade de medicina tomava grande parte do meu tempo. Eu precisava estudar em tempo integral para garantir a bolsa de estudos que haviam me oferecido, o que acabava com todo o meu tempo livre entre as 6 e as 18h. Sem falar que eu já não era muito fã de baladas, logo a única interação humana que eu tinha fora das colegas de classe era Meg. Deve ter sido um verdadeiro poder divino que me fez trombar com ela no meio da rodoviária, e que acabou nos apresentando, e acabamos descobrindo que ambas procurávamos uma colega de quarto para dividir as contas nessa cidade.

"Ei, Luana. Ce tá legal?" disse Anna, balançanco a mão em frente a meus olhos. Balancei a cabeça, para sair do transe e voltar à terra.

"Ah, sim. Eu só estava pensando um pouco." respondi, balançando levemente a mão de um lado para o outro.

"Um pouco? Eu achei que você já tava lá em Amsterdã de tanto que você tava voando."

"Já sei! Ela deve estar sentindo falta do Lukas pra dar uns garros nela." brincou Meg.

"N-não é isso!" voltei. "Mas, falando nisso, cadê ele?"

Eles me olharam com uma cara engraçada, como se minha pergunta tivesse segundas intenções. Mas é claro que eu perguntei por curiosidade! Eles falaram tanto dele, e o cara nem aparece pra dar o ar da graça?

"Ele tinha um trabalho importante para fazer hoje. Deve chegar por volta das nove." explicou Victor.

"Mas ele tinha que ter hora extra bem no dia do aniversário da irmã dele?" perguntou Meg.

"Bem... na verdade, o horário de trabalho normal dele é durante a madrugada. Nove horas da noite é bastante cedo para ele estar em casa."

"Quê? No que ele trabalha pra ficar acordado assim até mais tarde?"

Victor tossiu fortemente, limpando a garganta. Anna entendeu o recado, e "sem querer" derrubou seu copo de cerveja na mesa. Eu achei um pouco estranho; uma coincidência suspeita até. Mas Meg apenas se assustou, sem desconfiar de nada. O homem levantou-se da cadeira e foi em direção à cozinha, para pegar um pano, e mal chegou às bancadas a porta tocou.

"Ah, deve ser Rebeca. Anna, tem como você abrir no meu lugar, por favor?" disse, enquanto se abaixava para procurar o pano de mesa.

Ela andou sem cerimônias até a porta, e com alguns grunhidos de felicidade, cumprimentou os novos convidados, que se tratavam de um casal de adultos e um garotinho da idade de Emily. A mulher, mulata e esbelta, trajava roupas e panos que nos lembravam ciganas, e o pai era claramente um imigrante japonês, com profundas olheiras. O garotinho tinha herdado parte do bronze da mãe e o cabelo liso do pai, formando uma combinação exoticamente atraente; provavelmente seria um arrasador de corações quando crescesse. Victor conseguiu alcançá-los na saída da cozinha, e veio com eles em direção do sofá.

"Então, você é a tão idolatrada Margareth. Prazer em conhecê-la." disse a mulher, estendendo os braços para Meg em um abraço.

"Por favor, me chame de Meg. Acho até estranho quando falam meu nome inteiro" respondeu. "E esta é minha colega de quarto, Luana." completou, dando um aceno de ombro em minha direção.

"Oh, então arranjamos uma para o Lukas?" perguntou a mulata.

"Por favor! Até você?" disse, incrédula, logo depois rindo e abraçando a mulher.

"Nah, é só uma brincadeirinha. Meu nome é Rebeca Gonzalo, e estes são meu marido Rudolph e meu filho Diego." disse, apresentando a família.

"Boa noite." disse o pai, estendendo a mão. Ele parecia ser um pouco mais frio que a mulher. O garoto apenas deu um aceno com a cabeça em nossa direção: parecia ser um pouco tímido.

"Ah, não liguem para ele. Ele só fica um pouco envergonhado de só ter amigas meninas." a mãe disse, recebendo um olhar mortífero do garoto.

"Mãe! Já falei que não é isso." ele disse, abaixando a cabeça.

"E aí Diego? Amy e Emy estão no quarto dela. Como você já é de casa, consegue ir até lá sozinho, não?" afirmou alegremente Victor. "Você poderia chamá-las para comer a lasanha que eu fiz?"

O garotinho fez que sim com a cabeça, e silenciosamente adentrou o corredor. Com um aceno de mãos, Vic chamou todos à mesa, de modo que se sentassem para a janta. Era uma mesa larga o suficiente para todos nós, embora sobrasse espaço apenas para mais uma pessoa. E esta pessoa ainda não tinha chegado. Mas agora não era hora de pensar naquele garoto: precisava me concentrar na enorme e deliciosa lasanha em nossa frente. Aos poucos as crianças iam chegando, sentando-se perto de seus respectivos parentes. Exceto Emy, que ficava entre eu e uma cadeira vazia, ao lado de Victor. Aos poucos as pessoas iam se servindo, conversando, bebendo, derramando mais copos (go home Anna, you drunk) e falando de suas vidas até então.

"Mas que achado que foi esse apartamento, não é?" começou Anna, num de seus momentos mais sóbrios.

"Tem razão... é bem grandinho e fica num lugar muito bom. Dá até pra levar as meninas à escola a pé." comentou Rebeca.

"É, acho que depois de perder tudo, a gente precisava de um pouquinho de sorte, não?" riu Victor, pegando a sua segunda garrafa.

"Opa, pode parar por aí, bonitão. Senão você não aguenta até os parabéns." disse Meg, tomando a garrafa de suas mãos antes que pudesse ser aberta.

"Mas e então?" disse Anna, mudando de assunto. "Como estão Emy e Lukas? Já se fazem quase quatro meses desde que... você sabe." ela disse, vagarosamente, numa voz doce que nem Meg sabia que ela era capaz de fazer.

Victor fechou um pouco a cara, e olhou tristemente para a mesa, abaixando a cabeça. Anna estava preocupada com os dois, e aproveitou o momento em que os garotos tinham voltado ao quarto para perguntar. Provavelmente, ela não tinha muitas chances de perguntar isso ao Lukas também.

"Bem, eles estão bem, mas do jeito deles." disse. "Amy de vez em quando acorda à noite chorando e vai para o nosso quarto, para dormir com Lukas. Isso era bastante comum nos primeiros meses, mas agora está diminuindo. Ela é uma garota forte."

Anna deu um suspiro-sorriso em concordância. Sabia da garra que a menina tinha, e sabia ainda mais que ela era durona como o irmão para não demonstrar os verdadeiros sentimentos. Sentido de mulher, dizia ela.

"Já o Lukas... bem. Eu acho que ele ainda não está melhorando muito." completou amargamente Victor.

"Era isso o que a gente temia." disse Rebeca, colocando as mãos em cima das de Rudy.

"Peraí, eu ainda não entendi direito..." começou Meg. "O que aconteceu com os dois?"

"Bem..." respondeu Victor. "Os pais deles... faleceram... quatro meses atrás."

"Ai meu Deus! Coitadinhos!" soltou Meg, juntando os braços, abraçando os próprios ombros. "Não devia ter perguntado... e eles são tão novinhos..."

"Pois é. Lukas conseguiu se distrair bastante com o novo emprego... mas não sei por mais quanto tempo ele vai aguentar segurando todo esse peso em suas costas. Quando ele soltar tudo, tenho certeza de que ele vai voltar a ser o Lukas de antigamente." Concluiu tristemente Victor.

Fiquei bastante chocada. Aquela doce menininha tinha perdido os pais poucos meses atrás, e estava encarando tudo tão maduramente. Me dava vontade de levantar daquela mesa e ir no quarto dela, e fica abraçada com ela no colo durante uns dois dias diretos. E a reação de Meg não parecia ser tão diferente assim da minha. Felizmente, Anna notou o clima pesado que ela mesma tinha criado, e tentou mudar de assunto.

“Bem, ainda bem que eles estão superando. Mas me fala aí, tem sobremesa?”

Victor soltou uma risada leve. Era bom ver que eles estavam preocupados com Lukas e Emily, mas não era motivo para acabar com a noite deles. Quase que instantaneamente, a porta bateu. Vic levantou-se para atendê-la, mas não foi preciso, visto que ela abriu-se, revelando um jovem com um embrulho de bolo em mãos. Ele estava bastante cansado, e parecia ter acabado de sair de uma ducha super rápida, e seu cabelo estava completamente molhado, pingando em seus ombros.

“Até que enfim Lukas. Achei que você nunca fosse chegar com o nosso bolo.” Brincou Anna, levantando um copo de cerveja para ele.

O garoto forçou-se a sorrir, e completou logo depois. “E você começou a farra sem mim, né? Já pode ir enchendo meu copo.”

Ele depositou o bolo na bancada da cozinha, e logo então veio em direção à mesa, cumprimentando todo mundo. E foi então que eu pude notá-lo mais de perto. Meu Deus, se Victor era atraente, esse cara era irresistível. Ele era levemente bronzeado, com músculos espalhados pelo corpo, cabelo castanho claro e olhos dum amarelo que eu pensava serem impossíveis de existirem. O cordão de âmbar parecia queimar em seu pescoço, e ressoava com os olhos. Mas ele tinha alguma coisa de estranho. No fundo de seus olhos ele parecia estar bastante... exausto. Ele podia ser lindo por fora, mas estava aos cacos por dentro. A qualquer momento ele parecia poder desabar de cansaço, embora mascarasse bem isso com um sorriso.

“Então você é a colega de quarto da Meg?” ele disse, beijando por cima de meu ombro.

“Sim. Luana Stellate. E você deve ser o tão aguardado Lukas.” Concluí.

“O próprio.” Respondeu, com uma piscada de olhos e um risinho. “Bem, se me dão licença, vou me trocar e chamar os pequenos para o Parabéns.”

Lentamente, ele adentrou o corredor da casa, entrando no quarto mais ao fundo. Meg olhou em minha direção, e deu uma piscada exageradamente dramática com o olho direito. E eu só pude rir em resposta. É, ele parecia ser um cara legal. E muito gostoso. Mas eu acho que seria melhor ir devagar entre nós dois. Ele não parecia estar preparado para ter alguém romanticamente em sua vida. E isso era justificado pelo que ele estava vivendo nos últimos meses. O melhor seria esperar a situação acalmar um bocado, para só então ver se ele gostaria de me conhecer melhor.

Ele então voltou, vestindo uma roupa mais casual, trazendo as crianças ao seu lado.  E foi quando eu vi o rosto de felicidade de Emily, colocando as velinhas no seu bolo de princesas, que eu decidi que faria o meu melhor para ajuda-los no que precisassem.

E assim começou o Parabéns.


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Mensagem por Pokaabu em Ter 17 Dez 2013 - 19:36

Ai vey, esse capítulo ficou muito fofo. Sério mesmo, eu adorei essa garota, só que, para o Lukas, achei um tanto introspectiva. Ela disse que o Lukas é mais gato que o Victor, pois eu não acho, homem que sabe cozinhar é tudo nessa vida. Pois bem, eu posso imaginar para onde essa história está indo, mas por favor, não deixe isso água com açúcar, BLÉ. Eu confio na sua capacidade, bem, é isso até a próximo.


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Mensagem por Kurosaki Mud em Dom 5 Jan 2014 - 12:43

Eu precisava ler porque você sabe que não perco uma sua u.u
Amei os personagens, já digo de cara, huahuhaa. Minha favorita é a Luana, pelo simples fato de que ela é o tipo de menina que se dá bem em narrativas na primeira pessoa kk
A história tem um ótimo desenrolar e o tema é bem semelhante ao cotidiano de adolescentes, não sei se é um elogio, mas me lembrou um pouco o livro As Vantagens de Ser Invisível, não tem nada a ver, ok, mas a rotina de jovens se adaptando a uma nova vida é o ponto em comum.
Erros. Encontrei nos primeiros dois capítulos. No primeiro cap tem duas palavras que faltaram uma letra comida -q. Na primeira linha palavra Deeram seria deveram, e a outra não lembro agora de cabeça. E repetição da palavra afinal no segundo capítulo me incomodou um pouco e.e

Fora isso, sensacional sr. micróbio. Eu não shippo o casal gay, mas shippo Luana e Lukas, fikdik.

É isso, inté u.u

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Mensagem por Micro em Qua 8 Jan 2014 - 22:12

@Pokabu
Fique tranquilo. Da mesma maneira que terá momentos melados de fofuras e gracinhas, vão ter momentos tristes e dramáticos. Mas não tenha pressa: isso ainda vai durar muito tempo. Bem, não achei que a Luana fosse ser tão badalada nesse primeiro capítulo. Por que eu quase não desenvolvi a personalidade dela (e de quase nenhum personagem mais), e confesso que fiquei com medo dela ter "aparecido do nada" na história. Mas me sinto melhor que vocês tenham gostado dela.
Off: Sdds Garfield.

@Murilo
Valeu por comentar :> Depois vou dar o ar da graça na Seven. Eu até acompanho ela, mas forças do além sempre fazem a net cair ou o chrome travar quando vou comentar nela. Os erros eu tenho muita preguiça de consertar, pra falar a verdade. E eu nem vi o filme, só sei que a capa é basicamente "Como o Percy Jackson comeu a Hermione, Chupa Rony".
Ah, e continue a shippá-los. Tenho certeza que você vai *adorar* o que eu vou fazer com os dois. (momento irônico)


Notas do autor:
A história será dividida em ciclos de quatro capítulos, fazendo um rodízio dos narradores. A ordem, como está no main post, é Emy > Vic > Lukas > Luana, e a cada ciclo tentarei fazer temas diferentes. Enquanto o primeiro foi a introdução, este segundo dirá um pouco das interações entre os personagens. Tentarei focar nos diálogos e nas situações vividas, de modo a mostrar os sentimentos e pensamentos deles.

Então, que venha Emy.


O Intervalo
07 / 19 / 18 / 18

Mal o sinal tocou, levantei-me rapidamente de minha carteira e corri em direção à porta da sala, que ficava ao meu lado. Ao fundo, a professora reclamava que não tinha terminado de ensinar a matéria do dia, enquanto manadas de outras crianças se preparavam para a maratona em direção ao pátio.

Como já estava na metade do ano letivo, já conhecia as rotas tomadas pelos alunos, e desviei habilmente de tais trajetos, pegando atalhos até o pátio. A escada perto dos banheiros logo ficaria cheia, então seria melhor usar a rampa perto da sala dos professores. Literalmente correndo, consegui chegar ao pátio vazio, e rapidamente reivindiquei o nosso lugar debaixo da árvore.

Ah, acho que não expliquei direito. Essa foi uma saída para o recreio normal para mim. Já tinha me acostumado a correr logo que o sinal tocasse para reservar nosso espaço durante o recreio. No início do ano, Amy, Diego e eu dividimos funções: enquanto eu corro para guardar a vaga, Amy compra os lanches e Diego vai ao ginásio pegar uma bola, corda ou peteca.

O pátio era um enorme jardim, com várias árvores e mesas de pedra para os alunos sentarem e brincarem durante o recreio. Mas uma das árvores era especial: uma macieira, que ficava num canto de sombra do pátio, era o espaço mais cobiçado pelos alunos. A sombra sempre evitava a queimadura do sol, e tinha uma brisa que sempre arejava o lugar. Além, é claro, de ficar em cima de um barranco, dando uma vista privilegiada do resto do jardim. De lá se via tudo: a cantina, a caixa de areia, os balanços, o campinho de futebol, a casinha de chá das meninas... era, como diria meu irmão, o "camarote do recreio".

Me joguei no confortável espaço entre duas das raízes da macieira, fechando os olhos enquanto a barriga subia e descia, acompanhando a minha respiração. Meu cabelo tinha sido jogado em minha cara no momento da aterrissagem, então tive que soprá-lo da minha boca. Isso sempre acontecia quando eu fazia movimentos rápidos; acho que ia precisar amarrar o cabelo pra brincar de pega-pega.

Aos poucos o pátio ia enchendo, e alguns alunos ficavam desapontados ao ver que a macieira estava ocupada. Não vai ser dessa vez que vocês vão sentar aqui, pensava satisfeita para mim mesma. No início nós nunca conseguíamos um lugar bom no pátio; precisamos então aprender a lembrar dos caminhos que os outros alunos usavam e criar atalhos para eles. E foi assim que "mapeamos" a escola toda.

"Vai um sanduíche?" disse uma pessoa, me oferecendo um embrulho em suas mãos.

"Depende. É frango?" perguntei, rindo.

"Acho que hoje é peixe..." respondeu Amy, ajoelhando-se e me entregando o lanche.

"Ah, dá pro gasto." respondi, dando de ombros.

Amy dobrou sua capa mágica em cima de seu colo e sentou-se ao meu lado. Ela então balançou as duas mãos em frente ao meu rosto, e deslocou uma delas em direção da minha nuca, retirando de minha orelha três moedas de cinquenta centavos: o troco do sanduíche. Bati umas palminhas e peguei as moedas, colocando em meu bolso. Desde que eu a conheci, Amy tem uma fixação por truques de mágica. Adivinhar a carta, tirar algo da cartola, anéis que se enroscam e desenroscam; ela tinha interesse em todos os tipos de equipamentos mágicos. E ela era boa nisso; aliás, muito boa. Toda a dificuldade que ela tinha nas matérias da escola era compensada pela habilidade que ela tinha com seus brinquedinhos. Provavelmente seria uma daquelas apresentadoras famosas de Las Vegas que vemos na televisão.

Aos quatro anos, como ela tinha me contado, ela ganhou de seu pai uma capa super colorida cheia de compartimentos secretos e zíperes que se conectam, para que ela sempre pudesse andar com seu equipamento de mágica. E, desde então, ela leva a capa para todos os lados. Durante as aulas, ela deixa a capa guardada na mochila; mas no intervalo e na saída da escola, ela veste seu manto e sai pelos corredores entretendo os alunos com algum truque novo.

E ela adorava isso. Eu podia ver em seus olhos: eles brilhavam de felicidade sempre que ela ia realizar algum truque.

"Você viu a apresentação do Tynamo ontem?" ela me perguntou, entre mordidas. Tynamo era o mágico do momento: uma espécie de Mr. M, só que mais jovem e com truques diferentes.

"Nem vi. Tava fazendo dever de casa." admiti.

"Nossa, você perdeu! Ele fez uma mulher levitar, e até passou o arco batizado por ela, sem ninguém suspeitar!" começou Amy, pulando de felicidade. O arco batizado é o nome que Amy deu ao arco com uma "trincada", pela qual passa-se a corda que mantém a assistente flutuando para a platéia. Muitos mágicos preferem usar o arco normal, visto que eles não conseguem esconder o trinco de maneira eficiente. Mas Amy sabia como Tynamo sempre faz para sempre parecer tudo tão mágico.

"Desviar a atenção da platéia!" ela repete todos os dias, mecanicamente. Ela adotou essa frase como lema antes mesmo de saber o significado de platéia. "Ele ficou brincando com um relógio de bolso dourado gigante com um desenho de um pato, em uma das mãos, enquanto passava o arco na assistente com a outra mão. Aí você não sabe se olha pra mulher ou pro relógio, e acaba não prestando muita atenção em nenhum dos dois." concluiu.

"Bem, quero ver você fazer isso comigo." brinquei.

"Ah, mas você trapaceia!" ela disse. "Seu olho sempre sabe o que eu tou fazendo."

"Desculpa, né... você tem seus truques, e eu tenho os meus." respondi, dando uma piscadinha de brincadeira.

"O Diego tá atrasado hoje, não é?" ela me perguntou.

"Verdade... deve ter tido algum problema na sala dele hoje."

Diego era um menino um pouco... nervosinho. Ele costumava arranjar brigas com os colegas de classe de vez em quando. Mas não era sem motivo: ele era tratado muito mal por eles. E não só ele, mas eu e Amy também; nós três recebíamos bastantes apelidos grosseiros por causa de nossos parentes. Mas para nós duas era fácil ignorar, por que eram apenas apelidos, nada físico. Mas os garotos não tinham tanta dó assim dele. Já estávamos acostumados a cumprimentá-lo com alguns roxos e arranhões. E ele sempre pedia para que não falássemos para nossos pais. Alguma bobagem sobre "orgulho de homem".

Comecei a ficar um pouco nervosa, cruzando e descruzando as pernas. Sempre que eu ficava nervosa, eu balançava elas. E por mais que eu tentasse, não conseguia parar. Talvez tivesse acontecido algo perigoso com ele durante a troca de professores hoje mais cedo. Se pelo menos todos nós fossemos da mesma turma... mas eu e Amy éramos da turma D, e ele era da B. Tinha uma sala inteira entre nós, então não dava para ouvir nada do que acontecia de uma sala para a outra.

Estava no ponto de me levantar do nosso ponto da macieira para procurá-lo quando avistei Diego do outro lado do pátio. Ele estava com o rosto sério e fechado, os olhos escuros de raiva, e andava grosseiramente em nossa direção. Pelo menos estava ileso. Ele não fazia contato visual com ninguém no meio do caminho; apenas olhava para frente, sem focar em nada ou ninguém. Dessa maneira ele conseguia evitar a maioria das pessoas que tentassem atrapalhá-lo.

Um garoto colocou o pé na frente, de modo a fazê-lo cair, mas Diego viu a tempo e colocou mais força em sua perna direita, chutando o pé do garoto. Este se abaixou de dor, começando o que parecia ser um choro. Mas fora isso, ninguém mais tentou fazer nada com Diego. Quando estava a cerca de três metros de nós, ele finalmente fez contato visual conosco, e os olhos obscuros nebulosos foram embora, dando espaço para um brilho de alívio e felicidade.

Bem, pode parecer estranho quando eu falo que os olhos das pessoas estavam brilhando ou escurecendo. Não me lembro ao certo, mas desde que o ano começou eu passei a enxergar... como me disse Lukas, o "interior das pessoas". No início era algo bastante ligeiro. Mas com o tempo passando, eu percebi que se eu olhasse dentro dos olhos das pessoas eu conseguia enxergar um certo brilho, indicando pensamentos felizes, ou uma certa umbra, indicando pensamentos tristes.

Lukas tentou me explicar algo sobre contrações involuntárias da córnea, mas eu só consegui decorar a frase, por que não tinha entendido a explicação. Mas eu sabia que a alma era a janela dos olhos. Ou o contrário. Ou as duas. Enfim, eu conseguia saber se uma pessoa estava feliz ou triste apenas olhando dentro de seus olhos.

"Finalmente!" começou Amy. "Nós duas estávamos começando a ficar preocupadas!"

"Ah para de drama! Eu só atrasei uns cinco minutos! Ainda tem muito recreio pela frente..." ele respondeu, rispidamente, sentando-se entre nós duas. Ele de vez em quando soava um pouco zangado, embora soubéssemos que ele realmente não estava com raiva de nós duas.

"O que você fez pra demorar tanto? E cadê a peteca?" perguntei. Hoje era sexta, ou seja, dia de jogar peteca.

"Tava mostrando a escola pro Victor. Ele não sabia chegar na diretoria sozinho." explicou Diego.

"Pera... o Vic?" "O que ele tá fazendo na nossa escola?" perguntamos eu e Amy, uma completando a outra.

"Ele não tinha falado? Ele tava querendo dar aula de Inglês aqui pra gente." respondeu, dando de ombros e pegando um sanduíche.

Me lembrei rapidamente de uma conversa que tivemos na semana passada. Algo sobre ele ser meu professor, e como a gente ia passar a aula toda fazendo piadas internas. Mas achei que ele estivesse brincando, tanto que me esqueci do evento com facilidade. Mesmo assim, olhei no fundo dos olhos de Diego, só para conferir. Mas eles estavam transparentes, não havia nenhuma sombra de dúvida.

"Já acabou de me interrogar?" ele perguntou, dando a mordida final no sanduíche e quebrando contato visual. Apenas Diego, Amy, Vic e meu irmão sabiam que eu conseguia fazer isso, e eles não se sentiam muito confortáveis quando eu os encarava por muito tempo.

"É, ele tá falando a verdade." compartilhei com Amy.

"Hum... se é assim, acho que é lucro pra gente, não?" ela começou.

"Por quê?" perguntou Diego.

"Bem, ele vai poder dar total pra gente, em todas as provas!"

"Há! Boa sorte. O Vic pode ser bonzinho, mas ele não ia fazer algo assim. Não no trabalho sério." respondeu.

"Ah, mas seria tão bom..." terminou Amy, imaginando como seria mais fácil sua vida se ela tivesse uma nota a menos para se preocupar.

Dei uma leve risada. Estar com os dois era tão relaxante, tão confortável. Aposto que se eu pudesse ver meus próprios olhos eles estariam brilhando de felicidade agora.

"Se é assim, que tal a gente visitar ele no final do recreio?" sugeri.

"Mas será que dá tempo?" perguntou Amy.

"Bem... eu acho que ele vai tentar uma entrevista de emprego. E todo mundo sabe que a diretora fica ocupada o recreio toda conferindo se tá tudo bem na escola." comecei. "Então a entrevista só pode começar depois de o recreio ter acabado. Ou seja, ele vai ficar sentado esperando no corredor até a entrevista começar."

Diego concordou com a cabeça, acompanhando meu raciocínio.

"Ai Emy! Por que você faz isso parecer tão fácil?" brincou Amanda. "Se eu tivesse metade da sua esperteza eu não tava tão apertada assim!"

"Se você parasse pra estudar ao invés de ver os shows do Tynamo..." cutuquei-a, fazendo uma cara de vilã dramática, levantando as sobrancelhas e abaixando a cabeça...

Ela me mostrou a língua, sorrindo, e eu fiz o mesmo. Diego suspirou, dizendo algo como "Meninas..." e começou o seu segundo sanduíche. Ele sempre comia mais que nós duas, já que ele era um menino, e fazia natação todos os dias, precisando sempre de mais energia. Mas mesmo assim não explicava o apetite dele em todas as horas. Afinal, ou ele estava conosco, ou ele estava nadando, ou ele estava comendo. Ou fazendo os três ao mesmo tempo. Pelo menos ele era bom na natação; ou seja, ele já sabia mais que o nado cachorrinho, onde eu e Amy lutávamos para não nos afogar.

Continuamos o recreio sentados, conversando, já que não teria peteca. O grupinho de três que costumava jogar conosco nas sextas tinha faltado, então não era como se alguém tivesse saído perdendo. Estes três eram o mais próximo de amigos que tínhamos fora do nosso grupo principal: eles não nos xingavam, e nos cumprimentavam normalmente sem nenhum olhar nebuloso. Às vezes eu gostaria que o resto dos alunos fosse assim também.

Quando faltava quase cinco minutos para o recreio acabar, nos levantamos e nos dirigimos à diretoria, atravessando o enorme pátio. A diretoria ficava no primeiro andar, próximo à sala dos professores, onde eles tomavam seu cafezinho e falavam das notas dos alunos. Amy era normalmente o assunto de um deles, tanto pela habilidade com truques de mágica quanto pela inabilidade de tirar uma nota diferente da média. E eu juro que eu já tentei estudar com ela, mas não adiantou de nada.

Chegamos à tempo de ver Victor saindo da sala da Ms. June. Ele estava vestindo uma blusa social, com o cabelo penteado e alguns cadernos e livros debaixo do braço. Pelo visto, a entrevista tinha acontecido durante o recreio. E já tinha acabado: apenas vinte e cinco minutos. E isso não era um sinal muito bom. Quando ele nos viu, ele se assustou, mas seus olhos brilharam de felicidade e conforto.

"Olá Emy, Amy. E Diego, de novo." concluiu, agitando as mãos em nossos cabelos. Não era algo desconfortável; ele provavelmente estava aproveitando nossa altura para fazer um cumprimento rápido e gentil.

"Ei Vic! O que você tava fazendo lá dentro?" perguntou Amy.

"Estava numa entrevista de emprego. Pra ver se eu ia conseguir dar aula aqui."

"Mas só vinte minutos? O que você fez exatamente?"

"Ah, a Barbra me pediu pra dar uma amostra de uma aula de inglês para ela e outros professores. Um exemplo rápido, para ver como eu me sairia em sala de aula." explicou.

"E você conseguiu a vaga?" perguntei, olhando diretamente para seu interior.

Ele não precisou responder. O brilho de satisfação que apareceu em seus olhos já era o suficiente para saber que tínhamos ganhado um professor novo.
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Mensagem por Kurosaki Mud em Qua 8 Jan 2014 - 22:36

Vic ainda mais presente na vida de Emy :3
Eu gosto muito da sua escrita, vou repetir todas as vezes friend. Estava escrevendo a Seven e vim ver a PM em busca de inspiração. Taí, a sua fic e.e
Achei a descrição dos detalhes essencial para a história se desenvolver, mas notei que realmente você tá fazendo o tempo passar, queria que durasse um pouco mais talvez ;-;
Erros, só vi um, plateia perdeu o acento, ainda não é um erro, mas futuramente será =p
Aguardo o próximo.

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Mensagem por Pokaabu em Qui 9 Jan 2014 - 20:06

Achei um capítulo bem normal Saw. Ainda não consegui pegar no que ele vai adiantar na história, mas talvez seja algo importante, vamos ver. Queria dizer, não sei se já falei, que acho que a Amy, como criança, deveria estar sentindo mais faltas dos pais. Porque, putz, se nem adultos conseguem superar tão rápido, imagina uma criança? Você não fez nenhuma menção a isso e eu achei estranho.

A narrativa está impecável.

Adorei seu avatar. Flws.

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