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Amber & Mantis

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Amber & Mantis - Página 3 Empty Re: Amber & Mantis

Mensagem por Micro em Seg 16 Jun 2014 - 12:43

@Arty
Bem, digamos que depois da promoção, ele ficou bem famosinho. E, lógico, depois do fim de semana dele com a Luana, a Meg ficou sabendo também. Mas ela ligou o [palavra censurada]-se, por que isso não ia mudar nada na relação deles. Agora basicamente só as crianças e outras pessoas realmente avoadas demais não sabem disso.
E vou te falar, os elogios, TE AMO DO FUNDO DO MEU CORAÇÃO. Às vezes eu olho pro meu texto e embora tenha dado o melhor de mim para escrevê-lo, não sei se é alguma síndrome de inferioridade, eu me sinto como se meu texto fosse tão pobrinho comparado aos que eu leio, que realmente me dá vontade de parar. Mas aí vocês elogiam ele com tanto vigor que ou a) vocês mentem muito bem ou b) eu realmente escrevo bem e não sei disso.
De qualquer maneira, dá pra aumentar um pouquinho o ego e me deixar bastante feliz <:

Agora o primeiro especial. Provavelmente eles vão aparecer de 10 em 10 capítulos, e ao mesmo tempo que contribuem para algo na história, podem ser ignorados para que não haja confusão na linha temporal. Esse por exemplo acontece oito anos atrás, quando a Emy era recém nascida e os garotos eram pimpolhos de 12 anos.

E, acho que agora é uma hora boa como qualquer outra para falar isso, mas existe um tópico onde eu fiz as "fichas" dos personagens, para melhor entendimento e caracterização. Lembre-se que a imagem mental que vocês criaram dos personagens é MUITO melhor que as imagens que eu coloquei lá, eu literalmente googlei e peguei a mais parecida na hora com o personagem pra colocar nas fichas.
Por exemplo, a Luana não é tão bronzeada como a menina da foto. Mas aquela foi a mais parecida que eu consegui encontrar.

Eu falei das fichas agora porque, bem, acho que é melhor dar uma lida nelas antes de ir pro especial, pra que vocês entendam algumas coisinhas que vêm acontecendo de forma sublime ao longo da história e podem estar confusos nas suas cabeças. E ficar ainda mais confusos quando vocês lerem o capítulo.

PS: Se você ler a ficha do Lukas e tiver um troço de Lorem Ipsun, é por que no momento em que eu estou escrevendo isso aqui eu ainda não terminei a ficha dele Razz Tem uma coisa nela que é tipo, super spoiler, e eu acho que não vai ser legal eu colocar lá por enquanto.

Aqui o tópico das fichas: http://www.pokemonmythology.org/t50486-escritorio-arquivos-de-personagens-da-am (se quiser pode clilcar no link escondido ali em cima que também serve)

Vou fixar também no main post.

O Retorno
01 / 13 / 12 / 12

Como eu odiava esse lugar.

Estava começando mais um semestre letivo na minha escola: a tão prezada Academia Excelsior. Um lugar rígido, cheio de regras, que estava disposta a abrir mão da liberdade de seus alunos em prol de um aprendizado mais profundo. Em suma, eles te intimavam a aprender.

Não eram muitas as escolas que ainda permitiam o uso do chicote e dos outros castigos físicos para cuidar das crianças. Eles inclusive davam aos pais que queriam fazer a matrícula de seus filhos um contrato a ser assinado para liberar o uso de punições severas neles. E coloca severa nisso. Até limpeza comunitária do terreno escolar estava incluso nos castigos deles.

Embora eu soubesse das punições, principalmente por que eu já passei por elas em carne e osso diversas vezes, eu não conseguia parar de ser castigado naquele lugar. Não importa o que eu fizesse, no final eu sempre me metia em algum tipo de problema e pronto, a cinta estalava. E não importava o que eu contasse à direção, ou quem eu dedurasse, não adiantava: eles iriam cuidar desse outro aluno também, sem reduzir a minha penalidade.

Como sempre, cheguei à sala por volta das 5:30 da manhã. Desse modo eu já conseguia “garantir” o meu lugar no fundo. Na verdade, eu gostava de sentar na frente, mas como sempre os meus “colegas” me intimavam a sair de perto deles, por causa do meu comportamento, digamos, agressivo. Por isso eu sempre ficava na última carteira, independente da fila que eu escolhesse. E para evitar a fadiga, tomei o último lugar da fila do meio como meu.

A sala estava vazia, exceto pelo senhor da limpeza, que encerava o chão com sua máquina. Eu até poderia dar “bom dia” para ele, mas se ele me visse provavelmente sairia da sala com pressa. Minha má fama era bastante conhecida por aqui. Por isso me dirigi silenciosamente para minha carteira “favorita”, para então dar de cara com meus cumprimentos matinais.

Como eu odiava aquele lugar.

Às vezes eu queria saber como, mas alguns alunos conseguiam trazer estiletes para a sala de aula. Embora fossem considerados armas letais, muitos alunos não tinham medo de me ameaçar com eles, apontando-os para mim quando eu me aproximava deles. E, também, talhando a minha mesa com os mais diversos apelidos, alguns repetidos várias vezes, muitos dos quais eu já estava cansado de ver.

Monstro. Demônio. Gorila. Filho da [palavra censurada]. Bastardo. E muitos outros que eu nem sabia ainda o que significavam. Eles estavam lá, me recebendo todas as manhãs, imortalizados em minha carteira. Contei-os: vinte e oito. Parece que só tinha aparecido uma palavra nova durante essas férias. Mesmo na sétima série, eles tinham uma maldade inacreditável. Se bem que eu também não era tão delicado assim... mas de qualquer forma, acho que de vez em quando eles exageravam.

Sentei-me na minha carteira, para aguardar o início das aulas. Ainda faltavam mais de vinte e cinco minutos para tal, por isso tinha muito tempo de sobra até o professor chegar. Embora fosse o primeiro dia de aula do novo semestre, não estava nem um pouco animado com ele. A maioria das crianças fica triste por voltar a estudar, ou feliz por rever os amigos, ou uma mistura estranha das duas sensações. Eu lidava com isso com indiferença.

Uns dois minutos se passaram e mais uma pessoa chegou na sala. Uma menina, de cabelos castanhos curtos, da mesma idade que a minha, tinha acabado de abrir a porta. Ela olhou a sala com cautela, vendo as carteiras vazias, e ao me ver deu um sorrisinho, completando-o com um aceno de mão de “bom dia”. Mas logo depois se dirigiu para a primeira carteira da minha fileira.

Ela era uma boa garota. Na verdade, não eram todos da sala que me odiavam. A maioria era indiferente, e alguns até agiam um pouco educados comigo. Mas ninguém ousava se aproximar de mim, com medo. E aquela garota com certeza pertencia ao último grupo.

Não me lembrava do nome dela. Merda, na verdade eu não sabia o nome de quase ninguém dessa sala, exceto os que também eram castigados comigo. Mas eu sabia quem era ela. Ela não tinha medo de mim, ou vergonha, ou nojo. Eu acho que ela até queria conversar comigo. Mas ela não podia fazer nada disso, por causa de sua reputação e de sua melhor amiga.

Falando no diabo, a porta abriu-se novamente. Normalmente, as duas chegavam juntas, mas por algum motivo elas tiveram um atraso de trinta segundos entre suas aparições. Como sempre, abaixei a cabeça, de modo a não arriscar um olhar em sua direção. Mas eu sabia que de um jeito ou de outro, eu ainda ia arranjar confusão com ela.

Fechei os olhos e deitei-me sobre a carteira, com os ouvidos atentos aos passos que ela fazia na sala. Por algum motivo, eles pareciam ser mais pesados comparados aos que eu estava acostumado. Eles saíram da porta e foram em direção ao meio da sala, e andaram distraídos por alguns instantes. Até a janela, depois até o aquário no fundo da sala, depois até o quadro. E por fim, sentaram-se na minha frente.

Espera. O quê? Belle Prada tinha se sentado na minha frente? Fiquei assustado. E com muito medo. Para ela se sentar na minha frente, com certeza era um pedido de guerra, alto e claro. E eu achando que esse semestre eu conseguiria agir diferente. Pelo visto, as coisas só iam piorar.

Bem, já que ela se sentou na minha frente, levantei a cabeça e decidi abri os olhos. Agora ela não podia mais falar pra professora que eu estava “olhando torto” para ela, e ser acusado de ser algum tarado, por que né, eu estava sendo obrigado a olhar pra ela. Suspirei, e lentamente, abri minhas pálpebras, esperando o pior. Provavelmente a briga ia começar agora de manhã.

Mas então, um susto. Quando abri os olhos, não vi a cor vermelha dos seus longos cabelos ruivos. Pelo contrário, era um cabelo curto, castanho-amarelado, mais curto que o da menina da minha frente. Não me lembrava de ter visto ele em lugar nenhum antes. Provavelmente era um aluno novo.

É. Com certeza, um aluno novo.

Eu poderia dar oi. Bom dia. Qual o seu nome. Qual time você torce. Mas seria inútil. Assim que a fofoca circulasse de novo, ele iria parar de falar comigo. Então evitei a fadiga, e fiquei quieto no meu canto. Cruzei os braços e me joguei para trás, apoiando o peso na cadeira, olhando o aluno novo.

Virando o rosto de um lado pro outro, ele olhava a sala. Parecia estar literalmente fotografando o local com seus olhos. Ele focava em cada detalhe, cada quina do lugar com uma curiosidade enorme, como se ele fosse encarregado de mapear o local para uma organização secreta. E então ele se virou.

E assim cometi meu primeiro erro: olhei nos olhos dele. Senti uma coisa que, anos para frente, aprenderia o nome: estupro. Minha alma foi estuprada pelos olhos dele. No momento em que ele olhou para mim, senti um incômodo enorme, como se eu estivesse nu. Aqueles olhos amarelos estavam literalmente olhando dentro de mim. E num intervalo de meio segundo, ele conseguiu mapear todo o meu interior, de uma maneira extraordinariamente invasiva.

“Ah, achei que você estivesse dormindo.” Ele disse, com a cara mais limpa do mundo. “Eu te acordei?”

A única coisa que eu consegui fazer foi balançar minha cabeça de um lado para o outro, negativamente.

“Então ok... eu sou Lukas.” Completou, estendendo a mão. “Qual o seu nome?”

Eu olhei, perplexo, para aquele menino. Como diabos ele estava sendo tão amigável comigo? Encarei sua mão esticada por alguns instantes, e até pensei em apertá-la. Mas então me lembrei que essa felicidade falsa ia durar pouco, e novamente, não fiz nada, evitando a fadiga.

“Evitando a fadiga, não é?” ele riu, descontraído. “Sem problemas. Eu ainda vou impor minha amizade em você.”

Mas... o quê. Como assim? Ele leu meus pensamentos? Não consegui me segurar, e abri meus olhos em excesso, demonstrando meu espanto. E ele aproveitou a janela aberta e olhou ainda mais profundamente nos meus olhos.

“Não, não, eu não leio mentes! Bem, pelo menos, ainda não.” Ele falou, com uma voz teatralmente irônica. “Mas imagina como ia ser legal se eu conseguisse fazer isso!”

Ok. Esse cara era estranho. Muito estranho. Minha primeira reação seria sair dali correndo e ir me esconder no banheiro. Ele era estranho, mas era educado também. E se outros garotos o vissem perto de mim, não o deixariam quieto. Provavelmente tentariam convencê-lo de que eu era o monstro, ou então também passariam a trata-lo como um.

E eu então me levantei da carteira, olhando em direção à porta, pronto para fugir. Mas então eu percebi que era tarde demais. Aquele monte de cabelos ruivos estava lá, parada, olhando para mim, com aqueles olhos claros demoníacos e maliciosos. No mesmo instante eu congelei, e lentamente, voltei a me sentar na minha carteira, ignorando a cara de interrogação do novato em minha frente.

Como eu odeio aquela menina.

“O que houve?” ele perguntou. Então ele se virou e olhou para trás, encontrando Isabella, ainda na mesma posição, me encarando com seus olhos malignos. Ela então percebeu a presença de Lukas na minha frente, e provavelmente cometeu o mesmo erro que o meu, visto que ela instantaneamente recuou um pouco, vermelha. Mas esse momento de fraqueza durou pouco, visto que logo ela retomou sua postura dominante.

“Olá novato.” Ela começou. Sua voz parecia mais uma ordem do que um cumprimento.

“Oi, bom dia.” Ele respondeu, inocente. Pena que sua felicidade não ia durar muito. “Eu sou Lukas, qual o seu nome?”

“Isabella Prada, filha de Sônia Prada.” Ela disse, colocando o nome da mãe logo depois do dela. Ela sempre fazia isso. Só por que a mãe dela era famosa não queria dizer que ela precisava viver da sombra dela.

“Ah, a modelo?”

“Essa mesma. Não vê a semelhança?” ela brincou, jogando a mão nos cabelos e empurrando para trás.

Ele riu, com uma cara bastante satisfeita. Para ele, um novato, não havia nenhum problema em conversar com ela. Era apenas um garoto fazendo amizade com os colegas da turma. Mas eu precisava sempre medir toda e qualquer letra dirigida a ela, antes que voltasse para mim oito vezes pior.

Bella então, com passos largos e leves, se dirigiu à carteira da menina, que estava distraída lendo um livro qualquer, cuja capa era verde como seus olhos. Quando ela percebeu a presença da ruiva ao seu lado ela fechou o livro, e alegremente cumprimentou a amiga. Só então ela percebeu o novato entre nós dois.

“Essa é Margareth, minha melhor amiga.” Bella apresentou, antes que a morena pudesse fazê-lo por conta própria. “Pode não parecer, mas essa menina sensível é uma lutadora nata. Com certeza vai fazer alguma luta, tipo Kick Boxing, quando crescer.”

Lukas ficou de boca aberta, maravilhado com a garota. Eu já tinha visto Margareth – talvez eu não me esqueça de seu nome dessa vez – durante os jogos internos da nossa escola. A garota realemente lutava como um tigre defendendo seu território. Mas embora forte, delicada e inteligente, os meninos não tentavam chegar perto dela. Tudo por causa da sua amiga.

Bella era muito bonita. Uma bruxa, mas ninguém podia discutir sua beleza. Como ela mesma vivia dizendo, ela era filha de uma supermodelo internacional, e por isso herdou os melhores genes da sua mãe. Mas o que ela tinha de bonita ela também tinha de perversa. Com apenas treze anos, ela já estava começando a formar uma verdadeira gangue na nossa cidade, sendo ela a líder e Margareth seu braço direito. Logo elas também assustavam as pessoas.

Mas eu ainda assustava mais.

“Mas mesmo assim ela não é a menina mais forte dessa sala.” Continuou a ruiva. Lukas confirmou com a cabeça, indicando que ela continuasse. E foi então que eu percebi o que ela queria dizer com tudo isso.

Toda aquela introdução foi apenas um motivo para contar ao garoto sobre mim.

Com um aceno de cabeça, a ruiva se dirigiu à minha pessoa. E aqueles lábios, malditos, dirigiram a palavra a mim. E foi então que eu percebi que minha única chance de amizade durante aqueles seis meses tinha acabado de ir pro ralo.

“Vamos lá, por que você não conta ao novato como você quebrou os dois braços do professor de educação física?”

Lukas olhou para mim, surpreso. Realmente, eu era um garoto magro, miúdo, sem nenhum músculo no corpo. Quem me visse pela primeira vez nunca acreditaria nas coisas que eu conseguia fazer quando ficava nervoso. Nem eu acreditava. E por mais que eu tentasse me segurar, muitas vezes eu simplesmente “desligava” do mundo, e quando voltava a mim mesmo, o estrago estava feito.

Por exemplo o professor de educação física. Embora fosse um homem simpático por fora, amigo dos professores e dos alunos, ele tinha um interior sombrio. E por mais que eu quisesse negar, eu sabia que ele namorava com a minha mãe. Merda, metade dessa cidade já namorou com minha mãe. Mas ele não fazia só isso. Ele também seduzia as alunas do último período, e namorava com elas no vestuário quando a escola estava fechada. Eu poderia muito bem viver ignorando isso. Mas então chegou aquele dia.

Eu estava na segunda série. Minha mãe, depois de ser quase intimada pela escola, veio na reunião de pais e professores. E, na saída da reunião, o professor se aproximou dela, querendo namorar dentro da escola. Minha mãe recusou, lógico, mas ele continuou a insistir que ela o seguisse. E eu estava lá, vendo, embora fosse muito novo para entender. Eu só via meu professor puxando minha mãe pelo braço, e ela tentando se soltar. Não tinha ninguém que eu pudesse gritar para pedir ajuda. E mesmo se eu pedisse, não sei se iriam ao resgate dela. Afinal, para eles, minha mãe estava acostumada com essas coisas.

E então aconteceu. Eu desliguei pela primeira vez. Quando eu voltei, eu estava em cima do meu professor, com meus punhos fechados e sujos de sangue. Seu nariz estava quebrado, e seus dois braços estavam fraturados, debaixo dos meus joelhos, que os seguravam fortemente no chão. Foi preciso a minha mãe me tirar de cima dele para que eu conseguisse me mover.

Naquela época eu ainda não entendia nada. Após receber os devidos castigos, a escola me suspendeu por um mês, enquanto o professor era julgado e condenado por abuso de menores, chantagem, pedofilia e acusações de estupro. Mas o pior de tudo foi que, quando eu voltei, ninguém me agradeceu. E, muito pelo contrário, eles passaram a ter medo de mim. Como se eu pudesse aparecer e quebrar os braços de todo mundo.

“Ou então, por que você não conta daquela vez que você jogou o segundo anista da escada?”

Quarta série. Um menino do segundo ano tentou me intimidar, se referindo a mim com o trabalho da minha mãe. Então outros três apareceram para me segurar, enquanto o primeiro preparava os murros. Eu desliguei, e quando voltei à tona o primeiro garoto estava no final de um lance de degraus, desmaiado. Falaram que eu consegui me soltar dos outros três meninos, chutar os três, e logo depois socar o primeiro até que ele caísse da escada. Fraturou uma costela, e eu fiquei suspenso por mais um mês.

Por mais que eu quisesse deixar esses casos, e os muitos outros, para trás, ela insistia em trazer tudo à tona, para me intimidar. O que ela queria com tudo isso? Será que me ver triste deixava ela tão feliz assim?

“E que tal se você me contasse mais da sua mãe? Tenho certeza de que ela...”

Foi a gota d’água. Levantei o braço, e num golpe certeiro, soquei a minha carteira, fazendo um som estrondoso. Os alunos que estavam entrando na sala pararam para ver o que estava acontecendo, curiosos. Algumas lágrimas começavam a se formar nos meus olhos, embora eu segurasse para não soltá-las. Eu estava com muita raiva de Bella agora. Eu já sabia que ela falava de mim pelas costas. E muito. Mas aquela foi a primeira vez que ela me abordou diretamente.

E realmente doeu. Tudo o que ela falou doeu no meu coração.

Abri meus olhos, deixando algumas das lágrimas saírem. Eu já não ligava mais pro que o novato ia pensar de mim; eu estava com muita vontade de bater naquela menina. Eu já tinha aguentado ela por muito, muito tempo. Será que eu ia desligar de novo? Logo no primeiro dia de aula? E o que eu iria fazer com ela?

Mas então eu percebi. Meu golpe barulhento teve sim um efeito. A minha mesa, castigada de pichações, estava agora quebrada em duas partes. A menor delas tombou em minha direção, mas estava apoiada em meu colo, enquanto a outra parte tombou para a frente, causando o verdadeiro estrago.

A mesa cortou o braço do novato.

Não sei se foi o impulso, ou a preservação de momento, ou essas coisas difíceis de Física, mas parte da mesa quebrada tinha conseguido tombar completamente para a frente. E uma lasca, do tamanho de uma faca de manteiga, tinha perfurado o braço de Lukas.

Eu entrei em pânico. Ignorei a raiva que eu sentia pela garota, ou a dor que eu sentia no meu punho, ou a vergonha de todas as pessoas da sala estarem me olhando agora. Só conseguia olhar para o braço do garoto, cortado, enquanto o sangue escorria, até os dedos, indo em direção ao chão.

Parabéns Victor. Agora você definitivamente é um idiota completo. pensei para mim mesmo. Não bastava eu atacar as pessoas que me enfezavam, agora eu também estava ferindo inocentes no meio do caminho. E não tinha nada que eu pudesse fazer. Em breve o professor chegaria, veria a cena, e eu seria castigado de novo. E mais uma suspensão, logo no início das aulas. Às vezes eu me perguntava como que eu ainda não tinha sido expulso. Talvez a diretora tivesse muita pena de mim e da minha origem, ou minha mãe pagasse muita propina para ela. Eu realmente não sabia.

Tentei desviar os olhos do corte em seu braço, e então decidi olhar para seu rosto. Pelo menos ver como ele está lidando com a dor. Então eu subi meu olhar e, novamente, me assustei.

Em sua cara ele não demonstrava nada.

Ele não estava com a cara de quem sente dor. Ou de quem tinha medo de mim. Ele estava exatamente na mesma posição que a de antes, olhando nos meus olhos, ignorando completamente o corte de quinze centímetros no seu braço.

“É, eu acho que depois eu vou querer ouvir essas histórias.” Ele finalmente respondeu a pergunta da garota. E sua cara mudou para... curiosidade? Ele realmente estava curioso para ouvir as histórias?

Fiquei chocado. Ele realmente não tinha percebido o corte no braço. A sala estava em silêncio: os outros garotos e garotas não ousavam dar um sopro, deixando o clima pesado e sombrio. Arrisquei um olhar para Bella, que pela primeira vez em sua vida, tinha perdido a sua postura autoritária. Suor frio escorria por sua face. Ela agora era uma mistura de medo, susto e... diversão? Ela tinha achado aquilo divertido?

Lukas se virou para ela, e no mesmo instante ela passou a mão na bochecha, limpando uma gota de suor que vinha escorrendo livre desde sua testa. E na mesma voz inocente, ele conseguiu mascarar toda a decepção que ele estava sentindo naquele momento, numa atuação teatralmente magnífica.

“Uma pena que você não tem histórias como essa pra contar. Talvez, se você tivesse, as pessoas também se interessariam por você. Falando nisso, como está seu pai?”

A sala engoliu em seco. Aquilo foi um pedido de guerra, alto e claro, com a líder da gangue mais temida da escola. Por mais que nós só estivéssemos na sétima série, nossa sala reunia uma boa parte das pessoas mais incríveis daquela escola. Campeã de luta, líder de gangue, monstro violento, e agora, suicida-chefe. Muitos dos alunos mais velhos nem tentavam mexer conosco, com medo do que poderíamos fazer com eles: eu pela minha força, e ela pelo poder e influência que sua gangue detinha. E então ela finalmente saiu do transe.

E ela riu.

“Gostei de você, novato. Gostei muito de você. Pena que minha gangue só aceita mulheres, senão eu iria te convidar para fazer parte dela.” Ela disse, após terminar sua risada. Sentou-se lentamente em sua carteira, atrás da de Margareth, e virou-se para o quadro, onde o professor aguardava, em pé, para começar a aula. A garota da frente também saiu do transe, e olhou rapidamente para mim, deu um sorrisinho com o canto da boca, e virou-se para frente.

Aos poucos o resto da sala se dirigiu aos seus devidos lugares.

Eu ainda estava paralisado, com a mão no ar, sem saber como proceder. Aquilo foi tudo tão surreal para mim que eu achava que eu ainda estava sonhando. Um sonho de frustração, no início do semestre novo, após anos sendo ameaçado pela ruiva. O novato era meu subconsciente tentando me animar, com certeza. E daqui a pouco meu relógio iria tocar, e eu iria para a aula novamente.

Por isso eu fechei os olhos, com força, esperando acordar do sonho. E após alguns segundos eu os abri de novo.

E aquele par de olhos amarelos estava de novo olhando para mim.

“Cara, que corte feio na sua mão. Quer um curativo?” ele me perguntou, estendendo uma caixa de band-aids que ele tinha tirado da mochila. Encarei ele por alguns segundos, incrédulo. O corte em seu braço ainda estava aberto, e o sangue, que começava a estancar, ainda pingava em uma pequena pocinha no chão.

Levantei a mão lentamente, apontando para o enorme machucado em seu braço. Ele acompanhou lentamente o gesto com os olhos, e só então percebeu o ferimento em seu corpo. Com um “Ah.” um pouco frustrado, ele pegou um rolo de gaze dentro de sua mochila, e começou a enfaixar o próprio braço.

“Haha, eu sou muito voado. Eu fico me machucando o tempo todo por aí, por isso nem sinto mais quando isso acontece. E aí eu sempre levo uns band-aids e curativos por aí.” Ele disse, rindo. E aquilo na sua voz era... vergonha?

Ele então olhou para o pedaço de mesa que repousava em sua cintura. Pegou-a com a mão boa e encostou-a ao lado, mas antes passando os dedos naquelas palavras talhadas. A cara dele rapidamente ficou um pouco triste, mas na mesma velocidade que apareceu, ela saiu, e num movimento brusco ele se dirigiu a mim.

“Ah, você pode pegar minha carteira por enquanto. Eu sou novato, aí eu ainda não tenho nenhum livro. E você precisa anotar a matéria, certo?” ele concluiu, com uma piscadinha.

Ok, ele com certeza era estranho. Muito estranho. Mas era um bom garoto. E agora que ele ameaçou por conta própria a líder da gangue da escola, acho que isso nos torna parceiros de fuga. Algo do tipo “o inimigo do meu inimigo é meu amigo”.

Ah. Amigo. Uma palavra que eu nunca tinha pensado em usar nessa cidade.

“Victor.” Minha voz finalmente saiu. Pela primeira vez nesse dia. Eu até estranhei minha própria voz, visto o tempo que fiquei sem falar nada.

Na verdade, foi na primeira vez nessa semana também. Eu quase não falava nada na escola, e muito menos em casa, visto que minha mãe ficava fora o dia inteiro, sobrando para que eu cozinhasse sozinho e passasse o tempo livre em frente à televisão.

“O quê?” ele me perguntou, com um olhar maroto nos olhos, terminando de enrolar a gaze. Ele sabia o que tinha conseguido fazer. O maldito tinha imposto a amizade dele em mim com aquele comunicado de guerra.

“Meu nome. Victor.”

Ele então riu. E estendeu a mão de novo. E dessa vez eu respondi o gesto.

Naquela época, eu nunca ia acreditar que esse aperto de mãos ia nos levar até onde estamos hoje.
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Mensagem por Oratsuki em Qua 18 Jun 2014 - 14:30

Yo,Micro,passando pela primeira vez na sua fic.
Achei o capítulo ótimo,esse especial contou bastante da história de Victor e Lucas,como sei que você dá sempre um jeito de fazer especiais e capítulos ''nada a ver'' terem algo relacionado a história principal,não irei dizer que o especial foi inútil.
Espero ansiosamente o resto dos capítulos,principalmente os que falam do Lucas e da Luana,pois simplesmente amo os dois personagens(do jeito másculo).
Bom,é isso,você acaba de ganhar mais um leitor,boa sorte com o resto da fic.
=D
Acredito também que sua história é uma obra prima.
Não entendi muito bem como as cadeiras estavam posicionadas na sala de aula.

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Mensagem por Black~ em Qui 19 Jun 2014 - 19:58

Finalmente li tudo. Eu falei que até sábado lia, mas algum santo baixou em mim e eu consegui ler tudo só hoje, não sei como, mas consegui. E seus capítulos curtos ajudaram também. Por isso eu gosto de fics com capítulos curtos, pois é bom pra preguiçosos como eu acompanharem -q, mas enfim. Ah, e não espere um comentário bom ou grande agora, são muitos capítulos pra comentar, então vou resumir -q.

Tipo, no começo aquela coisa de "crianças sobrevivendo à realidade", eu pensei tipo "nossa cara, que bosta, deve ser aquelas fics clichês cheias de dramalhões, vou nem ler". Mas logo no primeiro capítulo eu já curti a fic. Mesmo tendo aquele drama de morte do pai e tals, mas logo percebi que não ficaria nesse drama meloso, mas enfim.

A fic é bacana porque é real. Jovens comuns, que trabalham, têm suas dificuldades, e lutam para vencê-las, não lutar literalmente, de sair batendo em todo mundo (Victor discorda disso -q), mas fazendo de tudo para sobreviverem.

Olha, eu só não curti muito as passagens de tempo. Não, tipo, curti, mas tipo, o Lukas e a Luana se falam lá na festa e tals, ai depois de um ano achei que eles já tivessem casados e tendo filhos, mas não, ainda são só "amigos não muito próximos", e foi o que eu achei estranho, já que eles se abriram um pro outro, e ela indo na casa dele e tudo, e imaginei que eles já fossem namorados e tudo mais, mas enfim.

O especial foi bem bacana. Do jeito que você começou eu pensei que o narrador do especial era o Lukas, já que tirando o fato da mãe do Victor ser literalmente uma puta, ele é o cara certinho e tals, então não era de se imaginar que ele fosse o capeta da escola, mas enfim.

Eu fico curioso para saber se essa Bella vai reaparecer na fic. Seria ela a "protagonista" do próximo ciclo? E tipo, ela era a melhor amiga da Meg, não pode ter "morrido" assim de repente -q, fico na expectativa de que ela apareça, mas enfim.

Eu estou curioso também com o mistério envolvendo a morte dos pais do Lukas e da Emily. Me pareceu que não foi um acidente de caminhão pelo que ele disse. E o que a mãe do Victor sabe sobre isso? Só espero que não sejam tantos ciclos pra frente essa "resolução".

Eu gostei dessa de cada capítulo ser um narrador diferente, no caso, cada um dos quatro protagonistas. É bem bacana pois cada um dá um ponto de vista diferente e do seu modo à história. Sério, gostei bastante disso -q.

É só e boa sorte com a fic. No próximo capítulo falo sobre o capítulo mesmo, não de maneira abrangente assim -q.

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The Adventures of a Gym Leader - Capítulo 48
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Mensagem por Micro em Sab 21 Jun 2014 - 19:14

Em primeiro lugar, uma mensagem pra vocês que ainda me acompanham.
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Uma imagem vale mais do que mil palavras.

@Oratsuki escreveu:Yo,Micro,passando pela primeira vez na sua fic.
Achei o capítulo ótimo,esse especial contou bastante da história de Victor e Lucas,como sei que você dá sempre um jeito de fazer especiais e capítulos ''nada a ver'' terem algo relacionado a história principal,não irei dizer que o especial foi inútil.
Espero ansiosamente o resto dos capítulos,principalmente os que falam do Lucas e da Luana,pois simplesmente amo os dois personagens(do jeito másculo).
Bom,é isso,você acaba de ganhar mais um leitor,boa sorte com o resto da fic.
=D
Acredito também que sua história é uma obra prima.
Não entendi muito bem como as cadeiras estavam posicionadas na sala de aula.

Yay, leitor novo <3
Esse cap é sim do Lukas e da Luana. E obrigado pelos elogios :>

Teoricamente o especial é desnecessário, visto que ele será meio que citado e explicado nos próximos capítulos. Mas quem ler ele vai entender melhor como funcionava a dinâmica de amizades daquele tempo. E sim, a Belle voltará.

E aqui tem um esqueminha desenhado explicando a situação das mesas pra você: https://i.imgur.com/Nb0xzNh.png

Por favor note que eu usei 178% da minha capacidade artística fazendo-o, logo por favor não desperdice essa imagem.

@Black~ escreveu:Finalmente li tudo. Eu falei que até sábado lia, mas algum santo baixou em mim e eu consegui ler tudo só hoje, não sei como, mas consegui. E seus capítulos curtos ajudaram também. Por isso eu gosto de fics com capítulos curtos, pois é bom pra preguiçosos como eu acompanharem -q, mas enfim. Ah, e não espere um comentário bom ou grande agora, são muitos capítulos pra comentar, então vou resumir -q.

Tipo, no começo aquela coisa de "crianças sobrevivendo à realidade", eu pensei tipo "nossa cara, que bosta, deve ser aquelas fics clichês cheias de dramalhões, vou nem ler". Mas logo no primeiro capítulo eu já curti a fic. Mesmo tendo aquele drama de morte do pai e tals, mas logo percebi que não ficaria nesse drama meloso, mas enfim.

A fic é bacana porque é real. Jovens comuns, que trabalham, têm suas dificuldades, e lutam para vencê-las, não lutar literalmente, de sair batendo em todo mundo (Victor discorda disso -q), mas fazendo de tudo para sobreviverem.

Olha, eu só não curti muito as passagens de tempo. Não, tipo, curti, mas tipo, o Lukas e a Luana se falam lá na festa e tals, ai depois de um ano achei que eles já tivessem casados e tendo filhos, mas não, ainda são só "amigos não muito próximos", e foi o que eu achei estranho, já que eles se abriram um pro outro, e ela indo na casa dele e tudo, e imaginei que eles já fossem namorados e tudo mais, mas enfim.

O especial foi bem bacana. Do jeito que você começou eu pensei que o narrador do especial era o Lukas, já que tirando o fato da mãe do Victor ser literalmente uma [palavra censurada], ele é o cara certinho e tals, então não era de se imaginar que ele fosse o capeta da escola, mas enfim.

Eu fico curioso para saber se essa Bella vai reaparecer na fic. Seria ela a "protagonista" do próximo ciclo? E tipo, ela era a melhor amiga da Meg, não pode ter "morrido" assim de repente -q, fico na expectativa de que ela apareça, mas enfim.

Eu estou curioso também com o mistério envolvendo a morte dos pais do Lukas e da Emily. Me pareceu que não foi um acidente de caminhão pelo que ele disse. E o que a mãe do Victor sabe sobre isso? Só espero que não sejam tantos ciclos pra frente essa "resolução".

Eu gostei dessa de cada capítulo ser um narrador diferente, no caso, cada um dos quatro protagonistas. É bem bacana pois cada um dá um ponto de vista diferente e do seu modo à história. Sério, gostei bastante disso -q.

É só e boa sorte com a fic. No próximo capítulo falo sobre o capítulo mesmo, não de maneira abrangente assim -q.

Até que enfim você veio comentar :> Te lovo
Agradecendo todos os comentários, principalmente o fato de você não deixar o preconceito te fazer desistir da história. E sim, a Belle vai reaparecer. O capítulo dela inclusive já está pronto, só preciso betá-lo e corrigir uns erros.

Sobre a passagem de tempo, bem, eu também penso às vezes que seria melhor se eu desse ainda mais detalhes às suas vidas particulares, deixando a passagem de tempo realmente lenta. E é o que eu quero fazer. O problema é: se eu fizer a história assim, vamos estar em 2017 e eu ainda não escrevi nem 1/4 do que eu queria escrever. Talvez eu lance uns especiais mostrando essas partes puladas da história, se realmente forem necessárias.

E sobre o fato deles ainda não estarem namorando, bem. Vou pedir que você leia a ficha do Lukas de novo. Pessoas como ele tem dificuldade em manter relacionamentos duradouros. E a Luana entende, e por isso não impõe nada nele. Por enquanto a relação deles é mais paternal do que amorosa... mas quem sabe se mais pra frente não rola nada diferente...?

Não entendi você falando que meus capítulos são pequenos. Eles dão fucking 20 páginas do word. Geralmente capítulos de fics tem de 5 a 6.




Bem, esse capítulo é mais para entreter e ser engraçado. Tem basicamente duas coisas nele que contribuem para a história, o resto é só um motivo para eu colocar mais detalhes de um personagem aí na história.

Quero que vocês leiam esse capítulo com o coração leve, descontraído, e soltem algumas risadas nele. Por que a partir do próximo... bem, será todos a bordo do trem do drama! Choo-choo!

A Ressaca
08 / 20 / 19 / 19

Lentamente, fui retomando a consciência.

Estava tudo muito escuro, e parecia que minha cabeça ia explodir, graças aos sons que eu ouvia dentro dela. Parecia ser um enorme chiado, como se alguém estivesse pegando oito gizes e arranhando todos ao mesmo tempo num quadro negro. Sem nem sequer abrir os olhos, eu já conseguia sentir a luz do sol batendo fortemente em minha face.

Tentei abrir minhas pálpebras, mas estava muito cansado para fazê-lo. Já que não iria fazer nenhum movimento tão cedo, decidi analisar o que meu corpo conseguia sentir naquela posição. Bem, em primeiro lugar, eu estava deitado. Ou então eu dormi em pé, com as costas apoiadas na parede. Meu senso de inclinação corporal estava muito zuado para tomar qualquer conclusão naquele momento. A superfície em que minhas costas estavam apoiadas era macia. Eu acho. Na verdade, meu corpo inteiro estava formigando, o que tornava difícil a definição do tato. Decidi que estava deitado numa cama. Agora de quem, eu não sei.

Soltei um enorme suspiro, que pareceu tomar todas as minhas energias. Ok, eu já tinha ficado de ressaca antes, mas o que eu sentia agora era sem comparações. Quando meu peito voltou à posição anterior, após a respiração, senti um objeto pesado se movimentar na minha barriga, indo em direção aos meus mamilos. Ele mal terminou o trajeto, senti um jato de ar quente sendo soprado calmamente no meu peito. Ok, se eu consegui sentir isso, eu provavelmente estava sem camisa. Senti também um cheiro no ar de pós-sexo. Aquele cheiro inconfundível, que eu sentia todos os dias no final do meu expediente, voltou para me assombrar naquela manhã.

Resumindo, eu estava nu, bêbado, acordando na cama de algum desconhecido, com tal pessoa deitada na minha barriga.

Juntei mais forças e comecei a abrir meus olhos. Pois bem, vejamos então com quem eu me deitei dessa vez. Uma pálpebra se abriu, ainda exausta, e minha visão estava embaçada demais para afirmar qualquer coisa. Foi necessária a outra se abrir também, e mais alguns segundos de adaptação, para que eu pudesse finalmente ver o que estava prendendo minha respiração.

A primeira coisa que vi foi uma bola amarela. Ela era de um amarelo claro, com várias linhas horizontais, que pareciam se esticar para a direita num rio de fios dourados. Ah, era o cabelo de uma mulher loira. Por um segundo achei que Emy tinha aparecido em minha cama, e dormia calmamente comigo, mas então percebi que a coloração do cabelo era diferente da que eu estava acostumado. Acompanhei os fios, e consegui identificar um corpo, deitado horizontalmente em relação a mim, e aparentemente não trajava nenhum sutiã, usando apenas o complemento de baixo. Bem, se ela conseguia dormir nessa posição, provavelmente estávamos numa cama de casal, o que eliminava as chances de eu ter voltado para casa bêbado.

Tentei me lembrar se eu tinha visto alguma garota loira na noite de ontem. Na verdade, tentei me lembrar da noite de ontem. Nada. Era apenas uma mancha preta na minha memória. Eu me lembrava de fazer o brinde, e de ter saído da festa ontem à noite. Mas nada entre esses dois eventos. Ou depois deles. Merda.

Agora que estava mais acordado, virei meu rosto para o lado. Dei de cara com meu braço, formigante e nu, repleto de manchas roxas e arranhões vermelhos. É, pelo visto a noite ontem foi bastante...

Espera aí. Arranhões vermelhos. Vermelho? Não. Não pode ser. Não, não, não, não não não nãonãonão... Assustado, voltei minha atenção para a mulher em meu colo. Sua pele era claríssima, como a neve, e seu cabelo tinha alguns fios quase brancos. Fudeu. Fudeu muito. Como eu não reconheci antes? A garota com quem eu dormi era Luana.

Olhei para o outro lado, em desespero. E por um segundo, não acreditei no que vi. Mal terminei de virar, dei de cara com um bode.

Ok, eu não sei se era um bode mesmo. Mas era um animal parecido com isso. Um bezerro, talvez, ou uma cabra. Estava deitado tranquilamente no carpete ao meu lado, dormindo como um bebê.

Definitivamente era um sonho. Ou um pesadelo. Tentei levantar-me, mas a minha fraqueza aliada ao peso da garota me impediram de mover qualquer músculo. Foi então que decidi mover um dos meus braços. Um deles eu não conseguia sentir, o direito, pois estava debaixo da garota, portanto balancei o esquerdo, que pendia para fora da cama, em direção à minha barriga. Consegui batê-lo na minha perna, onde senti a presença da minha cueca, pelo menos. Com movimentos bêbados, subi ele até meu pescoço, esbarrando sem querer na cabeça da menina, e logo depois para minha face. Esfreguei furiosamente o sono dos meus olhos, forçando-os a acordar.

E então eliminei a chance de isso ser um sonho. O que eu via era 100% real. Estava tão assustado e nervoso que nem sequer consegui sentir-me excitado com a visão da garota semi-nua na minha frente. Bem, eu definitivamente não iria sair daquela posição enquanto ela não saísse do meu colo, então decidi tentar mover sua cabeça inerte de cima de mim. Minha mão ainda estava um pouco fraca, e por isso tive que retirá-la muito lentamente.

Mas o esforço foi em vão. Quando ela tocou o colchão da cama, eu senti alguns movimentos involuntários, demonstrando que ela finalmente estava acordando também. Ela também precisou de alguns segundos para finalmente voltar a si mesma, mas quando conseguiu abrir os olhos, também se assustou. Eu acho que nunca vi aqueles olhos tão vermelhos tão alertas como naquele momento.

“Bom dia.” Consegui emitir de dentro da minha boca. A voz saiu arrastada, baixa e sonolenta, como se metade da minha boca estivesse anestesiada.

Ela piscou furiosamente umas duas vezes, e então tentou esfregar os olhos, movendo aleatoriamente sua mão direita em direção à face. No meio do caminho ela esfregou sua mão na minha perna nua, e com isso, sua face tornou-se completamente vermelha.

“Meu Deus... aimeudeusaimeudeusameudeusam...” ela começou a falar, sendo que a cada frase dita elas se embolavam cada vez mais na língua tonta e sonolenta dela. Ela tentou levantar-se, mas ao fazer o primeiro movimento, sentiu na pele o atrito dos seios nus com o colchão, e jogou todo o peso do corpo para baixo, voltando a esconder seu busto.

“Eu não vi nada.” Confessei.

“Mas que porra a gente fez ontem a noite?” ela conseguiu me perguntar, após tentar alongar o corpo na cama, sem revelar o peito nu para mim. Tentei fazer o mesmo, agora que ela tinha liberado meu braço direito. Alonguei-os para frente, e logo depois consegui pegar uma postura e sentar-me de frente para a cama.

“Não faço a menor idéia. Tá tudo um breu na minha cabeça.” Admiti, terminando a frase com um bocejo. Foi então que percebi, sentado, que minha cueca estava na verdade vestida ao contrário, e apenas uma de minhas pernas estava dentro dela. A outra estava completamente à mostra, juntamente ao meu “amiguinho”. Minha sorte foi que, na posição em que Luana estava deitada, ela só conseguia ver a região dos travesseiros, e tudo dos meus mamilos para baixo estava ofuscado. Rapidamente consertei minha peça de roupa, guardando meu pertence dentro dela, ficando um pouco menos nu.

“Meu Deus... eu não acredito que eu dormi com você.” Ela concluiu. Uma mistura de felicidade e cumprimento pessoal com frustração e vergonha. O tom de voz deixou claro que seus sentimentos tombavam mais para o segundo lado.

“Nem eu.” Disse, alongando o pescoço. Enquanto fazia isso, encontrei um sutiã da mesma cor da peça que ela trajava jogado no chão, do lado da cama. Estiquei-me um pouco, ainda sentindo o formigamento no corpo, e entreguei a peça para Luana. Ao ver que eu tinha seu top em minhas mãos, ela voltou a ficar ainda mais vermelha, e rapidamente esticou uma das mãos para tomá-lo das minhas.

“Você pode virar pra lá enquanto eu coloco?” ela me perguntou, com a cara escondida no colchão, de vergonha. “Eu sei que, nesse ponto, você já deve ter visto eles, mas mesmo assim...” e então ela enfiou a cara ainda mais fundo na superfície macia.

Fiz o que ela me pediu e me virei, sentando na cama. Foi só então que eu finalmente percebi onde estávamos. Era um quarto largo, bem decorado, de paredes cor azul-piscina e um teto completamente de gesso branco. Vários pilares decoravam o cômodo, dando a ele um ar de templo grego ou romano. Toquei os pés no chão, e senti o carpete extremamente macio com eles. Tinha também um frigobar que ficou aberto durante noite toda, várias garrafas de cerveja e outras bebidas espalhadas pelo chão, cinco camisinhas... usadas, um bode (ou bezerro, já disse que não sei), várias pilhas de roupas espalhadas, alguns baseados, celulares, carteiras e chaves.

E duas pessoas.

Uma delas estava dentro da banheira de hidromassagem. A banheira era enorme e quadrada, e estava vazia agora, mas algumas pétalas espalhadas pela borda e pelo carpete, um pouco úmido ao redor, indicavam que ela tinha sido usada naquela noite. A pessoa que estava dormindo ali dentro era um rapaz, da nossa idade, completamente nu, que repousava com as duas pernas para fora, e o resto do corpo encaixado do lado de dentro. Num primeiro momento pensei se tratar de Victor, mas aquela pessoa era musculosa demais para ser ele. E esticando um pouco mais o pescoço, vi que seu cabelo era castanho, não o negro ao qual estava acostumado.

A outra era uma mulher, cuja silhueta eu não conseguia ver direito, visto que ela estava dormindo sentada no piso dentro do boxe do chuveiro. Seu sexo era reconhecível vide as suas curvas acentuadas e o formato de seus seios, que eram distinguíveis através do vidro opaco da porta que nos separava. Achei um pouco estranho aquele quarto ter apenas um cômodo, que misturava as camas com a sala e as banheiras.

Olhei pela janela, sem virar a face na direção de Luana, e vi alguns prédios. Bem, então era um quarto de hotel em um prédio, ainda dentro da cidade, pelo menos.

“Você se lembra da gente chegar nesse quarto?” me perguntou Luana, ainda atrás de mim.

“Absolutamente nada.” Admiti com uma risada. Era literalmente rir para não chorar.

Ela então subiu na cama, aparecendo do meu lado, sentando na borda ao meu lado. Seu sutiã estava no lugar certo agora, e parecia ocultar muito mais pele do que os que eu estava acostumado a ver no meu trabalho. Parecia roupa íntima de gente idosa, pensei em minha cabeça.

Ela também olhou meu corpo rapidamente, dando uma checada rápida no meu peito nu e no volume oculto entre as minhas pernas. Sua reação foi mais aparente que a minha, visto que ela fortemente forçou seu rosto a olhar para o outro lado, para evitar que ficasse ainda mais vermelha. E foi então que ela percebeu o homem dentro da hidromassagem.

“Ai meu Deus...” ela disse, colocando as mãos na frente da face. Seus olhos abriram em espanto de novo, pela segunda vez naquela manhã.

“Você o conhece?” perguntei. Ele me era familiar, mas por mais que eu tentasse, não conseguia me lembrar de sua identidade.

“Você não o conhece?” ela me perguntou incrédula. “Ele é aquele cantor super famoso e gostoso, que estava fazendo turnê pelo nosso país. Ganhou um monte de prêmios e aderiu à causa bissexual recentemente.”

“Ah. O Jack alguma coisa.” Concluí. Eu me lembrava de ouvir alguma música dele na rádio de vez em quando. A voz era legal, mas a melodia era bastante cansativa.

“Jack Hammer.” Completou. “Será que ele se lembra de alguma coisa?”

“Só tem um jeito de saber.” Respondi.

Num pulo, levantei-me da cama. Foi um erro, visto que minhas pernas prontamente amoleceram e eu caí de joelhos no chão. Luana deu uma risadinha, mas voltou a ficar envergonhada quando viu que tal movimento apertou ainda mais meu boxer, deixando o contorno de meu traseiro ainda mais definido. Com dificuldade levantei, e cambaleante, me aproximei da banheira, cutucando sua perna, para acordá-lo.

Ele soltou alguns sons guturais e moveu-se em seu sono, abrindo as pernas e deixando à mostra... bem, vocês sabem. Fiquei um pouco feliz ao ver que o meu era melhor que o do cantor super famoso cobiçado pelas mulheres, mas voltei a cutucá-lo na perna, para que ele pudesse nos explicar o que tinha acontecido. Balancei-o novamente, e nada. Então decidi balançar seus ombros, o que também não teve resultado.

Apelei e apanhei uma garrafa de cerveja que estava quase vazia, e virei seu conteúdo no rosto do cantor. Engasgado com o falso afogamento, ele acordou, tossindo fortemente e esfregando as mãos no rosto. Num salto, sentou-se, ficando com o rosto na altura da minha cintura.

“[palavra censurada], quê que foi isso?” ele disse, tirando o resto de cerveja quente do rosto. Sua voz confirmava sua identidade, e foi só então que a minha ficha caiu: a maior celebridade do momento estava nua, sentada na banheira do nosso quarto de hotel. Confesso que fiquei de boca aberta quando a realização finalmente apareceu.

Ele então piscou fortemente os olhos e olhou ao redor, reconhecendo o ambiente onde estava. Reconheceu meu rosto e o de Luana, e abriu um enorme sorriso para mim.

“Pronto pro segundo round?” ele perguntou, dando um beijinho de leve no volume na minha cueca. Recuei para trás, assustado, enquanto ele ria da minha cara.

“Er... Senhor Hammer?” começou Luana, numa voz completamente envergonhada, olhando seriamente para o piso. Ela provavelmente tinha visto o que eu vi, e estava completamente embasbacada com a situação.

“Pode me chamar de Jack, querida Larissa.” Ele disse.

“É Luana.” Respondeu a garota, finalmente olhando para seu rosto.

“Ah, dá quase no mesmo.” Dando de ombros, ele então levantou-se da banheira, esticando as pernas e os braços. Parecia que ele não estava nem com a metade da nossa dificuldade em andar. E nem metade da nossa vergonha, pelo visto. Ele então virou-se para mim, e num movimento rápido, lascou um selinho nos meus lábios. “Bom dia bonitão. Cadê a outra menina?”

Nesse momento eu levantei um braço por reflexo, socando-o sem querer no peito. Ele recuou, sentando-se na borda da banheira de hidromassagem, sem fôlego, enquanto eu me afastava ainda mais daquele local. Do jeito que ele estava agindo comigo, parecia que nós dois fizemos algo muito, muito errado ontem de noite.

Foi então que me lembrei da menina no boxe. Olhei para a caixa de vidro opaca a dois metros da banheira, e me dirigi a ela. O susto conseguiu me acordar mais um pouco, e por isso atingi meu objetivo com menos da metade da dificuldade anterior. Mas quando abri a porta do chuveiro, meu terceiro susto aconteceu naquela manhã. Luana acompanhou meus movimentos com os olhos, ainda sentada na cama, e embora estivesse sem os óculos, reconheceu prontamente a garota semi-nua dentro do chuveiro.

“Espera aí. A Juliet também veio parar aqui?” perguntou, incrédula.

“Isso está ficando cada vez mais confuso.” Concluí, um pouco zonzo com toda aquela informação absorvida em pouco tempo. Tentei voltar para a cama, para me sentar um pouco, mas acabei chutando um objeto no meio do caminho: um celular. O meu celular. Tomei-o em mãos, e vi na tela inicial a enorme quantidade de ligações perdidas.

“Temos vinte e oito ligações perdidas da Rebecca e oito da Anna.” Anunciei em voz alta. Luana soltou um gemido de preocupação, enquanto Jack agia com indiferença. Ele simplesmente se abaixou e pegou seu boxer, que estava largado próximo à banheira, vestindo-o.

E foi então que me lembrei. Anna. Emily. Um aperto enorme no peito me tomou, e eu literalmente caí na cama, com as mãos tentando segurar o coração. Olhei de novo no celular: eram onze e meia da manhã. Eu deveria ter ido buscá-la três horas atrás. Luana percebeu minha reação e colocou uma mão nos meus ombros, tentando me acalmar.

“Fica tranqüilo que vai dar tudo certo.”

Ela mal terminou de falar, o celular começou a tocar novamente. Ou melhor, vibrar. Parece que alguém o colocou no silencioso ontem à noite. Apertei o botão de atender, por reflexo, e coloquei-o na minha orelha, sem nem saber quem tinha me ligado. Mas a voz do outro lado da linha não esperou nem um segundo a mais e já começou a me bombardear com suas palavras.

“Alô? Lukas? Por favor, me fala que é você e que você sabe onde a Luana está.”

“Alô, Reby?” perguntei. “Sim, sou...”

“PELO AMOR DE DEUS MENINO! VOCÊ TEM IDEIA DE COMO NÓS FICAMOS PREOCUPADAS?”

Não consegui me segurar, e soltei uma risada no telefone. Ela me repreendeu pela linha, mas dava para perceber como ela tinha ficado mais aliviada ao ouvir a minha voz.

“Sim, a Luana está aqui. Sim, ela está viva. E inteira. Eu também.” Comecei a responder. Luana olhou para mim, esperando a conversa continuar, ouvindo atentamente a ela.

“Onde vocês estão?” foi feita a pergunta de ouro.

“Também não sei. Estamos num hotel, dentro da cidade mesmo.” Disse, e então dirigi meu rosto à janela, para ver se reconhecia algum prédio das redondezas. “Estamos do lado de um prédio laranja, com um enorme outdoor fazendo propaganda política do pai da Meg.”

“Ah, vocês estão no prédio da festa então.”

Então eu embranqueci de susto. Estávamos naquele prédio ultra famoso e caro? Meu deus. Lá se foi todo o dinheiro que eu ganhei nos últimos três meses. Comecei a balbuciar, sentindo minha carteira ficando uns dois quilos mais leve, enquanto Rebeca continuava seu discurso. Coloquei no viva-voz, de modo que Luana pudesse responder enquanto eu delirava com o preço daquele quarto.

“Lukas, querido, quando você e Luana acordaram, sentiram seus corpos dormentes e ouviram barulhos agudos?”

“Ah, foi exatamente isso.” Respondeu Luana.

“Oh! Olá Luana. Seu pai está preocupadíssimo com você.” Contou-nos Rebecca, do outro lado da linha. Agora foi a vez de Luana balbuciar e delirar de medo.

“Enfim, era o que eu temia. Nós pegamos uma amostra do vinho que vocês deixaram na festa ontem conosco e mandamos pro laboratório analisar.” Ela continuou.

Rebecca era formada nas áreas biológicas, sendo que ela fez especialização em análise forense para a polícia. Ultimamente ela estava dando aula de laboratório na faculdade de Meg e Luana, e embora não parecesse, ela era uma especialista nesses casos. Ela e Rudolph foram chamados para a festa da vitória eleitoral, visto que ajudaram a financiar a campanha do pai de Meg.

Agora que eu pensava nisso, eu me lembrava de ter encontrado com eles lá dentro da festa na noite anterior. Foi por volta das uma da madrugada: nós nos levantamos da nossa mesa e nos encontramos com o casal. Inclusive oferecemos nossa bebida para eles, mas Rudolph pegou a primeira taça, e mal a encostou na boca, recusou instantaneamente, dizendo que tinha algo de errado com aquele vinho.

“Parece que a garrafa de vocês foi... como vocês falam hoje em dia? “Batizada” com uma droga asiática.”

Com essa informação, saímos do transe quase que instantaneamente. Eu já sabia que essa não era uma ressaca normal. Mas também não suspeitava nem nos meus mais delirantes sonhos que tinha algum tipo de alucinógeno dentro da nossa bebida.

“Já tivemos outro caso com ela no nosso estado. Ela possui efeito instantâneo em pessoas de idade, e serve como uma “droga da verdade”, com uma ação sedativa logo depois. Ela faz o usuário dizer e agir de acordo com a primeira coisa que vier em sua cabeça. E apenas um gole já é o suficiente para dominar um homem de cento e trinta quilos.” Explicou.

Eu e Luana engolimos em seco. Então alguém tinha tentado dopar o pai de Meg. Talvez para liberar algum podre político durante o discurso, ou simplesmente por que queriam que ele passasse vergonha em seu primeiro dia de mandato. A sorte dele foi o nosso azar, no momento em que ele repassou a garrafa para sua filha. Provavelmente ele deve estar se sentindo culpado pelo que aconteceu conosco, nessa noite, e deve começar um processo contra o colaborador que ofereceu aquela garrafa a ele.

“Parece que em pessoas mais novas o efeito sedativo é adiado, sendo substituído por um efeito afrodisíaco. Mas eu acho que vocês não seriam capazes de fazer nada de errado. Não é?” terminou Rebecca, do outro lado da linha. Eu conseguia imaginar perfeitamente seu rosto, com as duas sobrancelhas levantadas, duvidando da veracidade da própria pergunta.

Olhei para a enorme quantidade de preservativos usados espalhados pelo cômodo. Acho que só afrodisíaco é pouco para isso. Luana acompanhou meu olhar, e percebeu pela primeira vez o que tinha ocorrido naquele quarto. Instantaneamente ela voltou a ficar vermelha, e tenho certeza de que ela estava começando a querer se jogar da janela daquele quarto.

Não era só ela quem queria morrer de vergonha, literalmente, naquela hora.

“Mas e Victor e Meg? Você sabe onde estão?” perguntei.

“Consegui falar com eles meia hora atrás. Eles acordaram no apartamento dela, com vários móveis quebrados, incluindo a cama de Meg.” Ela terminou. “Mas parece que eles estão bem. Parece que um deles teve a idéia genial de fazer um campeonato de Kick Boxing no meio da sala.”

Suspirei, aliviado. Temia que Victor tivesse “desligado” de novo, e feito algo de muito errado com Meg. Não apenas no quesito sexual, mas também de violência e abuso verbal. Luana ainda não sabia disso, mas eu e Meg já tivemos experiências bastante negativas com esse segundo lado do meu melhor amigo.

Por exemplo, a primeira grande briga de Victor e Meg foi séria. Muito séria. Ele bebeu demais durante um baile de quinze anos da nossa turma, e pouco antes da meia noite, ele desligou pela primeira vez naquele ano. Ninguém sabe direito o que aconteceu, mas parece que ele tentou forçar Meg a dormir com ele naquela noite. Foi necessário eu e mais outros cinco homens para segurá-lo, e terminamos com vários hematomas, dois pontos no braço direito e uma estátua de vidro em pedaços, sem falar na perna que sabe lá como ele conseguiu quebrar. Desde então nós dois temos controlado rigorosamente o tanto que ele pode beber, e nunca mais o deixamos passar de uma garrafa de álcool. Parece que a droga foi forte o suficiente até mesmo para suprimir o alter ego de Victor. Graças a Deus.

“Eu sei que vocês devem estar muito confusos, então pode deixar que eu aviso para a turma que vocês estão bem.” Concluiu Rebecca. É, além de tudo, ela ainda era uma mãe, e ela já tinha sido uma adolescente. Agradecemos ela por tudo o que ela tinha feito por nós, e desligamos, com uma preocupação a menos.

Mas agora, tínhamos outros problemas para resolver. E o primeiro deles se chamava Jack Hammer.

Ele estava só de cueca, com uma garrafa de suco em mãos, sentado na espreguiçadeira vendo algum canal de esportes aleatório na enorme televisão do cômodo. Completamente relaxado, coçava suas partes baixas com a mão livre, sem se importar com o nosso problema.

“Jack.” Disse, numa voz autoritária. Ele virou o rosto para mim, dando uma piscada, e desligando a televisão.

“O que foi, garoto maravilha? Foi com essa voz que você me fez descobrir meu fetiche masoquista ontem a noite, sabia?” ele brincou, botando a língua pra fora.

“Na verdade, não. A gente não se lembra de nada.” Entreguei. Luana se aproximou de mim, também só com as roupas íntimas, e confirmou calmamente com a cabeça.

Jack nos encarou incrédulo. Seus olhos deslizavam do meu rosto para o dela, e logo então voltavam para o meu. E então soltou uma enorme gargalhada, como se fosse alguma piada. Mas ele percebeu nosso rosto permanentemente sério, e cessou seu momento hilário, ajeitando-se na poltrona.

“Sério mesmo?”

“Sim.” Ela reafirmou.

“Olha... eu também não sei muito da noite de vocês não...” ele começou. “Eu só posso te falar dela a partir do momento em que você me encontrou, por volta das quatro da manhã.”

Fizemos um sinal positivo com a cabeça, de modo que ele continuasse.

“Eu estava saindo de uma festa de celebridades. Sabe, gente chata de nariz empinado, achando que é famosa sendo que os paparazzi só querem saber de seus podres.” Disse, gesticulando com a garrafa algo muito obsceno. “Eu fui atravessar a rua, e você me atropelou.”

Com isso, estava no ponto de pular da janela do oitavo andar. Então eu estava dirigindo, bêbado, dando voltas pela cidade, e ainda atropelei uma pessoa. E não só uma pessoa, como uma super celebridade.

“Na verdade, nem doeu. Mas aí eu desmaiei. Quando eu voltei a mim mesmo, vocês tinham me colocado dentro do carro, e eu estava sentado no banco de trás, junto da menina baladeira ali.” Ele completou, apontando a garrafa de suco para o box onde Juliet estava. “E do filhote.”

Ah, é mesmo. Onde foi que nós os encontramos?

“Então eu decidi que ia ser legal dar uma volta com vocês. Sei lá, se vocês pelo menos tiveram a decência de pegar o cara que vocês atropelaram, pareciam ser boas pessoas.” Ele riu. Eu e Luana continuamos incrédulos com o que ele nos contava.

“Demos uma volta pelo parque municipal, onde as meninas fizeram topless perto do parquinho infantil. Aí nadamos na fonte, corremos de um guardinha que estava fazendo ronda por lá e, eu acho, que nós demos carona pra um mendigo até a papelaria mais próxima.”

“De lá viemos aqui pro hotel. Eu já tinha um quarto reservado aqui mesmo, então tava tranqüilo. Vou te falar, foi difícil, mas conseguimos colocar o bode dentro de uma mala, e subimos com ele pro quarto.” Ele completou.

Oh. O bode. Ele tem razão.

“Na verdade é um bezerro.” Explicou Luana. Nós dois olhamos para ela, com uma cara de interrogação, e ela explicou. “Eu estudo pra medicina. Eu preciso saber um pouco de biologia, não?”

“Enfim, foi difícil subir com o animal pra cá. O problema é que os vizinhos ouviram o barulho e chamaram a gerente pra ver o problema. Então a gente teve que dopar a gerente também.”

Espera. Nós dopamos a gerente do hotel. Olhei assustado para ele, que respondeu com um aceno para o armário mais próximo. Meu Deus. Meu Deus do céu. Nós não fizemos isso. Me diga que a gente não seqüestrou a gerente do hotel.

Com passos lentos me dirigi para o armário. E, cautelosamente, abri-o. E lá dentro, estava a mesma menina de ontem, que nos guiou até a festa, completamente nocauteada, abraçada a uma garrafa de vodka e semi-nua, apenas com a roupa íntima e uma das meias.

Ok, nós dopamos a gerente do hotel.

“Não. A gente não fez isso.” Luana começou, negando. “Nem bêbada eu seria capaz de uma coisa dessas.”

“Pois é, ela na verdade não queria beber com a gente no começo. Mas aí o garoto maravilha aí conseguiu seduzir ela, e então ganhamos mais uma na nossa roda de Sex Poker.”

Pronto. Agora eu tenho certeza de que eu vou pular da janela. Por favor, digam à Emily que eu a amo. De qualquer maneira, voltei a encostar a porta do armário, deixando a gerente dormir mais um pouco. Tomara que nós já tenhamos ido embora quando ela acordar.

“Espera, então... a gente realmente fez... sexo?” ela perguntou, com medo de dizer a última palavra. A resposta era meio óbvia, e por isso a pergunta não soou muito confiante.

“Bem, na verdade, não. Você foi a mais azarada, e por isso só perdeu a roupa. Eu e o garoto maravilha transamos três vezes, sendo duas no chuveiro e uma aqui na poltrona.” Ele disse, com a maior facilidade e tranquilidade, dando tapinhas no apoio da espreguiçadeira, levantando as sobrancelhas para mim. “Cara, ele é um deus na cama. Depois nos vestimos e brincamos de novo, ganhando ele e a Jeanna, que fizeram uma rápida no chuveiro, onde ela caiu pra dormir. Aí fizemos uma terceira rodada, vocês duas ganharam, mas como não queriam botar as aranhas pra brigar, obrigamos vocês a usar os celulares no vibratório, enquanto o gostoso aí filmava com o celular de alguém.”

Não. Olhei para o celular na minha mão, com um pouco de espanto. Decidi que não abriria meus arquivos em público até eu fazer uma limpeza completa na memória do celular. E uma limpeza do lado de fora também.

“E depois?” perguntou Luana. Ela já não conseguia olhar nos olhos de ninguém no quarto, morrendo de vergonha. Sua voz estava mais fraca do que ela estava hoje de manhã.

“Bem, aí vocês foram cantar umas músicas de amor em cima da cama, tropeçando um em cima do outro. Aí vocês dormiram nas posições que vocês pararam mesmo.” Concluiu, com indiferença. Ele realmente estava tão acostumado a participar de festas assim?

Bem, a contagem de preservativos batia perfeitamente com a descrição dele. E pelo menos eu descobri que não tinha, digamos, dormido com a Luana. Bem, nós literalmente dormimos na mesma cama, mas não rolou nada de errado entre nós. Ela suspirou aliviada, e jogou seu corpo na cama, caindo de bruços. Deveria estar agradecendo de seu corpo ainda estar intacto, e ela não se lembrar de nada do que viu aqui.

E foi então que eu vi. Nas suas costas, próximo a suas nádegas, aquela pequena mas inconfundível marca. Uma tatuagem de estrela. Não muito grande, provavelmente do tamanho de uma moeda. E parecia ser de verdade. Decidi que contaria a ela depois de ouvir o resto da história.

“Então... foi isso?” perguntei.

“Sim. Eu acho. Ah, a cabra comeu uma das meias da gerente, se eu não me engano.”

“Bezerra.” Corrigiu Luana.

“Tanto faz.”

No momento em que ele terminou de falar, a porta do boxe se abriu. De lá de dentro surgiu uma Juliet tonta, vestindo apenas a parte de baixo de seu vestuário, com as pernas completamente ensopadas com a água do chuveiro. Bocejante, ela arrastou suas pernas na nossa direção, como se tivesse acabado de acordar de uma hibernação.

Esfregando os olhos com as mãos molhadas, ela finalmente nos cumprimentou.

“Bom dia! Gente, que festa doidona que a gente fez ontem. Ou hoje. Ah, tanto faz!” ela brincou, se dirigindo ao frigobar para pegar uma garrafa de leite.

“E aí minha querida? Tá viva ainda?” brincou Jack.

“Olha, depois que nós dois acabamos com toda aquela erva ontem juntos, não sei se eu ia conseguir acordar hoje não.” Ela respondeu.

Pelo visto, só eu e Luana estávamos levando isso a sério. Ah, e eu acho que o bezerro também estaria, se ele estivesse acordado.

“Você acredita que eles não se lembram de nada?” começou Jack.

“Pior que acredito. Eles estavam muito tontos pra se lembrarem de qualquer coisa. Estavam mais altos que nós dois juntos.”

“Espera, então você também se lembra?” perguntou Luana, esbaforida. Ela conseguiu até mesmo ignorar o fato de sua segunda melhor amiga estar semi-nua em sua frente.

“Bem, eu me lembro só até a gente chegar ao hotel. Depois disso, o que os olhos não vêem, a cabeça não lembra.”

“Bem, então é perfeito. Depois disso eu já consegui atualizar eles.” Respondeu Jack.

Juliet deu de ombros, abrindo uma garrafa de leite que encontrara no frigobar descongelado. Com um só gole, acabou com metade da garrafinha, e soltou um enorme suspiro para ajudar a bebida a descer. Foi só então que ela percebeu que estava com os bustos à solta, e rapidamente vasculhou o quarto, em busca de seu sutiã.

“Ei, vocês viram a outra parte do meu lingerie?” ela perguntou, gesticulando para a peça de roupa que usava em suas pernas. Ao contrário das peças brancas de Luana, as dela eram completamente negras e pequenas, deixando bastante de sua pele à mostra.

Fizemos que não com a cabeça, o que ela prontamente entendeu, e sentou-se na poltrona ao lado de Jack. Parecia que ela não se importava de deixar seus seios à mostra. Afinal, todos os integrantes do quarto já tinham se visto nus naquela noite, nas mais diversas posições, embora metade não se lembrasse.

“Bem, acho que encontrei vocês por volta da uma da manhã. Vocês dois, Meg e um menino de cabelo preto aí tinham acabado de sair do prédio, e quando me viram, pararam o carro e me chamaram pra dentro.” Começou. “Lógico que eu aceitei na hora. Pena que a garrafa de vinho já estava vazia quando eu fui beber ela.”

‘Pena’ nada. A maior sorte da noite dela foi ter encontrado aquela maldita garrafa vazia. Senão quem sabe o que ela teria feito? Se bêbada ela já tinha topado de fazer aquilo tudo conosco, imagina sob os efeitos do afrodisíaco?

“Então vocês tiveram a idéia de ir até o apartamento das meninas, pegar algumas garrafas de cerveja que a Meg guardava para ocasiões especiais.” Ela disse, e Luana concordou com a cabeça. De acordo com a loira, elas geralmente deixavam pelo menos uns seis litros de cerveja prontos no freezer, caso alguma das duas trouxesse os amigos para casa. Eles só tinham sido usados uma vez antes daquela noite, e foi para beber durante um filme que eles viram no início do ano.

“Lá dentro nós bebemos os seis litros, e então por algum motivo, a Meg quis treinar o Kick Boxing dela. Aí fizemos um campeonato, com prêmios e tudo. Não sei o que aconteceu direito, só me lembro de ver os dois caras sem camisa quebrando os móveis do apartamento. Foi bastante sensual, se você quiser saber a minha opinião.” Brincou Juliet, dando uma piscadinha de olho para mim.

“Depois disso, exaustos, a Meg e o moreno foram dormir. Ela foi pra cama, e ele apagou no sofá mesmo. Então nós três fomos dar uma volta pela cidade.”

Bem, então a Meg e o Vic perderam a pior parte da noite. Pelo menos eles não participaram da... orgia louca, se é que podemos chamar assim, que aconteceu nesse quarto de hotel.

“Aí conversa vai conversa vem, a Luana começou a ficar emocional e começou a falar que ela era uma enorme égua. E então eu brinquei que o Lukas tinha a potência de um cavalo. Aí nós tivemos a idéia sensacional de casar vocês dois e adotar um filhinho pra vocês.” Ela concluiu, juntando as mãos e fazendo uma cara de felicidade extrema.

Eu e Luana nos olhamos, e não conseguimos nos segurar, começando a rir. Sério que nós tínhamos feito aquilo?

“Então daí que veio o bezerro.” Disse Jack, que ouvia atentamente à história. Pelo visto ele também estava inconformado com a origem do animal no quarto.

Mas então caiu a ficha na minha cabeça.

“Pera, da onde a gente pegou o filhote?” perguntei, esbaforrido.

“Ah, sabe aquela chácara perto da entrada da cidade? Então, ele tinha acabado de pular a cerca, que estava quebrada. Aí ele viu o cabelo da Luana e gostou dela, e seguiu o conversível por quase um quilômetro. Como ele não queria voltar, vocês adotaram ele durante a noite. A Luana só concordou com isso se vocês devolvessem ele agora de manhã.”

“Mas bezerros são filhotes de vaca. Não tem nada a ver com cavalos e éguas.” Respondeu Luana, incrédula. Nós três fizemos um rosto de interrogação, e ignorando a informação, concluímos a retrospectiva.

“E aí, depois da adoção, nós atropelamos o Jack.” terminei.

Juliet pegou a garrafa de leite, agora vazia, e levantou-a ao alto, fazendo um brinde fantasma. Ela disse algo que misturava “voilá” com “bazinga”, e então subitamente abriu os olhos. Num salto levantou-se da poltrona e, saltitando, pulou na cama, entre eu e Luana. Pegou impulso, e assim conseguiu agarrar um pedaço de pano negro que estava agarrado no candelabro suspenso acima do colchão.

“Achei!” disse, segurando o sutiã nas mãos como se fosse um prêmio.

“Bem, então acho melhor a gente ir liberando o quarto.” Disse Jack. “Eu só tinha pagado pra ficar nele até as 13, e agora só temos uma hora e meia pra nos arrumar.”

Ele então se levantou da poltrona também, e coçando a cabeça, se dirigiu ao chuveiro. Ele dava passos lentos, e sem cerimônia, ia removendo a cueca no meio do caminho. Pouco antes de entrar no boxe, ele se virou, e correndo nu em minha direção, me tomou pelo braço.

“Vai ser mais rápido se a gente tomar banho juntos.” Disse, numa piscadinha. Eu recusei na hora, lógico, mas Juliet concordou com a ideia.

“É mesmo. Nós somos mulheres, e vamos ficar pelo menos uns quarenta minutos pra tirar esse cheiro de cerveja do cabelo.” Disse, pensativa, com uma mão no queixo. Logo depois ela suspirou, pulando nas costas de Luana, que ainda estava sentada na cama. “Vão logo vocês dois, que a gente ainda tem que se arrumar também.”

Jack abriu um sorriso, orgulhoso com a vitória, enquanto eu fazia a minha melhor cara de “cão arrependido”, insistindo que a garota mudasse de idéia. Até mesmo tomar banho com ela era melhor do que com aquele tarado satírico estranho. Mas ela ignorou meus melhores pedidos, e deprimido, fui puxado para o enorme boxe, que tinha espaço para umas seis pessoas tomarem banho juntas.

E, com o barulho do chuveiro sendo ligado, o bezerro acordou, deixando uma meia mastigada cair de sua boca.




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Mensagem por .Korudo Arty. em Dom 22 Jun 2014 - 20:21

MICROOOOOOOOOO. Antes de tudo. MORRI de rir com esse capítulo. Velho... a parte da Luana explicando que era um bezerro e não uma cabra. KKKKKKKKKKKK'

Primeiro, desculpa não ter comentado o especial. Ele ficou maravilhoso e mesmo não dando continuidade à trama principal foi ótimo para entender muita coisa. Eu não imaginava ninguém do jeito que está no escritório e preferi minha imaginação, com exceção da Luana - basicamente imaginava ela meio feia, mas adorei saber que ela é linda. Infelizmente estou me esforçando em esquecer como são os outros três, já que eles se afixaram na minha mente - na minha cabeça o Amber tem menos cara de adolescente, Victor tem menos cara de roqueiro e mais de responsável, Emily tem uma aparência mais adorável e infantil.

Fiquei surpreso com o distúrbio de personalidade do Vic e ansioso por um momento em que uma 'desligada' dele traga problemas para a história - nem que seja uma situação desesperadora em que o Lucas, a Lu e a Meg tenham de tentar controlá-lo. Sim, eu gosto de um drama. Dá uma emoção extra, sabe? KKK'

O especial estava maravilhoso, narração espetacular e a interação inicial entre Vic e Lukas ficou espetacular.

Agora, quanto ao capítulo. Como eu já disse, ri muito. Achei o Jak ótimo. E a Juliet é a cliente do Lukas? Que é também a amiga bêbada da festa que o Lukas fez strip, né? É muito personagem, Micro, fico muito confuso @_@ Inclusive, não sei se a Rebeca é a lésbica ou a mulher do cara que tem problemas.

Cara, adorei que tenha postado o especial e o capítulo em tão pouco tempo. Se continuar assim serei forçado a te amar ainda mais '-' Eu não comentei muito sobre o capítulo porque, basicamente, ele é só muito engraçado, os momentos cômicos super bem feitos, então não tem muita reação a se comentar. Ah! Meu Deus, Lukas não deixou nem o cantor famoso escapar @_@ KKKKK' Okay, cara, capítulo maravilhoso, se era pra ser engraçado, conseguiu com muito louvor. E eu espero ansiosamente, muito ansiosamente, pelo capítulo mega dramático. Até, cara. õ/
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Mensagem por Black~ em Dom 22 Jun 2014 - 21:55

Bom, vamos lá.

Esse capítulo foi engraçado mesmo, foi um preparador para o próximo capítulo que será mega dramático. Essa história de bezerro e bode lol. Uma conversa séria daquelas e a Luana preocupada em dizer se era bezerro ou bode -q.

Essa Juliet é a mesma que ia no puteiro do Lukas? Por que se for ela, achei que ela tava bem diferente, porque no outro capítulo você disse que ela não tinha muitos atrativos corporais, mas nesse capítulo disse que ela tinha várias curvas e tinha o peitão, então achei estranho, além de que ela parecia ser alguém que não abria as pernas pra qualquer um, mas...

O Lukas também traça todo mundo hein. Nem um cantor consegue "resistir" a ele. Ainda transar três vezes no mesmo dia, haja fôlego -q. Mas eu ainda não sei se o Lukas é realmente bissexual, ou ele é só hétero e que faz os serviços gays por obrigação do seu trabalho.

Kickboxing? Lol, a droga que tava no vinho era realmente das mais pesadonas que existem. A Meg, tão certinha, só faria essas doideiras chapadona mesmo. Victor e Lukas quebrando a casa inteira, lol, o povo tava bem loucão mesmo -q, mas enfim.

Acho que é só e boa sorte com a fic.

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Mensagem por Pokaabu em Ter 29 Jul 2014 - 1:46

Decidi voltar aqui. Sendo que esta é uma das melhores fanfics (Das que eu li) Na PM. Fiquei pensando sinceramente como você não me mandou pra casa do c* por perguntar tantas vezes o que essa estória queria contar. Agora, desligando as neuras e lendo com calma, pude ver o potencial que esse projeto tem. Ainda estou no capítulo "O Evento" mas pretendo terminar logo. Espero de todo o coração que você não abandone o projeto. Sua escrita é deliciosa, beijos do Pok.

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Mensagem por Micro em Sex 1 Ago 2014 - 9:40

Ok, me desculpem por demorar TANTO PRA POSTAR ESSE CAP. Ele tá pronto desde... sei lá? Dia 20 de Junho? Sim, dois meses. Mas eu fiquei [palavra censurada] ocupado durante essas férias, e só consegui betar e postar ele hoje.

Irônico, como o trabalho das férias me ocupa mais do que o trabalho com a faculdade.

Mas enfim, terminamos mais um ciclo. O próximo, bem, se vocês lerem até o final... vocês já sabem quais serão os dois personagens novos.

E sim, ele tem o mesmo nome do especial. O especial meio que "ilustra" uma situação desse capítulo, antes mesmo de eu postar ele.

A LEIAM FICA MAIS FACIL ASSIM

@.Korudo Arty. escreveu:MICROOOOOOOOOO. Antes de tudo. MORRI de rir com esse capítulo. Velho... a parte da Luana explicando que era um bezerro e não uma cabra. KKKKKKKKKKKK'

Primeiro, desculpa não ter comentado o especial. Ele ficou maravilhoso e mesmo não dando continuidade à trama principal foi ótimo para entender muita coisa. Eu não imaginava ninguém do jeito que está no escritório e preferi minha imaginação, com exceção da Luana - basicamente imaginava ela meio feia, mas adorei saber que ela é linda. Infelizmente estou me esforçando em esquecer como são os outros três, já que eles se afixaram na minha mente - na minha cabeça o Amber tem menos cara de adolescente, Victor tem menos cara de roqueiro e mais de responsável, Emily tem uma aparência mais adorável e infantil.

Fiquei surpreso com o distúrbio de personalidade do Vic e ansioso por um momento em que uma 'desligada' dele traga problemas para a história - nem que seja uma situação desesperadora em que o Lucas, a Lu e a Meg tenham de tentar controlá-lo. Sim, eu gosto de um drama. Dá uma emoção extra, sabe? KKK'

O especial estava maravilhoso, narração espetacular e a interação inicial entre Vic e Lukas ficou espetacular.

Agora, quanto ao capítulo. Como eu já disse, ri muito. Achei o Jak ótimo. E a Juliet é a cliente do Lukas? Que é também a amiga bêbada da festa que o Lukas fez strip, né? É muito personagem, Micro, fico muito confuso @_@ Inclusive, não sei se a Rebeca é a lésbica ou a mulher do cara que tem problemas.

Cara, adorei que tenha postado o especial e o capítulo em tão pouco tempo. Se continuar assim serei forçado a te amar ainda mais '-' Eu não comentei muito sobre o capítulo porque, basicamente, ele é só muito engraçado, os momentos cômicos super bem feitos, então não tem muita reação a se comentar. Ah! Meu Deus, Lukas não deixou nem o cantor famoso escapar @_@ KKKKK' Okay, cara, capítulo maravilhoso, se era pra ser engraçado, conseguiu com muito louvor. E eu espero ansiosamente, muito ansiosamente, pelo capítulo mega dramático. Até, cara. õ/

aaah por que você foi elogiar meu timing
aí eu vou e demoro 1 ano pra postar o próximo cap
grande vontade do universo sua vadia

Enfim, yay, valeu por passar aqui <3
Sim, Juliet é a cliente do Lukas, que é a colega de classe da Luana, e etc. Eu vou fazer uma ficha de personagem pra ela no escritório também, fica tranquilo :^0

@Black~ escreveu:Bom, vamos lá.

Esse capítulo foi engraçado mesmo, foi um preparador para o próximo capítulo que será mega dramático. Essa história de bezerro e bode lol. Uma conversa séria daquelas e a Luana preocupada em dizer se era bezerro ou bode -q.

Essa Juliet é a mesma que ia no puteiro do Lukas? Por que se for ela, achei que ela tava bem diferente, porque no outro capítulo você disse que ela não tinha muitos atrativos corporais, mas nesse capítulo disse que ela tinha várias curvas e tinha o peitão, então achei estranho, além de que ela parecia ser alguém que não abria as pernas pra qualquer um, mas...

O Lukas também traça todo mundo hein. Nem um cantor consegue "resistir" a ele. Ainda transar três vezes no mesmo dia, haja fôlego -q. Mas eu ainda não sei se o Lukas é realmente bissexual, ou ele é só hétero e que faz os serviços gays por obrigação do seu trabalho.

Kickboxing? Lol, a droga que tava no vinho era realmente das mais pesadonas que existem. A Meg, tão certinha, só faria essas doideiras chapadona mesmo. Victor e Lukas quebrando a casa inteira, lol, o povo tava bem loucão mesmo -q, mas enfim.

Acho que é só e boa sorte com a fic.

Sim, é a mesma Juliet. E ela tá mais gostosa por que, bem, as pessoas crescem e malham. E ela ainda quer encontrar seu cavaleiro de armadura, então nada de ir abrindo as pernas pros outros caras além do Lukas.
Eu tenho uma amiga assim. A ideia de "casar pseudo-virgem" dela é meio bizarra, mas lá no fundo faz sentido. E eu não sei se eu vou conseguir explicar ela aqui na fic, então apenas saibam que a Juh é uma pessoa boa. Mas festeira.

E Kickboxing, hell fucking yes. A Meg é lutadora quase profissional.

@Pokaabu escreveu:Decidi voltar aqui. Sendo que esta é uma das melhores fanfics (Das que eu li) Na PM. Fiquei pensando sinceramente como você não me mandou pra casa do c* por perguntar tantas vezes o que essa estória queria contar. Agora, desligando as neuras e lendo com calma, pude ver o potencial que esse projeto tem. Ainda estou no capítulo "O Evento" mas pretendo terminar logo. Espero de todo o coração que você não abandone o projeto. Sua escrita é deliciosa, beijos do Pok.

você não me abandonou ♥

e fica tranquilo que eu não abandonei a história

pelo menos ainda não

O Retorno
09 / 21 / 20 / 19

“Luh, você pode atender a porta por mim, por gentileza?” me perguntou de longe uma Margareth ocupada, que estava secando os cabelos molhados no banheiro do quarto.

Embora o apartamento não fosse pequeno, eu consegui ouvir perfeitamente seu pedido, e levantei-me da mesa da cozinha, onde eu concluía um dos muitos trabalhos de faculdade que vinham acumulando ao longo do semestre. Com passos lentos e silenciados pelas pantufas que eu vestia, me dirigi até a porta da entrada, sendo guiada pelo som da campainha que tinha sido apertada.

Eu já tinha decorado todo o local, visto que já morava nele a mais de um ano. Mas mesmo assim não conseguia evitar chutar uma quina conhecida de vez em quando. Dessa vez tive sorte, e atingi meu destino sem nenhum contratempo no meio do caminho. E então, lentamente, destranquei e abri a porta.

Do outro lado estava, wow, como eu poderia dizer? Bem, digamos que a Sophie Monk, a Megan Fox e a Carmen Sandiego tiveram uma filha, e ela estivesse dez vezes mais bonita. Ela tinha a nossa idade e tamanho, mas tinha uma aura de diferente. De especial. Era literalmente uma garota de parar o trânsito (já parado) da nossa cidade inteira.

Ela era uma garota ruiva, de longos e ondulados cabelos vermelhos, e penetrantes olhos verdes de gato. Seu olhar era o de um ser superior, como se ela pudesse brincar com a vida de todos ao redor quando bem entendesse. Vestia uma jaqueta jeans, que contrastava lindamente com o cabelo, e tinha algumas sardas no rosto, de uma maneira sensual e atraente. Uma das sardas inclusive tinha o formato perfeito de um coração. O resto de seu visual era mais “comum”, embora ela mesmo assim inegavelmente fosse um ímã de olhos.

“Oh, olá.” Ela disse, com um sorriso quente. Mas embora sua boca ficasse relaxada, seus olhos não largavam os meus, como se ela estivesse aguardando o momento certo para atacar. A maneira que ela me observava era... familiar, e da mesma maneira, diferente. Quando percebi isso, senti-me imediatamente invadida. Senti a mesma sensação de quando conversei pela primeira vez com a doce garotinha chamada Emily.

A ruiva parecia conseguir ver dentro de meus olhos também, assim como Emy. Mas esses olhos abriam caminho de maneira ríspida e perfurante para dentro de mim, como um bisturi, ao contrário do olhar macio e tranqüilizante da outra garota.

“Ah... oi.” Foi o que eu consegui responder, ainda paralisada com o susto.

“É aqui a casa da Meg?” perguntou, com uma voz de quem já soubesse a resposta, embora quisesse passar uma imagem insegura. Se é que ela conseguiria fingir ser insegura em qualquer lugar; aqueles olhos de gato exalavam liderança, cautela e segurança.

“Ah, sim. É aqui mesmo.” Disse, dando um passo para trás, convidando-a para entrar. Eu não sabia que a Meg tinha chamado uma amiga para cá hoje. Principalmente por que hoje era dia do grupo ver um filme conosco aqui em casa.

Toda primeira sexta-feira do mês, nós reuníamos todo mundo no apartamento para ver um filme aleatório. Tanto os dois garotos quanto Emy, Amanda e Diego, além alguns amigos da faculdade como Juliet, e até mesmo a Anna, costumavam vir aqui para ver o filme do mês. Aproveitávamos o enorme projetor da sala, e assim acomodávamos uns colchões em frente à tela e esquentávamos bastante pipoca, para ver um lançamento que tinha acabado de sair da locadora. Geralmente eram animações mais infantis, para agradar as crianças também, como Despicable Me, mas quando eles estavam ocupados fazendo seus deveres nós colocávamos algum de ação, ou até mesmo romance.

Mas agora parecia que tínhamos mais uma convidada.

“Uau, que apartamento incrível.” Ela começou, dando passos largos para dentro da nossa habitação.

Nosso apartamento não era lá grandes coisas. Tinha uma sala de estar, que eu admitia ser grande, mas fora isso eram apenas dois quartos, um banheiro e uma cozinha de tamanhos normais. A decoração, bem, ela já tinha sido melhor. Mas depois do episódio cinco meses atrás nós duas decidimos que a maior parte dos móveis era desnecessário mesmo, e repomos apenas os que realmente deram falta, como a mesinha de café da sala de estar.

A ruiva olhava para o cômodo com um olhar distraído. Distraído até demais. Parecia um pouco forçado. Suas botas caras de couro negro ecoavam no assoalho de madeira, de maneira quase hipnotizante, num tic-tac de sincronia perfeita. A garota parecia ser algum tipo de modelo, visto seu andar perfeito e a aparência atraente. Mas quem seria ela?

Quase que instantaneamente, ela se virou, olhando nos meus olhos. E pegou a deixa.

“Me desculpe, eu não me apresentei.” Disse, colocando uma das mãos no peito, pedindo perdão. “Meu nome é Isabelle Prada, modelo estrangeira, filha da famosa Sônia Prada.”

Ah. Era só Isabelle Prada.

Espera.

“V-você quer dizer...” gaguejei minha exasperação.

“Coleção de Inverno desse ano, páginas 25 a 53. Eu mesma queridinha.” Ela brincou, fazendo uma pose, a qual eu prontamente reconheci como pertencente a uma das fotos da revista em questão.

Então a filha de Sônia Prada estava aqui? No nosso apartamento? Confesso que não era lá muito apegada à moda e tendências atuais. Enquanto Meg realmente entendia de visual, eu apenas folheava as revistas para passar o tempo, rindo internamente dos vestidos mais “exóticos”. Mas Isabelle Prada não era uma modelo qualquer não. Até eu reconheceria ela de longe. Agora que isso me veio à cabeça, me lembrei levemente de algumas das minhas colegas comentarem que a modelo iria passar uns dias de férias na cidade. Mas nem liguei. Afinal, quais as chances de ela tocar na sua porta?

Pelo visto, todas.

E não só ela, mas sua mãe também era ultra-famosa no mundo e na história da moda. Ela criou metade das tendências atuais, competiu para Miss Universo por anos seguidos, e ainda é uma pianista nata, vencendo vários prêmios em ambos os lados de sua profissão.

“Ah, prazer! Meu Stellate é Luana Nome!” me embolei. “Digo, meu nome é Luana Stellate!” me corrigi, esbaforrida. Fiz uma reverência apressada, mas ela apenas deu uma risadinha e um tapinha no meu ombro, pedindo que eu me levantasse.

“Bem, Luana, onde está a Margareth?” ela me perguntou, enquanto olhava atentamente para a nossa sala de estar. “Estou precisando dar uma notícia bastante importante para ela.” Concluiu.

Eu me virei para chamar Meg, seguindo os desejos da ruiva, mas descobri que não era preciso. Mal terminei de me virar, ouvi o secador de cabelo rapidamente sendo desligado, e era possível ouvir passos apressados saírem do banheiro, vindo em nossa direção. Eis que então ela surge, esfregando uma toalha limpa no cabelo curto, que estava muito mais seco do que estava quando eu tinha visto meia hora atrás.

“Essa voz... por acaso não seria...” Meg começou dizendo, enquanto andava, mas se calou quando viu Belle, que estava em pé ao meu lado.

“Meguinha! Quanto tempo!” a ruiva soltou, numa voz bastante relaxada e alegre, e seus olhos finalmente se fecharam, num sorriso que ocupava o rosto inteiro. Ela deu passos apressados para frente, abraçando minha colega de quarto, que ainda estava paralisada demais para responder o afeto.

Ok, por essa eu não esperava. Meg conhecia a super modelo Isabelle Prada. E não só isso, como elas pareciam ser super amigas. Ok, eu admito que senti um pouquinho de inveja na hora, mas quando Meg finalmente saiu do transe e soltou aquele sorriso caloroso, não consegui fazer nada além de rir junto delas.

“B-bella?” foi o que ela disse, após uns dez segundos de abraço. Finalmente, ela percebeu a menina em seus braços, e retribuiu o gesto. “O que você ta fazendo aqui menina?”

“Era isso o que eu queria te contar. Meu tempo na Europa está acabando. Vim aqui ver um apartamento na cidade para morar, já que eu vou estar de volta em três meses.” Ela respondeu, astronomicamente feliz. “E aí eu fiquei sabendo que você estava morando aqui e vim dar um oi.”

Mas então, observando com mais atenção, percebi algo estranho: Meg não parecia retrucar a felicidade. Pelo contrário, ela parecia... assustada? Amedrontada, talvez. Ela aparentava sim um sorriso no rosto, mas ele se parecia mais com o daqueles macacos que mostram os dentes para assustar os predadores do que a alegria de uma garota que reencontra uma colega de infância.

“Nossa, que notícia excelente!” ela disse, falhando um pouco na última palavra. Belle percebeu a recaída, e soltou uma risadinha rápida, colocando as mãos na frente da boca. Até para rir ela tinha classe.

“Pode ficar tranqüila que eu mudei.” Ela respondeu. “O que acontecia conosco anos atrás é passado.”

Instantaneamente Meg fechou a cara, como se algo amargo tivesse encontrado sua boca. Provavelmente lembranças ruins, pensei em minha cabeça. As duas garotas se afastaram um pouco, dando espaço para que eu entrasse na conversa também.

“Ah, Luana, certo? Você é uma fofa. Cuide bem da minha amiga por mim ok?” ela disse, se virando para mim. Seus olhos voltaram a perfurar violentamente os meus. “Voltarei em três meses para ver como ela está.”

“Você já está indo?” perguntei, um pouco assustada. Ela literalmente tinha acabado de entrar em nossa casa e já estava de retirada.

“Bem, a vida de uma modelo é apertada, querida. Eu tive que lutar pra ganhar essa semana de folga, e ainda preciso encontrar um apartamento para mim.”

Ela então voltou-se para a morena, e aconteceu. Não sei direito o que houve, mas já tinha um palpite. Provavelmente foi algo que eu consegui aprender após meses de “treino” com a Emy. Pelo visto, não era só ela quem ganhava com isso: eu também percebi inconscientemente alguns padrões de comportamento que eu nunca perceberia de outra maneira. Aquela brincadeirinha idiota de “descubra a mentira” finalmente tinha dado seus frutos comigo.

Eu consegui ver uma pequena “umbra” nos olhos de Belle quando ela abriu a boca para falar.

“E você está ficando gordinha hein? Vamos ver se você emagrece até eu voltar, para que a gente possa sair pras festas, como melhores amigas, mais uma vez.” E, para completar a falsa modéstia, deu um pequeno toque amigável na barriga de Meg. A morena instantaneamente recuou, e num reflexo felino, apertou a mão da modelo, retirando-a de seu corpo. O gesto foi realizado tão rápida e fortemente que eu quase não o vi ao piscar. Assustada, voltei meu rosto para a modelo, esperando algum grito de dor, ou reação semelhante.

Mas ela estava normal.

Não conseguia ver nenhuma emoção estampada em seu rosto. Mas olhando dentro de seus olhos, eu conseguia sentir... mas... o quê? Isso seria... divertimento? Como assim? Eu juro que consegui ouvir o barulho de ossos estalando quando Meg apertou seu pulso. E ela não recuou, não emitiu nenhum som, nem sequer tentou remover o braço do aperto selvagem da minha colega.

Como o estado da modelo era confuso, decidi olhar para Meg. E, felizmente, seu estado emocional estava estampado em sua face. Mas logo depois percebi que não era uma vantagem ela demonstrar aquilo, pois seu rosto conseguiu me assustar.

Pela primeira vez na vida, eu vi a morena irritada. Sua face estava completamente fechada, e seus olhos seriam capazes de matar apenas com o olhar. Além disso, eu conseguia sentir a raiva, o ódio, o veneno nas palavras de Margareth, que saíram de sua boca segundos depois.

“Saia.”

Eu nunca tinha visto Margareth com tanto ódio na minha vida.

Meg soltou o pulso dela com um gesto violento, meio que jogando-o para frente, empurrando Belle para trás. A modelo finalmente levou a mão ao braço, esfregando uma região que agora tinha ficado vermelha com o movimento brusco de Meg. Mas ela não parecia ofendida. Seus olhos ainda mostravam... entretenimento. Seria tudo aquilo uma brincadeirinha de mau gosto? Ou era tudo um grande teste, para ver como a amiga reagiria à pergunta?

“Te vejo em três meses, querida.” Ela finalmente disse, dando meia volta, e saindo lentamente do cômodo pela porta por onde ela veio. “Tchauzinho, Luana.”

E a porta se fechou. O apartamento ficou em silêncio total por alguns segundos, enquanto ouvíamos os passos de Belle ecoando pelo corredor. Quando a porta do elevador finalmente fechou, Meg desabou no sofá em nossa frente. Olhando novamente para sua face, percebi que seu estado emocional mudara novamente: parecia exausta. Pelo visto, relembrar aquelas emoções, aquelas memórias amargas, foi demais para ela.

“Você está bem?” perguntei, sentando-me ao seu lado, embora soubesse que não estava nada bem.

“Me desculpe, Luana, por ter visto aquilo.” Ela disse, após um longo suspiro, na voz e sorriso normais dela.

“Não tem problema.” Confirmei. “Mas vocês pareciam ser tão íntimas, que não entendi o que aconteceu...”

“Esse é o problema. Nós já fomos íntimas.” Ela respondeu, olhando para o tapete no meio da sala. Era uma peça grande, não muito cara, que esquentava nossos pés durante os dias frios do inverno. Fiquei um pouco confusa. Afinal, não sabia o que elas tinham passado juntas. E Meg percebeu minha cara de interrogação, e com outro suspiro decidiu explicar.

“Ela era uma grande amiga minha, do Victor e do Lukas quando éramos menores. Mas cinco anos atrás ela precisou viajar para a Europa, por algum motivo da mãe dela.” Respondeu. “Desde então não temos mais visto ela. Pensamos que ela tinha nos esquecido, já que virou uma modelo famosa. Mas não temos tanta sorte assim.”

Ela então olhou para mim, e viu nos meus olhos ainda mais dúvida. Com um sorriso e um gancho, ela me tomou debaixo do braço e fez mais um cafuné violento em minha cabeça. Por mais que eu gostasse das demonstrações de afeto dela, eu sentia que ela estava desconfortável com o assunto, e por isso dei a entender que ela não precisava continuar se não quisesse.

“Não. Você merece saber.” Ela disse, lendo meus pensamentos. Me soltou do gancho, e olhou seriamente em meus olhos. Engoli em seco. Eu conseguia ver a cor vermelha dos meus olhos refletindo no verde dos olhos dela, de tão abertos que eles estavam.

“O maior problema é Lukas.” Ela finalmente disse. Socou uma mão na outra, com raiva, e sussurrou alguma coisa, logo depois levantando a cabeça e repetindo em voz alta para mim. “Por que justamente agora? Eles estavam finalmente voltando a ser como antes...”

“Meg, me desculpe, mas o que ela fez de tão ruim para ele?” perguntei. “Eu vi que ela é um pouco... grossa, mas acho que ele lida com pessoas piores que ela, não?”

Os olhos verdes olharam para os meus com uma enorme experiência. Foi então que eu percebi que tinha muito mais por detrás disso do que eu conseguia perceber.

“Acontece que a Isabelle gosta de... digamos, brincar com as pessoas.” Explicou. “Ela é uma manipuladora nata. E o Lukas... bem, a história dos dois não é muito bonita.”

Fiz um aceno para que ela continuasse. Já que ela tinha começado, agora podia contar até o final.

“Como você sabe, a Emy tem essa coisa legal dos olhos, não é?” ela disse, fazendo um gesto para os próprios olhos. “Ela meio que consegue ler a alma das pessoas, sei lá. Mas ela não é a única que consegue fazer isso. O Lukas também consegue, mesmo que em menor grau.”

Bem, isso eu já sabia. Ele sempre parecia estar um passo a nossa frente, sempre sabendo o que dizer na hora certa e no momento certo. Sabia quando estávamos zangados, ou cansados, ou felizes, e sempre conseguia dizer a melhor frase no melhor momento. Então eu deduzi que ele também conseguia olhar dentro dos nossos olhos.

“O pai dele era um gênio da mente humana. Ele era o melhor psicólogo do estado, se não me engano. O cara era  especialista no comportamento, reflexos nervosos, e essas coisas aí que você provavelmente entende bem mais do que eu. E foi ele quem criou a “língua dos olhares”, como ele escreveu num livro por aí."

"Ele fez questão de ensiná-la para o filho, que embora não tivesse a mesma doença que ele e a Emy tinham, também conseguiu aprender, com muito esforço.”

Lembrei-me então do Lukas me explicando isso. Pseudolomendacia Avançada. Não era bem uma doença, e sim um quadro clínico recém descoberto, onde a Emy sentia uma irritação quando via os “tiques nervosos” nas outras pessoas. É um nome chique pra falar que ela conseguia ver as contrações involuntárias nos olhos das outras pessoas, além de outros reflexos e hábitos que pessoas normais não conseguiriam ver.

Mas eu não sabia que o pai dela também tinha esse quadro. Então... a Pseudolomendacia era uma doença hereditária? Minha cabeça de estudante de medicina começou a pensar em várias explicações e origens genéticas, mas decidi deixar isso de lado enquanto ela terminava de me explicar.

“Então o Lukas começou a aprender isso com seis anos, e pratica até hoje, com seus mais de vinte anos. Como ele não tem a aptidão como a irmã, ela facilmente vai ultrapassá-lo, e aí ela poderá se tornar uma psicóloga tão boa quanto o pai.”

Tentei imaginar uma Emily adulta, sentada ao lado de um divã, ouvindo os problemas dos pacientes e fazendo diagnósticos. Soltei uma leve risada da imagem na minha cabeça. Era muito surreal para parecer verdadeira.

“O problema é que o Lukas é uma pessoa muito boa. E muito boba. No momento em que ele viu Belle pela primeira vez, ele enxergou algo dentro de seus olhos que o deixou intrigado. E desde então ele tentou se aproximar dela, quase que se tornando um escravo para suas necessidades.”

“E Belle também percebeu essa habilidade. Com quatorze anos, ela descobriu que se ela conseguisse aprender isso, ela poderia ficar ainda mais influente. Um pensamento bobinho, de uma adolescente da oitava série, mas que gerou repercussões enormes.”

“Então ela fez uma proposta ao Lukas. Queria que ele a ensinasse esse truque dos olhos para ela, e em troca ela faria qualquer coisa para ele.” Ela terminou, com uma cara triste.

Percebi que ela estava ficando cada vez mais cansada. Levantei uma mão e pedi uma pausa na história, e fui para a cozinha pegar dois copos de água, que ela agradeceu prontamente. No meio do caminho fui reorganizando meus pensamentos, de modo a encaixar a história com o que eu tinha presenciado.

Foi então que a ficha caiu.

Eu quase deixei o copo de vidro cair de minhas mãos quando eu percebi isso. Terminei de enchê-lo de água e voltei para o sofá. Meg agradeceu, e bebeu metade de seu copo em uma só golada.

“Então você está me dizendo que Isabelle conseguiu ir para a Europa e também se tornar uma modelo... por causa do truque?” perguntei.

Meg fez que sim com a cabeça, tristemente. Então aquela habilidade era realmente poderosa. Mal sabia Emy a força que ela detia consigo mesma. Ela literalmente poderia fazer o que ela quisesse, por causa do quadro clínico dela. Comecei a realmente temer o que ela poderia fazer caso ela desviasse para o mau caminho. Como se fosse uma bomba.

“Mas o que o Lukas pediu em troca?”

Meg terminou de beber seu copo, colocando-o na mesinha de café ao seu lado. Ela então suspirou, e olhou em meus olhos novamente, agora um pouco molhados com lágrimas que estariam prestes a sair.

“Pediu... bem, ele pediu que ela deixasse o Victor em paz.”

Minha cara de interrogação ficou tão grande que eu nem precisei perguntar para que ela continuasse a explicação.

“Quando éramos novas, eu e a Bella criamos um grupinho de meninas. Era algo bobinho, onde nos reuníamos para brincar e falar mal dos meninos. Éramos conhecidos como as “Pradas”, visto o sobrenome da criadora. Eu era a Prada-Mor.” Ela disse, e então não conseguiu segurar o riso. “Gente, que nome idiota ele era. Mas eu adorava. Dava-me um lugar alto na hierarquia, e você sabe como eu adoro ocupar cargos importantes, não é?”

Fiz que sim com a cabeça, com um sorriso. Bem, ela não acreditava, mas eu sabia que ela ainda se tornaria presidenta ou vice qualquer dia desses.

“Acontece que o grupinho começou a ficar muito grande. E com isso começou a se corromper. Quando eu percebi isso já era tarde demais: nós nos tornamos um grupo que oprimia os outros alunos. Nós fazíamos bullying com eles.”

“E o Victor era...”

“Sim, era nosso principal alvo. Como você sabe, a mãe dele também é uma... mulher de luxo, como o Lukas é atualmente. E isso era mais do que motivo para detonar o emocional dele.” Ela disse. “Sem falar que ele costumava ficar nervosinho com isso... então era um prato feito para Belle.”

Quando ela disse “nervosinho”, eu sabia que tinha mais por trás disso do que ela me contava. Mas não disse nada. Ela podia contar apenas o que ela quisesse me contar.

“Então o Lukas pediu que nós parássemos de atacar o Victor.” Ela continuou, tristemente. “Lembro-me perfeitamente desse dia. Ele veio até nós e pediu, quase ajoelhando, que parássemos de fazer as coisas que fazíamos. Foi quando eu percebi o peso das nossas ações.”

“Então Belle propôs o acordo. Quando ele aceitou, percebi que a amizade dos dois garotos era algo muito maior do que eu poderia ter qualquer dia com a minha suposta “melhor amiga”, e com raiva, pedi para sair da gangue.”

Nesse momento, uma lágrima caiu dos olhos dela. Mas ela foi forte, e rapidamente secou-a com as mãos, oprimindo o resto das gotas salgadas com toda a força que ela tinha.

“Eu fiquei sem falar com ninguém a partir daquele dia. Sempre que o Lukas, ou o Victor, ou até mesmo a Belle tentavam conversar comigo, eu fugia. Estava envergonhada demais pra confiar em qualquer pessoa. Foi quando eu descobri na luta uma fuga pros meus problemas, e passei a lutar freneticamente a partir daquele dia.”

Eu fiquei abismada. Como uma garota sociável como a Meg conseguiu ficar tão triste e decepcionada a ponto de ficar tanto tempo sem conversar com as pessoas? Mas antes que eu pudesse demonstrar a minha angústia, ela continuou.

“Três meses depois Belle foi para a Europa. Ela tentou falar comigo no dia anterior da viagem, mas eu estava orgulhosa demais para ouvir o que ela tinha a dizer. E então ela se foi, sem se despedir de mim." e outra lágrima caiu. "Foi quando eu percebi que meu teatrinho era ridículo, e se eu não superasse isso, eu nunca ia conseguir me tornar uma pessoa melhor.”

E então ela riu. E soltou uma enorme e calorosa risada, que preencheu o ambiente frio e triste da sala. Algumas lágrimas voltaram a cair, mas dessa vez eu sabia que eram lágrimas quentes de felicidade.

“No dia seguinte eu voltei à escola. E adivinha quem me chamou pra sair?” ela me perguntou. “Foi tão bonitinho... ele estava tão envergonhado, e o Lukas estava quase chutando ele em cima de mim para que ele tivesse a coragem de me perguntar. Desde então eu não saí mais de perto deles.”

Soltei um sorriso, aliviada. Mesmo depois disso tudo, ela conseguiu ficar feliz. Mas era uma história e tanto. E com ela, eu conheci uma parte importante da vida dos meninos. Mas Meg ainda estava com um olhar melancólico, triste, como se tivesse algo ainda pior que ela não conseguisse falar. Coloquei uma mão no ombro dela, demonstrando meu afeto, e puxei-a num abraço, que ela prontamente respondeu.

Geralmente, era ela quem fazia os gestos violentos e calorosos. Mas dessa vez, era eu quem estava passando o braço por cima de suas costas, apoiando-a. Mais algumas lágrimas saíram, molhando minha camisa, tanto lágrimas frias quanto quentes. Eu já sabia que ela vinha ocultando algo de mim desde que eu a conheci, e que tinha ficado ainda mais suspeito após a sua festa de dezoito anos.

Mas era bom ver que ela confiava em mim, e finalmente desabafou tudo.

Após alguns minutos soltei-a do abraço. Suas lágrimas estavam quase todas secas, e seu rosto parecia estar muito menos cansado do que antes. Mas ainda tinha algo que ela estava escondendo de mim.

“Luana... eu posso te contar uma coisa?”

Assustei-me com a pergunta. Mas é claro que ela podia me contar. Ela era para mim a minha melhor amiga, sem falar colega de quarto e exemplo de vida. Por isso fiz que sim com a cabeça, lentamente.

“Você jura que não vai sentir raiva de mim?”

Comecei a temer um pouco o que ela iria me contar. Mas independente da notícia, eu estava pronta a apoiá-la em tudo o que viesse.

“Claro.”

“Bem... você se lembra da minha festa, alguns meses atrás, não é?”

Afirmei lentamente com a cabeça, enquanto ela deslizava pelo sofá, erguendo-se em pé no chão. Ela então levantou sua mão direita ao rosto, e delicadamente beijou a ponta de seus dedos, logo após abaixando-os, repousando-os em sua barriga. E fazendo movimentos circulares, ela acariciou seu estômago.

Foi então que um vento frio subiu pela minha espinha. Eu tinha percebido que ela tinha começado a vestir roupas largas, que ficavam esticadas com seu busto largo, e por isso não ficavam evidenciando as curvas de sua cintura. Mas tinha associado tal comportamento ao verão, que atingia com força a nossa cidade. Eu também estava usando roupas leves, embora que protegessem minha pele sensível da luz forte que esquentava durante o dia.

Mas após tudo isso, não tive mais dúvidas. E elas foram respondidas com uma única frase, de três malditas palavras, que saíram de sua boca numa naturalidade tão grande quanto a de uma mãe cantando uma música de ninar para seu filho.

“Eu estou grávida.”
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Mensagem por Black~ em Seg 4 Ago 2014 - 16:04

Bom, vamos lá.

E lá vou eu com preguiça de ler o capítulo porque ele é grande, ai eu começo a ler e em menos de dez minutos já terminei. Micro, pare com essa bruxaria de fazer capítulos grandes parecerem pequenos, ok? -q. Mas enfim, o capítulo como eu posso dizer? Foi tipo, wow.

Altas revelações nesse capítulo. Imaginei que a Isabelle fosse aparecer de novo, e como já estava no outro capítulo, era nítido que ela era bem endemoniada, mas depois desse capítulo, foi possível perceber que a Isabelle é mais fdp ainda.

Meg grávida? Lolwut. Depois daquela festa daquele dia era esperado que alguma coisa ia acontecer. Só que a Meg conseguiu esconder bem que estava grávida, afinal, passaram-se cinco meses e a Luana - e acredito que o Victor e o Lukas também - não percebeu que ela estava grávida, mas enfim. Agora vamos ver como vai ser o próximo ciclo depois dessa revelação.

Algo interessante, é que pelo fato da narração ser em primeira pessoa, às vezes "fogem" alguns momentos mais engraçados e descontraídos em meio a todo esse clima tenso da fic, e acho isso bacana, já que deixa os personagens mais "humanos", mas enfim.

Erros não vi nenhum que fosse prejudicial à leitura.

É só e boa sorte com a fic.

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The Adventures of a Gym Leader - Capítulo 48
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Mensagem por mrdeid em Ter 5 Ago 2014 - 14:31

Esse capítulo foi bem grandinho, mas a maneira que você escreveu e detalhou os acontecimentos fez eu "me prender" nele. Cara, sua escrita é linda mano, você domina o que faz e escreve de uma maneira surpreendente. A cada capítulo, me apego mais nisso aqui. Quero mais, viu <3
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Mensagem por Pokaabu em Ter 12 Ago 2014 - 23:09

Ta lindo! Ta top! Apesar de eu fazer um ressalva quanto ao que você disse do especial não ser obrigatório. Eu apagaria isso. Estou gostando muito da forma como você está construindo esse pré-desfecho da estória, o "meiinho". Está ligando tudo direitinho de forma verossímil mas não surreal, quero dizer, com tantas atribuições aos personagens dá pra se perder legal nisso tudo. Ainda shipo os dois garotos! SHAUSHAUSHAUHSUASH. Reitero o que disse antes: Sua escrita é deliciosa! KISS KISS.

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Mensagem por .Korudo Arty. em Qua 24 Set 2014 - 20:04

Ooooi Micro. hehehe Então, eu tenho certeza que você vai perdoar meu pequeno atraso em comentar a A&M porque padece de um amor platônico por mim <3
Eu, em verdade, li o capítulo mais recente algumas horas depois de postado, mas esqueci de comentar rsrs Foi uma falha boba, sorry.

ENTÃO. Como eu li ele já faz mais de um mês, esqueci dos grandes detalhes OMFG a se ressaltar, se eu tiver disposição para reler eu edito o comentário com as partes que gostei. Resolvi comentar só pra você lembrar que a Amber & Mantis ainda existe, okay?

Primeiro eu gostaria de ressaltar essa sua habilidade invejável de desenvolver personagens completamente autênticos e genuínos. Eu realmente acho que o Vic é um cara [palavra censurada] que eu gostaria de ter como amigo. Gosto da relação adorável entre o Lukas e a Emy - ou Amy, desculpe, eu confundo KKKK. E, por fim, achei maravilhosa a personalidade da Bella. Tudo bem que ela tem um jeito de vilã e lá no fundinho do meu coração eu sinto um desprezo suave por ela, mas achei demais o jeito arrogante dela.

Sua escrita, como sempre, impecável. E antes de terminar eu gostaria de relatar uma lembrança que me veio agora. Você tinha de ver a minha cara com a frase final do capítulo. Sério, Micro. Eu nunca imaginei o Vic pai... tudo bem que ele cuida da Amy como se fosse um pai, mas ele ser pai de verdade é algo realmente estranho. E novamente você tem que inserir uma dose de ansiedade na minha veia e me deixar de molho durante séculos pelo próximo capítulo. Tô começando a ficar em dúvida se te amo porque você escreve a A&M ou se te odeio porque você demora a postar os capítulos da A&M. Vou refletir sobre os meus sentimentos enquanto, espero, você desenvolve a próxima surpresa macabra dessa mente macabra. Até mais, Micro õ/

(PS.: A baleiazinha do Fish Out Of Water se chama Micro. Sempre que vou lançar ela lembro de você. <3)

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