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Pokemon Stories: Good Omens

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Mensagem por *Nina* em Dom 6 Set 2020 - 21:18

Olá, Tshaman! Desculpe a demora, estava ocupada com um trabalho da facul. E depois confesso que li e acabei esquecendo de comentar sorry

O fórum está parado, pessoal deu uma sumida, mas espero que não desista da fic. Inclusive, aproveitando o gancho do Briju, também estou à espera de vc na minha fic! kkkkk



Agora sobre o cap: achei mais interessante que o anterior. Começou com o teste do Oliver na escola, que não foi muito bem pelo visto. No começo não estava entendendo nada daquele negócio do Alakazan e teste de "especiação", até achei que tivesse perdido algo, mas depois entendi que existem pessoas com poderes psíquicos na fic. Achei a ideia promissora. Imagino que irão aparecer alguns na academia. Fiquei até pensando se, no fim, um dos dois não irá "despertar" esse poder.


Também achei legal você ter abordado essa questão de rinhas pokémon, pois imagino que fora das batalhas oficiais, as pessoas realmente não iriam seguir as regras certinho, e até apostariam dinheiro. E gostei de ver como você abordou a questão da everstone como sendo tipo um anabolizante, pois afinal, ela impede o pokémon de evoluir, mas ele continua subindo de "nível", ficando mais forte do que parece.


E o ponto alto do capítulo com certeza foi a discussão/desabafo dos dois. Deu para tirar muitas coisas disso, foi importante para entender como os personagens se sentem, como enxergam a si mesmos e como enxergam um ao outro, isso ajuda a dar mais profundidade a eles e curti muito. Foi um ótimo desenvolvimento para ambos. Não é muito comum ver algo do tipo em fics de jornada, pois as pessoas costumam focar apenas no protagonista, enquanto os amigos dele são personagens mais rasos que só existem para dar suporte e conselhos a ele, ajudando-o a ser alguém melhor e a alcançar seus objetivos. Então é legal ver personagens mais realistas, que tem conflitos reais. Espero que os próximos personagens que forem aparecer sejam assim também.



Já imaginava que, no fundo, Kaleo estava agindo estranho por estar com inveja do outro, o que é compreensível, já que ele acabou sendo o único "ferrado" da história. E no fim, eles podem ser diferentes, mas ambos tem medo de não serem bons o suficiente. Aliás, não sei se já foi dito e eu perdi, mas onde o Kaleo mora?



E por fim, percebi que você errou diversas vezes no uso do "por que", então dando uma resumida: o "por que" separado é usado em perguntas, no começo ou meio da frase; o "por quê" separado e com acento é utilizado no final da frase, seguido da pontuação; o "porque" junto é para respostas; e o "porquê" junto e com acento é usado naquela expressão "o porquê", junto com o artigo, "entender o porquê", saber o porquê". Espero que possa ter ajudado um pouco.

Mas então é isso, estou aguardando o próximo cap!
Um abraço e até a próxima!

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Mensagem por tshaman em Qui 1 Out 2020 - 20:35

E aí rapaziada :3

Primeiro deixa eu pedir perdão por essa demora acima do normal. Esse foi o primeiro capítulo que vocês acompanharam sendo escrito em primeira mão. Muitas coisas aconteceram na minha vida, então não consegui achar tempo e as vezes energia para sentar e escrever.

Also, não tem problema que nem todo mundo tenha conseguido ler e comentar dessa vez, faz parte! O que importa mesmo é continuar escrevendo e não desanimar.
Então muito obrigado para os que conseguiram ler e responder. <3


Comentários da galerinha :3

Spoiler:

@Brijudoca -
Obrigado pelo comentário querido. Espero que tenha recebido minha PM sobre sua fic. 
As pessoas com tipos diferentes vão ser exploradas no futuro. Garanto que não vai ser nada galhofa e vão trazer muito para a trama principal (que vocês ainda não foram apresentados)
A everstone é como a Nina explicou. O machop não evolui, mas continua crescendo ("subindo de level") como um machop normal não faria. Ai pros olhos destreinados ele parece um pokémon normal, mas está bem mais forte do que seria.

@*Nina*
Tenho certeza que quando as especiações forem desenvolvidas a galera vai gostar especialmente desse toque pessoal na minha história.
Eu geralmente sou muito crítico com o que escrevo, mas vou admitir que até eu estou gostando de como estou lidando com o Kaleo e o Oliver. Espero que faça jus ao resto da trama e aos outros personagens também.




~Anyway~

Aqui vai o quarto capítulo. O quinto vai sair bem mais rápido do que este, até por que já sei exatamente o que quero. Obrigado aos que comentaram e deram dicas de português (que são sempre muito bem vindas). Estou tentando ler a fic de todo mundo para comentar, mas as vezes não consigo parar em casa. 

Espero que gostem. Bjs


Tmj~~~



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Capítulo 4 - Vivo.





Normalmente criar uma pokébola seria uma experiência extremamente prazerosa e relaxante para Oliver. O processo manual da família Gantetsu era longe de ser fácil ou simples, mas mesmo quando este se resumia a movimentos repetitivos e cansativos, ou detalhes milimétricos que deveriam ser feitos muito lentamente, Oliver parecia ter uma paciência sobrenatural e um escudo anti frustração acima do normal.



Sua primeira lembrança era uma tarde chuvosa em Azalea. Ele mal tinha aprendido a andar, mas seu avô o fazia segui-lo entre os campos de Apricorn para recolher o fruto e carregar numa cesta de volta até em casa. Manter a tradição sempre fora uma constante em sua vida, mesmo depois de sua mãe ir embora, mesmo antes de Kaleo virar seu amigo e mesmo agora com a perspectiva do futuro a sua frente. Se tinha uma coisa que ele achava que sabia fazer direito e se orgulhava, essa coisa seria a arte da família.



Mesmo que seu avô só o criticasse o tempo todo.


Mas hoje parecia que uma nuvem de yanmas tinham invadido seus pensamentos. Então pela primeira vez desde que tinha aprendido a entalhar a forma de uma lure ball, teve que jogar um apricorn em perfeito estado fora por que pesou a mão na hora do corte. 


- Merda. - Amaldiçoou a própria distração e estalou os lábios. 


Sentiu o familiar leque de palha bater na sua nuca, mas já fazia um tempo que seu avô não tinha força suficiente para que a punição doesse.


- O que tem na sua cabeça hoje, moleque? - Reclamou. O barulho de água em ebulição seguiu.


- Nada. 


- Você pode até ser um bosta em muitas coisas, mas não é de errar entalhe. 


- Eu só… Eu só estou distraído. Me desculpe, Vô-sama. - Respondeu misturando Unown com a língua antiga de Johto.


Ali perto, no quintal da sua casa, Kaleo estava treinando com o rattata e pulando corda fazendo bastante barulho. Agora que seu amigo estava desempregado, tinha todo o tempo do dia para se dedicar ao treino e aumentar suas chances de passar na seleção. Ainda ajudava Oliver e seu avô com a lenha e outros serviços por um trocado e o aluguel do quarto de “empregados”, mas fora isso tinha bastante tempo livre.


- É por causa dessa bendita academia, não é?


- Não vô, não é nada demais. Eu vou me concentrar.


Mas era exatamente esse o problema. Agora que o objetivo era claro, a sanidade de Oliver começou a ser prejudicada de tanto pensar. Muitas variáveis e muitas coisas que deveriam considerar com pouquíssimo tempo hábil para decidir de fato o melhor plano. Isso sem contar que ele próprio tinha que melhorar e MUITO se queria continuar na academia depois que as aulas começassem. 


- Veja bem. Acho que eu posso terminar essa leva de encomendas… Por que não vai fazer o que tem que fazer logo em vez de ficar distraído aqui?


Oliver virou o rosto surpreso para encarar o avô. Não tinha nenhum sinal de raiva em sua feição, mas mesmo assim achou que talvez fosse alguma armadilha.


- Não precisa. Eu termino de te ajudar aqui. - Respondeu e se levantou para pegar a próxima apricorn já tratada.


Seu avô levantou a mão pedindo que parasse. - Eu já estou muito velho. As vezes esqueço como é ser jovem e ter pressa… Não temos tantas encomendas assim, pode ir resolver suas coisas.


Oliver encarou seriamente o avô e realmente percebeu que não tinha nenhum traço de ironia ou censura em seu rosto. Talvez o “velho” estivesse ficando literalmente velho de vez e isso tenha amolecido de leve o mau humor constante. Fez uma reverência para agradecer e se virou para ir ao quintal ainda um pouco incrédulo. Quando encostou na maçaneta seu avô pensou alto.


- Seu amigo me lembra aquele moleque chato quando chegou na minha porta… O idiota achava que tudo tinha jeito. Ainda acha, na verdade. Fico me perguntando o que teria acontecido se eu não tivesse dado aquela primeira pokebola a ele.


Oliver achava que sabia a quem ele estava comparando Kaleo, mas não respondeu. Por algum motivo isso o incomodou, mas decidiu que já tinha preocupações demais. Girou a maçaneta e saiu pelo jardim sem olhar para trás. A diferença de temperatura atingiu seu rosto como um rebanho de taurus em debandada. Uma briza fresca e agradável, bem diferente do mormaço da oficina.




- Koe! - Cumprimentou o amigo.


- E aí, mestre ferreiro. Terminou o serviço em tempo recorde? - Kaleo parou de pular corda e respondeu ainda ofegante.


- O velho está estranhamente generoso hoje. Quem sou eu pra questionar? - Deu de ombros. - O que tá fazendo?



- Só treinando meu físico e do Jerry. - Apontou para o pequeno pokémon que corria de um lado para o outro com um peso de areia amarrado no corpo.



Achou divertido a visão do pokémon se esforçando para correr daquele jeito, mas estava agitado demais para ser distraído, então foi direto ao ponto. - Pensou mais sobre o plano?


- Literalmente só pensei nisso a noite toda. Nem consegui dormir direito.


- É. Eu também. - Coçou a cabeça. - Estou preocupado por que você preci...


- Antes! - Kaleo gestuou com as duas mãos e chamou o rattata. - Antes que a gente entre nesse assunto, eu preciso que ele aprenda Quick Attack e quebrei muito a cabeça para imaginar como.


- Certo. - Oliver assentiu. - E aí?


- E aí que preciso da sua ajuda. Pega uma corda lá dentro, por favor.




E como sempre seu amigo não se preocupava em explicar muito bem o que estava acontecendo até que o plano começasse a acontecer e fazer sentido. Oliver suspeitava que ele provavelmente gostava dessa sensação de “Eureka” que as outras pessoas tinham quando entendiam o que ele estava pensando. Na real tinha que admitir que às vezes era realmente bem legal.


Nos minutos seguintes os dois correram de um lado pro outro seguindo as instruções de Kaleo e pensando como aplicar um detalhe ou outro da trama. Acabaram numa formação inusitada que Oliver não conseguiu imaginar qual seria a utilidade.


Estava sentado segurando Jerry por uma “coleira” improvisada usando a corda. A alguns metros, um amontoado de nozes fora colocado no chão propositalmente na linha de visão de Jerry, que inclusive já estava tentando se soltar na força para pegar o prêmio. Kaleo estava ajoelhado no meio do trajeto entre o pokémon e a comida com fino galho de árvore levantado acima da cabeça.


- Quando eu avisar, você deixa o Jerry correr, mas sem largar a corda. - Kaleo abriu um sorriso travesso enorme. - Se ele não conseguir, puxa de volta.


- Se ele não conseguir o que?


- VAI!



- Ahn?! Q?!


- FAZ LOGO!


Meio atrapalhado soltou a corda e deixou que a criatura ensandecida disparasse para frente. De cara achou que Jerry fosse simplesmente correr rápido e que Kaleo fosse tentar colocar o galho como obstáculo ou algo assim, mas arregalou os olhos quando seu amigo desceu o braço cheio de empolgação e praticamente chicoteou Jerry com o galho de árvore. Jerry protestou bem alto e interrompeu a corrida.



- Puxa de volta! - Kaleo gritou rindo e espantando o rattata com a mão.


- Tu ta maluco cara?!


- O que?


-  Que porra é essa? Por que você acha que ele vai aprender o golpe assim?


-  Ué, não é óbvio?


- Não. - Resmungou. - Não to enxergando a utilidade de bater nele atoa.


- Não é à toa. Se ele quiser pegar a comida ele tem que ser mais rápido que eu. - E agitou o galho de árvore para ilustrar. - Eventualmente ele vai entender que precisa acelerar. E aí ele tem que associar a ordem ao ataque.


- Hmm. Então você vai ficar gritando até ele entender?


- Touché. - Estalou os dedos. - Agora puxa ele de volta ai por favor.


Os dois continuaram repetindo a rotina várias vezes e observando que Jerry parecia ligeiramente mais rápido e focado a cada tentativa. O progresso não estava tão rápido quanto outros comandos que o pokémon fora ensinado antes, então passaram vários minutos ali.


Lá pela trigésima vez, o movimento ficou natural o suficiente para que Oliver não precisasse mais prestar atenção, então a ansiedade acumulada do assunto “A.C.E” voltou com tudo.


- Cara, eu estou bem preocupado com o pouco tempo que temos pra se preparar.


- Eu também. - E desceu o galho no seu pokémon.


- Duas semanas contando hoje. - Exclamou. - Nenhum treinamento físico é tão rápido assim; não temos outro pokémon; o que temos não é tão bom pra batalha ainda; você não tem experiência em batalha; conhecimento técnico é…


- Calma lek, calma. - Desacelerou Oliver e deu mais uma vez o comando para mais uma sequência de treino. - Se você sair cuspindo informação desorganizada assim não ajuda. Uma coisa de cada vez.


- Certo.


- Lista tudo que vai acontecer antes de qualquer coisa, por favor.


- Dentro de duas semanas os dois primeiros testes: Físico e teórico. -  Enumerou com a mão livre. - Depois teste de sobrevivência, seja lá o que isso signifique. Por último confronto direto com os finalistas.


- Os outros dois testes são quando?. 


- Não tem data oficial, mas pelo que lí nos fóruns menos de uma semana.


Kaleo foi empurrando o rattata de volta na direção de Oliver com uma expressão pensativa. - É muita coisa.


- E a quantidade de coisa que você precisa memorizar também não é brincadeira. Tabela de tipos, taxonomia, comportamento...


- É verdade... Mas! - Apontou o galho na direção de Oliver para dramatizar a objeção. - Eu quero te lembrar que estou competindo especificamente contra os outros participantes da cota das ilhas Sevii. Ninguém sabia que a seleção ia abrir aqui esse ano, ninguém está cem por cento preparado.


- É… 


- Podemos assumir que o nível médio de desafiantes é como o Jason?. - Ergueu as sobrancelhas e deu o comando para mais uma vez iniciar o treino. - Sendo assim, quais são meus pontos fortes e fracos na sua opinião?


Oliver coçou um pouco a cabeça e pensou antes de responder, principalmente por que temia que Kaleo levasse a mal sua análise de pontos fracos. Enquanto pensava deu tempo de Jerry tentar mais duas vezes alcançar as nozes, mas ainda não na velocidade que eles precisavam.


- Bom. Eu acho… - Ensaiou observando o olhar impaciente do amigo. - Que provavelmente você está ok no teste físico, mas o resto é meio difícil…


- Caralho, sério?! - Kaleo reagiu fingindo indignação. - Tu acha que eu to tão fudido assim?


Oliver só deu de ombros e abriu um sorriso amarelo.


- Pra começar eu sou bem bom na educação física do colégio, beleza? - Deu um dedo do meio. - Você viu como eu tive disposição pra trocação com os otários do Jason, né?


- Eu vi você apanhando.


- Claro! Um contra três! - E coçou o olho roxo sem perceber. - Mas de qualquer forma eu aguentei a porrada. Acho que estou bem acima da média, obrigado!


- Ok… Ok. - Oliver deu de ombros.


- Fora isso eu não acho que a galera saiba muito sobre sobrevivência no geral. Beleza que eu nunca fiz nenhum curso disso ou sei lá, mas você acha eles fizeram?


- Provavelmente não. - E adicionou ao lembrar. - Eu pesquisei num dos computadores da biblioteca, sobrevivência geralmente significa acampar numa ilha próxima ou algo do tipo. Tem muitos relatos diferentes nos fóruns, não sei o que é confiável.


- Foi o que eu imaginei. Acho que tenho vantagem nisso por que nós sempre nos viramos no mato. Eu até tenho uma ideia, mas já falo...


- Justo, mas ainda acho que você precisa dar uma estudada básica nisso.


- Beleza. Ta anotando isso? - Kaleo perguntou.


Oliver só olhou com descrença e apontou pro rattata irritado na pseudo coleira. - Ta de sacanagem?


- Modo de falar. - Bateu com as costas das mãos na palma da outra e deu o comando. - Quick Attack! Então já resolvemos duas das questões. Só continuar esse meu treino funcional todo dia e estudar o básico de sobrevivência.


- Sobram suas fraquezas.


- Exato. 


Kaleo ficou encarando-o depois de dizer “exato” com cara de quem estava esperando alguma coisa. Não falou mais nada e só ficou assim até que se sentisse bem desconfortável.


- O que?


- No minimo do minimo eu espero que você proponha uma solução pro teste teórico, já que esse é seu forte. 


- Érrr… Beleza. - Oliver coçou a cabeça e abriu de novo o sorriso amarelo. - Vou pensar em algum programa de estudos.


Kaleo sorriu exageradamente e coçou o queixo teatralmente. Isso geralmente significava merda vindo. - Quanto a experiência de batalha e só termos um pokémon, eu tenho uma ideia ótima, como já tinha dito… Mas você vai odiar.


Como previsto, a merda veio.


- Não podemos só comprar o diabo do outro pokémon e ficar treinando entre nós?


- Você sabe que com nosso dinheiro só dá pra fazer isso nas docas. Quer tentar a sorte?


- Não…


- Imaginei. Confia em mim que meu plano é ótimo. - E alargando o sorriso, Kaleo deu a ordem com intensidade pela última vez. - QUICK ATTACK!


Dessa vez a corda explodiu nas mãos de Oliver. Tomou um susto porque estava meio distraído, mas quando processou a cena percebeu que o rattata estava nas nozes e Kaleo nem ao menos tinha conseguido reagir e bater com o galho de madeira.


- Não é que seu plano nem foi tão burro assim? - Oliver brincou fingindo genuína surpresa, apenas para ser alvejado pelo galho que Kaleo estava segurando.




__________________________________________________________________________





A casa do seu manuel ficava numa das travessas paralelas a rua principal da cidade. Perto suficiente para que os meninos ouvissem o barulho do festival. O segundo dia homenageia o primogênito dos arautos da tempestade. Moltres. O fogo da criação e da renovação. A marcha de dançarinos passou na rua ao lado, todos pintados, gritando, cantando e dançando do jeito estranho e característico da ocasião.


- Nunca entendi por que eles ficam dando tanta porrada no corpo enquanto dançam. - Oliver disse com um tom de voz que traia o nervosismo.


- É alguma porcaria mitológica dessas. Mostrar que está vivo aguentando porrada. Sei lá.


Os dois estavam agachados num arbusto esperando o momento que os tambores começassem a tocar.


- Mano, eu não sei não...


- Cala a boca! - Kaleo respondeu cutucando oliver na bochecha. - Não começa agora não! Confia no pai que eu sei o que to fazendo.


Mas na verdade nem sabia tanto assim. Sabia que a filha e esposa do seu Manuel estavam viajando de férias, e era bem seguro assumir que o próprio estaria atolado tentando trabalhar na loja sozinho durante o festival. Sabia também que o growlithe de guarda estava passando por um procedimento médico delicado e não estava em casa. Mas existiam muitas variáveis que poderiam atrapalhar o plano. Era seguro assumir que todas as pessoas normais da ilha estariam na rua principal, mas um vizinho velho e fofoqueiros, algum bêbado perdido ou adolescente procurando um lugar para fuder poderiam sair andando para as ruas paralelas.


De qualquer jeito a dúvida é a ruína de qualquer grande plano. Sua Maká tinha ensinado isso quando ainda era pequeno.


Os tambores explodíram violentamente e fizeram Kaleo despertar. Seu sangue foi tomado por adrenalina.


- Vamos! - Bradou por cima do barulho, deu um puxão no braço de Oliver e correu o mais próximo do chão possível até a parede do quintal de Seu Manuel.


Seu amigo veio capengando atrás e quase tropeçou ao chegar no ponto de entrada.


- Rápido, da o pé!


- Calma! - Gaguejou e se tremeu todo pra montar o apoio com as mãos e o joelho.


Kaleo inalou o mais fundo possível uma só vez e pegou impulso na plataforma precária que Oliver tinha montado. Usou o braço para se apoiar no topo da cerca e jogou a metade debaixo do corpo pra frente. Nesse um segundo que estava no ar, seu cérebro imaginou um bilhão de jeitos de dar errado e ele se quebrar no chão. O frio na barriga veio, mas passou assim que seus pés bateram violentamente na grama do outro lado. Rolou no chão para efeitos dramáticos.


Assim que conseguiu se estabilizar agachado, o som dos tambores pararam. Timing perfeito. Percebeu que sua respiração estava muito alta, então se forçou a respirar fundo pelo nariz para estabilizar o ritmo.


Felizmente ainda se lembrava mais ou menos de como era o quintal de seu ex-chefe, então sabia que um arbusto de Oran estaria ali de bobeira rente a cerca. O objetivo era se esconder lá e tentar achar o alvo antes de se comprometer. Bastou algumas viradas de rosto pra achar o arbusto e sair correndo meio agachado até lá.


Usou o arbusto de apoio para subir o corpo na cerca alta e botar a cara pra fora na direção da rua.


- Aqui...! Tudo certo...! - Sussurrou com a voz falhada por causa do esforço.


Ficou apoiado só o suficiente para que o amigo se situasse. Largou a cerca e se deixou cair assim que viu Oliver correndo até onde estava. Daqui para frente teria que se virar sozinho.


Teoricamente seria fácil. Seu Manuel guardava um barco inflável portátil junto com a pilha de quinquilharias na garagem. Coisa boa, de ótima qualidade. Mas como Kaleo sabia muito bem, aquele velho gordo adorava comprar qualquer merda para ostentar, principalmente se a esposa e filhas achassem legal, e logo depois abandonaria sem nunca mais usar. Tinha visto  esse bote ser usado uma vez apenas, depois ele mesmo tinha guardado na varanda por ordem do ex-chefe.


O problema é que Seu Manuel sempre fora meio neurótico, o idiota insistia em ter um growlithe de guarda mesmo com o percentual baixíssimo de qualquer crime nas ilhas. E por mais que Brutus teoricamente estivesse internado no centro pokémon, a neurose do seu ex-chefe não podia ser subestimada. Alguma coisa ele provavelmente fez na ausência do pokémon de guarda.


O quintal era basicamente um cercado nos fundos da casa do Seu Manuel. Consistia numa pseudo garagem que não tinha utilidade a anos, a não ser tentar disfarçar a pilha de porcarias que foram abandonadas ali ao longo do tempo; a casinha de Brutus, que Kaleo vigiava a cada meio segundo; o arbusto de oran que só servia de enfeite; e finalmente a montanha de caixas, porcarias, produtos da loja e muito mais que não cabiam na garagem e se amontoavam terreno adentro. A casa do cachorro estava entre ele e a provável localização do bote.


- Já achou?! - Um sussurro meio alto e desesperado veio do outro lado da cerca.


- Ainda não! Não faz barulho à toa!


Kaleo lembrava de ter colocado o container do bote perto de uma escultura de madeira bem chamativa, e era exatamente isso que estava tentando localizar na pilha de porcarias. Ficava mais difícil porque a cada dois segundos seu olhar desviava instintivamente para a casinha do cachorro. A paranoia fazendo-o imaginar sons de growlithe baixinhos vindo dali.


Com toda a força da sua ansiedade vasculhou vigorosamente com os olhos a montanha de caixas até reconhecer uma ripa de madeira pintada de preto que só podia ser o cabelo mal feito da escultura.


- Acho que sei onde está! - Passou a informação para Oliver no mesmo sussurro meio alto. 


- Pega logo então! - Veio a resposta desesperada.


Parecia simples o suficiente. Respirou fundo para afastar a insegurança desnecessária e começou a andar. Passou rápido pela casinha do Brutus e olhou instintivamente lá dentro. Foi muito rápido, mas no canto da sua visão achou que tinha visto um corpo destacado no meio da escuridão da casinha de madeira. O vulto fez com parasse no lugar sentindo o coração vindo na boca. Talvez tivesse cometido um erro boçal. Brutus conhecia Kaleo, e é claro que não iria atacá-lo, mas com certeza iria fazer muito barulho, o que seria mais que suficiente para atrair algum vizinho curioso. 


Ai percebeu que se Brutus ainda estivesse na sua casinha, teria se agitado com o barulho ou já sentido o cheiro de Kaleo. Impossível aquele growlithe ficar calmo ou dormir com tanto barulho em volta.


Sacudiu a cabeça e disse para si mesmo para deixar de ser neurótico. A montanha de lixo ja estava praticamente na sua cara. Bastava ir até lá e catar o maldito bote que nada ia dar errado.


Chegando no lugar indicado confirmou que achou certo. A estátua estava enterrada em um monte de outras caixas e aquele pedaço exposto era de fato o “cabelo"  mal pintado.  Tinha certeza que tinha deixado a maleta do bote do lado da estátua, o que significava que provavelmente teria q mexer na pilha.

O problema era que Kaleo sempre fora meio estabanado, principalmente com tarefas delicadas e que requerem paciência. Pior ainda numa situação tensa e com a lembrança implicota de que poderia ser preso caso fosse pego. 


Ficou se remexendo, agachando, levantando, ensaiando mexer nas caixas e estalanso o beiço inseguro do que deveria fazer. Soltou uma bufada de frustração e cogitou virar pra trás e pedir ajuda a Oliver, quando ouviu um barilho esquisito.


Virou-se para trás tão rápido quanto Jerry quando estava assustado.


Nada.


O quintal estava tão morto quanto estivera assim que chegou.


Ficou olhando a casinha de cachorro desconfiado e sentindo o gelo se remexendo na sua barriga. Mas nada saiu de lá.


- Caralho. Eu é que não vou ficar aqui. Foda-se. - Recitou como um religioso ora pra afastar uma maldição e decidiu que iria tirar a maleta dali de qualquer jeito.


Numa mistura de respiração rápida e desesperada e uma tentativa fútil de tentar continuar calmo, foi tirando as caixas da parte de cima freneticamente e apoiando-as no chão do lado e atrás de si. Quase esbarrou em caixas adjacentes em várias ocasiões, mas a força do desespero não permitiu  que causasse um acidente.


A cena continuou a mesma por um longo minuto. Kaleo todo tronxo e desajeitado tirando sistematicamente caixas da frente da estátua e da provável maleta do bote, respirando rápido e desesperado, olhando para trás a cada dois segundos e quase causando um acidente.


Até que viu a inconfundível maleta que guardava o bote inflável. 


- Isso! isso! - Comemorou socando a palma da mão num frenesi controlado. A adrenalina realmente faz as coisas serem mais intensas.


Mirou a distância até a maleta e calculou que conseguia esticar seu braço e tira-la de lá sem problemas. E aí sem nem pensar muito começou o jogo operação na vida real, com um médico extremamente desajeitado e tremendo de emoção.


E apesar das chances improváveis, Kaleo teria conseguido tirar a maleta do espaço sem maiores incidentes se não tivesse sido trollado pelo destino. 


Ou talvez pelos deuses.


Em seus dezessete anos de vida, e consequentemente dezessete festivais lunares, nunca tinha visto o prefeito estourar fogos de artifício em nenhum dos dias do festival. Tinha esquecido que o arrombado em vigência prometera uma novidade para esse ano.


Um assovio extremamente agudo seguido de vários estouros altíssimos fizeram o coração e o corpo de Kaleo pularem no lugar. Por sorte já tinha conseguido segurar a maleta, então acabou puxando-a junto do movimento do corpo. A pilha de caixas desmoronou quase toda nesse processo. Kaleo se jogou pro lado ainda com a maleta na mão para evitar ser soterrado. Caiu no chão desajeitado e ralou o cotovelo.


- Merda! - Xingou  por instinto e raiva, mas foi abafado pelo som dos fogos ainda estourando e as pilhas de porcaria rolando e caindo para todos os lados.


Balançou a cabeça consternado e tentou avaliar o cotovelo ralado, Mas conforme a barulheira dos fogos foi diminuindo, percebeu no limite da sua audição um outro barulho.


Algo como um latido talvez.


Girou o quadril no chão para olhar a casinha do Brutus.


Do lado de fora, um pokémon canídeo em vários tons vermelho-alaranjado latia em direção a confusão de cores no céu e lutava contra a corrente que seguravam-no.


Em uma fração de segundos Kaleo percebeu duas coisas. Primeiro, que o growlithe só não tinha acordado antes por que provavelmente Seu Manuel, sabendo dos fogos, tinha dado algum sonífero para ele. Segundo, que esse pokémon não podia ser Brutus, já que o amigável e conhecido growlithe do seu ex-chefe só tinha uma das orelhas.


- Oliver!!! - Cuspiu pela boca de puro medo e no momento seguinte já levantou a mão tapando-a.


Mas já tinha sido burrice o suficiente. O growlithe desconhecido se virou imediatamente num gesto assustado para encarar a voz que tinha escutado. Seus pelos se arrepiaram, suas orelhas levantaram em alerta máximo, se colocou em posição de bote e mostrou os dentes de forma muito ameaçadora. Um rugido gutural escapou entre a boca fechada que pareceu a Kaleo a seguinte mensagem: “Um estranho no jardim de casa, preciso matá-lo”.


Kaleo teve pouquíssimo tempo para reagir. A única dica foi o leve brilho avermelhado semelhante a fornalha do avô de Oliver que se intensificou rapidamente entre os dentes do pokémon. Usou toda a força que tinha nos braços e pernas para sair do lugar. Mal saiu do chão, mas conseguiu se arremessar longe o suficiente para cair nas caixas. Não viu a bola de fogo, mas sentiu o cheiro de queimado invadir seu nariz automaticamente. Quando rolou pra se desvencilhar do lugar onde tinha caído, percebeu que alguma caixas no lugar onde estava agora pegavam fogo violentamente.


O pokémon botou a língua pra fora aparentemente cansado e Kaleo deu graças à Lugia por ele ser novo. Um arcanine ou até um growlite um pouco mais velho teria conseguido disparar bolas de fogo mais fortes e mais rápido. 


- O que houve?! O que houve?! - Oliver apareceu debruçado em outro ponto da cerca. Avistou o problema imediatamente e seu rosto refletiu o espanto.


O growlithe decidiu que iria matar o intruso de qualquer jeito, então agora estava lutando vigorosamente contra as correntes que prendiam-no no lugar. A cada puxada chegava ligeiramente mais perto.


- Não é o brutus!!! - Respondeu desesperado e voltou a ficar alerta.


- Joga a carne! Joga a carne!


Estava tão nervoso que tinha esquecido do plano da carne. Tirou do jeito mais desajeitado possível sua pequena mochila das costas, abriu o zíper com tanta força que estourou-o e caçou a carne lá dentro com as mãos tremendo. Nesse meio tempo a criatura tinha conseguido chegar um pouco mais perto.


- Calma! Calma! Amigo! - Kaleo ensaiou, mas a voz tremida traia o medo. - Nem terminou direito de desembalar a carne quando tirou da mochila, mas estendeu-a para frente e torceu que o pokémon percebesse o que era.


Os latidos pararam, mas o rosnado não. Ele cheirou o ar e pareceu curioso com o que estava sendo oferecido.


- Aqui, aqui! - Kaleo se aproximou balançando o pedaço de carne.


- Joga e corre! - Oliver gritou no limite da sua audição.


Parecia um plano idiota, mas não teve tempo de argumentar consigo mesmo o porquê. O growlithe soltou um outro latido agressivo e no susto acabou jogando a carne de qualquer jeito para frente. O pokémon reagiu a comida foi em direção dela. Era o que a mente de Kaleo no modo pânico precisava. Saiu correndo imediatamente tentando dar a volta pelo lado mirando no arbusto de oran.


No meio da corrida desajeitada, derrapando no gramado bem cuidado de Seu Manuel, ouviu seu amigo gritar num tom extremamente desesperado. Por alguma bênção divina olhou primeiro na direção do perigo antes de olhar para Oliver, o que provavelmente salvou sua vida.


Um brilho alaranjado foi a única coisa que conseguiu enxergar conforme virou a cara. Por instinto colocou a maleta, a única coisa que estava na sua mão, entre a bola de fogo e a cara. Sentiu a porrada violenta não só na altura do rosto, mas no tronco também. Tão forte que foi arremessado para trás e caiu no chão, batendo a nuca no processo.


Mal bateu no chão e já levantou rolando para trás. Sacudiu a cabeça para se recuperar e arfou várias vezes para recuperar o ar perdido. Na adrenalina nem pensou em avaliar se estava machucado, mas ai percebeu que Oliver estava chamando seu nome.


- O que?! - Respondeu sem olhar.



- Sua camisa, caralho!!!


Abaixou a cabeça rápido e viu que uma parte da manga da camisa estava pegando fogo levemente. 


- AAAAAAAAAAAAAAAH CARALHOOOOO!!! - Gritou histericamente e se jogou na grama rolando para trás. Bateu com força no próprio tronco usando o braço livre, o que provavelmente já seria o suficiente, mas o desespero fez com que largasse a maleta no chão, levantasse ainda gritando e arrancasse a camisa do corpo.


- Ele é treinado, porra! Não aceita comida de estranhos! - Kaleo rosnou ofegante jogando a camisa no chão e pisando com força. - Eu não sei o que fazer!


Um estouro da pokebola de Jerry se abrindo foi a resposta para seu desespero. Procurou Oliver e o encontrou debruçado com a barriga na cerca segurando a pokebola com as duas mãos.


Jerry se materializou entre Kaleo e o growlithe. Os dois pokémons se encararam e reconheceram um no outro uma ameaça iminente. Arreganharam os dentes e fizeram seus respectivos barulhos de intimidação, mas dava para ver que Jerry não estava seguro.


- É melhor que arriscar sua vida. - Oliver declarou vendo o olhar de preocupação e confusão de Kaleo. 


- Mas o Jerry…!


- Eu sei o que to fazendo! - Oliver gritou afinando a voz sem querer. - Quando eu der a ordem, corre com tudo!


Kaleo pensou em mil motivos para reclamar, mas viu no rosto do amigo que não iam adiantar muito. Engoliu o que estava pensando e resolveu confiar. Ficou esperando qualquer oportunidade de agir.


Os dois pokémons só ficaram se encarando e tentando intimidar um ao outro. A tensão era tanta que Kaleo se lembrou de um daqueles filmes de velho-oeste antigos que via no orfanato. 


O clima foi quebrado quando o pokémon canídeo rosnou mais forte, sugou o ar e começou a preparar o cuspe de fogo entre os dentes. Oliver reagiu extremamente rápido a isso.


- Quick attack! - Deu a ordem e logo depois adicionou. - Corre AGORA!


Jerry disparou mais rápido ainda do que tinha feito no treinamento. Um borrão roxo que acertou a cara do growlithe com força. A pancada fez com que o pokémon hostil se atrapalhasse com o golpe que estava preparando. Uma fumaça preta saiu da boca do growlithe como quem se engasga com um charuto enorme.


Mesmo assim o ataque só serviu para deixar o inimigo ainda mais irritado. Depois de tossir algumas vezes, o growlithe deu um bote rápido para frente tentando abocanhar o rattata. Jerry foi pulando para trás, mas não conseguia se afastar o suficiente.


Kaleo registrou o começo desses acontecimentos, mas começou a correr sem pensar direito assim que seu cérebro engatou. Muitos instintos gritavam ao mesmo tempo, mas o de sobrevivência tinha muito mais fôlego do que os outros. Só conseguiu se lembrar de pegar a maleta por milagre.


Achou o arbusto de Oran que seria sua salvação e deu ainda mais gás na corrida. Bastava chegar até lá para pegar impulso e conseguir pular a cerca. No meio do caminho iria varejar a maleta por cima para não ter que se preocupar com isso.


Antes que pudesse chegar no arbusto, ouviu Oliver xingar e o barulho de pokébola retornando um pokémon. Sabia que isso não podia ser coisa boa, então tentou correr mais rápido ainda. Suas pernas começaram a doer e o pulmão também, mas ignorou.


Nem parou para medir o salto. Pegou impulso da corrida e tentou chutar o arbusto de oran para subir na cerca. Claro que escorregou e bateu com força na madeira, mas conseguiu se agarrar precariamente. Fez toda força possível com os braços para se erguer e ficou chutando em todas as direções com os pés para dar mais impulso.


Quando finalmente estava conseguindo passar parte do tronco e da barriga na parte de cima da cerca, uma pancada de calor acertou perto das suas pernas. Uma das sessões da cerca rachou com o impacto e ele rolou para frente. Suas costas bateram no chão com muita força. Quando sua consciência voltou ao lugar percebeu que não conseguia respirar e que Oliver estava agachado do lado dele.


- N… Não. Nhhhg…! - Só conseguiu ficar balbuciando e tentando puxar oxigênio engasgado.


Oliver percebeu o que estava acontecendo e imediatamente começou o procedimento de primeiros socorros.  Levantou as pernas de Kaleo e pressionou contra seu abdômen várias vezes até seu pulmão desentalar.


Kaleo sugou ar aliviado e tossiu violentamente. 


- Você ta bem?! Ta queimado?! - Oliver perguntou ainda muito preocupado.


  - Não sei. - Kaleo respondeu ainda tossindo. Colocou a mão na testa e esfregou o rosto, aliviado.


Enquanto ainda estavam lambendo suas feridas, a procissão alcançou a altura da rua do seu Manuel. O barulho da canção e dos tambores já estava numa altura insuportável. Puderam ver ao longe na rua principal a ala dos tamboreiros passando ritmados e uma labareda de fogo ocasional subindo para o céu. 


- Vamos logo. - Kaleo resmungou e se levantou ainda capengando da perna atingida. Se apoiou em Oliver e os dois começaram a andar para longe da casa de seu Manuel. Ambos com um misto de preocupação e um sorriso bobo no rosto.


- Nem acredito que não morri. - Kaleo soltou meio jocoso.


- Irônico, não?


- O que?

Mas quando Oliver começou a ensaiar a explicação, ouviram um barulho de alguém correndo vindo de sua costas. O medo de terem sido descobertos foi mais forte do que as dores, então mesmo capengando conseguiram correr até uma das esquinas para se esconder atrás de um arbusto. Ficaram esperando com a respiração pesada.


Momentos depois um jovem mais ou menos da altura de Kaleo, de cabelos verdes, sem camisa e vestindo a calça dos tamboreiros do festival, passou correndo sem nem olhar para trás. Kaleo e Oliver ficaram aguardando ele desaparecer nas ruas paralelas para voltar a andar.


- Irônico é você ter quase morrido justamente no dia do Moltres. - Oliver falou assim que teve certeza que o jovem tinha ido embora.


Kaleo ficou pensando sobre isso enquanto se arrastavam para casa. Em dado momento, achou tão engraçado que não conseguiu parar de rir até chegarem no seu quarto. Oliver repetiu mais de uma vez que provavelmente ele tinha ficado meio doentinho da cabeça por causa das porradas.







É isso rapaziada. Espero que em duas semanas eu consiga postar o capítulo 5.


Última edição por tshaman em Ter 17 Nov 2020 - 14:46, editado 2 vez(es)
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Mensagem por Brijudoca em Ter 13 Out 2020 - 19:23

oie amigo, tudo bem?

Finalmente consegui chegar pra comentar esse capítulo. Acho que serei breve porque apesar do capítulo ter sido razoavelmente grande eu não senti que houve muitos acontecimentos interessantes.

Acho bacana a forma que você desenvolve o treinamento dos pokemon e a forma que eles usam os ataques, por ser bem diferente dos jogos em que eles "aprendem e acabou", já na sua história o ratatta teve que aperfeiçoar o Quick Attack e mesmo o Growlithe não tem um Ember ainda tão poderoso. Mas tive sérias ressalvas ao modo de treinamento do Kaleo com algo que beirava a maus tratos do coitado do rato kkk

Pelo que eu entendi o novo plano infalível da dupla consistia em roubar o bote do velho pra tentar pegar algum pokémon aquático (pescando?). Devo dizer que até que foi legal ver as desventuras dos rapazes tentando cometer o crime, mas eu acabei achando a metade final do capítulo meio chata, porque não aconteceu nada demais além de "olha, desvia do cachorro, procura, ai meu deus o cachorro...". Visto que há ainda tanta coisa pro Kaleo treinar pra talvez passar na academia, achei meio ~fuén~  esse trecho nada acontece feijoada.

Estou ansioso para que você afunde mais nessa parte mais folclórica e mitológica das ilhas Sevii que são sempre mencionadas pelos protagonistas mas ainda não estão muito claras para nós. E que os deuses protejam o Jerry da mão desses dois delinquentes.
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Mensagem por tshaman em Seg 16 Nov 2020 - 23:22

 aí rapaziada :3

O capítulo saiu meio atrasado infelizmente. Eu tento me manter produtivo, mas tem muita coisa que tenho que fazer ao mesmo tempo na vida e nem sempre consigo manter meu ritmo. Minha meta daqui pra frente é lançar um capítulo novo todo dia primeiro de cada mês. Espero conseguir lançar capítulos extras no meio do mês de tempos em tempos, mas vamos ver!

Obrigado por quem tem acompanhado até aqui.


Comentários da galerinha :3

Spoiler:

@Brijudoca -

Obrigado pelo comentário como sempre meu patrão. Já te respondi no wpp que percebi que o final do cap 4 está um pouco alongado sem necessidade. Muito obrigado pelo feedback positivo!
Graças ao seu feedback vou mudar de leve o final do cap. Confira novamente se quiser ver a diferença!




~Anyway~

Aqui vai o quinto capítulo. Daqui pra frente o bagulho só fica cada vez mais louco. 

Espero que gostem. Bjs


Tmj~~~




Pokemon Stories: Good Omens - Página 2 Gyarad11
Capítulo 5 - Tempestade



A quanto tempo ele já estava parado em frente a essa porta?


Assim que a pergunta surgiu em sua cabeça, percebeu que não sabia respondê-la. Tinha a impressão de que já estava ali a um tempo incalculável, mas da mesma forma tinha acabado de chegar. Também não se lembrava muito bem o que estava fazendo, mas logo que pensou isso, esqueceu.


"Tenho que entrar no quarto". Era o rastro de pensamento que ficava se repetindo na sua cabeça toda vez que conseguia pensar alguma coisa. Fora isso só ficava parado admirando o fusuma a sua frente.


E toda vez que tentava pensar sobre qualquer coisa, esse sentimento de urgência ficava maior e nublava o resto. Ao mesmo tempo sentia um frio na barriga terrível toda vez que aceitava o que deveria fazer. Todas as vezes tinham sido assim.


Todas as vezes? Já esteve ali outras vezes?


Quem ele, ela era?


Onde estava?


"TENHO QUE ENTRAR NO QUARTO"


Ela tinha que entrar no quarto. 


Seu coração afundou no peito quando ergueu a mão bem devagar para cumprir a demanda. Seu kimono escorregou pelo braço conforme subiu, revelando suas unhas recém pintadas. O tatame estava gelado ao toque, o que deveria ser impossível.


Mais uma eternidade incalculável se passava toda vez que encostava no tatame. Um sentimento muito ruim de que não deveria estar fazendo isso apitava em sua cabeça, mas ao mesmo tempo não conseguia evitar de continuar em frente.


O fusuma correu devagar e rangendo, mas o cômodo que foi revelado estava envolto numa escuridão tão espessa que parecia névoa.


De repente não conseguia mais respirar.






Kaleo acordou gritando e caindo para fora da cama. Nesses poucos segundos que tentou lutar contra o lençol, ainda não tinha percebido que estava em seu quarto e rolando no chão. Nos limites da sua visão no escuro, teve impressão de enxergar várias formas terríveis no ar.



Só depois de rolar para os lados e se desvencilhar entendeu o que estava acontecendo. Parou o frenesi, engatinhou na direção da lâmpada e acendeu a luz ainda bem ofegante.


O quarto se acendeu e sua mente pareceu fazer o mesmo. Sentou para respirar. De novo o mesmo maldito pesadelo. A quanto tempo não sonhava com esse corredor de tatames e o quarto sombrio? A tanto tempo que tinha começado a esquecer do sonho.


Procurou com a mão sua pokebola sem pensar direito no que estava fazendo. Depois que a achou do lado do travesseiro, pegou-a e instintivamente ficou jogando de um lado pro outro entre as mãos, hábito que desenvolveu recentemente e fazia toda vez que estava nervoso ou ansioso.



Seu despertador marcava cinco horas da manhã.


- Essa merda de pesadelo ainda fode minha noite de sono. - resmungou sozinho consternado. Levantou de supetão e resolveu sair do seu quarto.


Kaleo já morava a anos no que seria uma barraca de ferramentas de jardinagem na humilde casa do avô de Oliver. O lugar era longe suficiente da cidade para que os barulhos incômodos e as luzes não os alcançassem, então podia apreciar a beleza do céu da madrugada. O sol ainda não tinha começado a sair, mas a noite já não estava tão escura quanto no zênite. As estrelas ainda marcavam o manto noturno.


- Não é como se eu fosse conseguir dormir mesmo, né? - Perguntou a sua pokebola. Ficou encarando-a ainda pensativo, mas decidiu que começar o dia logo era o que podia fazer.


Liberou o rattata e começou a se alongar para o treino.

















O ligeiro mal humor de ter começado o dia daquele jeito não tinha abandonado Kaleo nem depois de treinar. Na altura do almoço ainda estava se sentindo esquisito e ansioso. Sabia que não tinha muito que pudesse fazer, então resolveu chegar mais cedo no shopping para dar uma volta até a hora combinada com Oliver.



O shopping ficava na área nobre da cidade. Bem ao sul, do lado do maior hotel da ilha. Tinha sido construído não para os habitantes da ilha uno, mas sim pros diversos turistas ricos que se instalariam eventualmente no hotel citado.


O lugar parecia transpirar uma mistura de arrogância, frescura e tudo mais que Kaleo desprezava nos ricos, mas o fato é que não tem nenhum outro lugar vendendo o tipo de equipamento que ele e Oliver precisavam. Menos as pokébolas, é claro. Essas compraram direto com o avô de Oliver.


A sessão de treinadores era justamente o que ele precisava, porque ficava bem fácil não pensar nos estresses com a quantidade de produtos impressionantes no display: antenas de faraday; selas de montaria para voo; varas de pesca de alta tecnologia; transmissores de ondas de rádio e muitos outros, alguns que nem sabia a utilidade. 


Ainda andando a esmo, avistou o mesmo modelo de bote que tinha roubado do Seu Manuel em promoção. Quase teve um ataque de riso pensando na noite anterior e decidiu ir pelo outro caminho para não fazer escândalo.


Seguiu pelo corredor de performance no treino ainda apertando os lábios. Até agora não acreditava que Oliver tinha topado seu plano maluco. Navegar até a outra ilha já era arriscado, mas achou que roubar o bote seria demais pro amigo. Provavelmente ele só aceitou por estar muito preocupado com sua prova.


No final do corredor viu um pequeno estande de vitaminas com os dizeres "amostra grátis" bem chamativas. Se adiantou ao enxergar essas palavras. 


Uma seleção de proteína, carboidratos, cálcio e outros suplementos para pokémons estavam dispostos ali sem ninguém vigiando.


Não pensou duas vezes. Olhou pros lados procurando o lojista, e quando não o viu, meteu o máximo possìvel na mochila.


- Koe.


- Ai porra! - kaleo saltou no lugar e deixou a ultima capsula cair no chão.


Oliver estava ali parada olhando-o com uma cara esquisita. 


- Mano, eu juro por lugia que qualquer dia vou te lanchar na porrada por esses sustos. - ameaçou catando nervosamente o suplemento caído.


Normalmente Oliver teria rido da situação idiota, mas continuou sério e parado no lugar.


- O que foi? 


Seu amigo respondeu estendendo uma folha de jornal para frente de maneira brusca. Kaleo levantou e apontou com a cabeça para que andassem para o outro corredor. No meio do caminho foi olhando o jornal.


A notícia logo na primeira página o fez entender o estado de Oliver: "incêndio criminoso na residência de membro notável da comunidade." Junto a uma foto escrotíssima do Seu Manuel do lado do carro de bombeiros gritando com alguém.


A princípio o estômago de Kaleo afundou no lugar. Ficou calado até que tivessem se afastado do lojista o suficiente. Antes de falar tentou se acalmar e pensar racionalmente.


- Beleza isso é meio zuado mesmo… Mas fica tranquilo, não tem como saberem. - Garantiu tentando passar uma confiança que não tinha. - Provavelmente eles nem tem provas de que o incêndio foi criminoso.


- Cara... Eles assumiram isso porque sua camisa queimada ficou lá. 


Kaleo fez o famoso "xiu" com o dedo para que Oliver falasse baixo. Em seguida meteu a mão na testa com força. Como podia ter sido tão burro de esquecer isso lá?


- Ta bom. - Fez o sinal de calma com a mão e se agitou no lugar. - Eu fui burro, mas mesmo assim não da pra saber quem foi. 


- Mas caralho cara, você não viu a matéria? A casa do cara pegou fogo! - Bateu com a mão no jornal. - Olha a merda que a gente fez!


- Fala baixo mano! Esses shoppings tem câmera, sabia?! - chamou atenção de novo. - Que a gente fez não! Que aquele growlithe destreinado fez! A culpa não é nossa...


- Como é que tu consegue pensar assim? - Oliver perguntou meio sussurrando meio falando alto, parecendo realmente incrédulo. - E se pegarem a gente? E se o Seu Manuel se fuder por isso? E se...


- Mano, calma! A gente vacilou, ta bom! Mas não tem como saber quem foi e o Seu Manuel tem seguro. Ele vai ganhar uma bolada por causa disso. Não tem porque se desesperar, beleza?


Oliver ficou quieto e desviou o olhar do amigo. Os dois ficaram num silêncio desconfortável até o lojista aparecer como um fantasma no final do corredor.


- Os senhores precisam de alguma ajuda? - Ele perguntou juntando as mãos e abrindo o sorriso mais forçado que Kaleo já vira. 


- Não, obrigado. Tava esperando ele aqui pra começar as compras. - Kaleo respondeu sem jeito mostrando Oliver.


- Qualquer coisa me chamem. - O lojista esquisito declarou e foi andando de ré até sair de vista.


O silêncio constrangedor pairou no ar assim como a presença do lojista escaldado. Ambos lembranças desagradáveis que estragaram um pouco o bom clima que Kaleo tinha vindo procurar.


- Anda. Vamos resolver tudo logo, ele não vai sossegar até a gente gastar. - Meneou a cabeça na direção que o vendedor desapareceu. - Não tem porque se preocupar beleza? Não vai dar nada pro Seu Manuel nem pra gente.


Oliver ouviu isso, suspirou, bateu as mãos na cintura como quem deixa para lá uma discussão e deu de ombros. - Ok, mas a partir de hoje preciso entender o plano inteiro antes de concordar...


- Mas ai não tem graça! - Disse em tom jocoso, mas acrescentou ao ver que o amigo falava sério. - Ok, to só zuando. Combinado mano. 


- Ótimo. - Tirou um caderninho da bolsa. - Fiz uma lista do que precisamos comprar. 


- Fala comigo.


- Saco de dormir, corda, isqueiro de gás, kit de primeiros socorros, cantil, canivete e uma mochila pra isso tudo. Além de claro, pokebola e repelente. - E apontou com o lápis para cada item na sua lista. - É o básico e essencial para essa viagem até a ilha de teste e depois na prova da academia.


- Só os gênios enxergam o óbvio. Eu não pensei na maioria dessas coisas. - Elogiou. -  Mas você esqueceu algo bem básico. 


- O que? 


Kaleo respondeu apontando para si mesmo de cima a baixo e para Oliver. Seu amigo não entendeu cara, então revelou:


- Roupas. Não temos roupas pra isso nem tênis. Básico do básico.


- Ah! Verdade. - Coçou a cabeça pensativo. - Só os gênios enxergam o óbvio?


Os dois sorriram e se adiantaram até a seção de montanhismo, sobrevivência e afins. Lá encontraram uma miríade de opções do que procuravam, todas com preços bem salgados. Resolveram se separar, Kaleo iria buscar o vestuário enquanto Oliver pegaria o equipamento. Deixou o amigo e foi até o corredor do lado. 


Já tinha visto em algumas revistas o tipo de roupa que todo treinador profissional usava. Um tecido meio esquisito que não saberia explicar direito, geralmente todo preto e bem justo no corpo. As propagandas diziam que evitava lesões e ainda tinha proteção extra em vários pontos estratégicos. 


A primeira coisa que viu quando virou no corredor de roupas: "Compression clothes", na língua nativa de Unova. E o preço absurdo bem grande estampado com orgulho como se aquilo fosse barato.


Era de fato impressionante, e perdeu um tempinho imaginando o quão maneiro ele ficaria vestido naquele tecido preto com um short por cima ou algo assim. Mas a real é que gastar esse dinheiro agora seria burrice, então virou o rosto e foi procurar coisas mais simples.


Duas calças pretas esportivas quaisquer. Duas camisas  de manga comprida esportivas dessas com tecido parecendo time de futebol. Dois tênis de corrida com amortecedores bem maneiros, apesar de que o ideal seriam sapatos para montanhismo, mas esses eram mais caros. 


Kaleo admirou o que tinha escolhido e sentiu uma pontada forte de empolgação por eles dois. Provavelmente pareceriam treinadores sérios vestidos daquele jeito. Começou a imaginar o quão épico seria a travessia para a outra ilha e a luta para capturar outros pokémons. 


Quando se deu por satisfeito e foi saindo para encontrar Oliver, viu pendurado em uma das araras algo que chamou sua atenção. O anúncio dizia: "joggings suspensório". Ao examinar, viu que era um tipo diferente de calça esportiva com alças para virar um suspensório e um bolso pequeno improvisado na frente.


- Oliver tem que usar isso. - disse para si mesmo lembrando da mania idiota de seu amigo de ficar com o suspensório da oficina. Viu o preço, cinquenta creditos mais caro que a calça normal, mas valia a pena. 


Trocou rápido as peças e foi meio correndo até o outro corredor.


- Mano, você tem que ver a roupa eu achei pra você. 


Oliver estava com a mão na boca olhando entre uma mochila e uma bolsa lateral pequena. 


- Que foi? Não conseguiu se decidir ainda? - Perguntou ao ver a expressão séria do amigo.

- Hmm? Não, nem é isso. - Oliver respondeu colocando a bolsa menor de volta no lugar. - É só que tudo é tão caro.


- Né. Achei que gastariamos um pouco menos aqui. 


- Eu também. Mas tive uma ideia. - Apontou para a bolsa que tinha na mão. - Li nos fóruns que dentro da academia não vamos usar nenhum equipamento que trouxemos de fora, então na real só vamos usar isso aqui uma vez. Pensei em comprar um kit só e dividir entre nós dois até a seleção acabar. 


Kaleo considerou a ideia quieto. Só as roupas e o tênis já estavam custando trezentos e cinquenta créditos somados. Se o equipamento de sobrevivência fosse caro, estourariam o orçamento com tranquilidade. Por outro lado, estar despreparado agora e durante a prova seria o mesmo que pedir para se fuder.


- Quanto da tudo? As roupas estão trezentos e pouco.


- Se comprarmos só UM kit completo, quatrocentos creditos. 


- Nooooossa senhora. Quatrocentos creditos? Que porra é essa? O kit de sobrevivência vem com um dia de graça no SPA junto? 


- Isso porque eu achei essa mochila que já tem boa parte incluso. Comprando cada item separado ficaria mais caro. 


- Santa Lugia... É, não temos opção. 


- O lado bom é que a qualidade é foda. - Abriu um sorrisso e fez um hang-loose. 


Kaleo deu de ombros. Torceu em silêncio que aquilo tudo fosse suficiente para aumentar sua chance de passar na seleção. 


E então quebrou seu Silêncio contemplativo com um suspiro, um tapa nas roupas e apontando em direção ao provador.   - Então, vamos experimentar isso logo?


Oliver deu de ombros também.












Kaleo saiu do provador se sentindo especialmente brabo. Tênis preto com detalhes amarelos, a calça preta e a camisa esportiva amarelo claro. Estava parecendo um atleta de maratona ou alguma coisa do tipo. Se olhou no espelho e chegou a conclusão de que se pegaria fácil. Sua cicatriz leve na sobrancelha parecia até legal vestido daquele jeito.


Oliver saiu do provador um pouco depois. Seu tênis era bem vermelho, sua calça suspensório preta também com alguns detalhes vermelhos e a camisa vermelha pra combinar. Exceto que claramente ele precisava de um ou dois números abaixo daquele. 


- Mano, a gente tá muito brabo. - Kaleo ressaltou e começou a fazer alguns movimentos para testar a roupa. 


- Sei lá, parece que estou vestindo um saco de batata. - Oliver respondeu ironicamente fazendo uma careta. - Pelo menos as cores são do meu time. 


Oliver pediu que o vendedor trouxesse outras peças. Enquanto isso Kaleo colocou a mochila nova nas costas e ficou fazendo várias poses. Os dois ficaram ali fazendo graça enquanto esperavam, até que foram interrompidos por um som familiar no rádio.


Tronpetes apitando alto e de forma repetitiva. O som indicando que a programação do rádio seria interrompida por alguma noticia urgente. 


"Bom dia. Hoje, às dez e meia da manhã de quarta feira, horário oficial Índigo, tivemos de várias fontes diferentes confirmação visual e meteorológica da atividade de um dos deuses da tempestade."


Deu pra ouvir a mudança na respiração de Oliver. A loja inteira parecia ter ficado com um ar mais pesado enquanto o radialista não voltava a falar.


"Ainda não existe confirmação de qual dos Titãs entrou em atividade novamente, mas a maioria das testemunhas concorda que avistaram Articuno. Nenhum dos Titãs foi visto tão próximo do continente desde o dia do milagre a cinco anos atrás. Testemunhas..."


O volume do rádio foi subitamente abaixado por um dos funcionários da loja. Kaleo e Oliver ficaram meio sem ação digerindo o que tinham ouvido. Um casal de turistas num corredor próximo começaram a conversar rápido na língua de Kalos.


- Ho-oh nos proteja. - Oliver desabafou e sacudiu a cabeça como se quisesse esquecer. 


Kaleo ficou observando a resposta emocional do amigo durante esse pequeno intervalo e resolveu puxar esse assunto já que tinha recebido a deixa.


- Ei, cara... Como é isso?


- O que?

- Viver num lugar desses que tem algum monstro. - Kaleo pensou melhor e resolveu se explicar. - Quero dizer... Eu nasci aqui. Não faço ideia de como é ter um deus que pode destruir toda a minha cidade e matar todas as pessoas que conheço do dia pra noite.


Oliver ficou absorto antes de responder. 


- Eu me mudei pra cá novo... E eu morava em Johto antes disso, mas eu me lembro do terror quando uma das bestas sagradas passou pela floresta Ilex. - Falou olhando fixo seu reflexo no espelho. - Eu lembro que o clima ficou quente e sufocante, mesmo Azalea sendo uma cidade razoavelmente fresca. Minha mãe estava a ponto de ter uma crise… Meu avô gritava com ela para que ficasse quieta e não me assustasse. Enfim…


Oliver parou e se recompos antes de continuar. A lembrança da mãe sempre era difícil para ele. - E nem aconteceu nada com a gente na real. Claro, a floresta pegou fogo, mas nenhum habitante da cidade morreu nem nada. A única consequência foi racionamento de água por algumas semanas e calor chato.


Os dois ficaram quietos de novo. O vendedor apareceu com as roupas corretas e Oliver foi se trocar. Kaleo ficou sentado esperando, agora sem a animação que estava antes.


- Mas nenhuma das bestas chega perto do que são os deuses da tempestade… - Oliver gritou de dentro do provador. - Talvez eu não seja a melhor pessoa para responder isso. Sabe quem seria?


- Quem?


- Jason. 


- O Jason? Como assim?


- Ele veio de Kanto antes de morar aqui. A mãe dele morreu numa atividade do Articuno.


- Sério?


- Sim, achei que você soubesse. 


- Não...


Mesmo odiando Jason, a primeira coisa que veio a mente de Kaleo foi um menino pequeno gritando pela mãe em um mar de neve. Aí seu olho ainda meio lesionado latejou e ele esqueceu da empatia.


- Estranho isso...


Oliver saiu do provador mostrando as roupas, dessa vez no tamanho correto. - O que?


Kaleo acenou aprovando as roupas. - Nada. Pensei alto.


- Bom, o que interessa agora é pensar na operação ilha. Esses monstros não são nossos problemas agora.



- Agora...



Antes que Oliver insistisse, o vendedor se aproximou e a conversa morreu. 



















Oliver e Kaleo saltaram do píer para a areia e foram correndo sorrateiramente. Sem necessidade alguma, já que tudo indicava que estavam sozinhos. Mas o sol do fim da tarde, as roupas que estavam usando e a natureza do plano faziam-nos sentir como naquele anime de ninjas, e portanto,  tinham que agir de acordo.


Tecnicamente não estavam fazendo algo proibido per si, mas ninguém acreditaria que dois fudidos tinham um bote caro daqueles, especialmente depois da confusão na casa do Seu Manuel virar notícia, além de que sair da ilha no meio do festival seria suspeito. Escolheram uma praia meio isolada a leste do porto, cheia de pedras e totalmente inadequada para barcos e botes, mas deserta em boa parte do ano.


E aparentemente para sorte deles, hoje também, como planejado. 


Kaleo chegou primeiro nas pedras que precisavam escalar para acessar o oceano aberto. Encostou as costas na rocha e fez mãozinha pra que Oliver subisse. Seu amigo pulou meio desajeitado, mas conseguiu se estabilizar na rocha e se puxar para cima. Assim que Oliver subiu, Kaleo foi atrás.


Ainda sentindo-se incríveis pela natureza do que estavam fazendo, pularam de pedra em pedra até chegar numa área aberta o suficiente para abrir o bote.


- Tudo certo? Check. - Oliver anunciou ansioso acionando a mala e jogando-a no oceano. 


- Sim. - Kaleo respondeu de má vontade. 


Tão rápido quanto um pokémon saído de uma pokébola, o bote se materializou abaixo da maleta antes que ela tocasse a água. Inflável, mas com formato aerodinâmico, com tons de azul para camuflagem e dois remos já posicionados. 


- Bagulho de playboy mesmo. - Admirou Kaleo em tom jocoso descendo as pedras até o barco. 


Oliver veio atrás meio sem jeito e tomando muito cuidado para não cair. Assim que se sentou, recebeu seu remo e um olhar apressado do amigo. 


- Ainda é espaçoso suficiente pros dois. - Concordou acenando a cabeça e apertando o lábio. 

- É verdade. Agora reme. - Kaleo disse se posicionando para andarem logo. 


As primeiras remadas só fizeram o bote rodar no lugar meio torto, mas logo a dupla conseguiu ajustar o ritmo e se mover. Assim que isso aconteceu, Oliver voltou a falar. 


- Só recapitulando: kit de primeiros socorros comigo; Isqueiro de gás; canivete; Jerry e...


- Denovo? - Kaleo cortou impaciente. Já era a décima quinta vez que Oliver revia os items. A ansiedade dele estava além do limite, e isso estava irritando-o.


- Li no forum que boa parte das pessoas morre por despreparo ou... 


- Ou por esquecer algum item essencial. Já sei! - Kaleo repetiu imitando a voz do amigo. - Saco de dormir encaixado na mochila. Corda, repelente, cantil e comida dentro. Pokébolas encaixadas no cinto. Satisfeito?


- Bom... Sim. É melhor prevenir do que remediar. - Abriu um sorriso amarelo. - Enquanto remamos eu pensei em…


Oliver interrompeu sua linha de pensamento abruptamente e focou com olhos arregalados alguma coisa na direção do mar e atrás de Kaleo. 


- O que foi? - Kaleo perguntou espantado se virando rapidamente para ver o que era. 


Não tinham remado o suficiente para se afastar significativamente da praia, então ainda estavam passando por alguns pedregulhos pontiagudos no meio do mar. Ao passar por um desses, subitamente um outro barco pequeno surgiu nas suas vistas. 


Ambos ficaram tensos, pararam de remar e só ficaram observando o barco, que por sinal, estava vazio. Parecia à deriva. 


- Será que...? - Oliver ensaiou, mas foi interrompido por um olhar mal encarado de Kaleo e um "xiu" com o dedo. 


Mas provavelmente o barulho foi suficiente, por que subitamente alguém que estava deitado dentro do barco se ergueu para ver o que estava acontecendo. Um sujeito baixinho, mas parrudo, mas com cara de ter já seus trinta anos, com barba por fazer e uma bandana vermelha na cabeça escondendo o cabelo castanho. 


Completamente nu. 


O cérebro dos dois amigos entrou em parafuso tentando processar por que tinha um homem nu sozinho num barco no meio do oceano numa praia isolada da ilha no meio do festival.  Subitamente temeram por suas integridades. 


O sujeito só ficou ali avaliando-os por alguns segundos, e curiosamente esses momentos foram mais assustadores do que encarar o growlithe maluco da noite anterior. Depois de avaliar a situação, o sujeito se sentou no barco, acenou e disse simplesmente. - Opa! - E depois voltou a se deitar como se nada tivesse acontecido.


A dupla de amigos ficou boquiaberta e pelo olhar concordaram mutuamente em sair remando dali o mais rápido possível. 


A experiência foi meio maldita. A ponto deles ficarem quietos até que o bote estivesse longe suficiente do barco para que não fossem ouvidos. 


- O que foi isso? - Oliver quebrou o silêncio cuspindo as palavras como um afogado cospe água. 


- Dez casado no chão que é um eremita que vive do que a natureza da. 


- Eu aposto que é um ex mafioso fugindo de uma galera que ele deve grana. - E acrescentou. - Ele viu a gente. Acha que pode dar merda?


- Não. Um cara desse provavelmente tem mais o que esconder do que a gente. Ele vai ficar bem quieto na dele, bota fé em mim...


E dada as declarações o silêncio voltou a reinar enquanto só continuavam remando em direção a outra ilha.


A viagem feita por dois remadores profissionais provavelmente levaria menos de uma hora, mas dado a inabilidade e falta de músculos da dupla, provavelmente levariam quase duas. A única vantagem é que conforme a hora passava, as cores do fim de tarde pintavam o céu e água de um jeito mesmerizante. 


Kaleo aproveitava cada pausa para observar as criaturas marinhas. A água ainda estava cristalina suficiente para observar alguns cardumes de goldeens viajando em formatos esquisitos. Em dado momento os dois tiveram a sorte de conseguir ver um casal de mantines pulando para fora d’água. Novamente sentiram que era fácil esquecer os problemas quando a vida de treinador se tornava mais palpável.


Numa das pausas, Oliver puxou assunto novamente. 


- Eu passei parte da manhã na biblioteca e consegui fechar seu plano de estudo. 


- Ótimo. 


- Me baseei em algumas coisas que caíram na minha prova e mais o que li no fórum. - E empolgado tirou do bolso um papel. - Fiz uma listinha e acho que deveríamos começar pelo mais básico. 


- Parece justo, sei lá. - Kaleo respondeu distraido. 


- Então pra começar quais são todos os tipos catalogados e...?


- Peraí, você quer começar agora? - Protestou entendendo o que o amigo estava propondo. 


- É…


A cara de incredulidade que Kaleo fez provavelmente foi muito expressiva, porque Oliver adicionou rápido. 


- Não é como se a gente tivesse outra coisa pra fazer...


- Justo. - Deu de ombros se rendendo. - Fogo. Lutador. Voador. Grama. Água. Elétrico. Psíquico. Fantasma. Veneno. Normal. Dark. Metal. Fada. Terra... É... Dragão. Acho que é isso. 


- Você esqueceu pedra, gelo e inseto. 


- Merda. Na próxima acerto. - Deu de ombros de novo. 


- Cara é importante que você memorize bem a tabela de tipos e em certo nível a relação de cada um...

  

- Eu sei... Eu sei... - Kaleo respondeu em tom defensivo e se sentou para voltar a remar. Estendeu o outro remo ao amigo. 


- Você sabe que vai precisar saber disso e outras coisas pra tirar a nota mínima né? E tem mais de um assunto que você cagou na escola.


- Eu sei. Só tem muita coisa na minha cabeça agora e eu não queria perder a vibe boa do mar.


- No que? 


- Eu só... Tive aquele sonho de novo.


- O sonho maldito?


- Isso.


- Que merda, mano… Por isso que tu ta meio quieto? 


- Bem, nem tanto.


- Então o que é?


- Não me parece certo adorar monstros.


Oliver entendeu, mas decidiu não responder nada agora. Guardou sua lista e os dois  voltaram a remar. De vez em quando ele parecia que iria dizer alguma coisa, mas acabou decidindo ficar quieto.



- Pode falar, cara.


Ele ajeitou os óculos antes de falar. - Tá falando do festival da Lua e do Sol né?


- É. 


- Mas pelo que eu entendo não é bem “adorar monstros”, não?


Kaleo mordeu o lábio e hesitou um pouco antes de formular uma resposta. - Meu povo acreditava que os arautos são alguma espécie de juizes divinos. O festival é meio que um jeito de pedir perdão por nossos pecados ou algo assim. A dança da lua para Lugia, a dança do sol para Ho-oh.


- E os dias anteriores para cada um dos arautos respectivos, né?

 

Oliver sustentou o silêncio contemplativo do amigo esperando que ele formulasse o pensamento.


- É só que... Se Lugia e Ho-oh existem mesmo, não é meio sádico que um deus mande esses monstros pra causar sofrimento na terra? E se mandam, por que a gente ainda adora eles?

- Mas os Alphs não fazem o ritual justamente pra que eles não destruam mais coisas? Não é mais alguma coisa assim?


- É… O que é pior ainda. - Kaleo levantou o rosto e encarou Oliver nos olhos. - Tem monstros soltos no mundo que podem matar todos nós a qualquer momento... E as pessoas não só adoram ele, como pedem perdão por existirem? É meio humilhante.


- Entendi. - Oliver absorveu a frase. Demorou um pouco para pensar antes de responder. - Eu sempre vi os deuses como forças da natureza. Não dá pra fazer nada sobre isso né... Talvez seu povo só saiba disso a mais tempo porque mora nesse país a mais tempo...


Kaleo não soube responder o amigo, mas depois de um tempo pensando, soltou como se fosse uma criança teimosa.


- Gold fez. Giovanni antes dele também…


Oliver ficou olhando-o quieto meio consternado. 


- O que foi?


- Nada, só lembrei de algo que meu avô disse...


Kaleo esperou, mas parecia que Oliver não ia completar a frase, então decidiu deixar o amigo quieto. Ambos permaneceram calados e perdidos em pensamentos pelos próximo longos minutos da viagem. Nenhum cardume de peixes nem outro pokémon apareceu no resto do caminho para aliviar o clima. Para piorar, avistaram formações de núvens de chuva no horizonte. Provavelmente passariam uma noite chuvosa na ilha.


Quando estavam quase chegando no destino. Um barulho distante ecoou no horizonte. Pararam para observar o que era, a princípio achando ser talvez um trovão ou o começo da chuva. Mas aí, uma perturbação muito sútil aconteceu no centro da massa de nuvens carregadas. Tão leve que Kaleo achou se tratar ser só uma impressão. Depois, aconteceu novamente, desta vez mais nítido. E continuou acontecendo.


Algo parecia estar se se mexendo ali. Alguma coisa gigantesca.


Continuaram observando mesmerizados, mas não tinha como saber o que era dado a distância.


  - Eu acho melhor a gente remar logo. - Oliver quebrou o estado hipnótico dos dois falando já meio nervoso. 

Kaleo foi se virar para responder, mas teve impressão de ouvir uma vibração vindo da água através do bote.


- Mas que merda é ess...?! - Oliver ensaiou. 


Kaleo respondeu levantou a mão pedindo silêncio.


Alguns segundos depois outra vibração forte veio da água. Um som gutural e extremamente forte. Quase dava para ouvir acima da água. Oliver debruçou um pouco na beirada do bote e gritou: - Olha isso!


Quando Kaleo fez o mesmo, viu imediatamente o que era. Várias sombras de diferentes tamanhos passavam em disparada dentro d'água. Pela aparência das silhuetas, pareciam diversas espécies diferentes, todas nadando o mais rápido possível. 


No canto do seu olho, Kaleo viu alguma coisa se mexendo a esquerda, na direção das nuvens. Virou o rosto rápido para procurar, apenas para ver a ponta do que parecia uma barbatana afundando.


- Cara, acho que eles estão nadando para longe. Oeste, direção do continente. Pra longe da tempestade.


- Espera, to tentando ouv...


O som gutural cortou o protesto de Kaleo, dessa vez tão alto que vibrou todo o bote e foi claramente ouvido acima do mar. 


A adrenalina invadiu a corrente sanguínea dos meninos, e mesmo sem saber o que estava acontecendo, o instinto natural de sair dali reviveu seus braços e pernas cansados. Pegaram nos remos e recomeçaram com a força do desespero. 


Antes de saírem do lugar, descobriram com horror o que tinha feito aquele barulho. A leste do bote, uma barbatana branca surgiu da água, seguida por outra idêntica a alguns metros.


- Gyaraaaadoooos!!! - Oliver gritou como um marinheiro que avisa do iceberg. 


O medo subiu o estômago de Kaleo como se fosse tal iceberg. Os dois continuaram remando sem parar no máximo de esforço que podiam, já respirando pela boca. 


Mas a ilha não estava se aproximando tão rápido quando o monstro marinho. A cada ondulação do corpo enorme da criatura ondas se formavam ao redor dele e reverberavam nas redondezas. O mar começou a ficar mais agitado e mais difícil de remar. 

A tempestade longe ao leste também estava se aproximando absurdamente rápido. Já tinha tomado boa parte do céu. 


- Não vamos conseguir! - Oliver gritou desesperado. 


- Vamos sim! Rema mais for...


Um raio estalou tão alto que Kaleo não conseguiu nem terminar sua frase. As nuvens próximas começaram a se juntar e ficar mais densas bem rápido e uma fina garoa começou a cair. 


- Mas que merda é essa?! - Kaleo gritou olhando o céu. 


E aí, ambos ouviram bem ao longe um barulho altíssimo. Longe demais para distinguirem o que era, mas forte suficiente para ser sentido mesmo com tantos quilômetros de distância. O Gyarados, que agora estava quase os alcançando, rugiu em resposta, tirou sua calda da água e bateu com força no mar para se impulsionar mais rápido. 


- Se segura!!! - Oliver jogou o remo dentro do bote, colocou uma das pernas em cima dele e se agarrou nas cordas que originalmente prendiam o remo. 


Kaleo tentou copiar o amigo, mas antes que pudesse se segurar nas cordas, uma das ondas geradas pelo impulso do gyarados bateu no bote. 


Tinha tanta água batendo na sua cara e entrando na sua boca que não soube como conseguiu se segurar de algum jeito. Quando a onda passou, percebeu que estava com a cara colada no fundo do bote e apertando as laterais com as unhas.


- Segura na corda! SEGURA NA CORDA!!!


Ainda engasgando tentou ignorar o instinto de se ajeitar e tentar recuperar o fôlego. Meio jogado, só ergueu a mão esquerda enrolou o braço na corda do bote e subiu o tronco para tentar ver o que estava acontecendo.


Conseguiu olhar por cima da beira do bote a tempo de ver a cauda do gyarados em riste, bem do lado deles. No segundo seguinte ela desceu na água como uma bala. Uma onda enorme se formou imediatamente a partir disso. 


Dessa vez o ângulo da onda fez com que a embarcação imbicasse e fosse carregada. A força da pancada foi tão violenta que tanto Kaleo quanto Oliver sentiram seus pescoços virarem por causa da violência que o bote foi arrastado. Mas a onda foi tão grande que ela simplesmente não acabava. O bote subia e subia e subia e os dois meninos dentro dele continuavam engolindo água e tentando se segurar.


O corpo de Kaleo estava sacudindo com tanta violência que não estava mais aguentando a força nos braços necessária para se segurar. A dor da fricção nas cordas do bote estava ficando insuportável. A falta de oxigênio tirava a o resto das suas forças.


Por cima do barulho das ondas e dos raios e da interferência da água no ouvido, começou a distinguir um som que provavelmente era seu amigo gritando. Tentou olhar para ver o que era.


Oliver gesticulava desesperadamente alguma coisa. Não conseguiu entender o que era.


E aí o bote alcançou a crista da onda e foi jogado no ar.


Kaleo só teve tempo de tentar projetar o outro braço para frente e segurar com toda força próximo de onde os remos eram colocados. Tentou morder e segurar com a unha as partes de plástico do bote, mas nada adiantou.


Mas o plástico molhado era impossível de se agarrar. 


Sentiu seu braço ceder e o corpo escorregar pelo plástico. No segundo seguinte estava solto no ar e rodando.


Enquanto rodava no ar teve um vislumbre que achou ser uma alucinação de algo dourado saindo das nuvens do horizonte. Logo depois suas costas bateram com força na água.


E aí, o mundo ficou preto.



Como as nuvens. 















Espero que tenham gostado! Críticas são muito bem vindas. Abraços e até dia primeiro de dezembro.
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tshaman
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