Pokémon Mythology
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Mensagem por Hyurem em Sex 2 Maio 2014 - 21:46

Muuud!
Cara, me perdoa  Sad  Eu sumi não só da Seven mas da PM por um bom tempo, nem sei porque... Mas enfim, estou feliz por voltar. Acho que eu estava sem ânimo pra comentar, por causa da escola e tals, mas agora vou me esforçar pra fazer isso a cada cap seu, por mais que eu ache meus comments não tão bons XD

Notei alguns erros no capítulo XXX, mas o cbm já os citou. Fora isso, percebi falta de vírgulas e outras a mais, mas nada que prejudique o entendimento da história. A concordância e narração continuam ótimas.
Esses rebeldes gostam de usar Seldestruct, hein? Mds, assim vão ser extintos!
Uma coisa que me deixa muito fulo da vida é o fato dos vilões serem tão fortes e terem que mudar as equipes pra se sentirem mais confiantes ò.ó Se são tão bons deveriam vencer qualquer um, não é? =P Eu não esperava nada diferente do pensamento de Polius.
Essa droga desse aspirador é o que?! Máquina pra pegar fantasmas feito de poderes psíquicos?!
Essa ideia da epidemia foi bem interessante. É como se o Kraft tivesse tranformado os poderes elementares em um vírus e cada pessoa com esse vírus tem sintomas diferentes, é mais ou menos isso? Acho que sim, foi algo bem criativo, like e favorito pra essa ideia XD

Acho que a Mixa reclama muito da reutilização de cenários. Estranho que não fala nada da reutilização da apresentadora. Pobre Steve, teve sua namo... coleguinha trancada no banheiro. Essa é a pior chantagem que alguém poderia fazer u.u
Cara, eu rachei com o sonho do Spike kkkkkk Quer dizer que o Zarcag dançava Macarena, huuum...
Notei a semelhança mórbida com o Surge, é difícil ver os easter egg tudo que ce põe nessa fic. E o Amphere não respondeu minha última pergunta diretamente, isso não é justo u.u

Essa batalha entre o Booby, os Neeways e Mixa foi bem rápida, mas muito boa. Achei meio sem sentido o jeito com o general bloqueou o corpo de água da Mixa, mas ok. A ideia desse Frost Link foi bem interessante. Foi a luta mais equilibrada até agora. Esse negócio de ter corpo de água não vale muito com você, né? A Mixa tinha o poder bloqueado e a Cris sofreu muito mesmo assim. Coitada dela, apanhou por causa do namorado. A cena de romance foi meio piegas, mas romance é sempre piegas XD O veneno não afetou tanto o Leo porque tinha terra na composição ou algo assim? É a única explicação que vejo. Esse poder de magnetismo dele tá parecendo poder psíquico, ele para qualquer coisa com isso o.o Essa máquina que o Joe inventou parece OP demais. Raio de MILHÕES de quilômetros? O loco XD
Esse reflexo do Nigel foi monstruoso. Pelo menos ele não hesitou em ver a amiga se esfarelando para salvar milhares de vidas, como alguns líderes fariam ¬¬

Notei alguns erros e partes que ficaram esquisitas:
O A dupla de adolescentes obedeceu de imediato.
Depois, foi diminuindo até se conter dentro da flauta, até explodir
Leo o intimidou com mais um pequeno raio de terra e o cientista tomou um belo susto.
O que seria um raio de terra? XD

Dos meus dez generais, quatro morreram pelas mãos de vocês, uma está aprisionada em um caixão ridículo em Kiev, um está no seu acampamento com um refém em minhas mãos e dois viraram geleia agora mesmo.
Quem é o cara da parte em negrito? Não lembro dele, foi mal.

Voto no Mack pra última entrevista. Com a Mixa como apresentadora isso pode ser beem divertido dependendo das perguntas  Twisted Evil 
Bem, é isso! Até mais!

PS: Me tira uma dúvida, pode parecer besta com a fic tão avançada mas tinha vergonha de perguntar: O nome da Mixa se lê com som de "x" ou se lê "Micsa"? Desculpa pela grafia feia XD

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"O Ash ganhou a Liga Pokémon..."

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Mensagem por DarkZoroark em Sex 16 Maio 2014 - 7:06

Mud o/
Malz a demora gigantesca em vir comentar aqui. Faculdade tá apertando um pouco o tempo e com as provas prestes a começarem estou com ainda menos disponível. Aproveitando que hoje acordei mais cedo do que de costume resolvi dar uma passada aqui e finalmente por meu parecer sobre este capítulo. Sem mais delongas, vamos a ele.
A parte no ártico foi bem legal, mostrando que apesar do corpo de água da Mixa ela tem suas fraquezas fora um ou outro choque do trovão ataque elétrico. O Winter Saw do Booby meio que me lembrou de uma das técnicas do Kabal em MK. Não sei se saiu de inspiração, mas ficou um tanto similar. Meio triste que no final o Neeway do futuro - que até alguns capítulos atrás eu tinha certeza que era um traidor - tenha se sacrificado para levar o General Safira com ele. O cenário final da Mixa derramando uma lágrima em meio à vastidão gelada deu um toque de sofrimento e tristeza bem legal, que falta na maioria das histórias onde os protagonistas sempre sobrevivem apesar de tudo - também não é necessário exagerar como em Naruto, onde tem um cemitério gigantesco de protagonistas nessa altura do campeonato.
Quanto a Kiwa e o Leo foi bem legal a batalha deles contra o exército de robôs e, em seguida contra o Golias/Colosso. Sério, o bicho meio que me lembrou um pouco dos inimigos do Shadow of the Colossus. Quanto ao veneno que ficou no Leo imagino que isso vá se mostrar muito pior do que parece mais para frente no desenvolvimento da história. Achei um tanto cômica a maneira pela qual o Theodore  morreu - a lá as 1000 formas mais estranhas de morrer. A maneira com que aconteceu e o fato de a Kiwa ter tentado salvá-lo me lembrou um pouco da morte da Gwen Stacy nas HQs do homem-aranha. Alguma inspiração aí?
A parte do outback australiano ficou bem interessante. O drama do Kalel e da Cris lutando para sobreviver aos ataques do Kihar foi muito bem montado. Falando no general, não me entendi direito o que aconteceu com ele no final ou como foi que ele morreu. Legal que os rebeldes tenham sobrevivido, apesar de estarem gravemente feridos.
No passado foi bem legal o Velho Joe ter criado um mecanismo para nulificar as partículas do Kraft. Acho meio triste que os rebeldes vão ficar sem os poderes, mas enfim... Só imagino porque ele teve a ideia de mandar o valentão para o futuro ao invés da Counie. Sei lá, apesar de ser aparentemente mais forte inteligência nesses casos é algo mais importante - ou pelo menos assim eu acho.
Quanto a reunião dos combatentes ficou bem legal, mas com um tom trágico no fim graças a explosão do Thor e da Rhaysa. Agora com os dois últimos generais eu imagino que a situação vá ficar pior, já que uma acabou com três rebeldes sem qualquer problema e o outro ainda é desconhecido. Esse eu já tenho lá minhas teorias de quem seja, mas vou guardar para mim por hora.
Enfim, vou deixando o comentário por aqui. Aguardo pelo próximo capítulo.  ninja 

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Mensagem por Kurosaki Mud em Dom 25 Maio 2014 - 16:06

Hey people, cá estou eu! Demorei um pouquinho dessa vez, mas nem se compara com a outra. A Seven cada vez mais se aproxima do fim, por isso conto com a ajuda de vocês e os comentários, para completa-la do jeitinho que ela merece.
Para minha felicidade, ainda tenho comentaristas espetaculares que se importem com a fic e vem comentá-la, mesmo com as dificuldades : ) Agradeço de coração a vocês galera.
Vou comentar os comentários –q
Hyu – Não esquenta man, apareça sempre que conseguir hehe. Sou péssimo com vírgulas, é meu calcanhar de Aquiles, junto de concordância nominal. No caso dos generais serem fortes, eles realmente são, mas muitas vezes foram obrigados a estarem nesse posto para que Polius não os matasse. É o caso do Hector, seu irmão está preso no calabouço de Polius, assim como Kiwa do futuro e Mack. E sim, entendeu o espírito da coisa sobre o átomo K, é a epidemia do poder. Mas nesse cap, o próprio Polius vai citar seu poder sobre essa contaminação –q. Quanto ao fato do corpo de água, eu penso assim: golpes mais físicos como socos, facas, lanças e chutes não funcionam tão bem. Mas golpes especiais, como um relâmpago, um raio, etc... funcionam. No caso da luta da Mixa com o general de safira, ele possuía poderes de ar. Se ele criasse uma barreira impermeável ao redor dela com a corrente de ar, os golpes físicos funcionariam. Eu quis dizer isso, hehe. E o veneno que caiu no Leo é bem pior do que se imagina, aguarde haha.
Admito que a revisão do cap anterior falhou, estava sem tempo. Esse tá mais revisadinho, eu acho né ‘—‘ E raio de terra eu imaginei um acúmulo de terras e minerais saindo da mão dele kkkk. Ok, falhei ao não explicar isso. O general em negrito é o Hector, Lápis Lazuli poderes de ar e luta, lutou com o Nigel do passado e a Kiwa do futuro. Quando a Kiwa foi feita refém pelo Polius, assim como o irmão dele, o Victor, eles foram obrigados a lutarem entre si. Mas Nigel convenceu ele a mudar de lado. Lembrou?  e.e
E tava demorando para alguém fazer essa pergunta da Mixa xD. Escreve-se Mixa, mas lê-se Micsa. Hehe

DZ: Sua presença sempre me anima também sir. : 3 Pegou o espírito da coisa na luta do Alasca, mas nunca assisti/joguei Midnight Kingdom, te garanto isso. E também nunca joguei Shadow of Colossus e detesto Homem-Aranha –qq. Posso citar Fairy Tail, KHR, Percy Jackson como referências, mas tem coisas que realmente tiro da cabeça o.o O irmão do Kalel, Kihar, morreu soterrado. Ele tentou matar os três desabando o Outback, mas não conseguiu. E como assim o Ohlie foi pro futuro? e.e O que eu tentei escrever, se não tiver claro me corrija hehe, é que os cinco guardiões se uniram novamente no passado e estão com o Velho Joe. Eles estão tentando contato com o futuro, e vice-versa, como você verá nesse capítulo. Queria saber suas teorias do guardião de água-marinha, me conta depois desse cap se acertou.

É galera, agora vou comentar sobre o cap 32 a seguir. É o tipo de capítulo que gosto de escrever, para ser sincero. O começo tem o humor, a segunda parte uma revelação importante. Depois, romance e outra revelação. A quarta, lutas e mortes que, realmente, fiquei triste, mas não pude evitar. E na última parte, a revelação mais bombástica que estava guardando para essa temporada da fic.
Não estranhem a revelação que Polius vai contar com a dada nas últimas linhas do cap, eu explicarei certinho no cap. 33, prometo. E uma coisa que anda me irritando aqui no fórum, não dá para postar coisas formatadas pelo word ou pelo docs, eu sempre faço pelos dois e a PM dá bug ao enviar ou pré-visualisar. Por isso, só consigo postar com muito esforço e problemas na hora de executar a formatação, o capítulo com essas cores de ataque (não são as que uso no word), essa fonte grudada e o espaçamento ruim. Se quiserem ler como eu leio no word, usem a fonte Verdana 12, espaçamento 1,5 entre linhas, recomendo. 
Bem, agora fiquem com o capítulo, aproveitem e comentem o que acharam:

XXXII

Uma semana se passou após a explosão que matou os irmãos Vanille. Os rebeldes, logicamente, ficaram preocupados com o poder destrutivo de Polius Kraft. O capitão N foi a pessoa que mais ficou abalada, especialmente por ter salvado o acampamento de um genocídio fatal. Mas os sentimentos dele também ficavam à flor da pele, Raysa morreu feliz, abraçando o irmão, sem lhe dizer adeus.
Pelo mundo, as tropas continuavam seus embates principais. A disputa entre polianos e rebeldes prosseguia firme e forte. Porém, muitas bases polianas perderam para os rebeldes, especialmente nos países onde os generais foram derrotados.
E por falar nos dez generais, ainda restavam dois. Uma era Michelle Ambrosier, que desapareceu com Merixa do passado e os dois Heshys. O outro seria o general de água marinha, que eles possuíam pouca informação.
Depois da semana que decorreu no acampamento, a maioria dos feridos se recuperava muito bem. Os estados mais graves ainda eram Cris, Kalel e Ohlie do futuro, que deveriam ficar assim por mais algum tempo antes de melhorarem. Em compensação, os sete Numbers, suas versões do futuro restantes, Sasha, Izzy, Leo e Alice se sentiram renovados. O veneno que atingiu Leo ainda tinha deixado a marca rosada, mas não sabiam o que significava pelo fato de não arder ou corroer.
O capitão N convocou uma reunião numa tenda improvisada com o pelotão principal, que se resumia nos dezesseis elementares principais.
- Estão todos aqui? - Indagou o capitão N de pé em frente a uma mesa de metal retorcida. Seus olhos inchados indicavam o choro que escondia por Raysa.
Todos acenaram positivamente. Mixa estava abraçada no braço de Mack. Alice ficou logo ao lado, seguida por Leo, Nigel e Kiwa do passado. Do outro lado da mesa, Spike arrancava uma meleca do nariz, precedido por Sasha, Zarcag do passado e do futuro, os dois Steves, Izzy e Hector.
- Certo. Depois das lutas recentes e do recadinho desagradável de Polius, precisamos de um contra-ataque à altura. Só faltam dois generais para acabarmos com esse tirano.
- Bem, falar é fácil… mas são os dois generais mais difíceis e o Kraft em pessoa que restam. - Advertiu Hector com uma cara de assustado.
O capitão N pigarreou e respondeu:
- Sim. Por isso, pensei em dividir o grupo atual em quatro frentes de combate, seguindo os passos de Polius.
Ele apanhou uma cesta de frutas no chão da tenda e separou quinze. Com uma caneta, marcou o nome deles nos alimentos:
- A primeira frente precisa retomar o contato destruído entre os relógios comunicadores e também tentar uma conexão com o passado. Por isso, precisamos de tecnologia e comunicação unidas. Separei para essa tarefa os dois Zarcags, Spike, Sasha e Izzy. Psíquicos e elétricos são os mais necessários para um novo sistema.
Os cinco se entreolharam e concordaram. Ele colocou duas uvas, um pêssego, uma amora e uma banana com os nomes dos elementares anotados.
- Ei! - Protestou Spike ao ver seu nome na banana. - É algum tipo de brincadeira comigo? O que eu fiz para merecer isso?
Nigel virou os olhos e explicou:
- Fui mais pela cor do cabelo ou da pele. Isso não é nenhum tipo de ofensa, Spike. Posso terminar o raciocínio?
O loiro se acuou com o comentário, fechando de vez a matraca.
- Prosseguindo. - Advertiu o capitão N. - Depois do ataque recente, é claro que precisamos de proteção forte para o acampamento. Mesmo que eu confie nas tropas elementares de baixo grau, é melhor assegurarmos com forças mais potentes. Por isso, eu ficarei aqui sustentando uma enorme barreira de ar que será capaz de evitar as surpresinhas desagradáveis de Polius. Mas como vou precisar de ajuda, escalei a minha versão do passado, Kiwa e os dois Steves.
Ele ajeitou dois tomates, uma pera e duas ameixas em volta das frutas já postas.
- As plantas são eficazes na cura e o poder de luta pode ser fundamental para um combate direto. - Afirmou Nigel. - E para o general de Água Marinha, pensei em deixar o assunto em família. Afinal, acho que vai ser melhor assim para se entrosarem. Alice, Mixa e Mack. - Nigel colocou uma laranja, uma pitaya e uma cereja estranha azulada de um lado. - E para dar mais um apoio, Leo também irá. - Completou ele com uma lasca de coco.
- Não somos bem uma família… - Constatou Mack um pouco sem jeito, olhando para a menina de cabelos rosados.
- Mas você ainda assim gosta da Mixa. - Lembrou Izzy do outro lado da mesa.
Antes do capitão N prosseguir, um grito de interjeição bradou em um dos cantos:
- Pode parar por aí! - Exclamou Hector irritado, já prevendo o que iria acontecer. - Quer que eu enfrente a maluca da Michelle sozinho? Tudo bem que somos generais, temos a mesma patente, mas o poder dela é absurdamente esmagador em comparação com qualquer outro!
- Hector. - Falou o capitão normalmente. - Eu não disse nada ainda sobre você ir lutar sozinho. Afinal de contas, temos mais quatro integrantes que não estão aqui. Eu acho que é o suficiente para deter aquela esquizofrênica.
Ele pegou um monitor que, apesar de pifando pela falta de sinal, tinha uma mensagem criptografada. Os quatro Stars que ficaram na Ucrânia tinham se recuperado e enfrentariam a general de ametista ao lado de Hector.

~//~

Polius Kraft permaneceu sentado no seu trono de cristal, olhando fixamente para duas telas de computador. Ambos ficaram desligados, já que PK prestava atenção em algo mais importante. Enquanto ele tivesse as partículas de átomos espalhados nos corpos de qualquer ser humano com poderes que não dependessem de suportes, poderia escutar as conversas ao redor com seu poder psíquico. Leo, Alice, Izzy, Sasha, Hector, todos eles apenas possuíam poderes pelo temível átomo K, involuntariamente.
- Tão tolos… eu posso controlá-los a qualquer momento. Quero apenas que se esgotem para o meu real objetivo.
Em seu colo, o Numb V, pertencente à Kiwa do futuro, brilhava levemente com o reflexo dos cristais. Ele ainda a mantinha presa no calabouço localizado embaixo do salão principal, poderia barganhar por outras coisas futuramente. E além dela, Mack do futuro continuava na cela mais fria e longínqua, à espera de um milagre. “O maldito nunca me revelou a localização dos Numbs IV e VII dessa era, nem mesmo torturá-lo deu resultados”. Mas a solução para esse problema foi algo que Polius queria há tempos. Os Numbs de Mixa e Mack do passado haviam chegado àquela era. Os outros quatro tinham duas versões. Seria bem fácil consegui-los.
No monitor mais próximo, a imagem de uma mulher que parecia ter saído do baile de máscaras veneziano surgiu rapidamente. Michelle Ambrosier tinha seu sorrisinho cínico de sempre, fitando o redor da cúpula de cristal. Logo em seguida, a outra tela piscou e uma pessoa com sobretudo acinzentado parecia esperar ordens do patrão.
- Ótimo. Os dois últimos generais aqui. Ou melhor, as duas. Que prazer em vê-las!
- Ai Polius, quanto amor de sua parte. - Ironizou Michelle com um risinho falso. - Sério que só eu e a estranha sobramos? Soube que alguns fraquejaram e mudaram de lado, é verdade?
- Pois é. Sabia que Raysa Vanille e Hector Ramirez seriam fracos e retornariam ao princípio rebelde. O que me frustrou e não ficou nos meus planos foi Thor Vanille. Esperava mais daquele moleque. É claro que não me arrependo da bomba que implantei nele, só que tinha esperanças malignas de que ele matasse a irmã e Nigel Freedow.
Michelle deu mais uma gargalhada enquanto a outra general prosseguiu quieta.
- Água marinha, acho que você já pode se revelar. Ambrosier é maluca, mas leal até a morte para mim.
A mulher acenou e tirou o capuz do sobretudo. Os traços orientais e fortes de Arithia Sensu apareceram num vislumbre perfeito.
- Você?! - Indagou Michelle surpresa, parando de rir pela primeira vez. - Jurei que estava no caixão daqueles moleques na Ucrânia.
A oriental deu um pigarro e afirmou:
- Se você realmente me conhecesse mulher, saberia que sou capaz de aparecer em qualquer lugar por Polius. Serei mais fiel do que qualquer pessoa, isso inclui você.
Polius ajeitou os cachos longos e deu uma risadinha sádica.
- Ela possui poderes psíquicos também. Momentos antes de ser atingida na base dos Stars, substituiu seu corpo por uma réplica perfeita. O azar é que a turmalina verdadeira não pôde ser substituída. Por isso perdeu para a tal da Liscca. Aliás Michelle, sinto lhe informar que os gloriosos Stars estão indo para sua base, aliados ao general de Lápis Lazuli.
A mulher gargalhou mais alto que uma gaivota engasgada.
- Hector e aqueles moribundos não são capazes de me vencer! Vou preparar umas surpresinhas para eles!
E então, a general de ametista desligou-se do monitor.
- Quanto a você, Arithia, tem uma responsabilidade bem superior. O quarteto mais feliz dos rebeldes está vindo aí. Tente retirar os Numbs IV e VII deles e então lhes dê um final doloroso! Porém, não extermine Leonardo Freedow. Tenho planos maiores para ele. Apenas detenha-o de salvar os amiguinhos.
- Entendido, meu querido.
E ela desligou o monitor.
Polius respirou fundo e previu os resultados:
- Se meu cálculo estiver correto, uma delas irá perder. A outra é uma incógnita. Mesmo assim preciso dos outros Numbs. Acho que vou ter que apelar para a minha arma secreta.
E fechou os olhos pensativo, enquanto acariciava o Numb V como um animal de estimação.

~//~

Os grupos partiram rapidamente, assim que as fibras óticas foram concertadas por Izzy. Hector iria primeiro à Ucrânia, onde entregaria as fibras novas aos Stars. De lá, partiriam à Irlanda e enfrentariam Michelle Ambrosier.
Já o quarteto composto por Mixa, Leo, Mack e Alice se dirigiu ao Havaí. Lá, precisariam derrotar o general de Água Marinha.
Os dois Steves, Kiwa e os dois Nigels resolveram patrulhar o acampamento para uma defesa mais eficaz. Enquanto Izzy e os dois Zarcags consertavam o sistema de relógios comunicadores, Spike e Sasha ficaram encarregados de completar o painel que talvez poderia se comunicar com os membros do passado.
- Sério que temos de ficar revirando parafusos e dando choques nesses fios? - Perguntou Spike suando após tentar ligar o gigante monitor com força motriz, sem sucesso.
- Você sabe que é importante fazer isso o quanto antes. Se Heshy ou Merixa conseguiram voltar ao passado, talvez eles deem dicas de como Michelle agiu em sua base. Pode ser a chave da vitória para os Stars e Hector. - Constatou Sasha concentrada, enquanto levitava uma placa metálica com o poder da mente.
- Fazer o quê, né. - Resmungou o Amphere. Ele apanhou uma chave de boca e torceu uma porca com força no sopé do painel.
Meia hora se passou em silêncio. Os dois até progrediram com o alicerce do monitor, que era a parte mais complexa. Com mais três horas a comunicação poderia ser testada. Spike enxugou o suor da testa novamente e olhou de relance para a amiga loira. Suas mechas coloridas caíam pelos ombros enquanto ela resfriava um sistema sem cooler com seu poder de gelo.
- Sasha… - Falou ele um pouco envergonhado. Ela parou o sopro frio que executava e o fitou por um instante. - Como foi que nos conhecemos?
A menina se surpreendeu com a pergunta. Ela ergueu uma sobrancelha e o rapaz ficou encabulado:
- Quero dizer, minha versão dessa era. Você entendeu!
Com um sorrisinho discreto, a Star sugeriu:
- Que tal uma pausa rápida para conversarmos? Estou morrendo de fome.
O loiro nem sequer negou a proposta. Logo, os dois encontraram uma tenda de suprimentos e apanharam dois pães, uma garrafa de suco de limão e uma lata de patê de fígado em conserva.  Como não haviam almoçado, aquilo estava de bom tamanho.
Desceram a parte leste do acampamento e se sentaram perto da guarita nordeste, em um banco improvisado com toras. As cabanas e lonas mais próximas ficavam a 100 metros, numa parte onde a poeira e a terra batida não existiam. Ao redor deles, apenas algumas crianças corriam e brincavam de pega-pega.
- Bem Spike, como você sabe, eu e os outros quatro Stars viemos de partes diferentes do planeta. Você demorou um pouco para conseguir nos reunir, mas foi em busca de talentos capazes de substituir os Numbers, Guardiões e até mesmo confrontar os Generais.
Ela mordiscou um pedaço de pão e prosseguiu calmamente.
- Eu fui a última das integrantes a ser encontrada. Você precisava de alguém que controlasse os poderes de gelo e psíquico ao mesmo tempo. Recorreu aos países nórdicos, onde elementares de gelo são mais comuns, mas nunca encontrou alguém que possuísse o elemento psíquico. Afinal…
-… é o elemento mais difícil de ser controlado. - Completou ele, já recapitulando o que Velho Joe dizia.
- Sim. Ou então, os raríssimos que controlavam o poder psíquico, não tinham outro elemento. Até que um dia, Lis recebeu uma informação de seu pai.
Aquilo quase o fez cuspir o suco na hora.
- Meu pai? Ele sabe que estou vivo e que…
- Claro que sim. Vocês ficaram famosos depois da ditadura poliana. Aliás, com o que aconteceu no planetário e Thor Vanille no passado, é provável que tenha sido nessa época.
Spike decidiu ignorar a fama naquele instante, tentando se focar no seu pai.
- E então quer dizer que o velho…
- O tio Phil ligou para você e falou que você estava perdoado.
Apesar do baque com aquele perdão inesperado, o garoto piscou até perceber que Sasha falou uma palavra em particular:
- Você disse… tio?
Ela acenou positivamente.
- O tio Phil queria te ver porque tinha uma emergência. Ele nunca entendeu os poderes elementares que surgiam nas pessoas a todo momento, mas sabia que o mais próximo da família que poderia falar sobre esse assunto era você. E sua versão do futuro foi até sua nova casa. Além dele, sua tia Marg e a filha dela se escondiam. Como Polius iniciou a ditadura naquela época, elas tinham perdido a casa em que moravam e seu pai as acolheu.
Um silêncio mútuo entre os dois se estabeleceu, quebrado apenas por uma das crianças ao fundo gritando “peguei”.
- E minha mãe? - Indagou Spike com amargura.
Sasha acenou negativamente enquanto limpava o bigode de suco.
- Lamento, mas não soube nada sobre ela.
- Entendo… - Respondeu ele cabisbaixo.
- Seu pai estava com um grande problema. Sua prima tinha desenvolvido poderes psíquicos, mas ela nunca ficou contente com aquilo. Logo, se prendeu em Hibernação Psíquica, provavelmente sem querer ou tentando explorar os poderes mais a fundo.
- Espera um pouco… aquilo que o Zarcag teve na Ucrânia, certo? Você disse que apenas um caso no mundo foi curado e…
- Exato. Você procurou o máximo possível de fontes e descobriu como vencer a Hibernação Psíquica. Sua prima se apaixonou por você e descobriu que queria te ajudar a acabar com a ditadura com os poderes que ganhara. Ela aprendeu a usar o elemento gelo e…
- Você é a filha da tia Marg - Constatou ele corado. - E quer dizer…
- Eu sou apaixonada por você Spike! Por favor, não ria disso, eu devo minha vida a você e…
Ele apenas avançou e a beijou calorosamente. Não importava o azedume do limão nem o odor fétido do patê de fígado, os dois se esqueceram de tudo e apenas se focaram naquilo.
Então, ele começou a receber uma chuva de pensamentos repentinos. Flashes que mostravam um filme em seu cérebro apareciam e piscavam como uma tempestade mental. Spike arregalou os olhos com surpresa, cessando o beijo.
- O que foi isso? Parece que eu te conheci a minha vida inteira…
- O ósculo psíquico. - Lembrou ela ofegante, enquanto se afastava também. - Quando um elementar psíquico beija outra pessoa, não pode haver segredos entre eles. Todos os pensamentos são compartilhados até o presente momento.
- Então eu vi toda a sua vida e seus segredos? - Perguntou ele ao perceber que todas as memórias pertenciam a Sasha. - Você gosta de Maroon 5, odeia salsicha e sonha em ter uma lhama? - Indagou ele sorrindo.
- E você? Tem medo de morcegos, nojo de ovos mexidos e… sabe que Polius Kraft é pai do Zarcag. - Falou ela chocada, tampando a boca com as mãos.
Naquele exato instante, uma figura de cabelos roxos que observava tudo enquanto caminhava para chamá-los à central do acampamento, deixou cair o equipamento eletrônico que segurava. Zarcag do passado ergueu a sobrancelha e olhou irritado para Spike.
- O que foi que ela disse? - Perguntou ele bravo, apontando trêmulo à Sasha. – Eu ouvi bem o que você falou?!
Spike se levantou do banco de toras e deixou cair o suco de limão que restava na garrafa.
- Calma, eu posso explicar…
Porém, a conversa teve de ser interrompida naquele instante. Um zumbido alto e irritante veio mais ao sul do acampamento.
- Que barulho é esse?!- Indagou Sasha tentando tampar os ouvidos.
- Vem da direção em que estávamos! É melhor verificar! - Gritou Zarcag, já correndo em direção ao zumbido.
Os dois o seguiram, com uma pontinha de remorso pelo que acabara de acontecer.

~//~

O castelo da general de ametista parecia a fortaleza das trevas de algum desenho animado de super-heróis. Com o miasma vermelha subindo, parecia prestes a atacar quem se aproximasse.
Almura Johnson, ainda com algumas feridas remendadas pelo corpo, avisou ao grupo:
- É melhor atingirmos o castelo à distância. Ele parece tóxico…
Balicus Willy, a figura roxa brutamontes, se candidatou para realizar o teste. Ele afastou todo o miasma que conseguiu ao redor com seu elemento venenoso e deu um soco elástico no castelo. Sua mão rebateu e ele gemeu de dor.
- É bem dura, mas consigo evitar o veneno. Pelo tipo, aposto que é um alucinógeno.
Os outros quatro concordaram. Hector Ramirez e Liscca Schentziëgr expeliram uma lufada de ar para auxiliar o processo de desintoxicação em Dublin. Quando o quinteto se aproximou, Balicus deu um chute na porta de madeira gigante, que se abriu com um baque surdo.
- Muito bem, onde ela está? - Perguntou ele estalando o pescoço.
- Ali! - Apontou Yenna Kalfari, com a voz um pouco fraquejada, já que ainda se sentia fraco pela luta com Arithia em Kiev.
A direção que ele apontou possuía uma figura sombreada ao longe, com uma névoa rosada transpassando o corpo.
- Não é ela… - Advertiu Hector. - Michelle adora pregar peças.
O ex-general disparou uma bola de ar na figura, que se separou e virou uma horda de fantasmas venenosos.
Novamente, Balicus, Liscca e Hector uniram suas forças e juntaram o ar e veneno para destruir as almas. Em questão de segundos, a arapuca foi desfeita.
- Mostre sua cara, Michelle. - Pediu Almura com um tom de autoridade.
A general apareceu em um dos cantos mais remotos do castelo, com sua máscara veneziana e os cabelos roxos ajeitados.
- Vieram me enfrentar? Pois saibam que vão precisar de muito mais força para encarar a minha sala de espelhos!
De repente, eles estavam em outro lugar. Uma sala maluca, com espelhos cobrindo-os por todos os lados.
- Balicus, me ajude. - Pediu Hector com convicção.
Os dois se uniram lado a lado enquanto os outros assistiam. Em segundos, uma sucessão de socos e um pouco de sangue acabou com toda a farsa.
- Conheço seus truques do nosso treinamento. - Avisou o hispânico.
- Eu sei Ramirez, mas tenho algo melhor para vocês. Só estou testando o nível, mas vejo que foram melhor que aqueles guardiões fraquinhos.
De repente, uma chuva de relâmpagos violenta decaiu sobre eles.
- Yenna! - Gritou Almura para que eles bloqueassem o golpe.
O menino símio disparou a mesma quantidade de trovoadas que pôde para encarar a nuvem de Michelle. Já Al, cobriu a si mesmo e aos parceiros com terra, evitando que fossem atingidos seriamente pelo ataque.
- Nossa vez de atacar. - Avisou Lis, preparando uma bola de fogo em suas mãos.
A chama começou a consumir as sombras envenenadas que cobriam a general. Ela desviou a tempo, mas não contava com uma bola gigante quicante em sua direção. Balicus a atingiu no braço direito. Já Hector, avançou com seu poder aéreo e tentou acertar um cruzado de direita no queixo dela.
Michelle se dissolveu em veneno e lançou um clarão de eletricidade para cegá-los momentaneamente. Porém, ainda haviam mais três Stars. Yenna conseguiu invocar uma planta rasteira e apanhou os tornozelos da mulher. Almura lançou um pedaço grande de terra por cima dela e Liscca aumentou a potência do golpe com uma rajada de ar.
- Desista. Estamos em maior número, você não vai conseguir nos derrotar!
- É aí que vocês se enganam! Estou apenas começando seus tolos…
Então, uma centena de relâmpagos titubeou pelo palácio. Um monte de Michelles Ambrosier surgiu repentinamente em volta deles.
- Qual é a minha real identidade? Todas temos a mesma força e poder, é impossível que vocês nos vençam. - Disseram as cem em uníssono.
- Ignorem essas cópias fracas. A verdadeira não está aqui. Está no telhado. - Avisou Hector, já se levitando com o poder aéreo. Ele socou o teto e quebrou as telhas da torre principal. Em seguida, encontrou uma das cópias da general.
- Como você…
Ela nem terminou de falar e recebeu um soco aéreo, que a fez cair no chão do salão principal. As cem cópias evaporaram no mesmo instante.
- Eu disse que já conheço seus truques. Meu irmão precisa de mim, por isso, só falta eu acabar com você! - Gritou o ex-general com raiva.
Michelle piscou incrédula com as habilidades que o quinteto possuía. Polius havia lhe avisado que eram fortes, mas não imaginou que tanto.
- Eu realmente os subestimei. Mas não pensem que ganharam ainda. Shadow Poison!
A general levantou as mãos e começou a distorcer todo o veneno que tinha ao seu redor. A cor rosa se tornou preta em segundos.
- Não pode ser… - Falou Balicus estupefato. - Veneno sombrio. Fujam, depressa! - Advertiu ele.
Mas era tarde demais. Os cinco estavam em uma zona onde o miasma os atingia. Hector e Lis tentaram expelir a substância com o vento, mas só conseguiram em curta distância, com eles mesmos. Yenna e Almura aspiraram o veneno e começaram a vomitar na hora. Os dois desmaiaram inertes.
- O que é isso? Por que não conseguimos controlar? - Indagou Lis.
- Veneno sombrio transforma todo o veneno em volta em uma substância putrefeita, que mata instantaneamente quem a respira. Yenna e Al não poderão voltar. E eu…
Balicus urgiu de dor. Seu corpo começou a borbulhar como um piche preto, que era consumido pela coisa sombria.
- Balicus! - gritou Liscca assustada.
- É isso mesmo. - Disse Michelle. - Para ativar esse ataque, o usuário sabe que vai morrer em dez minutos. Os usuários de veneno ao redor perecem com a transformação das toxinas em morte gasosa. Mas eu levarei vocês comigo, pirralhos.
- Pare, está fazendo-o sofrer! - Suplicou a ruiva de cabelos curtos.
- O corpo dele possui veneno. Ele está se tornando as trevas, morrendo dolorosamente, como merece… - Avisou a louca general.
Hector berrou pronto para atacar, mas Lis interveio.
- Pare! Ela disse que morrerá em dez minutos. Se você se expuser demais, seu corpo pode ser afetado pelo veneno também!
Ele deu ouvidos à Liscca e parou.
- Escolha errada. Eu ainda posso lutar nesses minutos restantes. Hora do meu X-Proportion! Thunder Acid Wave!
Uma onda amarelada saiu do corpo enevoado de Michelle. Como uma explosão, ela atingiu os dois sobreviventes. Lis e Hector sentiram seus corpos se queimarem com o ácido e ficarem paralisados. O veneno negro penetrou seus corpos, mas felizmente, ainda conseguiam expeli-lo com o ar de seus rostos.
- Não vou aguentar! - Avisou Hector hesitante. - Tenho força para suportar isso por mais uns seis minutos. Não dá tempo de fugir daqui, já que não alcançamos as fibras óticas. Desculpe-me Victor, eu tentei…
Mas o ex-general sentiu uma lufada de ar dobrar o tamanho de sua proteção, o bastante para cobrir o corpo inteiro com uma proteção aérea. Assustado, ele observou Lis, sendo sugada pelo veneno.
- O que você está fazendo?
- Não vou aguentar por muito tempo também! Apenas um de nós pode sair daqui vivo. Pega aquela ametista e suma dessa cidade Hector! Vá atrás de seu irmão!
- Mas e você Lis? Sua família, seus amigos…
- Os meus únicos amigos vivos são Sasha e Spike. Se o futuro em que estamos ficar livre de Polius, não terei morrido. Minha família foi destruída com essa tirania. Ficarei satisfeita ao saber que contribuí para derrotar esse ditador mequetrefe. Agora vai Hector, acabe com essa megera de peruca tingida!
Liscca se contorceu de dor e o hispânico teve de agir. Rapidamente ele se levantou e com toda sua força, disparou um ataque:
- Hora do meu X-Proportion, Michelle! Air Fight Machine!
Com rapidez, ele se movimentou pela névoa negra e chegou depressa à mulher. Uma rápida sucessão de socos e chutes inimagináveis para um ser humano a atingiram fortemente. Michelle, sem força nenhuma, caiu com a máscara quebrada. Seu corpo começava a se derreter e a virar uma fumaça putrefeita e enevoada. Hector apanhou a ametista que pendia na máscara e voou para longe do castelo. O ar que tinha de fôlego acabou na hora. Ele sentiu aspirar um pouco do veneno, mas àquela altura já tinha usado sua fibra ótica. Estaria de volta a Nova Iorque com a penúltima chave para derrotar Polius. Mas perdeu quatro novos amigos, o que valia muito mais naquele instante para ele.

~//~

Os quatro jovens rebeldes designados à missão do Havaí chegaram às ilhas por volta das cinco da tarde, no horário local. A areia continuava branquinha e as plantas tinham vida. Até os vulcões pareciam mais vivos do que as cidades apocalípticas. Será que no paraíso havaiano quiseram reservar algo para desfrutarem da beleza natural?
Leo foi o primeiro a avistar a única diferença naquele lugar tranquilo:
- Há uma construção enorme e firme ao norte. Parece um castelo ou uma prefeitura. As outras casas daqui provavelmente estão vazias, exceto essa que possui movimentação humana.
Mixa, com sua ingenuidade e curiosidade, perguntou a ele:
- Você sabe tudo isso só de pisar na areia?
Leo deu uma risadinha e prosseguiu:
- Bem, areia é um tipo de terra leve e fácil de espalhar. Posso não controlar tudo do jeito que quero numa praia, muito menos montar o castelo de areia dos sonhos, mas a capacidade perceptível melhora consideravelmente.
Mack ignorou o papinho dos dois e observou Alice caminhar com uma expressão séria ao lado. Seus cabelos curtos rosa-chiclete pareciam não se ajustar à atmosfera praiana. O clima entre os dois estava pesado desde que ela enfiara uma estaca de gelo no coração de Lúcia, a general de esmeralda. A discussão entre eles se intensificou quando Alice afirmou ser a favor de matar os generais, enquanto Mack pensava em outras maneiras mais eficazes, como a prisão.
O garoto ainda sentia um pesar na consciência pelos modos que Alice tomou. Ela não era sua filha, mas desde que ele a salvara no passado, sentia que a relação deles se assemelhava a isso. Talvez por namorar Mixa, poderiam ser padrasto e enteada.
E a coisa só piorou quando Mixa retornou do Alasca e anunciou a morte de Neeway do futuro. Agora sem seu pai, Alice parecia irredutível e certa de que nenhum poliano merecia clemência. Talvez se Mack aproveitasse aquele momento para convencê-la de que as coisas pudessem melhorar, eles poderiam voltar a se darem bem.
Confiante, ele se aproximou com calma e perguntou:
- Ainda está brava comigo? Se quiser, a gente pode conversar melhor  a respeito do que aconteceu na América do Sul e...
Ela bufou e revirou os olhos, como uma adolescente recebendo bronca de um estranho.
- Mack, você sabe muito bem que não é meu pai para me dar ordens. É claro que fiquei brava com seu sermãozinho na Amazônia. Mas são águas passadas, só não quero ficar discutindo novamente.
Mixa pareceu notar a discussão, recuando um pouco aonde caminhava a dupla.
- Que história é essa de briga entre os dois? Achei que vocês se gostassem, ou estou enganada?
- Isso foi até ela matar a general de esmeralda com frieza. - Retrucou o ruivo sincero. - E seu pai está no passado agora. A versão do futuro também se sacrificou para dar um futuro a você. Pense bem Alice, o futuro pode ser melhor do que você espera e...
- Não fale dele sem saber de nada! - Gritou Alice irritada repentinamente. - Meu pai fez muitas coisas melhores do que você faria na sua existência. Você fala com essa tranquilidade porque pode voltar ao passado assim que resgatarmos sua versão no palácio de cristal. Você não sabe o que é viver num mundo como esse, onde seus pais deram a vida para te salvar! Aposto que os seus sequer sabem que o filhinho está aqui. Já imaginou o desespero deles? Preocupados só por causa da sua rebeldia?
Mack não sabe como, mas seus sentimentos por Alice sumiram na hora em que ela citou seus pais. Ele pensava neles a cada dia, preocupado pelo rolo que deveria estar em sua casa. Mas sabia que a prioridade era garantir o futuro, depois resolveria o passado.
- Quem não entende nada é você, Alice. Não é motivo de ódio se tornar órfã. Muitos dos meus amigos, Nigel, Zarcag, Heshy, Merixa e Neeway... também perderam os pais de maneira trágica, e ainda possuem a bondade no coração. Você está parecendo uma criancinha marrenta que não aceita a realidade e desacredita num futuro próspero.
Com aquela frase, Mack sentiu a sua bochecha arder. Alice deu um tapa tão forte em sua cara que poderia doer por uma semana.
- Eu te desprezo Mack Branford! Você é um rato por ter deixado todos a sua volta morrerem! Preocupa-se com os malvados sem saber a índole deles!
- Alice, abaixe o tom. - Pediu Mixa, sem sucesso.
- Desculpe-me mãe, mas não irei te respeitar dessa vez. Esse idiota parecia legal no começo. Mas eu tive uma impressão errada! Um cara corajoso não estaria sem vida e preso num calabouço por tantos anos enquanto deixaria o amor de sua vida morrer.
Mack ficou sem reação. Alice, que ele achava meiga e dócil, tinha aquela impressão ruim dele? Não havia mais nada a ser discutido. O garoto se virou e deu de ombros aos comentários sem sentido dela.
- Mack… - Falou Mixa sem graça.
Alice também voltou a caminhar e ignorou a presença do menino por ora. Mais pela frente, Leo pareceu avistar alguma coisa:
- Acho que encontrei o lugar!
O trio o alcançou rapidamente até avistarem o que a outra ponta da ilha possuía. Um casarão à moda antiga, com telhados frontais e janelas quadradas em simetria meticulosa. Os tons azulados e brancos retratavam um ar praiano e tropical, dando charme ao imóvel. Em volta, coqueiros e palmeiras formavam uma orla belíssima.
- É aqui. A base do general de água marinha. - Confirmou Leo. - O estranho é que não há tropas, apenas uma pessoa pelo meu sensor terrestre.
- Tem de ser a pessoa com sobretudo. - Falou Mack. - Vamos entrar juntos.
O quarteto avançou com cautela pela entrada da mansão agradável, preparados para um ataque surpresa. Contaram até três e invadiram. Mixa empurrou a porta e revelou um salão de entrada amplo e brilhante. Várias obras de arte penduradas nas paredes davam a impressão de um museu fechado. O chão de mármore e os candelabros dourados confirmavam o ar classicista. Fora isso, não havia sinal de perigo.
- Vamos lá. - Encorajou a menina de cabelos azuis.
Quando tudo parecia bem, a porta atrás deles se fechou brutalmente. Então, de algum lugar do teto, uma gosma de cor índigo escorreu.
- Afastem-se, pode ser veneno! - Advertiu Mack, empurrando os três para longe da meleca.
A gota caiu no chão tranquilamente e nada aconteceu por alguns segundos. Leo decidiu averiguar de onde aquilo tinha caído, mas acabou sendo surpreendido. A gosma saltou, como se tivesse vida própria, e agarrou-se no peito do menino.
- Ai, tira isso de mim! - Falou ele com uma cara de ojeriza.
- Não se mexe, eu vou congelá-la! - Pediu Alice. Ela tentou esfriar a meleca, mas o negócio começou a crescer. Logo, a ameba cobriu o corpo de Leo em uma perfeita esfera índigo, como uma bolha de sabão gigante.
Os outros três tentaram atacá-la. Mack disparou uma chama ardente, Mixa um jato de água e Alice um raio gelado.
Leo, de dentro da bolha, tentou controlar a terra. Mas nada surtiu efeito.
- Isso não é veneno. - Notou Mixa ao observar a bolha. - É aquele material que o Zarcag usa para atacar! Parece uma barreira psíquica.
Leo tocou na bolha em seu interior e confirmou o que a amiga disse:
- Você tem razão. Se for assim, a esfera só pode ser quebrada com poderes psíquicos.
- Mas de onde ela veio? - Perguntou Alice ao olhar para o teto, por onde havia partido a armadilha.
- Eu tenho um jeito fácil de descobrir! - Exclamou Mack. - Fire Rain!
Um monte de bolas de fogo começou a se acumular pelo teto, queimando parte de um dos candelabros. Contudo, o buraco que se abriu revelou uma figura de sobretudo, assustada pela abertura que surgiu no chão.
- Ali está ela! Ao ataque! - Bradou o Number IV.
- Geiser Lift!
Mixa disparou um turbilhão de água, no estilo de um gêiser frio, e impulsionou os amigos para o andar de cima, exatamente no buraco que Mack abrira. A general de água marinha notou a presença deles e começou a fugir.
Mack e Mixa correram atrás dela. Alice, que tentava ainda quebrar a bolha que prendia Leo, avisou:
- Vou acabar com ela também. Se for a salvação para te tirar daí, é a nossa melhor chance.
- Certo. Mas tenho uma ideia, Alice. Estou sentindo a presença da correria dos três pela terra. Posso não conseguir invocá-la, mas ainda tenho meu sentindo de percepção. O corredor em que estamos é redondo, cerque-a enquanto puder!
A menina acenou positivamente e deu a volta na ala em que subiram. Não demorou a aparecer a mulher de sobretudo do outro lado, surpresa pelo cerco.
- Não pense que vai escapar assim! Ice Gun!
Uma sucessão de tiros congelados tentou acertar o corpo da moça. Ela nem recuou, já sabendo do que se tratava. Os tiros atravessaram seu abdômen, como se ela fosse um fantasma.
- O quê?
A mulher de sobretudo controlou o corpo de Alice com telecinese e a levitou. Em seguida, lançou-a para longe, em direção a Mack e Mixa que chegavam.
- Cuidado! - Gritou ela ao ser arremessada.
Alice caiu no corredor de costas, mas a dupla conseguiu desviar.
A general de ametista agiu rapidamente e pareceu levitar um dos quadros da galeria por um instante. Então, uma escada surgiu em meio a duas obras de arte. Ela subiu enquanto fugia dos dois.
- Vamos logo, antes que essa escadaria suma! - Avisou Mack ao deixarem Alice para trás.
A dupla subiu depressa pelos degraus, que se fechavam mecanicamente. Em segundos, estavam numa sala menor, com um tapete dourado e um monitor de vídeo, perto de uma poltrona de veludo. Os três se encararam por um momento, até o primeiro golpe acontecer.
- Psycho Shards! - Gritou a general, tentando atacá-los com cacos de poder psíquico.
- Fire Shield! - Revidou Mack, defendendo-se dos cortes.
- Fast Wave! - Exclamou Mixa. Uma pequena onda devastadora surgiu de suas mãos e alcançou a inimiga.
- Aqua Absorb! - Defendeu-se.
A água começou a ser sugada pela mulher, como um aspirador de pó.
- Ela controla a água também? Eu aprendi uma técnica dessas quando comecei a treinar, eu acho. - Lembrou Mixa curiosa.
- Então é bom que ela apague isso! Blaze Pins!
Agulhas de pequenas chamas surgiram da palma da mão de Mack. Feito um porco-espinho flamejante, o ataque consumiu o tapete e destruiu o monitor. Até a poltrona ficou com espinhos ardentes no seu veludo rubro.
Mas a mulher se defendeu com uma barreira psíquica. Em seguida, ela lançou o contra-ataque:
- Water Push!
Um pequeno acúmulo de água avançou sobre Mack, que foi obrigado a ser empurrado para o topo da escadaria fechada. A general correu para o monitor destruído, para ver se algo havia sido danificado.
- Já chega! - Gritou Mixa irritada. Está na hora de acabar com suas brincadeirinhas de pega-pega! Jet Torpedo!
A Number VII disparou uma quantidade grande de água pelas mãos e formou uma espécie de impulso, como um flyboard. Logo, ela flutuou em um turbilhão de água, uma flecha de redemoinho perfeita para ultrapassar qualquer barreira psíquica. A mulher, ocupada com o monitor quebrado, não teria chance de desviar.
- Pare! Se você tocar em mim, irá desaparecer! - Gritou ela, falando algo pela primeira vez.
Mack pareceu se levantar do primeiro degrau e olhou perplexo para a imagem. Mixa parou o golpe por um triz. Reconheceu a voz de imediato.
- Essa voz… você…
A general de água marinha tirou o capuz do sobretudo e deixou as madeixas azuis repicadas à mostra. O rosto mais velho não retirara sua beleza e pureza. Mixa do futuro deixou uma lágrima escorrer ao completar a resposta:
- ...sou eu.

Continua...

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Mensagem por Hyurem em Sex 6 Jun 2014 - 19:03

Eae Mud?
Dessa vez não me atrasei nem pulei comment em nenhum capítulo o/
Valeu, lembrei do Hector e agora sei ler o nome da Mixa xD

O capítulo foi muito show. Mas cara, pra que matar quase todos os Stars?! Que coisa. Cuidado, se continuar matando personagens assim vai ficar sem logo logo xD
Eu notei algumas partes que ficaram estranhas:
Esperava mais daquele moleque. É claro que não me arrependo da bomba que implantei nele, só que tinha esperanças malignas de que ele matasse a irmã e Nigel Freedow.
Nessa hora, o Kraft falou como você estava pensando, creio. Acho que um vilão nunca diria "esperanças malignas". Não é um erro, mas achei que deveria te apontar isso.
O menino símio disparou a mesma quantidade de trovoadas que pôde para encarar a nuvem de Michelle.
Quis dizer maior, não é?

Na parte em que o Leo explica o poder de percepção dele pela areia me lembrei de Avatar. A diferença é que o "sensor" da Toff (acho que escreve assim), a personagem que dominava a terra no desenho e que era cega, funcionava mais em terra sólida, e foi dito que a areia era muito fina pra ela captar alguma coisa. Enfim, o total oposto xD
Agora para... O que a Mixa estava fazendo como general de água marinha? Não era a Arithia? Ou foi uma ilusão para enganar a Michelle? Ou ela derrotou a Arithia depois da vídeo-conferência do ditador e das subordinadas? Obrigado deu um nó na minha cabeça -_-

Bem, é isso. Continue assim, quero ver como isso vai terminar.
Até mais!
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Mensagem por Kurosaki Mud em Seg 7 Jul 2014 - 1:11

Olá pessoal. Saindo o capítulo de Julho, tá acabando, faltam 5! Eu tinha previsto até outubro, mas acho que vai até dezembro, ando com o tempo mais curto do que o normal e.e Hyu, DZ e todos que acompanham, não desistam, eu vou terminar issaque, com orgulho :3
O capítulo de hoje tem duas partes. A primeira é complexa e explica todos os mistérios que faltavam da fanfic (quase todos, faltam uns dois que vão ser revelados no penúltimo capítulo e.e) mas vocês vão entender como surgiram todos os elementos, que história é essa de Mixa e Arithia serem a mesma general, porque alguns são bielementares e outros possuem apenas um elemento, e assim sucessivamente. Eu ando muito matador de personagens mesmo, mas estou tentando seguir a lógica do resta 1 -q. Notem que só matei os Stars menos a Sasha e os Guardiões do Futuro, tem uma explicação melhor nesse cap. A segunda parte é uma corrida contra o tempo e a introdução dos três últimos personagens novos da Seven. Quanto aos erros do Hyu, o Kraft tem esse temperamento psicopata de falar sozinho e usar jargões, não foi o que pensei, mas sim o que ele realmente falou xD. E sim, eu errei ali, era a maior, não mesma, bem notado x-x. Eu me inspirei um pouco na menina do Avatar mesmo com os poderes do Leo,a certou xD. Mas não são iguais, tanto que inverti a percepção. 

Bem, desculpem se para variar a formatação estiver ruim, culpa do forumeiros.

XXXIII

Mixa deu um passo para trás, cessando o turbilhão que formou ao tentar atacar seu inimigo. Mack andou lentamente até o lado da namorada, já com bolas de fogo preparadas para qualquer eventualidade. A general de água marinha, que dizia ser Mixa do futuro, ainda chorava com as mãos trêmulas.

- Você sou eu? Isso é alguma brincadeira não é? - Perguntou Mixa confusa, olhando para a versão do futuro e depois para o namorado. - É alguma piada? Onde estão as câmeras?

- Para mim, é alguém que controla poderes psíquicos e está enganando a nossa mente. Simulando uma figura conhecida para nos matar na menor das oportunidades… - Respondeu Mack avançando com cuidado até a general de água marinha.

O cheiro de queimado e de umidade da sala se tornavam mais encorpados enquanto o cerco se fechava. A mulher arregalou os olhos e colocou os braços em posição de defesa ao ver que o inimigo se aproximava.

- Não, eu estou dizendo a verdade! Vocês não sabem o trabalho que deu para que eu enganasse o Polius e enfim conseguisse a ajuda de vocês! Acreditem em mim!

Houve uma pausa longa antes da Number VII dizer algumas palavras:

- Se você é mesmo a minha versão do futuro, então prove. Qual era o nome da minha banda favorita na adolescência?

Mixa do futuro respondeu de prontidão:

- Baked Hazel. E a música era Mad in Nut, com vinte e três segundos de solo do guitarrista reserva. Você aos dez anos pintou o cabelo de azul pela primeira vez e um garoto da sua sala de aula, Lewis, te chamou de alienígena. E você sabe arrotar o alfabeto inteiro, menos a letra M porque…

- Tenho que fechar os lábios ao mesmo tempo. - Completou Mixa com uma sobrancelha levantada. - Ela é boa. Acertou todas.

Mack continuou encarando Mixa do futuro e respondeu:

- Isso não prova nada. E se ela não encontrou sua versão do futuro antes de morrer e usou os poderes psíquicos para copiar tudo em sua mente? Ou então, não observou seus hábitos ou pesquisou a fundo sua vida para...

- Eu já disse que sou eu, Mack! O que você quer que eu faça agora? Quer que eu toque na minha versão de 2014 e a devolva para o passado? - Indagou ela irritada. - Tudo fez parte de um plano meu e de alguns rebeldes dessa era, eu tenho como provar! O Neeway, por exemplo...

- Espera, Neeway? - Perguntou o Number IV irritado. - Agora eu tenho realmente certeza de que ele não prestava, não adiantou ter me ameaçado de morte…

- Mack, espera. - Pediu Mixa gentilmente ao colocar sua mão no ombro do amado. A ira dele se cessou como uma brisa soprando em um dente de leão. - Eu vi o Neeway se sacrificar para me salvar. Ele sabia que eu era importante para estar viva, só não queria dizer o porquê. Se ela realmente planejou tudo com ele. eu preciso escutar os argumentos.

Mack respirou fundo e olhou profundamente os olhos da amada. Ele apagou a chama e abraçou a menina.

- Está bem, vamos dar uma chance. Por você, não por ela e muito menos pelo idiota dos fones de ouvido.

Mixa do futuro deu um pigarro para limpar a garganta, até que começou a falar:

- Bem, tudo começou nos primeiros anos da ditadura poliana. Pouco a pouco, Kraft tomava casas, cidades, nações e continentes como um jogo de War em vida real. Os rebeldes eram fortes naquela época, pois tínhamos o Mack como líder, Spike como braço direito e eu como apoiadora. Até Velho Joe dava conselhos e estrategemas de guerra que eram fundamentais. E a massa populacional que se assustava com a imposição dos poderes e de um novo governo apoiava a gente.

Ela deu uma pausa leve e continuou:

- Entretanto, Kraft tinha libertado algum tipo de vírus pela Terra que fez com que a maioria das pessoas começasse a adquirir poderes e elementos distintos. Ele inclusive criou novos elementos artificiais e inusitados, onde a pesquisa dos Numbs e Equip XX jamais conseguiu chegar antes.

- Gelo, terra e veneno. - Concluiu Mixa prestando atenção na história. - É por isso que não existem Numbs ou Guardiões desses tipos em nossa era?

- Exatamente. Portanto, quem consegue manipular um desses três elementos ou qualquer outro dos sete sem o auxílio de um suporte ou objeto, é considerado um infectado pela Possessão Molecular. 
- Poção o que? - Perguntou Mack confuso ao repetir a palavra.

- Possessão Molecular. É um tipo de átomo que ficou conhecido por Velho Joe como K, de Kraft. É o vírus nos corpos dos elementares, o que dá forças para eles controlarem elementos de qualquer natureza sem o apoio de nada. Alice, Leo e 98% dos humanos que desenvolveram esse vírus, estão com poderes apenas pela força de Polius.

- Mas, espera um pouco. - Interrompeu Mixa. - Quer dizer que Polius os controla? E pelo que eu saiba, para que Velho Joe e Ignoto pudessem criar os elementos, eles tiveram que sacrificar Tuani, ou estou enganada?

- Você tem razão nas duas afirmações. - Explicou Mixa do futuro. - Primeiramente, Velho Joe descobriu que Polius já havia sacrificado a pessoa que mais amava para desenvolver os chips de diamantes no início dos anos 2000. Por isso, quem possui um átomo K no corpo, é proprietário de um dos microchips que vocês viram na Torre Arco-Íris e na aura sombria que era PK. Esses microchips se multiplicaram e viraram a proliferação doentia dos elementos, incluindo os artificiais. Mas para que Polius tenha controle dos chips e possa comandar um exército de todos os seres humanos infectados, ele precisa de uma coisa que não possui atualmente. Alcance!

- Alcance? - Perguntaram Mack e Mixa ao mesmo tempo sem entender.

- Sim! Na Torre Arco-Íris, os nossos amigos guardiões só eram possuídos pela aura de Polius porque ele estava no sétimo andar, ou seja, a menos de um quilômetro dos alvos. O mesmo acontece com ele atualmente. Para que consiga controlar todos do mundo, ele precisa espalhar seu poder sombrio além dos microchips. A força que eles possuem é mínima, se comparada com o que ele pode fazer por perto. Ainda mais preso naquela fortaleza de cristal em Nova Iorque.

- Mas como ele pode conseguir esse alcance? - Indagou Mixa começando a roer as unhas.

Mixa do futuro ajeitou uma das mechas repicadas dos cabelos e continuou:

- A resposta é bem mais simples do que podemos imaginar. Pensem em algo que alcança a todos nós, mais rápida que o vento e mais poderosa do que o som…

Os dois pararam um pouco para responder, mas Mack adivinhou de antemão:

- A luz. O Sol alcança a todos, mesmo estando longe. É claro que as sombras se opõem a ela e abrigam algumas pessoas, mas eu sinceramente não vejo outra coisa que possua mais alcance e rapidez do que isso.
- Exatamente, Mack.- Sorriu a moça de cabelos azuis. - Se Polius tivesse o poder da luz, conseguiria o alcance necessário para controlar o mundo. E qual é o jeito mais eficaz de conseguir o elemento luz?
- Instalando uma luminária gigante na Lua? - Brincou Mixa do passado.

- Não. - Falou Mack seriamente. - Juntar os sete Numbs originais.

Mixa do futuro assentiu em concordância, sentando levemente na poltrona de veludo queimada.

- Esse é o plano de Polius. É por isso que ele não se opôs diretamente quando Alice tentou trazê-los do passado. É claro que vocês possuem o poder de se unirem novamente e se sobressair nele, dando o fim absoluto de Polius em qualquer tempo ou dimensão. Mas ao mesmo tempo, se ele colocar as mãos nos sete Numbs, não haverá era que ele não possa alcançar. Ele terá em mãos a luz e a escuridão, o tempo e o espaço, poderá controlar tudo que vocês jamais pensaram em conhecer e ser imortal.

Aquilo definitivamente assustou a dupla, que ficaram mais abraçados do que nunca.

- Os elementos originais representam a composição do universo. A água e o ar que compõem a vida, a grama que representa a natureza, o trovão que simboliza a energia, o fogo que é o que aquece a todos e nos une e por fim, os dois elementos que significam a humanidade: a força bruta e a mente, representados pela luta e o psíquico. Por isso, quem possui todos eles, consegue a luz ou as trevas. A luz é dada àqueles que juntam de boa fé os elementos. As trevas, é a junção forçada, criada para causar a discórdia e o mal. Acho que vocês se lembram disso quando Tuani apareceu pela primeira vez, na época em que fomos resgatar o Velho Joe das mãos de Zarcag. 

- Sim, Polius também já conseguiu na Torre unir os elementos forçadamente, criado pelos chips de diamante. E eu uni todos para formar a luz. A luz venceu. - Lembrou Mack sobre o que aconteceu no ano anterior. - Mas Polius já juntou os Numbs no passado e formou as trevas. O que o faz pensar que dessa vez, os elementos formarão a luz?

Mixa do futuro ficou com uma expressão melancólica e enfim respondeu:

- O objetivo de Polius vai além de só conseguir os Numbs. Na Torre, todos os sete donos deles estavam vivos, por isso os elementos foram forçados a entrar no seu corpo, os Numbs tiveram de ser arrancados por ele, e não abdicados pelos donos. E só há três maneiras de um Numb não pertencer mais há uma pessoa. A primeira, como vocês já viram no passado, é quando o próprio Numb rejeita seu dono por vontade própria. 

- Eu lembro disso. - Falou Mixa do passado. - O Numb V rejeitou Nigel quando o conhecemos na Frozen Pig, por não considerá-lo leal ao tentar ferir a gente. Só que Polius deve saber que provavelmente os sete Numbs não lhe aceitariam como dono, então por quê ele vai tentar isso?

- Porque há dois outros métodos de se abdicar um Numb. O segundo método é óbvio também, o Number o abdica por vontade própria. E por fim, o que PK realmente espera que aconteça: quando o Number morre, o primeiro que conseguir tocar em seu Numb é considerado superior ao antigo vencedor, portanto, eles são obrigados a aceitarem seu novo proprietário, mesmo que as ações dele sejam indignas.

- O quê?! - Perguntou Mack estupefato. - Quer dizer que se ele matar os Numbers e pegar todos os Numbs antes de alguém, ele será dono deles sem nenhuma rejeição?! Isso é… um absurdo, como você sabe disso tudo?

- Eu mesma fiz o teste. E além de mim, apenas Neeway, Mack e Velho Joe sabiam do plano.

Aquilo fez Mack quase ter um ataque do coração. Ele mesmo estava envolvido naquela jogada.

- Eu irei explicar tudo sobre o plano, mas preciso terminar os detalhes. - Pediu Mixa do futuro pacientemente. - Pois bem, assim que eu terminar de contar tudo, vocês precisam acreditar em mim, pois Polius planeja matar os Numbers restantes e conseguir o alcance da luz. Isso inclui vocês dois.

Mixa concordou de imediato, já acreditando que aquela realmente era sua versão do futuro, mas Mack ainda desconfiava.

- Voltando ao ano de 2019, quando a revolução poliana chegava a um ponto grave, Joe era o único que sabia sobre o átomo K e todas as especificações dos Numbs. Mas ele precisava testar os meios de se obter um Numb de bom grado. Por isso, eu e Mack nos oferecemos sem que o restante descobrisse. Nossa filha estava prestes a nascer e o átomo já tinha até mesmo chegado a Leonardo, o filho de Kiwa com Nigel, que começou a desenvolver poderes do elemento artificial terra, e…

- Calma, você disse nossa filha? - Entonou Mack com surpresa ao que ela afirmou.

- Exatamente. - Continuou Mixa. - Sim, Mack, você é papai. Alice é sua filha. Precisamos chamar Neeway na época para que vocês dois simulassem a briga e enganassem a todos, pois desconfiávamos do espião na base, que posteriormente descobrimos que era Arithia. Foi a melhor forma de salvar Alice do que viria a ser um futuro desastroso. Você fez Neeway prometer não revelar esse segredo a ninguém e que defenderia Alice e eu com unhas e dentes. Tiveram até que adulterar o exame.

Mack corou de imediato. Então fora por isso que ele e Neeway brigaram. Esse também foi o motivo da ameaça de Neeway do futuro no dia em que a guerra se iniciou. Desde o começo, ele sabia de tudo e estava cumprindo ordens da sua versão do futuro. E morreu tentando salvar Mixa. Justo ele, que sempre foi apaixonado pela menina no passado.

- Sabíamos que haveria uma invasão poliana na base e nos preparamos com antecedência. Eu havia aspirado um átomo Kraft durante a gravidez e conquistei um segundo elemento, o psíquico. Sendo assim, consegui treinar o suficiente para criar uma cópia ilusória e acabamos simulando a minha morte. O que de fato não pudemos evitar, foi o falecimento do Velho Joe, não contávamos com isso. Tudo foi feito para que enganássemos Kraft, e deu certo. Ao mesmo tempo que fizemos ele acreditar que Arithia tinha uma cópia holográfica, que seria a general de água marinha e de turmalina ao mesmo tempo, usei meus poderes psíquicos para me passar por ela. 

- Mas se a Arithia era o Zarcag do futuro… como foi que isso nunca deu problema?

- Como nós sabíamos que ela era a espiã e se infiltrou, usamos meus novos poderes para manipular a memória dela. Só que não pudemos evitar a presença dela na base, Mack foi levado para o calabouço por Kraft, que pegou de surpresa mais uma vez. Como eu estava supostamente morta, Neeway ficou responsável por ficar de olho nas suas ações e me contá-las. Eu soube de toda a história para trazê-los de volta a essa era e de que ela trocaria as fibras óticas, Neeway fez com que as vontades dela fossem atendidas, para que Polius e Arithia não desconfiassem de nada. Sabíamos que em algum momento, quando a maioria dos generais se fosse, seria o momento certo para eu me revelar a vocês.

Mixa sorriu em resposta à versão do futuro. Mas Mack ainda estava encucado:

- Se o motivo de nos trazer de volta para o passado, tanto de Polius quanto de vocês, foi a união dos Numbs, isso quer dizer que ele não tem em mãos o VII e o IV dessa era. Onde eles estão, afinal?

- Até hoje não soube o que aconteceu com o IV. Mack o escondeu de Polius de algum jeito depois da minha morte. Ele disse que conseguiria enganar a todos, que descobriu um jeito eficaz. Foi na mesma noite em que ele foi capturado e levado ao calabouço de PK, por isso não sei seu paradeiro. Já o VII foi destruído por mim, Joe e Mack. Não tivemos alternativa, se a presença dele fosse sentida por Polius, ele iria atrás e saberia que eu estava viva. No início, achei que abdicar seria o suficiente, mas Joe quis garantir que Polius não conseguisse ficar com os Numbs reunidos. Por isso, quebrou o VII com o único jeito de se destruir um Numb.

- E qual seria? - Perguntou Mixa massageando o próprio Numb VII.

-  Lágrimas de amor verdadeiro, como Joe sempre suspeitou. Como o VII estava sem dono, bastou que eu derrubasse lágrimas por Mack, que estava do meu lado, e então o Numb virou uma poça de água, o elemento que ele controlava. O espírito da vida do Numb foi feito por sacrifício de amor verdeiro. Sua destruição, é o pesar, o arrependimento, as lágrimas sinceras desse mesmo sentimento.

Houve outra pausa e Mixa do passado também começou a chorar. O que intrigava Mack, porém, era o paradeiro do Numb IV naquela era. É claro que Velho Joe e suas versões futuristas imaginaram que separar os Numbs traria esperança de que Polius nunca controlaria o mundo, mas Mixa viu que estavam enganados, apenas a união deles poderia vencer Kraft de vez. Mesmo que isso custasse a derrota, pois caso falhassem e fosse Polius quem obtivesse os sete Numbs antes, ele seria indestrutível. 

E se o VII estava destruído e o ditador só tinha o V em mãos, já que sequestrou Kiwa do futuro, só havia uma explicação cabível: o IV ainda estava naquela era, escondida em algo inimaginável até mesmo para PK, pois ele ainda mantinha Mack do futuro preso no calabouço de sua fortaleza. Apenas ele sabia o paradeiro do Numb IV da época. Por isso era mantido confinado e vivo. Mas Mack do passado viera para aquele ano de 2029. Ou seja, ele seria o plano B de Kraft.

- Falando em amor verdadeiro, você disse que Polius já havia feito um sacrifício de amor para conseguir os elementos artificiais. Quem ele matou no passado? - Perguntou Mack um pouco sem graça por estragar o momento.

As duas Mixas limparam as lágrimas ao mesmo tempo. A do futuro respondeu:

- A mulher dele. Mas isso foi bem antes de tudo isso acontecer. Foi daí que os microchips ganharam força e se tornaram fortes contra vocês. Bem, só para completar a minha explicação, me infiltrei como general de Polius, para que ele pensasse que eu fosse a verdadeira Arithia. Porém, é tudo parte do plano do Mack. Se seus amigos vencerem Michelle em Dublin, teremos as dez pedras reunidas para entrar na fortaleza, libertar Mack e unir os sete Numbers para destruir Kraft de vez!

Aquilo pareceu animar os três, como se a esperança fosse revigorada. O plano de Mack do futuro deu certo, pelo jeito.

- Ok, Mixa do futuro, eu acredito em você. - Falou Mack sem graça. - Só tem uma coisa que ainda não entendi. Se o Numb VII dessa era está destruído, como você possui poderes de água? Quro dizer, o átomo Kraft que você aspirou é psíquico, então a água…

- Bem Mack, algumas pessoas dessa era, tanto do bem quanto do mal, são bielementares. Elas aspiraram o átomo K especial, que foi pouco difundido por Polius, já que exige muito poder. Segundo o Velho Joe, Polius conseguiu introduzir dois átomos, um dentro do outro, para que uma pequena parcela da população conseguisse dois poderes elementares. Daí surgiriam seus generais, que iriam conseguir controlar dois elementos, superiores a quem fosse contra seu regime. Joe estima que 20 átomos foram espalhados com essa função. A maioria que inspirou o duoátomo, como ele é chamado, consegue desenvolver dois poderes elementares após muito esforço. É por isso que não é fácil encontrar um bielementar no planeta. Kraft tinha os vinte em mãos, mas após uma tentativa de ataque nossa, deixou que sete deles escapassem. Os outros treze, ele manteve trancafiados consigo.

- Sete… quer dizer que apenas sete pessoas no mundo todo conseguiram aspirar um duoátomo? 

- E vocês conhecem os sete. É claro que, algumas pessoas, respiraram o duoátomo, mas possuíam o elemento natural do suporte. É o caso dos guardiões, Heshy, por exemplo, tinha o poder da água que foi colocado em seu Equip XX, criação artificial dos Numbs. Mas, ao mesmo tempo, respirou um átomo comum de gelo e se tornou bielementar.

- Entendi. Por isso todos os guardiões tinham dois poderes, enquanto os Numbers e as tropas comuns não conseguiram nenhum poder extra. - Constatou Mack.

- Exatamente. E quem são os outros bielementares que conhecemos que não têm nenhum Equip XX ou Numb, mas mesmo assim, possuem dois elementos?

- Cris e Kalel. - Lembrou Mixa. - Os dois aspiraram os duoátomos.

- E os cinco Stars. - Concluiu Mack. - Então Spike…

- Mack, você conhece Spike há dois anos, e sabe que não dá para esconder nada dele, não é mesmo? Tivemos que contar a ele, um pouco antes da minha falsa morte, todo o nosso plano. Sua versão do futuro deu uma missão a ele. Com a desculpa de que iria recrutar um time reserva que pudesse ser forte o suficiente para vencer Polius caso os Numbers e Guardiões falhassem, ele deveria buscar as outras pessoas que inspiraram o duoátomo, já que Cris e Kalel se voluntariaram para ajudar os rebeldes após descobrirem os poderes duplos.

- Agora tudo faz sentido. Mas então, quer dizer que Polius ainda detém treze duoátomos? - Indagou Mack.

- Ele possuía treze. Agora, são apenas três, Mack. - Explicou Mixa do futuro. - Você não pode se esquecer dos generais. Cada um de nós passou por testes absurdos para virar um sublíder poliano. Com treinos e lutas mortais, eram milhares de pessoas que estavam ali a favor de Polius, ou então, sendo obrigadas por ele com algum tipo de ameaça ou chantagem. Enganei bem usando só o poder psíquico, desenvolvi ele brilhantemente. Todos tinham apenas um poder já adquirido pelos átomos. Eu tinha o psíquico, Hector o poder de luta, Raysa e Bobby a água, Thor o fogo, Lúcia o gelo, Kihar a terra, Michelle o trovão e Theodore o veneno. Ele escolheu nós nove para sermos os generais campeões que mereciam o cargo mais alto da patente, os que iriam receber mais recompensas pelos atos de ditadura. É claro que ele sabia que eu era uma cópia de Arithia, enquanto sua única real serva se passava como Zarcag na base. Ela foi a cobaia das Pedras Preciosas, recipientes projetados com os duoátomos.

Ela pausou e respirou bem antes de prosseguir a longa explicação:

A Turmalina foi a primeira delas, com poderes psíquicos para que ela usurpasse os poderes de Zarcag e se infiltrasse na base. Deu certo. As outras nove pedras foram entregues de outra maneira. Primeiramente, os três mais leais a ele, exceto eu, receberiam os novos elementos, gelo para Bobby com a Safira, veneno para Michelle na Ametista e terra para Theodore, na Ônix. Thor, devido ao nome, ficou com o trovão do Topázio. Raysa queria o mesmo poder do irmão e ficou com fogo no Rubi. Lúcia, a viciada em chás, queria ervas especiais e pegou a pedra de Esmeralda, da grama. Kihar recebeu o poder de Luta da pedra de Obsidiana. Sobramos eu e Hector, que era o único general forçado a ficar lá, já que seu irmão foi aprisionado por Polius. O maluco achou que ele tinha potencial para desenvolver os poderes, e acertou em cheio. Bem, como ninguém podia saber minha identidade, já que eu era um “clone da Arithia”, Hector pôde escolher entre a Água Marinha da Água e a Lápis Lazuli do Ar. Optou pela segunda, ainda bem. Como já estava habituada com a água, não tive problemas para controlar aquilo. Graças a memória alterada de Arithia e o sucesso dela ao enganar Polius, ele sabia que caso a identidade de Zarcag do futuro fosse descoberta, que as cópias mudariam de lugar, o que seria uma vantagem a ele. E assim aconteceu, ele acha que eu sou a Arithia verdadeira e a que está no caixão de ametista que ficou na Ucrânia é uma cópia, mas ledo engano. Quando vocês chegaram aqui, eu tive de fazer o que as câmeras de segurança mostravam, ou seja, as ordens de Polius deveriam ser seguidas. Prendi Leo numa esfera, parece que PK tem planos grandes para ele. E evitei que Alice acabasse com meu disfarce. Aqui nessa sala, o único meio de me comunicar com ele é o monitor, que quebrei enquanto lutava com vocês. Por isso pude me revelar, sem que ele descobrisse nada.

Depois de entenderem tudo, finalmente Mack e Mixa ficaram confiantes de que ela falava a verdade por completo.

- Então precisamos agir logo. O que você acha que Polius pretende fazer? - Indagou Mack.

- Bem, além de servirem como suportes, é fato que as pedras preciosas são chaves para quebrar a cúpula de diamante que separa a fortaleza do resto do mundo, em Nova Iorque. Enquanto as pedras não forem destruídas, ainda mantenho os poderes de água, tal qual os outros generais ainda vivos continuam com seus elementos secundários. Porém, aposto que Polius tem mais três generais secretos.
- Três? Por quê? - Indagou Mixa perplexa.

- Ao abrirmos a fortaleza, as tropas de guarda são fichinhas. Mas Polius prefereria enfrentar um número bem menor de pessoas, é claro. E precisa que os Numbers sejam destruídos, mas não os Numbs. Por isso, ele ainda possuía três duoátomos que aposto que deixou guardado para uma tropa extra. Se seus amigos forem pegos por eles, não sei o que poderá acontecer…

- Então temos que voltar depressa e avisar aos outros antes que eles tomem qualquer passo equivocado. - Afirmou Mack. 

Tudo parecia bem, mas de repente, uma explosão atingiu a escadaria secreta. Deslizando numa trilha de gelo, surgiu Alice com seus cabelos cor de rosa curtinhos.

- Aí estão vocês. Precisamos derrotar essa mulher rápido, antes que…

Porém, o que a menina viu foi Mack e Mixa defendendo uma figura que ela só conhecia por fotos. Sua mãe.

- Oi filha. - Falou ela com leveza.

Alice parou para pensar um pouco. Mack e Mixa pareciam não lutar com ela. E pelos poderes que viu a mulher usar, sabia que ela tinha o elemento psíquico. Ou seja, a figura que ela observava agora era uma ilusão. Sua mãe tinha morrido, não podia estar ali. E Mack e Mixa deviam estar hipnotizados. Tudo que precisava fazer para enfrentar Polius, era pegar a pedra de água marinha que estava nas mãos da general. Então, Alice agiu:

- Não vou cair nesse truque barato! Freeze Slider!

Ela deslizou com se estivesse em um lago congelado e fosse uma patinadora profissional. Com uma rapidez e tanto, deu um chute na mão da inimiga e pegou a água marinha.
- O que você está fazendo, filha? - Perguntou Mixa do passado assustada.

- Alice, você entendeu errado, ela é mesmo sua mãe! - Gritou Mack chocado.

- Não posso dar ouvidos a vocês! Estão hipnotizados! Eu vou entregar a pedra ao Izzy, mas juro que volto para tirar vocês e o Leo das mãos dessa farsante.

Alice pegou a fibra ótica. Mixa do futuro tentou agir:

- Water Impact!

Alice deu um rolamento para a direita e disse:

- Você está se passando bem como minha mãe, até a água conseguiu copiar. Por isso minhas estacas de gelo não funcionaram lá embaixo, você é uma bielementar das boas. Mas está na hora de eu dizer até logo.
No momento em que desapareceu com o teleporte, Mixa do futuro tentou outro ataque:

- Paralyze Psycho!

O impacto do golpe pareceu atingi-la por uma fração de segundo, mas ela havia conseguido fugir.

- Droga, vamos atrás dela! - Avisou Mack já preparado para apanhar sua fibra ótica.

Porém, ele não conseguiu se mexer. Nem as duas Mixas conseguiam.

- O que aconteceu? Por que estamos imóveis? - Perguntou Mixa do passado desesperada.

- O meu ataque. - Comentou a do futuro. - Na hora do desespero, ao pensar que Alice estragaria nosso plano, eu o utilizei com muita força. Ele faz com que quem seja atingido fique paralisado por uma hora, podendo apenas falar e respirar. Nem mesmo um elementar psíquico ou quem usou o golpe consegue quebrar esse tempo ou revertê-lo.

- Isso quer dizer que…

- Até lá, seus amigos podem estar em perigo. - Concluiu tristemente Mixa do futuro. 

~//~

Todos os presentes no acampamento rebelde estavam de frente para o telão que poderia ligá-los ao pessoal do passado. A máquina soltava zumbidos depois que Izzy começou a mexer nela. Spike, Zarcag e Sasha chegaram a tempo de ver uma figura tremeluzir na tela. Os três não trocaram mais palavras depois que a grande revelação de Polius Kraft ser o pai de Zarcag vir à tona.

- O que está acontecendo? Que barulho incômodo é esse, Izzy? - Perguntou capitão Nigel sobrevoando as cabanas e os telões, com as mãos nos ouvidos.

A tela soltava mais vibrações sonoras enquanto o pequeno garoto de moicano ajustava o monitor.

- Perdão, capitão. Consegui terminar o novo modelo de relógio comunicador e vim contar a novidade. Mas encontrei a tela aqui com quase tudo pronto, parece que Spike e Sasha fizeram um ótimo trabalho.

Os dois se olharam de relance e sorriram levemente com o elogio.

- Mas por quê essa coisa está fazendo esse som tão alto? - Indagou Steve do futuro com uma cara de raiva.

Izzy torceu uma porca na base do monitor e a figura da televisão começou a ficar menos chuviscada. Com um pouco mais de tempo, lá estava o idoso criador dos Numbs, velho Joe, com sua imagem diretamente do passado.

- Meninos, corram aqui! - Pediu ele olhando para trás. - Deu certo, eu acho.

Todos os rebeldes olhavam com surpresa ao telão. Zarcag sorriu de imediato, acenando ao mentor de quinze anos no passado.

- Estive consertando a máquina do tempo e o comunicador dela nesses últimos instantes, finalmente consegui a primeira parte. Vocês estão me ouvindo bem?

- Sim. - Respondeu Izzy animado. - Acho que a nossa máquina comunicadora também precisava desses ajustes. Você é Joe Freedow do ano de 2014, não é?

O velhinho confirmou e respondeu:

- Exato. E provavelmente, você é Izzy, o filho da…

- Izzy! - Gritou alguém atrás de Joe. Era Merixa mais animadinha do que o normal, com poucas feridas já tratadas pelo corpo.

- Mãe? Você está viva! - Urrou ele surpreso e com os olhos lacrimejando.

- Sim. Eu e o Heshy estamos bem. Sinto muito, perdemos para a general de ametista, mas Heshy do futuro tocou na gente antes de vermos o que ia acontecer. Acho que não foi algo bom, não é mesmo?
Izzy negou cabisbaixo, já se lembrado do falecimento de seu pai.

- Eu também estou bem! - Gritou Neeway, surgindo de trás dos dois. Logo em seguida, Ohlie e Counie apareceram sorridentes. Ohlie do futuro, mesmo sem sua visão, ouviu a voz da versão de 2014 e sorriu orgulhoso. Os dois Steves acenaram para Counie aliviados.

A conversa durou aproximadamente duas horas entre rebeldes e pessoas do passado. Os do futuro contaram os resultados das lutas e as que estavam sendo executadas naquele instante, enquanto o pessoal comandado por Joe relatou como chegaram ao serem tocados pelas versões futuristas, o assédio irritante dos jornalistas e a aventura que tiveram de vencer contra Polius em sua forma atômica.

- Expulsamos ele por enquanto, colocando-o numa esfera elétrica criada por Neeway. - Explicou Joe.

- Mas, se Polius é uma forma plasmática e viral nesse tempo, será que o nosso também é assim? - Indagou Izzy duvidoso. 

- Quem sabe ele não reconstruiu o corpo depois de fugir dessa gaiola. - Deduziu o capitão N. - O problema que mais me intriga é saber que a maioria de nós possui um átomo K dentro de si. Se esse tirano pensa que pode controlar o meu filho ou qualquer outro rebelde para nos matar, ele vai ver só o que lhe espera!

Joe fechou os olhos e respirou fundo.

- Entendo sua preocupação meu neto, mas sabemos que Polius não possui força o suficiente para controlar a todos, senão já teria feito isso há algum tempo. Meu palpite é que ele só comande quem estiver muito próximo dele. Sugiro que invadam a fortaleza assim que possível e permitam que os Numbers o vençam, por precaução.

O capitão N concordou com as palavras do avô.

- Além disso, temos um plano B. Em pouco tempo, consigo terminar de consertar a máquina do tempo mais uma vez. Eu vou enviar dessa vez o meu inalador de átomos em escala global. Se ele realmente funcionar com a substância que coloquei como amostra, todo o átomo será sugado e convertido em ar puro, quebrando esses microchips polianos. Mas saiba que, ao fazerem isso, o poder de todos os rebeldes elementares que não detenham um suporte, será perdido.

O silêncio reinou após as profundas palavras de Joe. A maioria dos elementares ali presentes se olharam com uma cara confusa.

- Uma vida sem poderes elementares… - Falou Artok Barille, um soldado de confiança que controlava o elemento fogo. - Não vou poder mais esquentar as coisas do jeito que quero ou acender o fogão com rapidez.
- E eu não conseguirei mais voar pelos céus. - Lembrou a subtenente Park Louis, uma elementar do tipo ar.

- Meus pacientes não poderão mais ser abastecidos com as ervas que necessito. - Lamentou-se a enfermeira dos rebeldes Elisa Hernania.

Um pequeno alvoroço se instaurou na multidão descontente. Ao mesmo tempo que os soldados simples comemoravam pelo fato de não estarem em pé de desigualdade com o final dos elementos, os que já haviam se acostumado com eles na última década odiavam o fato de perder aquele poder. Quando um ser humano é mais forte que o outro, é duro perder a razão de sua força subitamente. O capitão N teve de controlar a situação:

- Acalmem-se, por favor pessoal! Sei que é difícil nos acostumarmos sem os elementos, mas nossas vidas voltarão ao normal! Éramos fortes sem eles, continuaremos sendo e num mundo onde Polius Kraft não domina.

- Para você falar é fácil! - Gritou Rubino Alle, um tenente forte do terceiro batalhão que controlava o veneno. - Você possui um Numb! Os Numbers irão ficar com seus poderes depois que esse inalador funcionar. A gente não! Quem nos garante que não seremos forçados a tê-los como novos ditadores?

Uma boa parte do grupo pareceu concordar, incluindo os soldados sem elementos. Nigel não sabia o que responder, mas Velho Joe pareceu entrar na briga diretamente do telão.

- É sério isso? Vocês acham que Nigel, Steve ou Zarcag podem dominar o mundo em que vocês vivem assim que derrotarem Kraft? Que vergonha escutar isso! Eu, que criei os Numbs, sei muito bem que eles possuem sentimentos, os mesmo que pertenceram à minha amada mulher Tuani! E se uma ação feita pelo Number for indigna, os Numbs abdicam de dar a força ao seu combatente! Mas isso não é nada, pois eu, que nunca tive nenhum poder, sei que posso confiar nessa alternativa. Meu neto e seus amigos são mais do que capazes para derrotar Kraft e conseguirem que o mundo volte ao normal. 

A multidão se silenciou e Nigel do futuro aproveitou a oportunidade:

- Exatamente! E se for necessário, eu mesmo irei destruir o meu Numb para provar que podemos viver juntos, sem que um ditador nus suborne com os poderes! Devo minha vida a todos que perderam as batalhas e tentaram nos salvar com o sangue que derramaram! Minha mulher está presa naquela fortaleza, meu filho está lutando no Havaí, todos estão se esforçando para criar um mundo melhor! Não é por mim, nem por Steve, nem por Zarcag. É por todos nós!

Naquele instante, Elisa foi a primeira a levantar a mão em apoio ao capitão, se desculpando pela indecisão. Em seguida, todos os soldados, elementares ou não, colocaram os punhos ao ar. Um som uníssono de força e valentia foi clamado por aquelas pessoas. Polius Kraft perderia os átomos assim que o inalador fosse enviado ao futuro.

No meio da discussão, um flash de luz surgiu ao lado direito do telão. Hector Ramirez desabou no chão, segurando uma pedra roxa brilhante na mão direita. Seu rosto de galã hispânico começava a ficar preto, como se estivesse entoxicado.

- Hector! - Gritou Nigel do passado ao se aproximar do amigo.

Kiwa que também estava perto invocou algumas ervas desintoxicantes com a mão direita, colocando-as no buço do ex-general.

- O que aconteceu? Onde estão os Stars? - Perguntou Nigel assustado.

- Michelle era muito forte. Estávamos vencendo, mas ela apelou para um veneno sombrio. Yenna e Al aspiraram e morreram na hora, Balicus… - Ele pausou para respirar e começou a tossir. - Prefiro nem comentar o que o corpo dele virou. Lis me deu o resto de poder para matar Michelle e voltar aqui com a pedra. Por favor, salvem o Victor para mim.

Nigel o abraçou antes que fechasse os olhos. O veneno sombrio consumiu seu corpo, até que piorasse. Elisa e os outros médicos já usavam as técnicas mais potentes, enquanto elementares venenosos liderados por Rubino tentavam extrair o veneno sombrio. Mesmo assim, Hector pareceu não resistir.

- Droga! - Falou Spike nervoso ao ver o ex-general morrer. Ele abraçava Sasha com força, que não parava de chorar pela morte dos amigos. - Pelo menos derrotamos aquela maluca. Temos nove pedras, só falta…
No mesmo instante em que ele falava, outro clarão surgiu ao oeste. Alice, com as pernas imóveis por um ataque psíquico, se arrastava com rapidez.

- Pessoal, eu consegui! Peguei a Água Marinha da general. Ela é terrível, usa ilusões para nos enganar. Mack e minha mãe foram pegos e Leo estava preso numa esfera psíquica. Voltei aqui para entregar a pedra para derrotarmos Polius, mas preciso retornar para lá com reforços. A general de água marinha precisa libertar Leo e minha mãe!

- Calma. - Pediu Zarcag do futuro. - Você disse que ela usa ilusões, é isso? E que Mack e Mixa estavam sob seu poder?

- É. Seria melhor enviarmos elementares psíquicos para lá. E elétricos também, ela controla a água como segundo elemento. E por quê não consigo mexer minhas pernas?

- Você tem razão em relação a ela usar poderes psíquicos. Parecia que ela ia te paralisar com um golpe instantâneo irreversível. Fique tranquila, isso irá sumir em uma hora.

Ela respirou aliviada e entregou a pedra de água marinha.

O capitão N olhou para o telão com Joe e perguntou:

- Vovô, acha que consegue me enviar nas próximas horas o inalador? Vou pedir para que Izzy o ative ao meu sinal.

- Sim, irei tentar o quanto antes. - Avisou ele. - Só preciso de umas peças finais para que a máquina do tempo fique reutilizável e  assim que possível o entrego a vocês.

O comandante se virou para decidir o plano de invasão na base.

- Certo. Alice disse que Mack, Mixa e meu filho precisam de ajuda no Havaí. Izzy, quantas fibras óticas nós temos?

O garotinho se virou assustado para apanhar o que lhe restava de fios teletransportadores e respondeu:

- Mais três, capitão.

- Ok. Priece, Lerman, vocês comandam o elemento de eletricidade. Enzo, você possui poderes psíquicos. - Ele apontou para três soldados de alta patente e confiança dos rebeldes. - Ajudem nossos amigos a saírem da base havaiana. O restante…

Nigel foi interrompido por várias explosões no outro extremo do acampamento. As tropas inimigas chegaram e invadiram o local, que não possuía mais segurança graças à confusão do telão barulhento.

- Merda. Tropas, protejam os feridos no hospital e lutem com todas as suas forças. Rubino, seu esquadrão fica responsável por defender Izzy e o telão para que Joe possa nos trazer o inalador. Todos os Numbers, guardiões e Stars restantes venham comigo para a saída norte!

Todos responderam de prontidão ao chamado de seu líder e logo a trégua se cessou. As tropas polianas chegaram e uma enorme confusão naquele pedaço do acampamento acontecia repentinamente. Joe consertava a máquina em 2014 enquanto todos lutavam. O grupo de dez pessoas que Nigel convocou para a saída se uniu de prontidão.

- Para quebrarmos a cúpula de Polius, é necessário que cada um segure uma pedra preciosa em sua respectiva entrada. Assim, invadimos a cúpula e damos uma surra em Kraft. O que acham? Assim a guerra cessará o quanto antes!

Os nove concordaram de imediato. Até mesmo Marcus Ohlie, que antes estava assustado por ter perdido a visão, se ofereceu para socar a cara de idiota de PK.

Nigel distribuiu as dez gemas, uma para cada um, que se posicionaram para as nove faces da crisálida de diamante, mais o topo.

Nigel do futuro pegou a turmalina que pertencia a Arithia e ficou no topo, flutuando levemente. Kiwa apanhou a esmeralda de Lúcia. Ao seu lado, Nigel do passado segurava a Lápis Lazuli do amigo Hector. Logo após, os dois Steves se concentravam com o rubi de Raysa e a Safira de Bobby. Ohlie apalpava a ônix de Theodore. Do outro lado, Sasha segurava a ametista de Michelle. Já Spike, brincava com a água marinha da general ilusória. Por fim, os dois Zarcags ficaram com a obsdiana de Kihar e o topázio de Thor. O capitão N gritou em contagem regressiva.

- Três, dois, um!

No sinal, todos encostaram a pedra onde deveriam. A cúpula começou a reverberar como um frágil casulo de mariposa se rompendo. Ao mesmo tempo, sem eles saberem, Alice conseguiu mover suas pernas. Uma hora havia se passado.

E a cúpula caía lentamente, como cacos que se espalhavam sem direção segura numa tempestade. Os rebeldes comemoravam ao longe o que viam, como se a ruína de Polius estivesse mais próxima do que nunca.
No instante em que a crisálida chegava ao meio, outro clarão surgiu no acampamento, ao lado do telão. Mack, Mixa, Leo e uma mulher de cabelos azuis repicados apareceram ao lado de Izzy.

- O que é isso? - Perguntou ele assustado com a aparição repentina.

Rubino e seus soldados se viraram surpresos, prontos para lançar um golpe devastador, mas Mixa do futuro interveio com uma barreira psíquica.

- Parem pessoal! Somos nós! Mack, Mixa, Leo e… Mixa do futuro.

Izzy os observou com os olhos arregalados, enquanto ajeitava os óculos escorregadios no nariz.

- M-Mixa do f-futuro?

- Sim. É uma longa história meu amigo nerd, mas estamos com pressa. - Pediu Mixa do passado para o rapaz. - Onde estão o capitão N e os outros?

O menino de moicano apenas apontou para a crisálida.

- Bosta! - Bravejou Mack. Os quatro correram na mesma hora para a fortaleza de Polius.

Aos poucos, a barreira de cristal continuava a cair e rachar em caquinhos de microchips impenetráveis. O quarteto que veio do Havaí já estava na metade do caminho, quando foram parados por alguém.

- Snow Bomb!

Uma bomba de neve pousou próxima aos pés de Mixa do futuro, obrigando o grupo a parar.

- Alice! - Exclamou Mixa do passado. - Filha, não é nada disso que você está pensando.

Leo, que já tinha acreditado em tudo que Mack e as Mixas haviam comentado, interveio:

- Eles estão certos. Ela é realmente a sua mãe, era uma agente dupla!

Alice parecia se negar da verdade, tal qual Mack fizera na base havaiana. Tal pai, tal filha.

- Filha… me perdoa. Eu precisava desse trunfo para vencer Polius. Se não corrermos até a base, nossos amigos estarão em perigo. Por favor, acredite.

Relutante, a menina de cabelos rosa abaixou as mãos e disse:

- Está bem… eu acredito.

Mack sorriu para Alice, algo que não fazia desde a ida à Amazônia. A mesma menina impiedosa quebrou a face de má para se render à luz. Ela finalmente estava aprendendo.

Mas ele não podia comemorar ainda. A cúpula parecia estar chegando ao fim de ser quebrada, eles precisavam advertir os amigos que aquilo era uma armadilha de Polius e que mais três generais deveriam estar de prontidão para matá-los.

Então, os cinco continuaram a caminhada para a fortaleza de cristal, na esperança de salvar os companheiros. Depois de cinco minutos, finalmente conseguiram chegar. Mas era tarde demais. Os cacos de diamante já estavam no chão e os dez que ali estavam invadiram a base, um em cada canto, como se fossem cercar Polius de qualquer tipo de fuga.

- Precisamos avisá-los! - Gritou Mack desesperado. - Mixa, onde você acha que esses três generais irão aparecer?

A mulher pareceu desconhecer a resposta. Foi então que ela percebeu um pequeno detalhe que lhe daria a verdade daquela questão. Próxima à entrada do palácio, com um aspecto bem fino e quase imperceptível, uma pequena parede de cristal era visível. E ela parecia se encontrar com outras duas, mais para trás. Uma outra crisálida, uma segunda cúpula pequena. Ou seja, três novas paredes defensivas, formando uma pirâmide triangular em volta do castelo, mas abaixo da fortaleza de cristal antiga.

- Ali! Uma pirâmide bloqueadora. Três entradas possíveis, ou seja, três guardiões!

Mal Mixa terminou de falar e as paredes começaram a brilhar intensamente. Os dez elementares rebeldes pararam ao notar que outra barreira surgiu para cobrir o palácio.

- O que é isso? - Indagou o capitão N ao alto da base, aproximando-se de Kiwa.

- Afastem-se! - gritou Mixa do futuro, já prevendo aquilo.

Um enorme raio de luz saiu de cada uma das paredes. O primeiro, com um tom puxado para o verde claro, atingiu Sasha,os dois Zarcags e Spike. A parede mais ao leste emitiu um raio com a cor verde escura e brilhou em cima de Kiwa e os dois Nigels. Por fim, a terceira parede do lado oeste, lançou uma luz alaranjada em direção a Ohlie e os dois Steves. As luzes cessaram tão rápidas quanto chegaram e os dez desapareceram.

- O que foi que aconteceu? - Indagou Mack perplexo.

Leo segurou a mão de Alice com força ao ver o sumiço dos pais. As duas Mixas faziam a mesma cara de medo e surpresa. O pior teria acontecido?

Então, uma voz alta e clara reverberou de dentro do castelo.

- Acalmem-se meus queridos rebeldes e minha amada traidora, seus amigos não morreram. Ainda.

Polius Kraft deu uma risadinha cínica com um desdém evidente.

- Polius… - Comentou Mack com amargura e nojo.

-O monitor não estava totalmente quebrado, cara Mixa. Ouvi tudinho, acredite que quase fui pego de surpresa ao revelar meu plano por completo. E você acertou na mosca. Ainda faltavam três duoátomos. Só que eu também uni o útil ao agradável. Aquele teste para os generais que você fez revelou três seres capazes de coisas bem piores para mim. Três assassinos cruéis e impiedosos que dariam a vida em qualquer era ou espaço a Polius Kraft. 

Nas paredes de cristal, três imagens ficaram refletidas. Na que a luz saiu verde claro, um homem de aproximadamente trinta anos, com cabelos curtos tingidos de esverdeado, como um pedaço de capim, além de um sorriso jovial e belo. Seu olhar era frio e vago, mas aparentemente parecia um universitário de farra que tinha pintado o cabelo enquanto estava bêbado. Segurava uma faixa vermelha igual a de uma ginasta.
- Marin Tartech, o general de Malaquita.

Ao lado dele, no leste, onde a luz saiu verde escura, a figura era feminina. Uma moça linda e com a maçã do rosto perfeita. Os olhos azuis profundos eram mais belos que o de Marin e seus cílios longos a faziam parecer uma modelo. O cabelo arrumado em uma única trança loira para a direita e a boca carnuda da jovem não mostravam quaisquer indício de matadora poliana. Atrás da trança, dava para perceber um shuriken brilhante.

-  Armiala Pezzuto, general de Jade.

Por fim, o homem da parede oeste, com luz alaranjada. De longe, diria-se que era uma mulher. Mas apenas por causa do cabelo. Loiro, com madeixas longas e descuidadas,  um rosto com feições bruscas e rudes, dentes afiados e uma distante semelhança ao Thor dos quadrinhos. Usava luvas de boxe pretas e uma roupa esfarrapada, parecendo um herói de mangá do DragonBall.

- Terkot Alambar, general de Âmbar. Espero que seus amigos consigam vencê-los, pois são os primeiros e únicos a aspirarem um duoátomo e possuírem um suporte criado com microchips.

Aquilo fez Mixa do futuro desacreditar em qualquer chance de vitória.

- Isso quer dizer… que eles são trielementares?!

- Trielementares, polianos e assassinos. Os raios que surgiram teletransportaram seus amigos para a Nova Zelândia, o Chile e a Islândia. Se eles vencerem os meus generais, voltarão automaticamente para cá e a parede será quebrada, sem precisarem de pedras. Aí sim vocês poderão me enfrentar. Sugiro que descansem um pouco, pode ser que essas lutas demorem. Bom descanso aos cinco.

E Polius se calou, deixando as duas Mixas, Leo, Alice e Mack sem reação.

Continua...

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Mensagem por DarkZoroark em Qui 10 Jul 2014 - 23:09

Mud o/
Primeiramente, me desculpe por ter deixado de comentar no último capítulo da Seven. Aconteceu que eu havia lido e feito um esboço do comentário, mas acabei desligando o PC antes de enviá-la. Acabou que fiquei pensando que havia o escrito e só fui descobrir agora que não ocorrera. Realmente, fico no débito contigo. Então, sem muito mais delongas, vamos ao review deste último capítulo que vou tentar deixar mais completo do que de costume para compensar pelo anterior:
Achei interessante a explicação da Mixa do futuro sobre o que ocorrera para ela ter sobrevivido e se tornado uma das Generais do PK e o plano desenvolvido com o restante dos rebeldes. O jeito com que ela explicou o treinamento dos generais me fez lembrar o modo com que o Orochimaru criava os seus ninjas - não lembro qual episódio era para dar uma relação melhor, infelizmente. Interessante também saber que o Mack do futuro - único personagem até agora que eu não tinha posto "do futuro" depois do nome nos comentários - escondeu o Number IV em um lugar que ninguém conhece. Como já era de se esperar tenho lá minhas teorias, mas enfim vou ficar quieto até porque da última vez me enganei feio...
Falando do sujeito, finalmente foi dito que ele era o pai da Alice. É garoto bom... Protegendo a família de tudo que é jeito possível - até sendo preso pelo maior fel da mãe de todos os tempos. Quero só ver é eles explicarem agora para a guria essa história toda. Com o gênio dela, é meio difícil de engolir que ela vai aceitar tudo de boa na primeira tentativa.
A explicação sobre o porque de cada general ter "X" pedra também foi interessante. A Michelle e o Theodore como sendo muito leais ao Kraft eu até tinha conseguido ver, mas não vi tanta relação assim do Bobby com o General. Achei também meio estranho o motivo da Raysa em querer o Rubi, mas acho que pensar em 10 motivos para os caras escolherem o segundo elemento tenha sido um tanto difícil então não vou reclamar muito quanto a este assunto.
Foi um ponto bem legal de se ver a reação dos rebeldes elementares quando o Velho Joe falou sobre o meio de acabar com os poderes. Vi isso como uma segunda parte da moeda, afinal, como foi dito na história, depois que um ser humano consegue algo para se sobressair sobre os outros é difícil de ele dobrar o braço - e o orgulho - e deixar isso de lado, mesmo que para o bem maior. Felizmente o Capitão N, com um discurso muito a lá filmes militares, conseguiu fazer com que todos raciocinassem direito. É Nigel pra presidência em 2026.
E não podia deixar de falar, é claro, sobre o fato mais espantoso deste capítulo, que é a força de elite do Kraft. Tri-elementares são realmente uma força a ser reconhecida. O último que descreveste, como sendo parecido com uma mulher por causa dos cabelos longos, meio que me lembrou o avatar do Kirito em GGO. Teve alguma inspiração daí ou foi só uma coincidência mesmo? Quero ver agora como que vai ser a luta entre os Numbers e Guardiões contra a força de elite poliana - certeza que o espirito de ceifador sinistro vai baixar sobre algum pobre coitado, mas vai ser interessante ver como que isso irá ocorrer. Fico ansioso também para ver como que será a luta da Islândia. Afinal, o país é coberto de gelo mas cercado de vulcões por todos os lados. Vai ser interessante ver esses dois elementos conciliados em uma Fanfic.
Quanto a erros, encontrei apenas um:

Mud escreveu:Eu vi o Neeway se sacrificar para me salvar. Ele sabia que eu era importante para estar viva, só não queria dizer o porquê. Se ela realmente planejou tudo com ele. eu preciso escutar os argumentos.
Não deveria haver aquele ponto depois do "ele".
Quanto a escrita não tenho muito sobre o que falar - já falei mais do que o suficiente, creio eu, por 20 capítulos ou por aí só a elogiando e a cada capítulo consegue ficar melhor. Realmente é uma das melhores do fórum. Só fico na torcida que continues a escrever histórias depois de terminar a Seven. Bem, vou ficar por aqui. Fico no aguardo do seu próximo capítulo.
 ninja 

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Mensagem por Hyurem em Sab 19 Jul 2014 - 11:20

Mud!
Mind blowing  Shocked Como conseguiu pensar nisso tudo? É impressionante, parabéns pela criatividade e esforço. O plano da Mixa, do Mack, do Velho Joe e do Neeway foi muito bom. Só não entendi muito bem como a Mixa se passou de Arithia para Polius. Ele deveria poder sentir que o "clone" não era um clone realmente, se não quando estivessem longe mas pelo menos durante os testes para os generais chegarem a essa posição.
Trielementares parecem ser um bocado fortes. Por que raios o Nigel colocou elementares do mesmo elemento numa mesma equipe?! Faria muito mais sentido equilibrar as forças para que um elemento superasse a desvantagem do outro, mesmo que se perdesse um pouco a harmonia entre os combatentes por não serem os mesmos só que de épocas diferentes.
A Alice aceitou em rápido que a Mixa do futuro é verdadeira. Mas acho que isso ainda pode causar problemas na luta contra o Polius.
A descrição e narração estão ótimas como sempre e só notei uma falta de letra, mas esqueci de anotá-la, foi mal xD
É isso, aguardo ansioso seu próximo capítulo.
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Mensagem por Kurosaki Mud em Dom 24 Ago 2014 - 17:47

Olá pessoas o/
Demorei pra variar, mas estou firme e forte com a fic. Como agora tenho um blog e tal, ando escrevendo muito para lá, mas quero terminar issaque sim u.u Já adianto que formatação é de ferrar o cajuru aqui, como sempre, a fonte tá zoada e as cores estão trocadas, mas vai ser assim até o final da fic galera, sinto muito.
DZ: Valeu man : > Não me inspirei no Kirito, apesar de gostar de SAO. Eu tinha feito essa personagem em fevereiro, mas só apareceu agora xD Sim, foi um errinho o ponto final lá e.e E bingo, acertou o que vai acontecer na Islândia, fogo + gelo. Mas eu fiquei na dúvida entra colocar o terceiro elemento entre psíquico e luta, no final das contas escolhi o desse cap a seguir. Continue a ler, valeu pelos coments : 3
Hyu: Hurem o/ Valeu pelo coment. Sobre a parte da Mixa enganar o Polius, na verdade ela controlava a Arithia, não sei se expliquei isso direito. Como a Arithia sugeriu o plano ao Polius, ele acreditou. Só que para testar e ver se o clone era forte, ele precisaria derrotar os concorrentes a bielementares. Se ainda ficou confuso, me avisa xD Nigel não é dos mais espertos, mas entendeu que aquele elemento seria crucial para derrotar as tropas, por isso enviou uma equipe especializada nisso. A Alice não aceitou muito não, se não fossem os amigos, ela ainda desconfiaria, pode ter certeza -q

Segue o cap XXXIV mais curto que o habitual, o meu tempo na facul está me matando e pode ser que eu volte a trabalhar. Por isso, não garanto a fic tão cedo, mas como avisei antes, pretendo fazer o seguinte se o papai do céu colaborar:
Cap 35 - Setembro - Conclusão dessas lutas abaixo
Mixa Mix Talk Show Final - Outubro no começo, talvez gente.
Cap 36 - Luta final - Parte I - Outubro no final
Cap 37 - Luta final - Parte II - Novembro
Cap 38 - Luta Final - Conclusão - Último Cap - Dezembro
Epílogo - Ou dezembro ou janeiro de 2015

Segue o cap:


XXXIV
Steve sentiu como se uma força magnética lhe atraísse para o além. E em questão de segundos, o baque que atingiu seus ouvidos foi resultado de um impacto brusco no chão. A terra rochosa agora impregnava sua jaqueta vermelha esfarrapada. Ao seu lado, sua versão do futuro coçou o nariz para evitar um espirro alérgico de poeira. Marcus Ohlie estava mais distante, talvez um pouco perdido por sua recente cegueira.

- Onde estamos?

O local em sua volta era uma cadeia de montanhas. Pelo ar rarefeito que sentia e a pressão repentina, sabia que a altitude do local era altíssima. Além dos três, apenas o marrom escuro das pedras e paredes e o azul celeste do céu podiam ser vistos. Steve se aproximou de Ohlie e o guiou até Steve do futuro.

- Creio que é uma cadeia montanhosa distante de Nova Iorque. Ou é um campo simulado de microchips, assim como Polius fez na Torre Arco-íris.

- Duvido muito. - Afirmou Marcus. - Mesmo sem poder enxergar, sinto que a atmosfera é real. Eu fui um dos guardiões da torre, sei como é a sensação de estar em uma natureza simulada. Além disso, o ar é escasso e os efeitos no corpo podem ser notados.

Steve do futuro estralou os dedos e sorriu em resposta:

- Isso quer dizer que Kraft nos afastou do verdadeiro objetivo. Medroso, para variar.

O homem começou a estralar o pescoço quando sua versão de 2014 percebeu algo diferente:

- Cuidado!

Ele empurrou Ohlie em cima de sua versão do futuro e os dois caíram de um jeito desastroso. No mesmo instante, uma corrente de ar elétrica faiscou exatamente onde a cabeça do Number II estivera.

- O que foi isso? - Perguntou Marcus confuso por ter sido arremessado.

- Estamos sob ataque. Se eu tocasse nele, voltaria ao passado. Peço desculpas. - Respondeu ele já em posição de combate.

Os dois brutamontes se levantaram e Steve do futuro perguntou:

- De onde veio o ataque?

O garoto virou quarenta e cinco graus à esquerda antes de responder:

- De trás daquelas rochas. Há alguém ali.

E assim, logo após Steve apontar para o local, um homem saiu. Suas feições rústicas e mau-humoradas lhe davam um ar de solitário. Algumas cicatrizes perceptíveis abaixo do queixo indicavam brigas e quedas passadas. O cabelo loiro vinha até o culote, preso por um penteado no mínimo diferente. As roupas brancas constratavam com o castanho das montanhas, como um suspiro no meio do bolo de chocolate. Steve permaneceu imóvel, encarando o novo oponente.

- Quem é você? - Indagou ele.

- Meu nome é Terkot Alambar, o general de Âmbar, o ermitão dos Andes. Por meio do soberano Polius Kraft, estou encaminhado de matá-los e conseguir o Numb II. Caso me vençam, o que será impossível, liberarei a parede de cristal que separa seus rebeldes do meu líder.

Steve nunca foi de pensar muito, mas entendeu o que aquilo significava. Polius tinha cartas na manga, como era de se esperar. E aquele homem era outro general surpresa. Precisavam derrotá-lo para liberar a passagem, e tudo parecia estar a favor dele: a começar pelo lugar, pois se ali fosse realmente a cordilheira dos Andes, o ar rarefeito e a pressão lhes deixariam sem fôlego. Pior ainda para um trio de combatentes do tipo Luta, que tinham desvantagem em acertar um golpe se ficassem zuretas. E para piorar, Terkot disparou seu primeiro ataque com relâmpagos e correntes de ar. Logo, era um bielementar de eletricidade e ventos. Ohlie também controlava os raios, mas o ar podia imobilizar o trio, evitando os ataques físicos.

- Certo. Aceitamos o seu desafio, idiota. - Desafiou Steve do futuro com sua sagacidade e arrogância de sempre. - Direct Punch!

O homem esticou os dois braços com rapidez, direcionando-os ao corpo do general. Porém, Terkot desapareceu com se tivesse teletransportado, e reapareceu em seguida atrás de Steve do futuro e Ohlie.

- Wind Spin!

O inimigo girou o corpo com força e o auxílio do vento, mirando as costas do dois rebeldes. Entretanto, Marcus percebeu o movimento pela audição e tentou uma defesa de última hora.

- Electric Shield.

- Perda de tempo. - Comentou o ermitão montanhês.

Com um estalar de dedos, a barreira sumiu e os dois receberam o golpe repentino.

Steve correu para ajudá-los, já preparando o N-Weapon, Ruby Knuckles. Os socos ingleses apareceram como duas luvas com joias preciosas, cintilando os rubis em evidência.

- Ruby Punch!

Terkot desviou novamente de um soco elástico, já aparecendo do outro lado de Steve.

- Aerial Discharge!

- Defensive Carmin!

Um vendaval de íons e cargas quase atingiu o menino, que conseguiu se defender a tempo com um círculo carmim projetado pelas soqueiras.

Ohlie e Steve do futuro se ergueram e dispararam golpes para ajudar o amigo.

- Electric Punch!

- Elbow Poke!

Terkot se abaixou e segurou ambas as mãos inimigas, juntando-as para se confrontarem em um ataque mesclado. Marcus acabou socando o parceiro, e vice-versa.

- Spark Saw!

O general projetou uma serra amarelada de eletricidade e disparou o círculo da morte no pescoço de Steve do futuro. O Number, porém, desviou com um impulso no solo, já alertando aos companheiros:

- Já que golpes de luta não funcionam nele, usem o campo ao nosso redor! A terra pode inibir a eletricidade e as pedras podem evitar o ar de fluir!

Steve do passado seguiu o conselho de si mesmo e usou os socos ingleses como britadeiras na montanha, escavando parte do solo terroso. Logo após, começou a disparar os pedaços de terra que emergiam no adversário.

Terkot Alambar deixou ser acertado pela terra e sua roupa branca sujou rapidamente. Porém, aquilo não surtiu efeito algum.

- Cansei de brincar com vocês três. Achei que fossem mais fortes, mas Polius estava enganado mesmo. - Ele estalou os dedos e por uma fração de segundo, Steve conseguiu notar uma espécie de anel quebrado em um de seus dedos. A joia se estendeu e cobriu a mão esquerda com couro e retalhos castanhos.- Earth Clap!

Então, os três pararam de contra-atacar, notando a aparição de um suposto equipamento. Um tremor forte surgiu na cordilheira e reverberou pela costa inteira, um terremoto em larga escala. Em menos de dois segundos, a terra se dobrou com as montanhas, como uma sanduicheira gigantesca. Com exceção de Terkot, todos foram esmagados com força, sem deixar vestígios aparentes de que um dia pisaram nos Andes. A terra voltou ao norma na mesma velocidade em que se dobrou, e os três corpos desabaram.

Marcus parecia o menos atingido. Apesar dos sérios hematomas no corpo, pareceu usar a eletricidade para tentar apaziguar o impacto. Mesmo com ferimentos, pareceu dar certo.

Steve do passado perdera quatro dentes. Seu supercílio sangrava e o N-Weapon tinha rubis quebrados ou tortos. Partes do corpo misturavam o roxo do inchaço e o vermelho do sangue. Mas ainda estava vivo, graças à proteção de última hora do seu equipamento.

O pior era Steve do futuro. O corpo inteiro estava uma cacofonia de feridas e terra. O braço esquerdo tinha uma fratura exposta grave e a perna parecia quebrada. O olho esquerdo parecia uma cereja que gotejava um líquor amarelo e rubro asqueroso. Os cabelos brilhantes viraram fiapos de feno queimados.

- Filho da…

Ele se ajoelhou antes de completar a frase. Terkot parou de flutuar de onde estava e se aproximou do que sobrara do inimigo. Primeiro, pegou um pouco do sangue e lambeu por puro sadismo.

- Salgado e heroico. Garanto que sua morte será rápida e dolorida, meu caro.

O fato de saberem que Terkot era um monstro, e que possuía um terceiro elemento, já não mudava mais nada. Ele transformou a mão esquerda protegida pela luva-anel em uma clave de terra e perfurou o queixo e a garganta de Steve. Aquilo já bastaria para matá-lo, enquanto o sangue caía descontroladamente. Mas o loiro decidiu continuar e perfurou cada pedaço do corpo dele que conseguia. Os berros de Steve pioravam, enquanto Ohlie e o outro Steve tentavam se levantar para evitar aquilo.

Por fim, com uma última perfuração no peito, ele jogou o corpo do brutamontes com facilidade ao lado da parede rochosa. Aparentemente, ele ainda respirava, mas seria impossível estancar os ferimentos para que sobrevivesse.

- Quem será o próximo de vocês? - Indagou ele lambendo os beiços cobertos de sangue. Definitivamente, o ermitão parecia mais um vampiro cruel do que um mimadinho de roupas brancas limpas.

~//~

Sasha Ginger caiu de costas no que pareceu ser um punhado de capim. Sua roupa elástica sentiu um rasgo abrupto no quadril e sua cabeça não se chocou por pouco. Ao redor, os dois Zarcags e Spike caíam desastrosamente.

Sasha contemplou a campina verdejante com um olhar observador. Parecia cena de novela ou filme, em que cavalos viris corriam pelas colinas debaixo de um sol forte enquanto a vida era uma maravilha e o mundo nunca iria acabar.

Mas ela sabia que aquilo estava longe de ser real. A começar pela ditadura em que estavam, difícil mesmo seria entender como aquela campina resistiu aos atos escrotos e porcalhões do mundo poliano. Sasha tinha noção de que poucos lugares ainda possuíam a vastidão e a vida daquela maneira. E então, chegou a pensar que a pirâmide ao ser quebrada, matava quem fez aquilo, agindo como uma armadilha mortal. Só que não havia sentido, senão estaria junto dos outros seis restantes ou sozinha. E tudo parecia vivo demais.

- Onde estamos? - Indagou Spike massageando a cabeça. Os quatro se ajeitaram de pé e observaram a paisagem.

- Não temos como saber, mas aposto que minha versão do passado e Sasha já notaram que não há construções em um raio de cinquenta quilômetros. - Explicou Zarcag do futuro com um dos dedos na têmpora, como se estivesse passando telepatia.

- Caramba… esse poderzinho psíquico de vocês é assustador. - Comentou o Amphere com uma careta. - Mas isso quer dizer que…

Ele parou a frase na metade ao receber um soco no queixo bruscamente. Ao contrário do que pensou ser um inimigo, Spike fitou Zarcag do passado com ira e falta de ar.

- Você ficou doido? - Indagou ele irritado. - Eu ia te contar sobre o seu pai ser aquele idiota do Kraft, mas não tive a oportunidade por causa de tudo que aconteceu! E agora você vem e me dá um soco do nada?!

- Não fui eu! Meu braço, ele… - Antes de Zarcag se explicar, seu corpo se virou de um jeito estranho e rapidamente foi arremessado pra cima de Sasha, que o levitou para evitar um confronto.

Supondo que o contorcionismo seria impossível por vontade própria, o mais velho deles se adiantou:

- Estamos sob ataque, depois vocês resolvem essa história de identidade do meu pai. - Falou Zarcag do futuro olhando em volta, procurando alguém com poderes psíquicos. Se ele já sabia previamente ou não da real paternidade, ainda era um mistério. - Não sinto alguma forma de calor humano aqui ou de presença hostil para controle mental. Vocês conseguem sentir?

Sasha negou enquanto se concentrava. Zarcag do passado confirmou a falta de sentido.

- Mas parece que meu braço está sob uma força estranha, especialmente na ponta do cotovelo.

Zarcag do futuro se aproximou e observou a versão antiga de si mesmo, com certa distância e cautela. Se ele tocasse nele ou em Spike, os dois voltariam ao passado.

- Não percebo nada…

Antes que Zarcag prosseguisse, sua versão do passado se jogou em cima dele. Por pouco, ele evitou o contato.

- Que droga é essa? - Indagou ele confuso.

- Cansei dessa brincadeirinha, seu emo de merda! - Falou Spike irritado, disparando uma carga elétrica no corpo do Number III. O choque reverberou pelo corpo do adolescente e soltou faíscas em volta dele. - Isso foi pelo soco de agora!

- Seu idiota elétrico! - Respondeu Zarcag irritadíssimo, com parte do cabelo roxo chamuscado. - Isso não é nenhuma atuação, há algum tipo de força psíquica me controlando, não estou fingindo nada!

Zarcag se preparou para contra-atacar o loiro, mas Sasha apartou a briga.

- Parem vocês dois! É isso que estão querendo que façam! Vocês, um contra o outro, irão acabar facilitando o trabalho do inimigo! E aliás, até que o golpe do Spike foi útil.

Os dois pararam de se encarar e olharam Sasha curiosos. Até Zarcag do futuro a instigou:

- Quando Zarcag recebeu a carga de eletricidade, pude notar um feixe pequeno saindo do cotovelo e sendo conduzido por um corpo na grama. Foi tudo rápido, em apenas um segundo.

- Feixe? Como um fio? - Indagou Zarcag.

- Mais ou menos. Parecia uma…

- ...Língua! - Exclamou Zarcag do futuro ao empurrar Sasha com telecinese. Ela se moveu de súbito e escapou de ser lambida inesperadamente.

- O que foi isso? Eu vi por um instante uma língua de réptil ou de sapo! - Comentou Zarcag do passado ao sentir o braço mais móvel.

Uma risada calma e jovem soou pela campina. Então, sem mais nem menos, um rapaz de prováveis trinta anos, com um cabelo verde chamativo e espetado, apareceu no exato local onde Sasha estivera.

- Parece que eu bobeei ao receber o choque daquele estúpido. Mas foi bem divertido. Precisavam ver a cara do molequinho ali, “Não sei o que está acontecendo”, “Foi sem querer Spike”! Hahaha!

O homem ria como um palhaço de circo. Usava roupas belas, uma jaqueta vermelha de couro com calças combinando e um sapato discreto. A pele branca e pálida como se estivesse morto não combinava com o Sol ardente. Os olhos azuis pareciam sem vida e taciturnos. Com a mão direita, segurava uma faixa asquerosa em tom de grená: a língua que provavelmente Sasha e Zarcag notaram. Os quatro rebeldes se posicionaram defensivamente para qualquer eventualidade ou ataque surpresa.

- Como não sentimos sua presença aqui antes? - Perguntou Zarcag do futuro indeciso.

- Bem… não sei bem como seus poderes de mente funcionam, mas são todos falhos em humanos se não há calor. Podem prever o que acontece em sua volta, se está muito barulhento ou silencioso, mas nada é possível sem as altas temperaturas do corpo humano. Mas vocês jamais iriam me localizar!

Zarcag e Sasha se olharam em dúvida, enquanto Spike respirava profundamente.

- Meu corpo é igual ao de um réptil. Fiz com que o soberano Kraft me transplantasse o sangue de um lagarto. Agora, tenho um sangue frio e posso me camuflar. Com meu suporte, Toxic Tongue, eu posso controlar as ações dos meus inimigos por meio de toxinas. Por isso, não usei poderes mentais e não há como vocês me vencerem!

Zarcag, de repente, se ajoelhou bruscamente. Sentiu seu corpo arder em febre, com um suor exacerbado escorrendo da testa chamuscada.

- Zarcag! - Gritou Spike assustado.

- Meu veneno já se passou pelo braço dele. Em algumas horas, seu cadáver se unirá ao dos neozelandeses daqui.

- Neozelandês… estamos na Nova Zelândia, não é? - Perguntou Zarcag do futuro.

- Pois é, caro amigo. Meu nome é Marin Tartech, o general de Malaquita. Estou encarregado de conseguir os Numbs I e III ao meu mestre, enquanto mato todos que me atrapalharem. Como espalhei veneno no pequeno ali, sei que se ele morrer, você também desaparece. E o casalzinho loiro parece inútil. Por isso, quero brincar com vocês!

Marin saltou com uma velocidade surpreendente e lançou o suporte de língua em direção a Spike. O rapaz deu um rolamento para trás e disparou um golpe elétrico:

- Shock Counter!

O jorro elétrico estava prestes a atingir o general, que se defendeu com calma:

- Dew Barrier!

Pequenas gotículas de água surgiram de sua mão e pedacinhos da grama do chão levitaram. O relâmpago atingia as gotas e se fragmentava lentamente. A grama absorvia a eletricidade e evitava que qualquer dano chegasse ao protegido.

- Adoro essa técnica contra os meus amigos elétricos. Funciona tão bem!

Zarcag do futuro arregalou o olho surpreso. Ele quis confirmar o que seus olhos viram:

- Você envenenou minha versão do passado e controlou o orvalho com a grama para se defender. Água, veneno, planta. Você é um trielementar?

- Na mosca, cara de gótico! Aliás, que vontade de comer uma mosquinha! - Ele de repente desapareceu com um passe de mágica.

Zarcag do passado gemia de dor enquanto seu corpo assumia um tom rosado. Seu braço direito todo e seu pescoço já adquiriam o veneno. Os outros três formaram um círculo defensivo em volta dele para não deixarem brechas ao ataque de Marin.

Então, ele disparou a língua, que só foi visível por um segundo. Sasha foi o alvo, e se esquivou. Porém, ela sentiu o dedo encostar na língua pegajosa.

- Vamos menina, que tal matar seus amigos e depois morrer envenenada? Afinal, minha língua já liberou as toxinas nesse seu mindinho lindo e…

Marin parou de falar ao sentir sua língua congelar bruscamente. Sasha se concentrou para estancar o veneno no dedo mínimo que virara um cubo de gelo. Não poderia usá-lo até tomar um antídoto ou vencer Marin, mas foi a solução mais eficaz possível, pois além de evitar a proliferação das toxinas, seria impossível arrancar a língua de um bloco de gelo repentino.

- Sua maldita! - Exclamou o general zangado pelo truque surpresa. - Eu vou acabar com cada órgão seu, não preciso do veneno para isso!

- Psycho Impact!

Zarcag do futuro disparou uma onda psíquica que acertou o peito do homem, fazendo-o cambalear para trás. Marin Tartech se irritou ainda mais, como se o seu sangue pudesse ferver novamente.

- Parece que terei mais trabalho do que esperava. - Comentou ele.

~//~

O capitão N levitou com calma por cima da pequena ilha em que caía. Ao seu lado, sua versão do passado segurava Kiwa romanticamente. Eles não sabiam do teletransporte, é claro, mas como o comandante dos rebeldes era um cara sagaz, evitou que seus companheiros caíssem em alto mar.

- Você sabe que lugar é esse? - Perguntou Nigel do passado com uma cara de curiosidade.

- Suponho que seja a Islândia. Repare como as falésias da ilha são surpreendentes. E o vento daqui se mescla, correntes frias do Ártico com o ar tropical do Sul. Com certeza é um lugar no hemisfério norte e com uma ilha longíqua...

Nigel ia continuar a explicação, mas Kiwa notou algo na pequena ilhota abaixo:

- Tem alguém ali!

E tinha mesmo. Uma linda mulher jovem, com o cabelo loiro trançado, parecia chorar ajoelhada. Segurava um estranho objeto que se assimilava a um filtro de sonhos. Suas roupas brancas e plásticas se destacavam, especialmente as galochas lustradas.

- Ela está chorando… será que devemos ajudá-la?

- Não. - Disse Nigel do futuro. - É uma armadilha de Polius, tenho convicção disso. Vamos voar para o leste e vejamos se ela nos seguirá.

E assim o trio fez, flutuaram cada vez mais para o leste, se afastando da ilhota com a menina chorando. Porém, uma nova ilha surgiu na direção em que eles viajavam.

- Não pode ser! - Exclamou o capitão N surpreso.

A mesma ilha, com a mesma moça. Parecia que eles andavam em círculos, um vórtice de minhoca sem fim.

- Continuem, para o nordeste agora! - Ordenou ele.

E na medida em que se afastavam da ilha, ela ressurgia da mesma forma.

- Maldição! - Praguejou o adulto. - Desçam para ver o que Polius quer! Mas, com cuidado!

Os dois concordaram, sem escolhas. O pouso leve aconteceu há cem metros da loira, que ainda chorava.

Quando o trio pisou na areia fofa, Kiwa resolveu perguntar:

- Por que você está chorando?

A loira se levantou devagar, limpando os joelhos sujos de areia. Devia ter uns vinte e tantos anos, uma universitária europeia ou algo parecido.

- Eu não consigo sonhar! - Gritou ela em pânico.

Nigel do passado ergueu uma sobrancelha ao estranhar o que ela quis dizer.

- Er… sonhar? Mas não podemos escolher quem sonha ou não. Muitas vezes, algumas pessoas nem lembram de seus…

Ele parou quando sentiu que a moça se aproximou rapidamente. Sem atacar, ela apenas o encarou com uma expressão de choque.

- Você não me entende! Eu não posso sonhar, então ninguém pode! É uma maldição!

Ela ergueu o objeto em sua mão direita, o estranho filtro de sonhos. Em questão de segundos, a paisagem se modificou. O mar ao leste se tornou chamas como um inferno, cobrindo grande parte da ilha. O lado oeste era neve, tão gélida e violenta que tingiu a areia de branco. No meio da ilha, um vento resultante do choque de calor e frio ecoava em rajadas de relâmpagos. E a menina continuava com a mesma expressão.

Nigel do futuro ficou parado, observando tudo. Kiwa, que estava próxima ao mar de fogo, foi engolida por uma onda flamejante, que a consumiu rapidamente. Nigel do passado corria desesperadamente para o lado da amada, mas o frio lhe prendia sem piedade. A loira continuava em estado de pânico no meio da ilha.

Entretanto, Nigel do futuro continuou calmo em meio ao caos. Ele contou até três pacientemente e bateu as palmas em uma lufada de vento, que se espalhou fortemente pela ilha. O mar de fogo sumiu, a geada também, as rajadas evaporaram e a loira parou de entrar em pânico.

- Boa tentativa, garota. - Exclamou ele. Ao seu lado, Kiwa e Nigel surgiram ofegantes, parecia que haviam corrido uma maratona.

- O que foi isso? - Indagou Nigel do passado tremendo. - Eu só via neve, frio e…

- Foi um sonho. O poder dessa garota é controlar ilusões com o elemento psíquico. O gelo e o fogo que vocês enfrentaram era real, mas inseridos dentro de um sonho. Ela é uma trielementar.

Os dois não conseguiram responder. A loira fitou os três com um olhar intimidador, bem diferente da assustada expressão de pouco tempo antes.

- Desde quando notou a ilusão?

- No momento em que as ilhas se repetiam, esse filtro dos sonhos é sua arma psíquica.

Ela pigarreou e soltou uma gargalhada:

- Parabéns, capitão. Achei que fosse vencer de vocês facilmente. Meu nome é Armiala Pezzuto, sou a general de Jade. Estou aqui para pegar o Numb VI de um de vocês dois. A menina é dispensável, já que meu senhor conseguiu o Numb V com a versão do futuro dela.

Kiwa se irritou com o comentário e já preparou para atacar a mulher.

- Kiwa, espere. Essa luta vai ser bem difícil. Eu peço para que você e Nigel apenas assistam, se eu disser para me ajudarem, comecem no mesmo instante.

- Olha só, o comandante rebelde é metido a herói. - Ironizou Armiala.

- Mas, Nigel… - Tentou Kiwa.

- Por favor, só peço isso a vocês. - Ele completou antes de saltar para o pescoço da general.

Os dois iniciaram um empate intenso. Rajadas de vento saíam das mãos de Nigel, ao mesmo tempo que neve e fogo se chocavam em um caos de brilho e ataques.

Nigel do passado respirou fundo e deu a mão para Kiwa.

- Parece que esse pesadelo não vai acabar tão cedo…

Ela fechou os olhos e deitou sua cabeça no ombro do amado, desejando poder sumir daquele futuro horroroso.

Continua...

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Mensagem por DarkZoroark em Sex 3 Out 2014 - 20:19

Mud o/
Demorei só para variar ¬¬", mas enfim cheguei para dar o meu parecer sobre este último capítulo. Então, sem mais delongas, vamos ao review:
Achei interessante a disputa entre os tri-elementares e as "facções" da RP. Deu para ter uma ideia da força deles. O Terkot, por sinal... Parece que se deu bem, considerando que nenhum dos três consegue acertá-lo - Pudera né, o cara usar eletricidade, ar e terra dá uma vantagem monstruosa sobre adversários que são praticamente lutadores de mano-a-mano. Curti a personalidade tanto quanto sádica dele e o fato de ele ficar lambendo o sangue dos adversários. Talvez tenha um pouco de psicopatia em excesso, mas tirando isso parece ser um personagem muito interessante. Meio triste - e da hora, tenho de admitir - o modo com que o Steve do futuro morreu. Me lembrou um pouco a "morte" do Kuwabara durante o torneio das trevas - é nostalgia das boas. Teve alguma inspiração ou eu estou viajando - só pra variar ^^'?
Mas entre os três generais novos devo dizer que o que me deixou mais interessado foi, sem sombras de dúvida foi o Marin - Ou será que foi porque os dois Zarcags e o Spike estão lá? duvida . O nome parece de mulher, mas não diminui o impacto do personagem. O fato de ele ter sangue frio e poder se camuflar com o ambiente é de fato bastante interessante. Mais ainda a habilidade de usar veneno para controlar os adversários. Originalmente tinha pensado que ele estava usando eletricidade para controlá-los - usando dos impulsos nervosos - , então veneno foi algo que me surpreendeu. Controlar os adversários e deixá-los para morrer mais tarde é algo deveras interessante, devo dizer. Vou ficar no aguardo para ver como essa situação irá se decorrer.
A parte da Islândia, apesar de curta, foi bem interessante. O uso de ilusões para desorientar seus adversários e então combinar seus outros elementos durante as visões é um ponto bastante original - apesar de que não funcionou tanto assim contra o Capitão N. Fazer o quê, quando o personagem é [palavra censurada] ninguém segura. Vou ficar aguardando para ver como se dará este embate.
Erros não encontrei nenhum e, como sempre, seu a escrita está realmente ótima. Fico no aguardo de seu próximo capítulo. ninja

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